Ruben Bauer Naveira: Xeque-mate

Tempo de leitura: 2 min

Por Ruben Bauer Naveira*

Os EUA somente têm uma única saída: assinar a paz com o Irã nos termos iranianos.

Porém isso não vai acontecer. Donald Trump precisaria ser substituído, por assassinato, invocação da 25ª emenda, ou impeachment.

Mesmo que algo assim fosse possível (em termos realistas, restaria somente o assassinato), significaria atirar Israel aos lobos, mas a infiltração sionista sobre o Congresso e sobre a administração é de tal ordem que faria estratosféricos os custos políticos decorrentes.

Qualquer outra opção que não a rendição atirará o planeta na maior crise econômica e social de todos os tempos. E quanto mais demorarem os americanos para assumir a derrota mais intensa essa crise será. Naturalmente, quando a crise chegar ela se abaterá também sobre os EUA.

Nas palavras de Yves Smith:

“(…) _even as the assembly of materiel and manpower suggests that the US and Israel are still planning to launch a few days of punishing air strikes, insider-leakers and more and more commentators are pointing out that at best, this would result in more self-harm, via unproductive arms depletion, and risks Iran delivering on its promise to end energy production in the Middle East and send the world into a lasting famine while ending modern civilization as we know it. But a continued impasse and de facto closure of the Strait of Hormuz will also produce famine and deepen the damage to what passes for civilization”.

Aparentemente, a ficha demorou mas caiu (retomada da guerra >> retaliação iraniana >> destruição da indústria petrolífera nos países do Golfo >> crise mundial avassaladora), assim os americanos “pivotearam” no dia de ontem a sua estratégia, desistindo da ação militar em favor de um sufocamento econômico do Irã, na esperança de que os danos à economia iraniana forcem o país a se render ANTES que os danos à economia americana forcem os EUA a se renderem.

(Nota: o parágrafo anterior iniciou com “aparentemente” porque os americanos são bem capazes de acreditar que ainda conseguem iludir os iranianos, distraindo-os enquanto preparam um ataque militar)

Mas essa pressão econômica não vai funcionar. O Irã vai aguentar. Enquanto isso, cada dia a mais do estreito de Hormuz bloqueado agrava a crise (ruptura nas cadeias globais de suprimentos) que já está se instalando

Apoie o VIOMUNDO

Para Yves Smith, o destinatário da mensagem “o Irã não vai aguentar a pressão econômica” pode não ser propriamente o Irã e sim o “mercado”, ávido por perspectivas de que as coisas acabarão por se normalizar antes que uma crise ocorra.

Enfim.

  • Os EUA não podem retomar os bombardeios ao Irã, porque isso acabaria por acarretar a débâcle da economia mundial;
  • Os EUA não podem “ganhar tempo” (como estão fazendo pela “estratégia” do sufocamento econômico), porque terão muito mais a perder do que o Irã;
  • Os EUA não podem assumir a derrota, porque isso significará riscos extremos para a continuidade da existência de Israel.

Ou seja: xeque-mate.

*Ruben Bauer Naveira é ativista político. Autor do livro Uma Nova Utopia para o Brasil: Três guias para sairmos do caos (disponível em http://www.brasilutopia.com.br/).

Apoie o VIOMUNDO


Siga-nos no


Comentários

Clique aqui para ler e comentar

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Leia também