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Pochmann: Agora o capitalismo quer nosso cérebro

Atualizado em 11 de setembro de 2009 às 13:52 | Publicado em 11 de setembro de 2009 às 13:50

O mercado de trabalho reproduz a desigualdade

"Os 10% mais pobres do Brasil - 20 milhões de brasileiros - vivem com renda média mensal per capita de R$ 70 e transferem R$ 35 dos R$ 70 em impostos para o Governo, porque os impostos indiretos são os que mais oneram essa população", diz o economista Márcio Pochmann, presidente do IPEA.

Por José Cristian Góes, na Caros Amigos (reproduzido por sugestão da Alexandra Peixoto
)

O economista da Unicamp, Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), esteve em Aracaju (SE) para uma palestra e conversou com a Caros Amigos. Ele defende a completa refundação do Estado brasileiro.

O professor analisa a crise internacional e revela números surpreendentes das desigualdades no Brasil. Pochmann é categórico quando fala em educação: “Ela não transforma. Ela conforma para o trabalho”.

Ele garante que a atual crise econômica possibilita entrarmos em um novo padrão civilizatório em que os parâmetros de produção e consumo vão mudar. Chama a atenção para o meio ambiente e considera que o mundo vive um período de desgovernança pública.

É enfático ao tratar de República e democracia no Brasil: “Na nossa democracia sobram partidos e faltam ideias”; “dizemos que temos República no Brasil, mas não temos. República significa igualdade de oportunidades”.

Pochmann é um dos maiores pesquisadores do País sobre o mundo do trabalho. É especialista em emprego e salários e autor de 27 livros sobre inclusão social, desenvolvimento econômico e políticas de emprego. Entre os livros de sua autoria do economista estão O Desafio da Inclusão Social no Brasil e Relações de Trabalho e Padrões de Organização Sindical no Brasil. Na Unicamp, é professor do Instituto de Economia e atua no Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit).

Caros Amigos – Como o senhor avalia a crise financeira mundial?

Márcio Pochmann – Essa crise é uma crise do modo de produção capitalista, uma crise estrutural, sistêmica, uma crise que não é exclusivamente financeira, embora tenha sido nessa esfera que ela se originou. Essa crise impôs perdas expressivas aos ricos, impôs a queda da taxa de lucro das empresas, especialmente de alguns setores industriais. A crise impactou a área social. Estamos convivendo com maior desemprego, com aumento das desigualdades. Essa crise está contaminando o mundo da política. Cinco países tiveram alternância de poder em função, inclusive, do agravamento da crise. Não tivemos crises anteriores com problemas ambientais. Os impactos ambientais são extremamente degradantes. Temos uma crise inédita nesse sentido. Vale dizer que é uma crise que encontra o mundo, os países, em quase sua totalidade submetida à lógica mercantil. Nunca tivemos uma crise anterior com uma profundidade como esta. E não tem saída a curto e médio prazo porque a crise afetou as estruturas do padrão capitalista de produção e consumo. Não há como garantir a sustentabilidade da acumulação de capital.

O senhor diz que essa crise é de produção e consumo. Explique o que é a crise de consumo?
O que deu sustentabilidade de longo prazo ao capitalismo no século 20 foi a produção de bens de consumo duráveis, como por exemplo, a casa própria e o automóvel. Não são apenas eles, mas a casa e o automóvel simbolizam o consumo no capitalismo do século 20. A produção desses bens se difundiu pelo mundo, no entanto, apenas um quarto da população mundial tem acesso a esse padrão de consumo. Apenas um quarto. É o que praticamente temos no Brasil. Para que esse padrão de consumo tivesse padrões mundiais, especialmente no mundo onde a renda percapita é muito baixa, foi necessário o aprofundamento do subdesenvolvimento, que é o que se pressupõe no Brasil. Em outras palavras: para que aqui no Brasil pudesse se instalar a indústria automobilística e a produção nacional comparável ao os países ricos foi necessário concentrar profundamente a renda, para poder viabilizar o padrão de consumo dos mais ricos. Se a gente for a qualquer cidade brasileira a gente vê segmentos sociais que participam de alto padrão de consumo. Há bairros de qualquer cidade brasileira onde há casas com garagem com quatro, cinco carros, cada membro da família tem um automóvel. Há casas compatíveis com padrão hollywoodiano de habitação.

