Jamil Chade: ONU exige investigação sobre ataque contra escola de meninas no Irã
Tempo de leitura: 3 min
A Organização das Nações Unidas (ONU) pede que os ataques contra uma escola de meninas no Irã sejam investigados e alerta que o bombardeio poderia constituir um crime de guerra.
Num comunicado emitido em Genebra nesta terça-feira, a entidade não apontou culpados para os ataques que deixaram 165 mortos. Mas insiste na necessidade de que os autores sejam identificados e punidos.
O apelo vem no dia em que milhares de pessoas participaram dos funerais das crianças, no Irã.
“No incidente mais mortal e devastador, dezenas de meninas teriam sido mortas e feridas quando sua escola primária em Minab, no sul do país, foi atingida durante o horário escolar”, disse a ONU. “O Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk, exige uma investigação rápida, imparcial e completa sobre as circunstâncias do ataque. Cabe às forças que realizaram o ataque investigá-lo. Exigimos que divulguem as conclusões e garantam a responsabilização e a reparação das vítimas”, pediu.
Para a entidade, o medo, o pânico e a ansiedade vivenciados por milhões de pessoas no Oriente Médio e em outras regiões são palpáveis – e eram totalmente evitáveis. “A situação está se agravando e se expandindo a cada hora, confirmando nossos piores temores”, disse a porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos.
Türk afirma estar profundamente chocado com os impactos das hostilidades generalizadas sobre civis e infraestrutura civil desde que o conflito eclodiu no sábado com os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, a resposta iraniana contra outros Estados da região, bem como a subsequente entrada do Hezbollah no conflito.
“As leis da guerra são cristalinas. Civis e bens civis são protegidos. Todos os Estados e grupos armados devem respeitar essas leis”, disse.
O Alto Comissário apela a todas as partes para que exerçam a máxima contenção, impeçam uma escalada ainda maior e tomem todas as medidas viáveis para proteger civis, incluindo estrangeiros, bem como infraestruturas críticas. Retornar à mesa de negociações é a única maneira de pôr fim à matança, à destruição e ao desespero.
Até o momento, além do Irã e de Israel, as hostilidades afetaram outros 12 Estados, destruindo ou danificando residências, escritórios e empresas, aeroportos, infraestrutura energética, entre outras infraestruturas civis.
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A ONU criticou todos os envolvidos no conflito.
“As forças armadas iranianas responderam aos ataques dos EUA e de Israel, lançando centenas de mísseis e drones, entre outros sistemas de armas, contra Estados em toda a região, matando civis e causando danos à infraestrutura civil”, disse. Na cidade israelense de Beit Shemesh, no centro do país, nove pessoas foram mortas quando um míssil atingiu uma área residencial.
“Estamos também profundamente preocupados com a escalada das hostilidades no Líbano, após o Hezbollah ter disparado uma série de projéteis contra Israel, e com os intensos contra-ataques israelenses, inclusive em Beirute. Exortamos ambas as partes a porem fim imediatamente a esta grave escalada de violência e a retomarem o cessar-fogo acordado”, afirmou.
A ONU ainda apontou que relatórios indicam que houve vítimas civis, danos à infraestrutura civil e um significativo deslocamento populacional em consequência dos ataques israelenses no sul do país e nos subúrbios do sul de Beirute. Informações recebidas apontam que quase 30.000 moradores fugiram das áreas afetadas durante a noite, somando-se aos 64.000 já deslocados.
“O direito internacional humanitário estabelece que qualquer ataque deve respeitar os princípios fundamentais da distinção e da proporcionalidade, e que devem ser tomadas precauções para proteger os civis. Ataques dirigidos contra civis ou bens civis, bem como ataques indiscriminados, constituem graves violações do direito internacional humanitário e podem configurar crimes de guerra”, afirmou.
Em todo o Irã, a ONU afirmou sua “profunda preocupação com o bem-estar da população, dado o histórico do governo de repressão com força letal em larga escala contra aqueles que se opõem ao seu regime e as novas ameaças de altos funcionários contra qualquer expressão de dissidência neste momento”.
“As autoridades são lembradas de sua obrigação, segundo o direito internacional dos direitos humanos, de salvaguardar as liberdades fundamentais dos iranianos”, disse.
“Também estamos preocupados com o fato de muitos iranianos estarem novamente sem acesso à internet e, portanto, com acesso limitado a informações essenciais, incluindo aquelas necessárias para buscar segurança em meio às hostilidades em curso. Exigimos o restabelecimento imediato dos serviços de telecomunicações”, insiste a ONU.
A entidade destacou ainda sua preocupação com o bem-estar de centenas de presos políticos que continuam detidos arbitrariamente no Irã. “Todos os esforços devem ser feitos para garantir sua proteção e instamos sua libertação imediata”, pediu.
Por fim, o Alto Comissário implora a todas as partes que recuperem o bom senso e ponham fim a esta violência. Ele apelou aos Estados para que defendam e respeitem a Carta das Nações Unidas, o direito internacional dos direitos humanos e o direito humanitário.
*Jamil Chade percorreu mais de 70 países,cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.




Comentários
Zé Maria
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Avisa lá na ONU que não precisa ficar
esperando até o Dia de São Nunca.
