
Atualizado e Publicado em 07 de novembro de 2009 às 09:55
6 de Novembro de 2009 - 21h32
Perseguição na PF afasta Protógenes Queiroz da corporação
do Vermelho
A Polícia Federal suspendeu, nesta sexta-feira (6), por 60 dias, o delegado Protógenes Queiroz da corporação. O delegado disse que foi avisado hoje sobre a decisão. Protógenes é alvo de uma série de processos disciplinares dentro da PF, cuja atual direção comanda uma verdadeira perseguição contra o delegado.
Protógenes disse que se sente injustiçado. "É uma injustiça, uma perseguição. Sou perseguido porque faço o combate à corrupção", disse ele.
"É um ato de tirania da cúpula da Polícia Federal contra a democracia. O verdadeiro bandido, o banqueiro bandido (Daniel Dantas), está solto, com a proteção de alguns agentes público, que deram decisões favoráveis a ele. Enquanto isso, o agente público que o investigou e prendeu está fora dos quadros dos serviços públicos. Este é o Brasil de hoje. Até o presidente Lula já admitiu que o Estado brasileiro falhou no combate às drogas e à corrupção", completou diz o delegado.
Indignado, Protógenes reforça: "É um processo injusto. Vou tentar recompor meu prejuízo. Além do constrangimento, é assédio moral. Vou recorrer pelas vias judiciais."
Inicialmente, a versão que chegou ao conhecimento público era de que Protógenes havia sido demitido, depois a assessoria do ministério da Justiça esclareceu que o delegado havia sido apenas suspenso por 60 dias. 'Ainda que seja suspensão, eu não sou bandido', protestou.
O delegado afirmou que a PF aproveita sua participação em eventos públicos para intimá-lo ou passar comunicados. Ele disse que esse é o caso de hoje, pois ficou sabendo da decisão durante a ato do congresso do PCdoB, em São Paulo. Protógenes filiou-se recentemente ao partido.
Segundo Protógenes, a decisão foi tomada pelo diretor-geral da PF, Luiz Fernando Correa. Procurada pela reportagem, a assessoria da PF não foi localizada para comentar o caso.
Protógenes ficou conhecido nacionalmente durante a Operação Satiagraha, que prendeu no ano passado o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas. Todos foram soltos depois. A Satiagraha investiga crimes financeiros atribuídos a Dantas.
Apesar da projeção nacional, Protógenes foi afastado da investigação e acabou virando alvo de um inquérito da PF que investiga supostos desvios durante a Satiagraha. O afastamento de Protógenes das investigações é visto como fruto da pressão exercida pelos poderosos grupos econômicos e autoridades que o delegado investigava. Para justificar o afastamento, Protógenes passou a ser acusado de uso político de suas funções e de supostamente ter violado a lei de interceptação e quebra de sigilo funcional durante a Satiagraha.
O jornalista Paulo Henrique Amorim, em seu site Conversa Afiada, comentou a suspensão ocorrida "num processo administrativo sumário". Segundo Amorim, a causa da punição foi Protógenes ter participado de um comício em Poços de Caldas, de que não participou. "A Polícia Federal não descobre o áudio do grampo. Não indicia os empreiteiros da Andréa Michael. Mas iniciou vários processos para punir Protógenes Queiroz judicialmente. Daniel Dantas está solto.", protestou Amorim.
Nota do Viomundo: É a grande ação da PF no momento. Perseguir um delegado da própria PF.
Engraçado...não tem ninguém brigando com o John Bastos! Pq será?