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Cartas de Minas
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Samuel Pinheiro Guimarães: Moniz Bandeira, patriota e anti-imperialista

24 de novembro de 2017 às 01h10

Luiz Alberto Moniz Bandeira: patriota e anti-imperialista

por Samuel Pinheiro Guimarães

Luiz Alberto Moniz Bandeira dedicou sua vida ao Brasil e à luta contra o imperialismo.

Sua vida e sua obra são testemunhos desta dedicação.

Foi jornalista desde jovem, trabalhando no Correio da Manhã, no Diário de Noticias e na Última Hora.

Como jornalista, teve a oportunidade de conviver e de entrevistar as mais diferentes personalidades brasileiras, como Jânio Quadros, e estrangeiras, como Che Guevara.

Assim desenvolveu a capacidade e o hábito de analisar e interpretar os acontecimentos e de procurar sobre eles se documentar.

Foi Professor Titular de História, na Universidade de Brasília.

Foi militante político da POLOP, foi preso, condenado e anistiado.

Lutou na clandestinidade.

Escreveu um de seus primeiros livros, Presença dos Estados Unidos no Brasil, quando se encontrava preso.

O eixo de seu pensamento e de sua obra, de mais de trinta livros, traduzidos para o inglês, o alemão, o russo, o chinês e o espanhol, centenas, se não milhares, de artigos e de entrevistas, pode ser resumido em três palavras, que são os três desafios para o Brasil: desenvolvimento, democracia e soberania.

Três desafios profundamente entrelaçados e que não podem ser vencidos isoladamente.

Em João Goulart: as Lutas Sociais no Brasil e em seu livro sobre Jânio Quadros, Moniz Bandeira se apresenta como democrata convicto e autêntico e como um lutador pelo desenvolvimento do Brasil, assim como em suas obras sobre a integração latino e sul-americana.

É em sua análise do imperialismo e das relações entre o Brasil e a Potência Imperial, que são os Estados Unidos, e sobre o Império americano e sua ação, que se encontra sua principal contribuição como intérprete da realidade política e como historiador, imparcial e preciso, mas militante.

São obras imprescindíveis para diplomatas, historiadores, jornalistas e políticos que desejem e procurem conhecer a política internacional, a ação do imperialismo, e o Brasil: A Presença dos Estados Unidos no Brasil; João Goulart; As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos; Brasil-Estados Unidos: A rivalidade emergente; De Marti a Fidel; Fórmula para o Caos, a derrubada de Allende; Formação do Império Americano; Argentina, Brasil e Estados Unidos; A Segunda Guerra Fria; A Desordem Mundial.

Luiz Alberto nos deixou: sua obra sobrevive como guia e farol para todos os que lutam por um Brasil mais justo, mais desenvolvido, mais democrático, mais soberano.

Brasília, 22 de novembro de 2017

Samuel Pinheiro Guimarães é embaixador aposentado. Foi secretário-geral do Itamaraty (2003-2009), ministro de Assuntos Estratégicos (2009-2010) e alto representante geral do Brasil no Mercosul  (2011-2012)

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José Bonifácio

26/11/2017 - 14h11

Moniz Bandeira, antes de nos deixar, expressou inclinação por uma possibilidade de intervenção armada no país, para que dessem um fim a este governo e suas políticas que, além de não terem compromisso social, também se mostram perigosamente danosas à soberania nacional.
A destruição da política de conteúdo nacional ligada à Petrobras, as diversas ações deletérias que envolvem a facilitação da tomada de posse de por gigantes petroleiras internacionais dos vastos recursos petrolíferos recém-descobertos pelo Brasil, a facilitação de posse dos nossos recursos minerais por estrangeiros, os seguidos ataques aos bancos públicos, que são instrumento poderoso e imprescindível na condução de políticas que levem ao desenvolvimento soberano, tudo isso seria revertido por um governo fiel ao nacionalismo, e forte o suficiente para fazer mudar a realidade que h0je se nos presenta. E este governo poderia ser um governo militar.
Entretanto, os sinais que vêm da caserna não parecem indicar que os militares estariam sequer preocupados com tais problemas. Pelos sinais que nos chegam o que nos parece é que eles estão tomados pela ideia de que a raiz de nossos problemas é a corrupção, e de que esta corrupção tem raízes comunistas, vermelhas ou petistas. Esta é uma ideia opinativa, montada em um horizonte mais próximo da aceitação por fé em propaganda e mais longínquo da constatação e análise fria da realidade, com informação aprofundada e escoimada de qualquer propaganda infiltrada, seja ela vulgar ou sutil.
Continuamos sem saber nada sobre a circulação de ideias no mundo interno dos quartéis. Não sabemos até a que ponto eles foram doutrinados por interesses anti-nacionalistas encostados na demonização fantasiosa de outros patriotas que, por outra senda, busca o mesmo destino e mesmo ideal nacionalista. Certamente, o isolamento severo que se impôs aos militares, ou que eles próprios se impuseram, depois da redemocratização, contribuiu fortemente para este desconhecimento. É preciso que se acabe com este divórcio entre militares e sociedade brasileira. É preciso que os verdadeiros nacionalistas militares se expressem sobre os problemas nacionais, sem o viés da doutrinação internacionalista de direita que, ao fim, o que quer mesmo é o enfraquecimento de nossas Forças Armadas, para aprofundar nossa dependência ao estrangeiro.

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Julio Silveira

24/11/2017 - 16h55

Vivemos a faze da perda de identidade nacional. Estamos nos tornando um hospedeiro de um organismo internacional virotico que mina o nosso sentido cultural de nacionalidade. Com sua simbiose impositiva transfere seus caracteres por hosmose.
Estamos quase no ponto de aceitarmos com felicidade ser um apendice de um estado imperialista.

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Nelson

24/11/2017 - 10h49

Mas, a mídia hegemônica, como sempre fez, só dá espaço para vendilhões da pátria e sabujos do Sistema de Poder que domina os Estados Unidos.

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