Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha

Palanque

Deixe aqui sugestões de pauta, de leitura e desabafos

Escreva!

   
 
Home Receba as últimas notícias via RSS
Você escreve Utilidades

Professor temporário: Um produto José Serra

Atualizado e Publicado em 17 de maio de 2009 às 00:28

FONTE:http://www.fazendomedia.com/2009/educacao0422.htm
 
22.04.2009
PROFESSOR TEMPORÁRIO É PRODUTO PERVERSO DE JOSÉ SERRA

Por Marilene Felinto (*)


Metade dos professores da escola pública paulista não existe – são aparições temporárias, que perambulam de uma periferia a outra, lugares aos quais não pertencem e com os quais não lhes dão tempo de criar vínculo. Manter estes cem mil cidadãos na incerteza trabalhista (são contratados sem concurso público) e no modo de vida nômade que não escolheram, tratá-los como peças de um jogo sem regras, expor todos ao ridículo e desqualificá-los mediante seus colegas profissionais e mediante a sociedade foi o ato mais recente da criminosa “política educacional” do governo de José Serra em São Paulo.

Pior educação pública que a paulista não há no país – e ela é a cara do tucanato (o PSDB), é a obra máxima do descompromisso com a coisa pública quando se trata do interesse da maioria da população pobre. Estes governos afinados com a classe dominante, como os oito anos de Fernando Henrique Cardoso na presidência da República (1995-2002) ou os quase quinze anos em que o grupo de José Serra infesta o Estado de São Paulo deram golpes de morte na educação pública.

Em dezembro último, a Secretaria Estadual de Educação de SP aplicou uma prova ao professorado temporário da rede estadual para utilizar a nota como critério classificatório na atribuição de aulas deste ano letivo de 2009, uma armadilha para demitir milhares de professores que os próprios governos tucanos de Serra e sua turma contrataram em condições de absoluta precariedade e com os quais não sabem o que fazer.

A prova, mal elaborada, cheia de questões visivelmente erradas, avaliaria o conhecimento dos professores sobre a proposta curricular da Secretaria. Concorreram com os quase cem mil temporários outros milhares de novos candidatos a lecionar na rede pública, professores recém-formados. Na concorrência desleal, muitos dos temporários perderiam para os novos seus empregos e um mínimo de direitos conquistados. O professorado recorreu à Justiça e ganhou a causa.

A Secretaria de Educação de Serra, por seu lado, não teve dúvida: saiu divulgando na mídia serrista (em São Paulo, especialmente os jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo e as redes de TV) a “nota zero” atribuída a centenas de professores na tal prova, incluindo neste número as tantas centenas de professores que entregaram a prova em branco, em ato de protesto. Uma desonestidade, uma manipulação flagrante dos resultados. A “proposta curricular” da gestão Serra para a educação pública não passa disso: culpabilizar o professor pelo fracasso da política educacional cada vez mais perversa conduzida pelo tucanato em São Paulo. Para que gastar dinheiro com os pobres contratando professores por concurso público? Para que oferecer uma escola de qualidade aos filhos dos pobres?

Certamente não é aos elitistas do PSDB que isso interessa. E ainda que caiba ao governo paulista avaliar seu professorado, ainda que fosse numa avaliação justa, e ainda que o professor tirasse nota zero, ainda assim a culpa deveria recair sobre os governos do PSDB em São Paulo e por aí afora: os professores que zerassem seriam os mesmos formados nas faculdades particulares de quinta categoria (faculdades para pobres), abertas feito barracas de camelôs na gestão do ex-ministro da Educação do governo Fernando Henrique, o hoje deputado Paulo Renato Souza. Nota zero mesmo é a esta gente.

Há tempos que ser professor tornou-se profissão penosa, desonrada, sem nenhum reconhecimento social, ainda mais na escola pública – sintoma dessa grave doença da injustiça social brasileira, nos quadros da qual estudar, educar-se, formar-se virou um culto requintado, apenas para quem pode. Ora, se antes professor era uma figura eterna... Mesmo quando, antes, aprender as letras era com caco de telha riscando o chão, pedaço de tijolo, tudo vermelho-alaranjado no piso de cimento cinzento das calçadas da rua. Aprender letra cursiva era com a mão grande de dona Helena, com a voz mansa de dona Cremilda. Quem nunca teve um amor qualquer por um doce professor ou professora?

