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Vale: "O maior roubo do mundo"

Atualizado em 23 de julho de 2008 às 12:28 | Publicado em 23 de julho de 2008 às 11:23

rio Maestri, no Brasil de Fato, 11/09/2007

 

Em 6 de maio de 1997, a batida seca do martelo concluía um dos maiores roubos do século 20. Extremamente rentável, com patrimônio na época de mais de cem bilhões de dólares, a Companhia Vale do Rio Doce era vendida por pouco mais de R$ 3 bilhões, o equivalente ao atual lucro trienal da empresa. Boa parte dos recursos para o assalto foi fornecida pelo BNDES, ou seja, pelo próprio Estado! Apenas em 2006, a Companhia Vale do Rio Doce teve um lucro de doze bilhões de dólares.

 

Em começos do século 20, capitais mundiais se interessaram pelas riquíssimas reservas minerais brasileiras, que permaneceram inexploradas devido aos enormes investimentos que a extração, transporte, beneficiamento, exportação dos produtos exigiam. Em 1942, durante a II Guerra, o presidente Getúlio Vargas fundou a Companhia Vale do Rio Doce, como desdobramento da criação, no ano anterior, da Companhia Siderúrgica Nacional.

 

A construção de Companhia Siderúrgica Nacional, a fundação da Vale do Rio Doce, a nacionalização das reservas minerais objetivavam apoiar o processo de industrialização, por capitais privados nacionais, sobretudo do Centro-Sul, voltada ao abastecimento do mercado interno. Com fortes investimentos públicos e o avanço da industrialização, antes mesmo da reorientação geral da produção nacional para o exterior, quando da Ditadura Militar, a Vale do Rio Doce tornou-se a maior empresa no setor da América Latina e a segunda do mundo.

 

Quando da privatização, já pertenciam ao passado as dificultadas que haviam impedido a apropriação mundial dos minérios brasileiros. A Vale do Rio Doce possuía enormes centros extrativistas através do país, mais de nove mil quilômetros de ferrovias, dez terminais portuários, subsidiárias em outras regiões do planeta, mercados consolidados através de todo o mundo. Os enormes investimentos públicos haviam criado negócio milionário que irrigava regiamente os cofres nacionais.

 

A vitória da contra-revolução neoliberal nos anos 1980-90 determinou derrota histórica, ainda não superada, do mundo do trabalho. Sob o aplauso da grande mídia e a participação ou o silêncio cúmplice de políticos, intelectuais, formadores de opinião, etc., empreenderam-se através do mundo a destruição de conquistas sociais históricas e o abocanhamento dos bens públicos pelo grande capital privado.

 

Não foi um azar da sorte que, no Brasil, o saque neoliberal tenha sido orquestrado por Fernando Henrique Cardoso. Ao contrário de seus colegas criadores da “Teoria da Dependência”, o sociólogo paulista propunha, já nos anos 1970, a felicidade do Brasil através de sua submissão ao capital mundial. Ao contrário do que dizem por aí, o homem fez tim-tim por tim-tim o que sempre escreveu!

 

De 1º a 9 de setembro deste ano, realizou-se, através do país, plebiscito promovido por organizações sociais e políticas populares, sobre a necessidade da anulação da venda fajuta da Companhia Vale do Rio Doce e restabelecimento da sua propriedade pública. O plebiscito consulta também a população sobre a anulação da “reforma da Previdência”; a interrupção do pagamento da “Dívida Externa e Interna”; o fim do aumento das tarifas públicas, por concessionárias privadas de serviços públicos, etc.

 

Foi quase total o silêncio da grande imprensa sobre o plebiscito popular. O PT apoiou a iniciativa apenas na ponta do seu bico comprido, não mexendo um dedinho sequer para a maior massificação da iniciativa, que assusta muita gente, além dos controladores da Vale do Rio Doce. A pequena multidão que votou no plebiscito registra mal-estar crescente entra a população nacional. São cidadãos e cidadãs comuns que, após viverem duas décadas sob os resultados amargos das políticas privatistas, gritam sem medo por “mais público, menos privado”, para que esse país conheça condições mais humanas de existência.

 

* Mário Maestri, 59, historiador, é professor da UPF. E-mail: maestri@via-rs.net


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Felipe (26/07/2008 - 06:42)
Mesmo que não desse lucro, que fosse loteada por políticos e tivesse mil e um problemas a melhor saída para o Estado seria corrigir os erros e não vendê-la.
Digamos que um pai tenha um filho péssimo na escola e que vive sob a influência de maus amigos e este pai quer tomar uma solução. Ele vende/doa/envia a um internato o filho ou tenta em conjunto com a família resolver os problemas?
Um exemplo de que o Estado pode controlar empresas (não deve ser o Estado Total, mas deve ter uma outra fonte de riqueza a não ser impostos) é a Petrobrás. Entra governo, sai governo, entram diretores, sai diretores e ela continua lá lucrando, trazendo divisas, ou seja, o Estado tem capacidade de geri-la.
O problema do Grande Estado é querer controlar tudo (e sozinho o Estado não tem tanto poder) o problema do Mínimo Estado (os neoliberalistas) é querer controlar bem pouco (quem pouco controla, nada controla - não existe meio buraco). O problema é justamente encontrar o verdadeiro papel do Estado no mundo contemporâneo, pois os Estados comunistas eram autosuficientes e caíram e os EUA quase 30 anos depois vê-se em nova crise financeira. Qual a solução?

