Leonardo Severo: Governo Petro rechaça volta da barbárie contra beneficiários da reforma agrária
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“Vamos assegurar que todos tenham protegidos os seus direitos e a posse da terra”, afirmou a ministra da Agricultura, Martha Carvajalino, condenando a política de ameaça, perseguição e assassinato nas comunidades rurais
Por Leonardo Wexell Severo*
O Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Rural da Colômbia repudiou nesta sexta-feira, 26/6, os recentes atos de violência e perseguição realizados por milicianos armados contra comunidades rurais em Puerto López (Meta) e Campamento (Antióquia).
Agindo em nome de grandes latifundiários, os paramilitares exigiam que as famílias desocupassem terras distribuídas por meio da política de reforma agrária do governo Gustavo Petro, que destinou centenas de milhares de hectares aos trabalhadores rurais como parte dos compromissos do processo de paz.
A líder indígena Aida Quilcué, ex-candidata a vice-presidente, condenou os brutais atos perpetrados contra os camponeses beneficiários da reforma agrária e denunciou que “não são fatos isolados nem meras expressões de intolerância, são uma estratégia sistemática que aumentou dias após as eleições presidenciais”.
“Apelo a todas as entidades competentes para que realizem ações imediatas e eficazes para proteger a vida das comunidades rurais que receberam terras através dos programas deste governo. Medo e pilhagem não podem voltar para os campos da Colômbia”, sublinhou Aida.
Um veículo de comunicação local estampou as fotografias de cinco pessoas que foram torturadas e espancadas. O objetivo era o de que desocupassem a terra em que moram e trabalham, após a vitória do candidato fascista Abelardo de la Espriella, por uma estreita margem de 0,95% dos votos.
“Os beneficiários da reforma agrária têm assegurado que nossas decisões estejam blindadas, para que tenham a garantia de proteger os seus direitos e a posse da terra”, declarou a ministra da Agricultura, Martha Carvajalino.

Ministra Martha Carvajalino: “Não pode ser a voz do medo e da ilegalidade o que afastará as pessoas do campo”. Foto: Agência Nacional de Terras
Frente a qualquer ameaça, advertiu: “Convocaremos os comitês de reforma agrária e as autoridades para implementar medidas de proteção aos beneficiários”.
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“Não pode ser a voz do medo e da ilegalidade o que afasta as pessoas do campo”, frisou.
Para a ministra, a política dos paramilitares não encontra qualquer amparo no regime jurídico, mas durante muito tempo acabou vencendo com a imposição da truculência e da barbárie em favor dos grandes latifundiários. “Nosso caminho é outro, é o da justiça, o da aposta redistributiva implantadas pelo presidente Petro e seu governo. Por isso, vamos acompanhar para assegurar os direitos de quem foi beneficiado com a repartição da terra”, destacou.
Com esta compreensão, assinalou Martha Carvajalino: “Temos assegurado que nossas decisões estejam fundamentadas e de que vocês tenham os documentos, atos administrativos e todo o apoio necessário para que as autoridades, no marco da implementação do regime jurídico, os protejam: sejam os inspetores de polícia, os prefeitos, a força pública, as autoridades nacionais e os governadores”.
Alertando para a gravidade do momento, a ministra fez um apelo às autoridades, à comunidade internacional e à Missão de Verificação das Nações Unidas para que acionem mecanismos de apoio às coletividades rurais submetidas à violência e assegurem o respeito e a conscientização quanto à implementação do Acordo de Paz.
“O ato mais importante é a proteção de todos os beneficiários do programa de reforma agrária”, enfatizou.
Mais de 100 famílias integrantes do Conselho Comunitário de Zabaletas, em Tuluá, no Valle do Cauca, também foram ameaçados como parte de uma estratégia para intimidar comunidades afrodescendentes que vivem em terras concedidas pela ANT (Agência Nacional de Terras). Assentadas há mais de três meses na fazenda La Floresta, situada na estrada para o assentamento rural de Nariño, as famílias denunciaram ter sofrido intimidação por parte de homens armados.