Essas minhas podem ter desaparecido no tempo, dona Helena e dona Cremilda – uma do jardim de infância, outra do primeiro ano (antigo primário) –, desaparecidas como os riscos de telha lavados pela chuva na calçada. Só nunca saíram da minha cabeça, da memória da importância monstruosa que tiveram na minha vida. Paulo Freire, o educador, também contava: “Fui alfabetizado no chão do quintal de minha casa, à sombra das mangueiras, com palavras do meu mundo e não do mundo maior dos meus pais. O chão foi o meu quadro-negro; gravetos, o meu giz”.(1982) Educação também é isso, lembrança para sempre. Temporários (e tomara extintos logo) devem ser os governos perversos da gente do PSDB.

(*) Marilene Felinto é escritora. Artigo publicado originalmente na edição nº145, abril de 2009, da revista Caros Amigos.

Contato: marilenefelinto@carosamigos.com.br


Indique esta Matéria
ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
francisco.latorre (18/05/2009 - 16:15)

aindabem que o nosserrato é candidato temporário.

pesadelo temporário.

um dia a gente acorda.


Aldo (18/05/2009 - 15:51)
CHUPA ESSA, John Bostas!!!

"Melhor estadual está em 924º lugar

A escola pública estadual paulista com maior pontuação surge só em 924º lugar e fica em Taboão da Serra. Trata-se da Escola Estadual Lúcia de Castro Bueno, que "tirou" nota 58,51.

A única escola pública de São Paulo a aparecer entre os dez destaques é um centro federal, que dá formação técnica e seleciona seus alunos. É o Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo, que obteve 73,38 pontos no Enem 2008.

Na escola paulista de melhor desempenho no Enem, o aluno não paga mensalidade. No entanto, ela é classificada como "particular" pelo Inep. Os estudantes do Colégio Engenheiro Juarez Wanderley, de São José dos Campos, obtiveram nota 76,02 (em 100) no Enem 2008. Foi a 8ª mais alta do País. Todos são ex-estudantes do ensino público que passaram em uma concorrida seleção para estudar em um colégio mantido pela fabricante de aviões Embraer. A empresa investe R$ 14 mil por aluno ao ano. E eles superaram colegas dos tradicionais Bandeirantes, Vértice e Etapa, cujos pais desembolsam quase o dobro para mantê-los nesses colégios.

Na lista geral do Brasil, o Colégio São Bento, do Rio, uma das únicas que ainda só aceitam meninos, teve a melhor o melhor desempenho pela terceira vez com pontuação de 80,58."

fonte: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/04/29/ult1811u284.jhtm (PQP! um órgão do PIG publicou isso!!! Cabeças já devem ter rolado por lá...)

Aldo (18/05/2009 - 15:36)
O Zé Burns Vampiro Nosferatu das Ambulâncias Superfaturadas quer para as crianças do ensino público a mesma cultura que ele possui: aquela que o fez afirmar que podemos pegar gripe suina quando os porcos espirram perto de nós ou quando ficamos bem perto do nariz deles (dos porcos). I-G-N-O-R-A-N-T-E !!!

erasmo (18/05/2009 - 15:27)
Quer uma informação? Nem precisa publicar o meu post. O Serra propaga que um dos seus "bons" projetos é colocar dois professores em sala de aula. Esse segundo profissional seria um estagiário de pedagogia. Para "contratá-lo" o governo (diz ele) está fazendo parceria com as universidades particulares que, por sua vez, indicaria os melhores alunos, blá, blá, blá. ACONTEEEECCCEEEE que qq. empresa ou pessoa que queira prestar serviço ao poder público (em todos os âmbitos) tem de estar em dia com as suas contas públicas. Não pode dever INSS, ISS, etc. Eis a questão: a maioria das Faculdades Particulares de SP está inadimplente. Logo, não pode prestar serviço para governo nenhum (em tese). Logo no início desse programa na prefeitura (quando Serra era prefeito) a notícia da inadimplência caiu como um concreto na cabeça dos pensadores tucanos. Fica a pergunta: Como é que os alunos foram contratados para trabalharem como assistentes em sala de aula?