francisco.latorre (25/07/2008 - 17:55)
a vale...
como era verde a minha vale...
a vale dá vontade de chorar...

darcy antonio moura (25/07/2008 - 11:16)
ainda bem que naõ estou só para mim fhc foi o mais nocivo irresponsavel impatriota ssem vergonha de todos os presidentes brasileiros se ele ficasse mais 4 anos no governo ele tinha acabado com o brasil eu queria que sumisse do brasil e não voltasse mais

Beto - http://betobiologia.blogspot.com (25/07/2008 - 00:38)
Meu pai é fanático por FHC e Serra e apoiou todas as privatizações. Assíduo leitor de Estadão e Veja e telespectador fanático do Jornal Nacional ele como muitos não acreditam no "outro lado da moeda". Meu pai diz q tinha q privatizar mesmo, pois a empresa só dava prejuízo e era loteada por políticos e funcionários-fantasmas que ficavam com a parte dos investimentos. Não sei se isso é verdade. Por isso se alguém, ou mesmo o Azenha, sabe se a Vale dava prejuízo antes da privatização???

Carlos Junqueira (24/07/2008 - 10:00)
Eu estava na praça 15 nesse dia. Muita gente apanhou da polícia. Quando penso nesse crime de lesa-pátria, fico desanimado com nosso país.

Fernando Carvalho (24/07/2008 - 09:11)
Isso só acontece no Brasil, pq o povo é inerte, só pensa em carnaval e futebol, é politicamente ignorante, e os poucos que pensam quando protestam correm o risco de serem chamados de babacas.
Esse é o Brasil, de povo que confunde alegria com estupidez, que prefere juntar 2.000.000 de pessoas em uma passeata GAY em vez de juntar 1.000.000 em um protesto contra as bandalheiras que aqui acontecem, mas cada povo tem o governo que merece, e agora o lugar de chorar é na cama que é lugar quente, fora isso toda forma de protestar agora é atrasada e inócua, pois o que está feito não tem volta. Agora virou moda no Brasil falar da Vale, mas se ela estivesse dando prejuízo, ou a beira da falência, muito nacionalista de plantão estaria fazendo de conta que ela nunca foi estatal, E NEM TERIA AÇÕES DA EMPRESA, QUE HOJE JUNTO A PETROBRÁS SÃO AS MAIS NEGOCIADAS DA BOLSA, MAS ISSO ACONTECE PQ ELA DÁ LUCRO , SENÃO.... O problema do Brasileiro é só querer pegar o filé, quando tem que roer um osso se faz de morto e banguela. VAMOS PARAR DE HIPOCRISIA, A VALE FOI PRIVATIZADA E A CULPA É DO POVO BRASILEIRO QUE É CONDUZIDO COMO GADO, ALGUNS AINDA CHEGAM A MUGIR, MAS O FINAL SEMPRE SERÁ O MATADOURO.

Pitágoras (23/07/2008 - 23:11)
Mais uma obra-prima do inesquecível fhc, o execrável.
Insistindo: o mal que os governantes fazem perdura por múltiplas gerações...

Fernando R. Rodrigues (23/07/2008 - 21:03)
Se tivesse a consciência que tenho hoje teria ido a Praça XV na época protestar. Hoje olho esse episódio e fico com vergonha de morar no Brasil e ser Brasileiro. E o que mais me irrita é a mídia afagar o ex-Presidente Fernando Henrique.

Almir (23/07/2008 - 20:47)
E ainda tem neo-tolos achando que a entrega da Vale foi um bom negócio. Ficam torcendo, pedindo a Deus pra que a Petrobrás e os poços petrolíferos também sejam entregues, de preferência com um certo banqueiro no meio das negociatas, faturando "algum". Pior: essas pessoas "se acham" muito bem informadas, mas na realidade não passam de bobocas manipulados pela mídia coronelesca.