É, aqui os ricos vivem muito bem...
Os ricos vivem aqui muito melhor que a classe média e os ricos nos Estados Unidos e na Europa porque aqui os ricos não pagam impostos. E lá não existe como aqui essa massa de serviçais. É manicure, empregados domésticos, cortador de grama, faxineira, ou seja, um exército de prestadores de serviço. No Brasil, as famílias de classe média e ricas têm, em média, 13 serviçais à sua disposição para prestar serviços. São 13, no mínimo, ou seja, são mais de 20 milhões de pessoas que constituem esse exército com remuneração extremamente baixa. Por que é possível ir para uma pizzaria, churrascaria no Brasil e comer de forma extravagante pagando preços módicos? Porque aqueles que lá trabalham, o pizzaiolo, o churrasqueiro têm remunerações extremamente baixas. O que chama atenção é que viabilizar e internalizar esse padrão de consumo é somente possível com uma brutal concentração de renda, com um sistema tributário que concentra renda, que tira dos pobres e dá para os ricos e com um Estado que se organizou para atender fundamentalmente os ricos, o andar de cima da sociedade, como dizia Milton Santos. Esse andar de cima tem tudo. Tem banco público, tem sistema de tecnologia, tem compras públicas, ou seja, montou- se uma estrutura para sustentar os de cima. Isso não é uma experiência exclusivamente brasileira, mas talvez chegamos a maior sofisticação.

E esse padrão de consumo tem forte impacto ambiental, não é?

Claro. O mundo com 6,5 bilhões de habitantes e que apenas um quarto participa do padrão de consumo, mantido esse padrão de consumo, daqui a três décadas a temperatura da terra será três a quatro graus superior ao que é hoje. Três ou quatro graus podem não ser muito para nós individualmente, mas a elevação da temperatura nesse patamar significa aqui no Brasil problemas muito sérios. Por exemplo, a produção de café, que hoje é feita em várias regiões no País, só poderá ser possível no Rio Grande do Sul. Nós teremos problemas gravíssimos de seca em algumas áreas e enchentes em outras. Estaremos falando não mais em Floresta Amazônica, mas na grande savana amazônica. Não estou pregando o caos, não. O que estou chamando atenção é que levado adiante esse modelo de produção e consumo, nós precisaríamos de três planetas para conformar a difusão desse padrão de consumo para mais pessoas.

E quem ou quais instituições mundiais podem resolver os problemas da crise e seus reflexos?

Este é um aspecto grave. Estamos vivendo a plena desgovernança no mundo. Nós vivemos uma quadro de profunda anarquia do ponto de vista público porque as instituições que foram constituídas para fazer a governança pública do mundo estão completamente esgotadas para viver a nova realidade. Com o encerramento da 2ª guerra, estabelece-se a Assembléia Geral das Nações Unidas, ou seja, a ONU, que tinha o objetivo de estabelecer um padrão de convivência, de regulamento mínimo entre países. Veja, a ONU somente conseguiu fazer uma conferência sobre a crise só agora no mês de junho, quer dizer, quase um ano depois da crise ter se manifestado. A ONU não consegue reunir os países para estabelecer convergências. O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) que estavam presentes nas crises anteriores, dizendo façam isso e aquilo, simplesmente desapareceram. Mal e porcamente conseguem projetar se a economia vai ou não crescer, ou seja, não têm o que dizer. Esse padrão de regulação pública está falido.

