Gilberto Maringoni: Campanha Lula — reverter a passividade neoliberal
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Por Gilberto Maringoni*, em perfil de rede social
Há algo mais grave que as acusações da grande mídia a integrantes do entorno de Lula, aliás previsíveis.
O nó está na completa passividade em que se encontra uma campanha que enfrenta aberta intervenção imperial. A passividade aqui não é uma contingência, mas uma opção pensada e deliberada há tempos, a partir de fortes pressões da alta finança.
Quando Lula optou por um governo estruturado em torno de um duro arcabouço fiscal que impede o gasto público e tira de cena qualquer perspectiva de desenvolvimento, o saldo a ser exibido para o eleitorado é mínimo.
O desemprego caiu, sob a métrica da reforma de Michel Temer de 2017. Ela precarizou o mundo do trabalho e achatou salários. A expansão econômica está limitada a 2,5% do PIB anterior e o investimento fica a cargo da iniciativa privada movida a financiamentos do BNDES.
Para temperar tudo, a equipe econômica decide manter os juros na estratosfera, e o ministro da Fazenda empreende um road show pelo mercado financeiro, com promessas de mais arrocho num quarto mandato. Há pontos positivos no governo? Muitos, mas eles são encobertos pela trava geral do ajuste sem fim.
O coordenador do programa de governo, José Sérgio Gabrielli, um desenvolvimentista competente, foi jogado para escanteio.
O que resta para a campanha eleitoral? Vencer desqualificando o oponente, mostrando que a saída é votar no menos pior. É algo despolitizante, pois esconde projetos e perspectivas de futuro, cuja grande atração é um vaporoso “legado”, além de piruetas e jingles de ocasião. Não empolga e desanima apoiadores a irem às ruas atrás de apoios.
As pesquisas indicam uma preocupante rejeição a Lula, cujas intenções de voto se encontram congeladas há dois meses. Entramos numa zona de risco que precisa urgentemente ser revertida. Com política e não com supostas genialidades de marquetagem.
*Gilberto Maringoni é jornalista e professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC).
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Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.
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