Já há Provas de quem bombardeou
a Escola Feminina Infantil Iraniana:
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Militares dos EUA são responsáveis por
ataque mortal contra escola iraniana,
segundo reportagem do New York Times
TEERÃ (Tasnim) – 06 de março de 2026 – 14:17
O jornal The New York Times noticiou que as evidências confirmam que os Estados Unidos atacaram uma escola feminina em Minab, no sul do Irã, em um atentado de 28 de fevereiro que matou mais de 170 pessoas, a maioria crianças.
De acordo com imagens de satélite recentemente divulgadas, vídeos verificados e publicações em redes sociais, o ataque parece ter feito parte de uma operação mais ampla contra uma base naval próxima.
Uma reportagem investigativa do New York Times revelou que o ataque de 28 de fevereiro a uma escola primária em Minab, no sul do Irã, estava ligado a uma operação militar dos EUA contra uma base naval adjacente.
O ataque à escola é agora considerado o caso mais letal de vítimas civis desde o início da agressão conjunta dos EUA e de Israel contra o Irã, embora nenhuma das partes tenha reivindicado a autoria até o momento.
O jornal NY Times afirmou que um conjunto de evidências — incluindo novas imagens de satélite, publicações em redes sociais e vídeos verificados — mostra que o prédio da escola sofreu danos severos devido a um ataque direcionado.
Acrescentou ainda que nenhum vestígio visível de arma foi encontrado no local.
Autoridades de saúde iranianas e a mídia estatal relataram que pelo menos 175 crianças e funcionários da escola foram mortos na escola primária Shajareh Tayyebeh.
Nos dias que se seguiram ao incidente, as autoridades americanas não confirmaram nem negaram o envolvimento.
O secretário de Defesa, Lloyd Austin, afirmou na quarta-feira que as investigações sobre o ataque estão em andamento.
No entanto, o NY Times observou que autoridades americanas reconheceram publicamente que aeronaves dos EUA estavam realizando operações na área onde a escola estava localizada no mesmo dia.
Imagens de satélite indicam que múltiplos ataques de precisão atingiram pelo menos seis edifícios, incluindo quatro dentro da base naval que foram completamente destruídos.
Outras duas estruturas, incluindo a escola, sofreram impactos diretos em seus telhados, o que está de acordo com o padrão dos ataques aéreos de precisão direcionados.
Wes J. Bryant, analista de segurança nacional e ex-oficial da Força Aérea dos EUA que assessorou o Pentágono em questões de mitigação de danos a civis, analisou as novas imagens de satélite.
Ele disse ao NY Times que todos os prédios, incluindo a escola, foram atingidos por ataques “altamente precisos e deliberados”.
Bryant sugeriu que a explicação mais plausível seria uma “identificação errônea do alvo”, em que as forças atingiram, sem saber, um prédio ocupado por civis.
O jornal The New York Times enfatizou que as características da escola — com um campo esportivo e áreas de lazer — eram claramente visíveis em imagens de satélite, lançando dúvidas sobre a possibilidade de uma identificação errônea.
Especulações online de que um míssil perdido teria causado os danos foram descartadas pelo jornal e por outros analistas, que argumentaram que um míssil perdido não poderia ter infligido uma destruição tão precisa e coordenada em múltiplas estruturas e vários edifícios dentro da base naval.
O relatório do Jornal Nova-Iorquino destaca a falta de responsabilização pelo ataque, que se configura como um dos incidentes civis mais mortais desde a escalada dos ataques militares liderados pelos EUA na região.
https://tasnimnews.ir/en/news/2026/03/06/3532802/us-military-responsible-for-deadly-strike-on-iranian-school-in-minab-ny-times
[isRéu passou o tempo todo afirmando
que o Irã ameaçava a existência de isRéu.
Mas são os EUA e isRéu que realmente
ameaçam a existência do Irã.]
Zé Maria
https://pbs.twimg.com/media/HCm2iS-XsAAqm-v?format=jpg
Agora há pouco. Sirenes a mil em Tel Aviv.
Swarm de Mísseis Balísticos Iranianos
caem massivamente em nuvem sobre isRéu.
https://x.com/AryJeay/status/2029353811387510818
Zé Maria
https://x.com/i/status/2029263797882441912
https://www.instagram.com/en.irna.ir/
https://x.com/redstar_rs/status/2029316801884995739
https://x.com/TamaraINassar/status/2029306396332675459
Zé Maria
Autoridade iraniana rejeita reportagens da mídia
que citam mensagens do Irã aos Estados Unidos.
TEERÃ – 05 de março de 2026 – 02:10 [Hora Local]
(Tasnim) – Um oficial iraniano negou categoricamente as notícias veiculadas anteriormente pela mídia de que Teerã teria enviado uma mensagem aos Estados Unidos.
“Nenhuma mensagem foi enviada do Irã para os EUA
e o Irã não responderá às mensagens enviadas pelo
lado americano”, disse o oficial iraniano à agência de
notícias Tasnim nesta quinta-feira.
O oficial reiterou que as Forças Armadas do Irã se prepararam para uma longa guerra.
https://tasnimnews.ir/en/news/2026/03/05/3531759/iranian-official-rejects-media-reports-about-iran-s-message-to-us
Zé Maria
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“Exige investigação”
Sob Pena de ?
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