Marco Antônio Leite (23/07/2008 - 19:33)
Os assaltos aos cofres públicos vêm ocorrendo de longa data, teve inicio no descobrimento do País. Nesse período muitos governos passaram pelos Palácios do poder e o assalto as riquezas do Brasil ainda não cessaram. No entanto, o período mais nebuloso da história desta bagunça foi no governo FHC e seus neoliberais de plantão, ou seja, venderam a nação a preço de banana. Com isso a estrangeirada tomou conta de tudo e todo o patrimônio rendava aqui existente. Com eles trouxeram o neoliberalismo troglodita, o qual mandou milhares de trabalhadores para o olho da rua em nome da redução de custos. Isso tudo acontece porque nosso povo não educado para brigar pelos seus direitos, exigindo dessa gente satisfações sobre o que estão fazendo com as nossas riquezas. Eta povo indolente e conformado com tudo e todos. Já a classe média que sofre de desvio burguês a cada dia que passa entra em decadência e assiste a tudo de seus carrinhos populares e casinhas de quatro cômodos na frente da tela da rede redonda de TV, a grande alienadora de mentes despreparadas para entender que tudo que existe neste terreiro também é nosso.

euclydes ribeiro desouza (23/07/2008 - 18:07)
que saudade do partidão, velho P C B,por muito menos botavam-se o bloco na rua,hoje os seguimentos representativos da sociedade só advogam em causa própria,lamentavelmente o povo brasileiro não tem conciencia ou cultura de Nação,é corporativismo ou tribal

Elias França (23/07/2008 - 17:02)
Se o LULA não acordar os 8 anos que passar no comando do país simplesmente será de lamentações. Ele parece está preocupado com alguma coisa, mas enganasse quem acha isso também, ele já tem seu IMPÉRIO QUE ALIMENTERÁ UMA 5 OU 6 GERAÇÕES DE SUA FAMILIA. Quem pensa que ele é bobinho como parece, COLOQUE A MÃO NO FOGO.

Luís Carlos P. Prudente (23/07/2008 - 16:23)
Pena que temos como presidente da República o Lula. Acorda Lula! Corte na carne a podridão dos petistas aloprados, mande a Polícia Federal abrir um inquérito sobre a privataria do PSDB-PFL na Vale e depois nacionalize e reestatize a Vale! Promova o impedimento do Gilmar das Facilidades Mendes do STF.

Luís Carlos P. Prudente (23/07/2008 - 16:19)
Olha mais um item da corrupção do governo tucano do PSDB aqui. Neste caso tem Gilmar das Facilidades Mendes, o Viúvo (o que não roubava, mas que permitia que outros apaniguados roubassem no limite da lei).

Cesar Rocha (23/07/2008 - 15:48)
A Vale não deve ser re-estatizada. Deve ser ENCAMPADA. Se, de fato, fossemos uma República... FHC e caterva estariam condenados e presos. Ás vezes fico pensando que a história recente do Brasil é "praga" do General de Gaulle, quando disso que esse "não era um país sério". Creio que algum cineasta poderia refilmar o filme "Sindatos de Ladrões" com título REPUBLICA DE LADRÕES. Não precisaria de nenhum ator genial tal qual o Marlon Brando.

Antonio Alvaro Guedes (23/07/2008 - 14:45)
EXTRA! EXTRA!
Sensacional, Cientista Político no IFHC confessa:
"ADMITAMOS: SOMOS CORRUPTOS"
http://www.ifhc.org.br/Upload/conteudo/OESP%202008-07-13.pdf

jose dantas bitencourt (23/07/2008 - 13:51)
Todas as vezes que leio ou ouço algo sobre a venda da Vale, dá-me uma revolta muito grande. Revolta, por ter nascido em um País de cordeiros onde o povo não se mobiliza, para mandar esses traidores para a PQP.

Filipe Rodrigues (23/07/2008 - 13:22)
FHC merecia ir pra cadeia!!! Isso que é traição á pátria,
o problema da reestatização são as pendências jurídicas. Se eu não me engano, quando Carlos Lessa presidiu o BNDES, o governo brasileiro comprou ou aumentou suas ações da Vale, não somos donos como antes, mas o goveno voltou a ter partipação no capital da empresa, junto com os demais acionistas. Se estiver errado, me corrijam?

Daniel Lavieri (23/07/2008 - 12:42)
Hoje a Vale paga melhores salários, gera mais lucros e atrai mais investimentos. É isso que dizem os defensores da privatização da Vale. Mas seria ilógico se fosse o contrário. Com o pagamento de míseros 3,4 bilhões em uma empresa que valia 100 bilhões (um roubo declarado), espera-se realmente que ela dê lucro e seja interessante para investimento.

Tem gente se refere às esquerdas que querem reestatizar a Vale para que haja "tetas para estes malandros mamarem". Mas quem mamou de verdade nessa história foi FHC e sua corja, comprados pelo Bradesco e seus costas quentes americanos.

Agora, a corrupção e o clientelismo que reinam nas estatais não justificam a "roubatização" que FHC perpetrou, e mais, apenas demonstram o quanto o governo FHC foi nocivo para o país.

Fernando (23/07/2008 - 12:04)
Reestatização já! Acorda, Lula!



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