VIOMUNDO

Diário da Resistência


A Crise dos Argumentos
Amor Nos Tempos de Cólera 22/01/2019 - 10h49

A Crise dos Argumentos


Por Marco Aurélio Mello

Estamos em um momento peculiar da história da humanidade.

Vivemos uma crise dos argumentos.

São tantas certezas, quase todas elas inabaláveis, que a racionalidade está em baixa.

Falo não das certezas fundamentadas em bases científicas ou filosóficas, iluminista, mas das certezas fundamentadas em dogmas e estamentos, mais antiga portanto, porque medieval.

Não queremos mais ouvir “o outro” e se o fazemos não lhe damos mais crédito.

Viramos excêntricos, cada um dotado de uma nova “centralidade” individualizada.

Sim, voltamos ao tempo da cruz e da espada.

E onde há o império da força sobre a palavra não há mais porque manter um blog.

Não faz sentido falar apenas para “os meus”.

Nossa ação pelo verbo perdeu a vez.

Pode ser que eu volte a usar a palavra um dia.

Parto, não sem antes agradecer a generosidade do amigo e fonte de inspiração profissional Luiz Carlos Azenha, sujeito íntegro e de caráter.

E sinto-me grato pela preferência de todos os que caminharam comigo até aqui.

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



8 comentários

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Cláudio

09 de fevereiro de 2019 às 04h09

:: * * * * 04:13 * * * * * : Poema “Z”
Para Dilma, Lula e o PT e todos/as os/as progressistas do mundo inteiro. Sinta-se homenageado/a, também.

Penso

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ReXisto

:.:
:
: * * * * 04:13 * * * * * : Elles (Ou Mal lutar é lutar mal)

Nunca se viu povo tão idiota
militando contra a própria sorte!…
Mesmo toda paciência se esgota
quando os “fracos” idolatram o “forte”.

E ainda esperam alguma cota…
Coitados! Que o tempo não lhes corte
a memória em meio à tal rota
da vida indo ainda mais para a morte…

……………………………. Cláudio Carvalho Fernandes
……………………………. (Poeta (anarcoexistencialista))

Poema dedicado ao eleiTORADO brasileño, no pós-eleições de 2018…
:.:

Responder

Joseildes Almeida Alves

08 de fevereiro de 2019 às 09h25

Muito triste! Precisamos de suas palavras. Sinto-me no universo do vazio.

Responder

SANDRA OLIVEIRA

04 de fevereiro de 2019 às 12h12

“e agora, o que faremos?” – “poesia, esses canalhas não suportam poesia”. Rafael Correia

Vamos então protestar com a força da poesia.

Responder

Zé Maria

31 de janeiro de 2019 às 22h13

Chula no Terrero
(Elomar)
Por Jurema Paes (com Zeca Balero)
https://youtu.be/RReFFn7psTc
.
Mestiça – Jurema (Álbum Completo):
https://youtu.be/YNhvHUz5G4M
.
Canal Jurema Paes:
https://www.youtube.com/channel/UC0BqksDd4hZe2fyv7Ndjoaw/videos
https://www.youtube.com/channel/UC0BqksDd4hZe2fyv7Ndjoaw/playlists

Responder

Levi

24 de janeiro de 2019 às 14h25

A racionalidade sempre esteve em baixa. O debate público sempre foi uma questão de achismos vendidos por marqueteiros. A diferença é que, no passado, houve um achismo hegemônico, enquanto que hoje essa posição hegemônica está, no mínimo, sendo disputada (se já não tomada) pelos discursos de direita, que no passado nunca tiveram chance de prosperar.

Responder

Zé Maria

22 de janeiro de 2019 às 19h04

Não faz isso, Camarada!

Ainda Restam no Coração
a Revolta, o Amor e a Poesia.

Como disse Carlos,
o “Mulato Baiano”,
Poeta Guerreiro,
Sangue dos Malês*:

“É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.

Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.

Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

O homem deve ser livre…

O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.”

http://www.vermelho.org.br/noticia/303958-1
https://www.marxists.org/portugues/marighella/1939/mes/rondo.htm
.
E, às vezes, a Música, mesmo,
é o Melhor Argumento:

Um Comunista
Caetano Veloso

https://youtu.be/pM-V3f28Oqc

Um mulato baiano,
Muito alto e mulato
Filho de um italiano
E de uma preta uçá

Foi aprendendo a ler
Olhando mundo à volta
E prestando atenção
No que não estava a vista
Assim nasce um comunista

Um mulato baiano
que morreu em São Paulo
baleado por homens do poder militar
nas feições que ganhou em solo americano
A dita guerra fria
Roma, França e Bahia

Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! Os comunistas!

O mulato baiano, mini e manual
do guerrilheiro urbano que foi preso por Vargas
depois por Magalhães
por fim, pelos milicos
sempre foi perseguido nas minúcias das pistas
Como são os comunistas?

Não que os seus inimigos
estivessem lutando
contra as nações terror
que o comunismo urdia

Mas por vãos interesses
de poder e dinheiro
quase sempre por menos
quase nunca por mais

Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! Os comunistas!

O baiano morreu,
eu estava no exílio
e mandei um recado:
“eu que tinha morrido”
e que ele estava vivo,

Mas ninguém entendia
Vida sem utopia
não entendo que exista
Assim fala um comunista

Porém, a raça humana
segue trágica, sempre
Indecodificável
tédio, horror, maravilha

Ó, mulato baiano
samba o reverencia
muito embora não creia
em violência e guerrilha
Tédio, horror e maravilha

Calçadões encardidos
multidões apodrecem
Há um abismo entre homens
E homens, o horror

Quem e como fará
Com que a terra se acenda?
E desate seus nós
discutindo-se Clara
Iemanjá, Maria, Iara
Iansã, Catijaçara

O mulato baiano já não obedecia
as ordens de interesse
que vinham de Moscou
Era luta romântica
Era luz e era treva
Feita de maravilha, de tédio e de horror

Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! os comunistas!

https://www.vagalume.com.br/caetano-veloso/um-comunista.html

“E em nostalgias e paixões consistes,
Lasciva dor, beijo de três saudades,
Flor amorosa de três raças tristes”

Olavo Bilac
(Do Soneto: “Música Brasileira”)
http://www.vermelho.org.br/noticia/14689-1

“Meu Canto é o que Eu tenho pra Dar”

Canto das 3 Raças
Clara Nunes

https://youtu.be/dcVKb2ht6BE

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil

Um lamento triste sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro e de lá cantou

Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
Do Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou

Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou

E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar

Canta de dor
ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador

Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas como um soluçar de dor
ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô…
.
.
Samba-Enredo 2019

Estação Primeira de Mangueira

https://youtu.be/s91TcNhfYtY

Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500
Tem mais invasão do que descobrimento

Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara
Tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês*

Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Do Brasil que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa as multidões

https://www.vagalume.com.br/mangueira/samba-enredo-2019-historias-para-ninar-gente-grande.html
.
A Revolução dos Malês*

https://twitter.com/i/status/1086974883647627265

Na década de 1830, quando Salvador contava
com cerca de 65.500 habitantes,
sendo que 40 % deles eram escravos.
O descontentamento com as condições de vida era claro
e mesmo entre as pessoas não escravas,
sua grande maioria era formada por mestiços
e crioulos (nascidos no Brasil).

Nessa época, quando considera-se negros,
mestiços escravos e homens livres,
os afrodescendentes representavam 78% da população,
enquanto que os brancos não passavam de 22%.
Entre a população escrava, 63% era nascida na África.

*(https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_dos_Mal%C3%AAs
https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_iorub%C3%A1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nag%C3%B4s)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hauss%C3%A1s

Responder

    Marco Aurélio Mello

    23 de janeiro de 2019 às 15h20

    Obrigado, amigo. O silêncio também é uma forma de resistência. Temporária, provisória, precária. Meu grito de dor é silêncio.

    Zé Maria

    24 de janeiro de 2019 às 02h07

    A Escrita é também uma forma de Resistência Silenciosa.
    Um Abraço Libertário.


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