Walter Falceta: 13 de inúmeras vezes em que o Grupo Globo violentou o Brasil

Tempo de leitura: 4 min
Flávio Bolsonaro na entrevista no Jornal Nacional Foto: Reprodução

Por Walter Falceta*

1. Apoio ao golpe de 1964

O Globo apoiou editorialmente a deposição de João Goulart em 1964 e Roberto Marinho tornou-se posteriormente um aliado civil importante do regime militar. As Organizações Globo cresceram a partir de recursos obtidos em negociações obscuras com a Ditadura Militar.

2. Cobertura favorável ao regime militar

O Grupo Globo contribuiu para a construção de uma narrativa favorável ao regime, reproduzindo as versões oficiais de um sistema de governo que prendia, torturava, estuprava e assassinava seus opositores. Seus veículos serviram para caluniar, difamar e estigmatizar os defensores da democracia.

3. Proconsult e a eleição de Brizola em 1982

Na apuração da eleição para governador do Rio, a Proconsult produziu uma totalização fraudulenta, enquanto O Globo mantinha uma apuração paralela. Brizola denunciou a manipulação de dados contra sua candidatura. Mesmo dianta de evidência irrefutáveis, a Globo nunca admitiu ter participado de um golpe para fraudar deliberadamente a vontade popular.

4. Diretas Já: ocultação deliberada

A própria emissora reconhece hoje que Roberto Marinho orientou que os protestos fossem inicialmente tratados nos telejornais locais, por receio de que provocassem “inquietação nacional”. A Vênus Platinada somente capitulou depois que milhões de pessoas passaram a exigir, nas ruas, o fim do regime corrupto e assassino que arruinou a economia nacional.

5. O debate Lula x Collor de 1989

Apoie o VIOMUNDO

É provavelmente o episódio mais escandaloso da relação flagrantemente desonesta entre Globo e eleições. O Jornal Nacional exibiu uma edição do debate claramente favorável a Collor, selecionando seus melhores momentos e os piores de Lula. A própria Memória Globo registra a controvérsia e informa que, depois dela, a emissora decidiu não editar mais debates.

6. Cobertura do governo Collor e da crise política

Durante o governo Collor, candidato eleito pela “família Marinho”, a Rede Globo realizou uma cobertura seletiva de decisões governamentais e escândalos envolvendo o “Caçador de Marajás”. Ao atirar para debaixo do tapete provas evidentes de desmandos, equívocos e crimes, permitiu que mais uma crise econômica, política e institucional se abatesse sobre o país.

7. Cobertura do mensalão em 2005–2006

A Globo empreendeu uma cobertura parcial e difamante do caso Mensalão, ignorando fatos ou divulgando inverdades sobre políticos ligados ao governo. A Globo tentou, em parceria com estruturas do lawfare, promover mais um golpe de Estado e retirar Luiz Inácio Lula da Silva do poder. Fracassou.

8. Cobertura eleitoral de 2006 e a centralidade da corrupção

Durante a reeleição de Lula, o grupo tentou amplificar factoides e convertê-los em escândalos políticos, como no caso do “dossiê dos aloprados”. O jornal o O Globo e a Rede Globo de Televisão perseguiram, criminalizaram e julgaram de antemão inúmeras figuras públicas que, depois, se provaram inocentes dos delitos que lhes foram imputados. A Globo nunca se desculpou, tampouco indenizou as vítimas.

9. Manifestações de junho de 2013

A Globo modificou seu enquadramento à medida que os protestos ganharam dimensão nacional. A princípio crítica ao alvoroço nas ruas, deu-lhe logo a dimensão de justo levante popular, numa cobertura favorável à quebra da ordem legal. Mais uma vez, considerou o benefício possível de um golpe de estado.

10. Cobertura das manifestações pró e contra Dilma em 2015–2016

Durante o processo de impeachment, Globo, GloboNews e outros veículos do grupo somaram-se às manifestações pró-impeachment. Uma pesquisa da UnB sobre as capas de O Globo encontrou diferenças na maneira como manifestantes dos dois campos eram caracterizados.

11. O impeachment de Dilma Rousseff

A cobertura da Globo contribuiu decisivamente para criar um ambiente político favorável à retirada de Dilma, tratando o impeachment predominantemente como resposta à crise política e econômica. Mais um golpe bem-sucedido contra as brasileiras e os brasileiros.

12. Lava Jato, prisão de Lula e a eleição de 2018

A cobertura intensiva da Lava Jato jamais contestou as falácias, deturpações e intenções golpistas da República de Curitiba. O noticiário calunioso e difamante, sem contraponto, colaborou diretamente para a prisão injusta de Luiz Inácio Lula da Silva. A Globo nunca se desculpou por conceder status de verdade às patranhas de Sergio Moro e seu asseclas. Esse esforço de manipulação abriu caminho para a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, e, depois, para tragédia humanitária de seu governo. As digitais da Globo estão em centenas de milhares de cadáveres, resultado da gestão inescrupulosa da crise da Covid-19.

13. Flávio Bolsonaro: emissora cabo eleitoral.

Trata-se da emissora que inventou o PowerPoint de Vorcaro, trocando de lugar os personagens do escândalo. Seletiva e sistematicamente, a Globo esconde o caso das rachadinhas, a contratação dos parentes do assassino de aluguel, a participação na defesa do assassino da garota de 5 anos (veja PS do Viomundo), os ataques a Nossa Senhora Aparecida, a roubalheira envolvendo o filme sobre Jair Bolsonaro, o caso Rolex, as orgias com garotas de programa. Pelo menos 22 delitos ou condutas impróprias do candidato do Partido Liberal foram ignoradas, atenuadas ou tratadas como “rodapés” do debate eleitoral. A Globo é um recorte adicional da propaganda eleitoral gratuita do neofascismo miliciano.

PS do Viomundo: Walter Falceta refere-se à morte da menina de Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, que foi tema da série jornalística Revelando, apresentada por Camila Pitanga.  

Em fevereiro de 2021, ela brincava na porta de casa, no Rio de Janeiro, quando foi atingida por disparos de fuzil. Segundo a série, o autor dos disparos foi o cabo Bruno Delaroli.

Durante cinco anos, a família aguardou que o caso fosse analisado pela Justiça. Quando o julgamento parecia próximo, um novo advogado passou a integrar a defesa de Bruno Delaroli: Flávio Bolsonaro.

Na época, Flávio já exercia o mandato de senador. Hoje, é candidato à Presidência da República.

A entrada do parlamentar no processo e o adiamento do julgamento estão no centro do episódio. A produção busca entender por que um senador decidiu atuar na defesa do policial acusado pela morte de uma criança e como essa participação interferiu no andamento do caso.

Revelando é uma iniciativa do podcast Calma Urgente, em parceria com o ICL Notícias, a Mídia Ninja e a 342 Artes.

*Walter Falceta é jornalista, consultor editorial, ex-presidente do Coletivo Democracia Corinthiana.

Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo

Leia mais

Paulo Motoryn: Chefe jurídico de Flávio Bolsonaro dividiu defesas com irmã e amigo de Nunes Marques

Jeferson Miola: A estratégia para impedir a eleição de Manuela e Pimenta ao Senado

Paulo Kliass: Tá na hora da virada

Apoie o VIOMUNDO


Siga-nos no


Comentários

Clique aqui para ler e comentar

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Leia também