E o G-20 e outros organismos estariam esgotados também?
O G-20 não é uma instituição. Como vai colocar em prática as medidas lá acordadas? Um exemplo do que foi discutido lá: não é possível no mundo de hoje a existência de paraísos fiscais, locais para onde vão recursos, às vezes de lavagem de dinheiro, sem qualquer tributação e controle. O G-20 chegou a essa conclusão, mas só à conclusão. Quem vai dizer isso? O G-20? Como estabelecer um novo padrão de governança pública no mundo, especialmente no momento em que há uma profunda concentração do poder econômico? Veja, nós temos 500 grandes corporações transnacionais que governam o mundo. Qualquer setor da atividade econômica que nós olhamos tem quatro, cinco grandes corporações que dominam o mercado. Nós estamos vivendo uma época que não são mais os países que governam o mundo, mas as grandes empresas. O segundo pós guerra criou as Nações Unidas, os países tinham as empresas. Os países eram maiores que as empresas. Hoje a realidade é inversa. As empresas têm os países.

Como assim, as empresas têm os países?
Alguém acha que o Brasil governa a Petrobras? Ou será a Petrobras que governa o Brasil, embora seja uma empresa pública? O faturamento anual das três maiores corporações do mundo é equivalente ao PIB do Brasil, que é a nona economia do mundo. O faturamento da Petrobrás era maior que o PIB da Argentina. Estamos em uma realidade onde existe uma pequena cidade de cinco mil habitantes e lá se instala uma siderúrgica e contrata três mil pessoas, gera faturamento, parte vai para a prefeitura em impostos, mas quem vai mandar naquela cidade? O prefeito democraticamente eleito ou o presidente daquela siderurgia? Hoje, muitos governantes se tornaram caixeiros viajantes de grandes empresas. O faturamento das 50 maiores corporações do mundo é maior do que o PIB de 100 países.

E o Brasil, diante dessa crise? De que forma ela nos afeta? Estamos nos comportando bem para sua superação?
Estávamos indo em uma trajetória muito positiva de crescimento. Nos últimos cinco anos estávamos conseguindo combinar expansão econômica com melhorias sociais. O Brasil crescia duas vezes, quase três vezes mais do que crescia nos anos 80, e com isso houve uma melhora significativa do mercado de trabalho. Nós chegamos a 2007, por exemplo, com 50% dos trabalhadores ocupados com algum tipo de proteção trabalhista, seja por carteira, seja por conta da contribuição à Previdência Social. Ocorre que as décadas de 80 e 90 foram muito difíceis para o mundo do trabalhador brasileiro. Nos últimos 5 anos tivemos uma crescente de melhora significativa. Tivemos a redução do número de pobres, redução das desigualdades, incremento e ampliação no salário mínimo. O crédito melhora, há recuperação do volume de gastos sociais. A crise atinge o Brasil nessa trajetória positiva de expansão.

Por isso não sentimos tanto os reflexos da crise mundial?

Não só por isso. O Brasil não repetiu as políticas que anteriormente adotava diante de crises, pelo menos, analisando o período de 1980 para cá. De 80 para cá tivemos três crises importantes. A primeira foi da dívida externa, em 1981/83; a segunda foi a recessão no Governo Collor, 1990/1993; e a terceira foi a crise financeira na passagem do primeiro para o segundo mandato do presidente (FHC), uma crise onde se fez acordo com o FMI. Nessas três crises houve um padrão de política pública: era o de acreditar que a saída da crise se dava pelo mercado externo e não interno, ou seja, aumentava nossa subordinação às decisões internacionais. Nas três crises há uma repetição. O governo aumentou impostos, reduziu os gastos públicos, arrochou salários e não ampliou as políticas que atendem a base da pirâmide social. De outubro do ano passado para cá o governo do presidente Lula não repetiu essas medidas, pelo contrário.

O governo tem mantido o gasto público e até ampliado, ou seja, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não foi reduzido por conta da crise, e começou uma política habitacional ampla, onde pela primeira vez teremos 400 mil moradias sendo construídas para atender as pessoas muito pobres. O governo não aumentou impostos, pelo contrário, reduziu impostos. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é um exemplo. Mas teve medidas de redução do Imposto de Renda (IR). Tivemos a ampliação do salário mínimo que subiu em fevereiro em 12% e o aumento do número de famílias atendidas pelo Bolsa Família. É importante dizer que pela primeira vez desde 80 os pobres não estão pagando os custos da crise como no passado. Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) provam que de outubro do ano passado a março deste ano cerca de 315 mil pessoas saíram da condição de pobreza nas regiões metropolitanas. Isso mesmo na crise. De 80 para cá, em todas as crises houve aumento do desemprego e da pobreza. Nesta, até agora isso não ocorreu. Então, é uma forma diferente de enfrentar a crise.