Renato (18/05/2009 - 15:05)
Mais uma senhora que fala meia-verdades.
Brasil todo está mal.

Yuri (18/05/2009 - 14:46)
E na Capital...

http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u567478.shtml

francisco.latorre (18/05/2009 - 12:34)

ler a marilene é um privilégio.

deleite.


John Bastos (18/05/2009 - 10:35)
"Tem toda razão a escritora Marilene Felinto em relação ao descaso com que os professores da rede pública do ensino básico são tratados no Brasil. "

Eh canalhice dela fingir que o problema eh de Sao Paulo. Semvergonhice da pesada.

Frederico Schmidt Filho (18/05/2009 - 09:13)
Eu gostaria de lembrar aos amigos que estamos no regime capitalista, portanto se quiserem educação boa é só aumentar o salário dos professores e fazer novos concursos.
Qualquer outra forma será apenas más intenções.

www.capitalismoporfred.blogspot.com

francisco.latorre (18/05/2009 - 08:48)

serra reinventa a educação.

conseguiu piorar o que já vinha péssimo.

sujeito criativo.

um perigo.


Sérgio Luiz (18/05/2009 - 00:44)
Se os pais paulistas realmente se importassem com a educação de seus filhos não votariam nesses tucanos até para síndico de prédio!!!!!!!!

Luís Carlos P. Prudente (17/05/2009 - 23:50)
"Jestão" do Nosferatu sanguessuga José Pedágio é tudo de ruim para o Brasil.

É a Tucanobrax em ação, jogando merda e mais merda no país.

Dirce (17/05/2009 - 22:40)
Excelente texto.
Quero destacar que as universidades federais à época de FHC e Paulo Renato, amargaram 8 anos sem ofertar concurso. Nesta quase década nefasta, as vagas foram prenchidas por professores substitutos (os temporários), que, em determinada época eram quase maioria (com salários bem menores que os efetivos).Socializamos miséria, dividimos amarguras da cartilha gerencialista de Paulo Renato, copiada qual símio do modelo Tatcher.
Aos profesores que permaneceram, FHC providenciou um arrocho de quase uma década de salário congelado, pago por produtividade medida nos modelos fabris, como se educar fosse atividade mecanicista.
As Universidades federais sobreviveram, como resposta somos modelo de referência na educação.
No governo Lula houve reposição de professores por concurso público, mesmo assim ainda há substitutos.
Meu pior pesadelo é a volta do Serra, FHC, Paulo Renato, claudia Costin.
Já estou fazendo campanha!

John Bastos (17/05/2009 - 19:26)
"Pior educação pública que a paulista não há no país"

Sra. Felinto, vc eh uma canalha e mentirosa.

Euler (17/05/2009 - 15:47)
Tem toda razão a escritora Marilene Felinto em relação ao descaso com que os professores da rede pública do ensino básico são tratados no Brasil. Infelizmente, o problema é nacional, e não apenas do governador de São Paulo, embora, ao que parece, lá a coisa é pior. Aqui em Minas, em relação aos contratados, o governador criou uma lei estadual que "efetivou" os contratados, garantindo uma certa tranquilidade até a realização de concursos. Na prática os contratados não têm estabilidade, mas pelo menos não ficam desesperados no final de cada ano, sem saber em qual escola vai lecionar, como ocorria anteriormente. Um dos principais problemas aqui é o salário, que não sobe nem com reza brava. Um professor mineiro com curso superior ganha hoje salário líquido de R$ 750 pelo cargo completo de 24 horas. Infelizmente a educação pública no ensino básico, que é aquela voltada para as famílias de baixa renda, não é e nunca foi prioridade para os governos das diversas esferas. E os professores acabam tendo dois sonhos: mudar de profissão, ou que o próximo governante seja menos pior do que o atual.

Milton Hayek (17/05/2009 - 14:34)
Já sei onde o Dvoaraque e sua escumalha/súcia/choldra/curvas de rio estudaram....

robledo duarte (17/05/2009 - 14:28)
serra foi um prefeito temporario e vai ser um governador temporário, e, com a graça de Deus, vai ser um ex canditado a presidente eterno.

