Jeferson Miola: A estratégia para impedir a eleição de Manuela e Pimenta ao Senado

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Foto: Sul21 com fotos de divulgação

Por Jeferson Miola, em seu blog

Eleição no Rio Grande do Sul é como o kinder ovo; sempre tem uma “surpresinha” armada pelas oligarquias dominantes para impedir vitórias do PT e da esquerda.

Kinder é aquele chocolate em formato de ovo que vem “recheado” com um brinquedinho de surpresa.

Existem vários precedentes de “surpresas eleitorais” que não aconteceram espontaneamente, mas foram articuladas e operadas com o objetivo de derrotar a esquerda em eleições gaúchas.

Na eleição de 2022, a “comandante Nádia” desistiu da candidatura ao Senado a três dias do pleito e declarou apoio ao general Hamilton Mourão com o objetivo declarado de derrotar o petista Olívio Dutra, virtual favorito em todas pesquisas eleitorais.

O reacionarismo e o conservadorismo não se alinham e não se unificam por propósitos nobres a favor do povo gaúcho ou dos interesses do Rio Grande, mas unicamente para se oporem ao PT e à esquerda. Eles não defendem propostas a favor do Estado, só são contra o PT!

Esse alinhamento também ficou evidenciado em várias outras eleições, como em 2006, com a ridícula Yeda Crusius, que confundia pantalha com vestimenta gaúcha, escolhida como representante da frente única reacionária contra Olívio; e em 2014, com o “Sartorão da Massa” – aumentativo, aliás, apropriado ao perfil tosco e grosseiro do escolhido pela vanguarda do atraso para evitar a reeleição do governador Tarso Genro.

E o que dizer da reeleição do Sebastião Melo à prefeitura de Porto Alegre em 2024, poucos meses depois de ele deixar a capital gaúcha alagada e destruída devido à gestão incompetente e irresponsável que sucateou o sistema de proteção de enchentes da cidade.

Nessa eleição não está sendo diferente. Está em marcha o plano para impedir as vitórias de Manuela/PSOL e Pimenta/PT ao Senado e viabilizar a eleição de Sanderson/PL e Van Hattem/NOVO para as duas vagas.

Diminuíram as intenções de votos de Rigotto/MDB em todo Estado, com uma queda significativa em Caxias do Sul e cidades da serra, berço eleitoral dele, enquanto Sanderson cresceu de modo expressivo na região.

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O fenômeno avança de modo consistente nesses dias finais da campanha. Pesquisas mostram que Rigotto pode ter sido rifado e seus eleitores manipulados –pelos algoritmos, por campanhas de desinformação, assédio eleitoral, fake news– para votarem nos dois candidatos bolsonaristas em crescimento, que aparecem empatados com Manuela e Pimenta.

As oligarquias reacionárias que se nutrem de um ódio visceral ao PT e a Lula apostam na eleição do Senado para controlarem o judiciário, subjugarem a democracia e deixarem o Brasil ajoelhado aos pés de Donald Trump.

O fato de o plano da extrema direita estar dando certo não significa que será uma fatalidade incontornável nas urnas no próximo domingo.

É possível, sim, uma eleição no Rio Grande do Sul sem “surpresinhas” da extrema direita e seus satélites políticos, midiáticos e empresariais.

Até o 4 de outubro serão três dias de campanha eleitoral para disputar voto a voto e conquistar a vitória dupla do campo democrático, com Manuela e Pimenta eleitos ao Senado.

É essencial multiplicar o esforço para convencer quem vota em Manuela a votar em Pimenta, e quem vota em Pimenta a votar em Manuela.

As militâncias não só das esquerdas ou progressistas, mas também os setores democráticos, inclusive daquela parcela de direita decente que, se supõe, ainda deve existir, precisarão se dedicar de corpo e alma para vencer o obscurantismo e o fundamentalismo e eleger senadores empenhados em salvar nossa democracia, que está seriamente ameaçada.

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