Tudo bem que não entramos no grosso da recessão, mas também não vamos crescer, não é isso? Ou é possível acreditar em um crescimento?

É verdade que tivemos alteração na trajetória de crescimento. Diferentemente de outros países, como Índia e China, que não tiveram recessão, tiveram redução na taxa de expansão do crescimento, mas vão continuar crescendo 6%, 7% ao ano. Nosso diferencial em relação a China e a Índia decorre do estrago que o neoliberalismo fez no Brasil. Apesar de todas as medidas que foram tomadas, medidas anticíclicas, ainda estamos distantes de um programa ousado de enfrentamento da crise que nos permita sair dela em condição superior que ingressamos. Por exemplo, em todos os períodos de crise e depressão, o Brasil soube ousar. Mesmo durante o autoritarismo, o Brasil reagiu. Nós fizemos o segundo plano nacional de desenvolvimento, que ajudou a completar a sua estrutura industrial. O Brasil construiu um investimento importante na matriz energética que foi o Proálcool. O Proácool foi uma resposta à crise do petróleo de 1973. Agora estamos diante de uma oportunidade histórica. É a primeira vez que o Brasil enfrenta uma crise pelo regime democrático.

A democracia brasileira está amadurecida e consolidada para o enfrentamento da crise?
Esse é um problema. Em nossa democracia sobram partidos e faltam idéias. Como construir convergências nacionais? Essa é a questão. A democracia exige convergência nacional e o partido político é instrumento disso. Democracia não é falar mal do governador, do presidente, falar qualquer coisa. Democracia é construção de convergências, de projetos estruturantes. O desafio que temos pela frente é enorme. A democracia nos dá essa condição. Não é mais o FMI, a ditadura que nos impossibilita de praticarmos o novo. Quem está impossibilitando somos nós mesmos, dada nossa incapacidade de construirmos convergências. Chamo a atenção que a crise não é só destruição, mas uma oportunidade de construção de algo superior. Ela abre perspectiva do enfraquecimento da dominação política que antes moldava o mundo, ou seja, abre a possibilidade de construção de um novo padrão civilizatório.

Como assim? Um novo padrão civilizatório?

No século 19 tínhamos uma sociedade agrária. Naquele momento quase tudo era trabalho. Há 100 anos as mulheres eram apenas máquinas de reprodução humana, essa era a sua função social. Homens e mulheres viviam 35 anos de idade, em média. Uma mulher que vivia até 35 anos poderia ter tido de 15 a 20 filhos. Era necessário ter muitos filhos porque se trabalhava na terra, a produtividade era muito baixa e precisava ter muita gente mexendo na terra. Viver era trabalhar na sociedade agrária. Começava-se a trabalhar aos cinco, seis anos de idade. Não tinha escola. Não tinha regulação do mercado de trabalho. Se trabalhava até morrer. Não tinha alternativa. Na sociedade agrária 75% da vida estava comprometida com o trabalho. Tudo isso foi superado pelo padrão da sociedade urbano industrial. Nesse velho padrão as pessoas viviam até 60 anos de idade, em média, começavam a trabalhar depois dos 15. Ingressam no mercado de trabalho e ficam 30, 35 anos na mesma ocupação. Concluída essa fase do trabalho, viviam mais uns 10 a 15 anos e encerravam o ciclo de vida. Essa sociedade permitiu que o trabalho significasse 40% do tempo de vida, sendo 60% restantes de inatividade para o trabalho formal.

Então com o século 21 entramos em um outro processo civilizatório.