Segundo a líder comunitária María Yolanda Echeverry, dois indivíduos em uma motocicleta chegaram à propriedade e ameaçaram o grupo, supostamente tentando incendiar duas motocicletas. A dirigente afirmou que teme a repetição de episódios ocorridos em um assentamento vizinho, no distrito de San José, em San Pedro, onde várias habitações de famílias indígenas foram incendiadas.
Agência Nacional de Terras repudia escalada de violência
A Agência Nacional de Terras também rechaçou a escalada de violência que, nos últimos dias, golpeou as comunidades rurais beneficiárias da reforma agrária e lançou um manifesto à opinião pública.
Vinculada ao Ministério da Agricultura, a ANT “rechaça de maneira categórica os atos de violência que hoje assolam as áreas rurais da Colômbia”. E alerta que não se trata de incidentes isolados, mas sim de parte de um padrão de violência, intimidação e perseguição que vem surgindo contra comunidades beneficiárias da reforma agrária”.
“A escalada de ataques na última semana representa uma estratégia deliberada de atores criminosos e agentes privados, visando interromper – por meio da violência – os avanços alcançados pelo governo do presidente Gustavo Petro em relação ao Ponto 1 do Acordo Final de Paz”, esclareceu.
“O aumento dos ataques na última semana representa uma estratégia deliberada de atores criminosos e agentes privados visando interromper os avanços do governo Petro”.
Há quatro fatos específicos que não podem passar despercebidos, observou a Agência Nacional de Terras:
1 – “Nas primeiras horas de 25 de junho, no assentamento rural Nare, no município de Puerto López (Meta), uma família de agricultores – beneficiária de programas de acesso à terra na propriedade La Primavera – foi vítima de um ataque, no qual homens armados invadiram sua casa, agrediram-nos fisicamente (inclusive um menor), incendiaram seus pertences e destruíram seus meios de subsistência”.
2 – “Há uma oposição violenta por parte de particulares que buscam manter o controle ilegal sobre terras públicas: na fazenda La Palmira, em Córdoba – recuperada pela ANT em julho de 2025 – agricultores beneficiários receberam ameaças diretas de morte”.
3 – “Membros do conselho comunitário de Zabaletas, em Tuluá, também foram ameaçados, como parte de uma estratégia para amedrontar as comunidades afrodescendentes em terras transferidas pela ANT”.
4 – “Um prestador de serviços da Agência no departamento de Antióquia foi ameaçado pelas autodenominas Forças de Autodefesa Gaitanistas da Colômbia [também conhecidas internacionalmente como Clã do Golfo ou Los Urabeños, o maior e mais poderoso grupo armado organizado e cartel de drogas da Colômbia]”.
Assassinatos na área rural se multiplicam
O comunicado da Agência Nacional de Terras recordou que “tudo isso ocorre em meio a um clima de agressão contra outras comunidades camponesas e indígenas”, pois semanas atrás, no Valle del Cauca, o camponês Alfredo Vasco foi executado enquanto estava na propriedade La Regina, administrada pela Sociedade de Ativos Especiais (SAE) – empresa de economia mista do Estado colombiano vinculada ao Ministério da Fazenda. Em 22 de junho, em Inzá (Cauca), a líder indígena Omaira Pancho foi assassinada.
“Dada a gravidade da situação, a ANT faz um apelo urgente à Procuradoria-Geral, às forças de segurança e ao Ministério Público para que conduzam imediatamente as investigações criminais necessárias, identifiquem os autores materiais e intelectuais desses eventos e prestem o apoio preciso às comunidades em perigo”.
“O acesso à terra é a garantia material do direito a uma vida digna e à soberania alimentar para o campesinato. É por isso que a reforma agrária representa a restauração dessa dignidade, historicamente usurpada. A Agência Nacional de Terras, em seu compromisso inabalável com a defesa do campesinato colombiano, expressa sua mais profunda solidariedade às vítimas e reitera, com absoluta firmeza, que a reforma agrária não vai parar”, concluiu o comunicado.
*Leonardo Wexell Severo é jornalista da ComunicaSul e correspondente internacional.
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