Na ONU, Wellington Dias fala dos impactos de guerras sobre os mais pobres e da luta global contra fome

Tempo de leitura: 4 min
Ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. Foto: Recorte de vídeo

Em meio a guerras e desastres, Brasil e Espanha promovem luta global contra fome

Ministro brasileiro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, falou à ONU News sobre impactos dos conflitos e da crise climática sobre os mais pobres; ele afirmou que a garantia da segurança alimentar requer investimentos urgentes; Aliança Global criada em 2024 já conta com 218 membros

Por Felipe de Carvalho*, na ONU News

As guerras e as mudanças climáticas representam obstáculos cada vez maiores para a erradicação da fome e da pobreza no mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, 40 milhões de pessoas entraram no mapa da fome nos últimos anos por causa de conflitos.

Esses dados serão apresentados nesta quarta-feira, na reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, uma plataforma de cooperação que é copresidida pelo Brasil e pela Espanha.

Efeito colateral das guerras sobre os mais pobres

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, representa o Brasil no encontro, realizado às margens da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Em entrevista para a ONU News, ele disse que o esforço pela paz é prioridade máxima.

“Nós estamos no caminho certo, vamos estragar esse projeto humanitário por um projeto desumano como as guerras? Ou seja, vamos tirar dinheiro de ajudas humanitárias para salvar vidas, para colocar em um plano de tirar vidas com as guerras?”.

Dias lembrou que os esforços realizados nos últimos anos deram resultado, levando a uma redução de 750 milhões para 645 milhões de pessoas no mapa da fome. O caos gerado pelas guerras, no entanto, ameaça este progresso.

“O lado perverso das guerras, dos conflitos armados, é primeiro que desorganiza a migração e ela termina criando uma desordem onde muitas pessoas, sem planejar, saem dos seus países, às vezes da sua região para outras regiões do mundo. Veja o tamanho do problema nos Estados Unidos, na Europa, no Brasil, em outras partes do mundo. E ela impacta na economia. É o caso, por exemplo, do efeito do preço dos combustíveis, do petróleo e dos insumos para a agricultura, que impacta no preço de alimentos. E isso gera inflação. Quem são os que mais pagam? os pobres”.

A crise climática é cada vez mais urgente

O ministro acrescentou que os eventos climáticos extremos também são um fator de grande preocupação, pois ameaçam a produção e distribuição de alimentos.

Apoie o VIOMUNDO

“A realidade dura da elevação da temperatura e mudança do clima é uma realidade. O que aconteceu com o Nepal não é um acaso. Os Estados Unidos. O Brasil. Os países sempre tiveram situações de uma seca, de uma enchente, às vezes até de um tornado, mas não nessa frequência. Dentro do Brasil. Para falar um exemplo, a gente raramente tinha seca na Amazônia. Agora é todo ano, todo ano, ou seja cada vez mais forte”.

Ele adicionou que os que mais sofrem com os eventos climáticos extremos são ribeirinhos, pescadores e povos indígenas.

Dias fez um apelo para que os trilhões de dólares que são investidos em guerras passem a ser usados para reduzir a fome e a pobreza, e para lidar com as mudanças do clima.

Crescimento da Aliança Global

Ele destacou a importância da Aliança Global Contra a Fome a Pobreza, criada em 2024, durante a presidência do Brasil no G20, o bloco das 20 maiores economias do mundo.

De dois anos para cá, a iniciativa cresceu de 148 para 218 membros, e conta com países de todos os continentes, organismos da ONU, instituições de pesquisa, setor privado e bancos multilaterais.

O ministro explicou que dentro do grupo existem países como o Brasil, que são capazes de executar seus próprios planos nacionais de combate à fome e à pobreza, mas também países em busca de apoio, que já são cerca de 20.

Nesse sentido, ele destacou a preocupação com quedas acentuadas do financiamento internacional, citando por exemplo a decisão de países europeus de cortar 17% da verba para ajuda externa. Isso restringe a capacidade da Aliança de apoiar países em desenvolvimento.

As famílias em Mianmar foram duramente atingidas pela alta dos preços, com as mais vulneráveis ​​enfrentando dificuldades para suprir suas necessidades diárias Foto: WFP/Htet Oo Linn

Fundo Garantidor

A iniciativa também funciona como uma “cesta” de políticas que já foram testadas e consideradas eficientes como a transferência de renda, que contribui para o desenvolvimento econômico dos mais pobres, e o reforço da merenda escolar, que contribui para as metas de educação.

O ministro compartilhou que já sentiu na pele a insegurança alimentar e sabe como ela afeta o aprendizado.

Sobre políticas aplicadas no Brasil, ele citou a criação de um Fundo Garantidor que possibilitou investimentos de R$ 4 bilhões em pequenos negócios, fazendo com que pessoas que antes recebiam benefícios do governo, como Bolsa Família, hoje consigam gerar emprego para tirar outras pessoas da pobreza.

Dias revelou que, durante a Assembleia Geral, o governo brasileiro vai discutir com o Banco Mundial e com o Banco Interamericano estratégias para replicar este modelo do Fundo Garantidor para beneficiar países pobres.

*Felipe de Carvalho é jornalista da ONU News.

Leia também

Apoie o VIOMUNDO


Siga-nos no


Comentários

Clique aqui para ler e comentar

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Leia também