Jamil Chade: Trump diz que acordo de cessar-fogo com Irã está ‘encerrado’

Tempo de leitura: 3 min
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Foto: Reprodução ICL

Presidente norte-americano fez comentário durante cúpula da OTAN e depois de uma noite de intensos ataques no Irã, Kuwait e Bahrein

Por Jamil Chade, no ICL Notícias

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira, 8, durante a cúpula da OTAN que o memorando de entendimento entre os americanos e iranianos está “encerrado”. No mês passado, os dois governos acertaram um pacto que, em 14 páginas, estipulava as condições e critérios de um cessar-fogo.

Trump acrescentou que os negociadores de ambos os lados podem continuar a conversar, mas “acho que estão perdendo tempo”.

Sua fala ocorre depois de uma noite de ataques mútuos entre os dois lados. Na noite de terça-feira, os EUA disseram ter disparado contra mais de 80 alvos iranianos após ataques a três petroleiros no Estreito de Ormuz – o Irã não reivindicou a autoria dos ataques diretamente. Duas bases militares na província de Bushehr, no sul do Irã, foram atingidas.

Em resposta, o Irã afirmou estar atacando instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, disse que os ataques americanos foram “absolutamente necessários”, acusando o Irã de “basicamente violar o cessar-fogo”.

Para o Irã, quem violou a trégua foi o governo Trump.

“Não quero mais lidar com eles, são escória”, disse o americano. “São pessoas doentes, são pessoas cruéis e violentas”, insistiu. Há poucos dias, ele havia classificado a cúpula iraniana como “razoável” e apostou numa relação positiva.

Trump sinaliza que diálogo pode continuar

Apesar da declaração, o americano deixou um espaço para que os negociadores continuem a dialogar. Segundo ele, as conversas podem continuar. Mas ponderou:

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“Para mim, é pura perda de tempo lidar com eles. São mentirosos… Há algo de errado com eles. São loucos. Para mim, acabou”, insistiu o americano.

O governo norte-americano insiste que foram os iranianos quem romperam o acordo, ao atacar navios no Estreito de Ormuz.

Mas o Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou veementemente os “ataques agressivos e a violação grosseira do Memorando de Entendimento” por parte dos EUA.

O ministério afirmou que, nas primeiras horas de quarta-feira, “as forças militares terroristas dos EUA, em clara violação do Artigo 2, Parágrafo 4 da Carta das Nações Unidas, cometeram agressão militar contra vários centros de monitoramento e vigilância na costa sul do Irã”.

Segundo eles, esses ataques “constituem uma violação flagrante do Parágrafo 1 do Memorando de Entendimento sobre o Fim da Guerra, que determina a cessação das operações militares”.

A declaração também destacou “a obrigação legal internacional de todos os governos, particularmente dos países vizinhos situados na costa sul do Golfo Pérsico, de impedir que partes agressoras utilizem seus territórios e instalações para realizar atos de agressão contra a República Islâmica do Irã”. Acrescentou que “qualquer cooperação na prática do crime de agressão contra o Irã constitui cumplicidade e participação no crime”.

Ao lembrar ao Conselho de Segurança da ONU e ao Secretário-Geral suas responsabilidades, o ministério enfatizou que as forças armadas do Irã “não hesitarão em defender a integridade territorial, a soberania nacional e a segurança nacional do Irã contra a agressão militar dos EUA, em conformidade com o Artigo 51 da Carta da ONU, e atacarão a fonte e a origem da agressão”, segundo o comunicado.

A resposta do Irã veio quase de forma imediata, o que levou os governos da região a condenar as ações.

O Ministério das Relações Exteriores do Catar classificou o ato iraniano como uma violação “flagrante da soberania de ambos os países e uma infração evidente do direito internacional”. Em uma publicação no X, o ministério ressaltou a necessidade de poupar a região das consequências do que descreveu como ataques injustificados, de prosseguir no caminho do diálogo e da diplomacia e de reduzir as tensões.

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