Marco Antônio Leite - São Caetano do Sul-SP (17/05/2009 - 12:45)
No governo do Zé Pedágio tem como filosofia cruel manter a criança no analfabetismo, por isso ele faz e desfaz do professor. Trata essa categoria com desprezo e desrespeito profissional nunca visto em lugar nenhum do mundo. Complementando a filosofia do acomia, seu governo gosta de atuar no quanto pior, melhor. Dessa forma, o Pedágio esta formação diversas gerações de futuros miseráveis que viverão como seus pais, ou seja, na miséria intelectual e cultural, como também na social.

O Brasileiro (17/05/2009 - 12:39)
A educação ainda é o calcanhar de Aquiles do Brasil! Enquanto a educação não for prioridade, enquanto não tiver qualidade nela, não haverá futuro de qualidade para os brasileiros! A elite não se importa com isso, mas, e os brasileiros? Se importam?
Se se importam, a melhora do ensino inclui a valorização dos professores!

anesio (17/05/2009 - 12:16)
o QUE MAIS ME APAVORA É QUE 60% DOS PROFESSORES DE SÃO PAULO AINDA VOTA NESSA GENTE..... É O CÚMULO DA DESINFORMAÇÃO....
ALIÁS SÃO PAULO EM MATÉRIA DE VOTOS, NÃO TEM PRA NINGUÉM... É SÓ VER OS DEPUTADOS E SENADORES QUE MANDAM PARA BRASILIA....

Salomon (17/05/2009 - 11:25)
O art.37, IX, da Constituição da República manda um recado para o Legislador ordinário "a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público;" É dizer: a atividade funcional do professor não há de ser considerada um dos casos de necessidade temporária, mas, ao reverso, de necessidade permanente. Só o PSDB e sua catadupa de impropriedades pode considerar tamanho despautério.

Fernando (17/05/2009 - 11:10)
Infelizmente o que mais tem por aí é servidor temporário, em qualquer cidade, estado ou governo federal, de qualquer partido, em áreas essenciais para a sociedade.

O que não exime de culpa o tucanalha do Serra, só não dá pra colocá-lo sozinho nessa.

Conceição Oliveira (17/05/2009 - 11:04)
Na Caros Amigos deste mês além do excelente artigo da Marilene tem uma reportagem maior que faz um verdadeiro raio X desta situação sem precedentes: dos 250 mil professores de uma rede que é maior do que a de muitos países do mundo, mais de 100 mil são temporários. É o maior sucateamento da instituição base de qualquer país: a escola.
15 anos de demotucanato em São Paulo fez os índices de aproveitamento escolar (que os demotucanos tanto adoram) despencarem, estados bem mais pobres e, portanto, sem recursos, superam o rendimento escolar de São Paulo.
O Estado vai demorar muitos anos para se recuperar do descaso e atraso provocado pelo governo do demotucanato isso se os paulistas acordarem e tirarem esta corja do poder. E para piorar a situação dois governos seguidos do demotucanato também no governo da capital, até mesmo o Estadão já fez matéria sobre o absurdo que este síndico de casa de bonecas está provocando nos CEU, toda a concepção deste projeto cidadão foi para o ralo.

josaphat (17/05/2009 - 10:17)
Mas Azenha, o povo elegeu essas pessoas!

Jairo Beraldo (17/05/2009 - 09:09)
Essa prática era comum no (des)governo Marconi Perigo, também tucano,aqui em Goiás.Diziam que era para contenção de gastos.Tem professores que esperam até hoje para receber seus proventos.Teve até ecandalo de desvio de verbas da merenda escolar(estimaram em cerca de 12 milhões de reais),quando a atual deputada federal tucana Raquel Teixeira era a titular da pasta da SEE.Aliás estavam abrindo uma CPI para ver a dimensão da coisa,mas adivinhem o que aconteceu!Qualquer semelhança em outros (des)governos tucanos,é mera coincidencia!

zanuja (17/05/2009 - 02:12)
Parabéns pelo texto Marilene. Lembro com carinho das minhas primeiras professoras e da formação q me deram.



Comente este Texto
Email: viomundoteve@msn.com Receba o conteúdo do site via RSS developed by: webmasters online design by: kallore design