Isso. Ocorre que diferente da sociedade do século 19 e 20, a sociedade do século 21, que não têm um nome ainda, seja lá pós industrial, da informação, do conhecimento, é uma sociedade muito diferente. Agora as pessoas vão viver 100 anos de idade ou mais. Ora, alguém viver 100 anos muda completamente a trajetória de vida. Uma das principais funções da escola dos ricos, da elite é construir com as crianças, individualmente, seu projeto de vida. Para alguém que vai viver 100 anos terá dormido 30 anos. Alguém já planejou seu sono? Planejou o local onde dorme? Evidentemente que todo mundo quer chegar aos 100 anos com tudo funcionando. Portanto o planejamento de como dormir, o que comer, o que fazer são decisivos para essa vida saudável com mais idade. Nessa sociedade do conhecimento o principal ativo não é mais o trabalho material.

O principal ativo é o trabalho imaterial. Numa sociedade agrária e urbano industrial, o que concentrava o trabalho era a agricultura, pecuária, indústria, construção civil. Esses trabalhos são tangíveis, eu posso contá-lo, ou seja, há um produto físico, há uma concretude no esforço do trabalho humano, manual ou intelectual. Na sociedade do conhecimento, o que domina é o trabalho imaterial. No Brasil de hoje 70% dos postos abertos são no setor terciário, de serviços. Na sociedade do conhecimento, por conta das novas formas de gestão do trabalho, das tecnologias, está se trabalhando cada vez mais fora do local de trabalho. Trabalha-se em casa, em todos os lugares, pelo celular, pela internet. O trabalho não é mais exercido no local fixo e não temos regulação. Estamos entrando numa sociedade que podemos ficar 24 horas plugados no trabalho. Este é um trabalho extenuante. O capitalismo não quer mais só o nosso coração, quer o nosso cérebro. Este trabalho fora de casa é um trabalho que gera produtividade, gera riqueza, uma riqueza que não está sendo disputada pelos sindicatos, não está sendo tributada pelos sistema tributário, ou seja, essa riqueza está gerando grandes ricos e está sendo muito concentrada. A repartição dessa produtividade imaterial nos permitiria construir uma outra sociedade. Por exemplo, na sociedade que se constitui não há razão técnica nenhuma para que a jornada de trabalho ultrapasse as 12 horas semanais. São três dias por semana, quatro horas por dia e pronto.

Então se muda completamente o conceito de trabalho, de estudo, de vida?

É. Na sociedade do conhecimento não há justificativa técnica, não há razão alguma que as pessoas comecem a trabalhar antes dos 25 anos de idade. Não é a sociedade do conhecimento? O principal ativo não é a informação? Por que começar a trabalhar cedo? Por que começar a trabalhar antes de ter completado a universidade? Mas isso já existe no Brasil. Dificilmente vamos encontrar um filho de rico que tenha começado a trabalhar antes dos 25 anos de idade, depois de ter completado a universidade, ter feito MBA, ter estudado fora do país. Somente no Brasil os filhos de pobres estão condenados a trabalhar sempre. A gente quer dar trabalho para os filhos dos pobres, não quer educação. As ações de educação são todas voltadas para o mercado de trabalho. Os filhos dos pobres começam muito cedo a trabalhar. Por começar muito cedo, eles não estudam e vão ocupar os piores postos no mercado de trabalho brasileiro. Temos república no Brasil? Não temos república, nada. República significa a igualdade de oportunidades. E se há os que começam a trabalhar aos 15 anos de idade e outros só aos 25, não há igualdade de oportunidade. Os filhos dos ricos vão começar depois e ocupar os principais postos do mercado de trabalho, seja no setor público, seja no setor privado. O mercado de trabalho reproduz a desigualdade. Os filhos de pobres continuarão sendo pobres e os filhos dos ricos sendo ricos.

Isso sem falar dos jovens que abandonam os estudos.

No Brasil temos 37 milhões de jovens na faixa etária de 16 a 24 anos. A metade desses jovens não estuda. A outra metade que estuda está fora de série, não acompanha a relação idade e série. Os jovens filhos de pobres no Brasil só estudam quando trabalham. Nós não temos estudantes que trabalham, mas jovens trabalhadores que estudam. Quando falta trabalho ou a renda é pouca ele abandona o estudo. Este ano 500 mil jovens do ensino médio abandonarão a escola por não ter complementação de renda. Um jovem que trabalha e estuda está comprometendo 16 horas diárias, ou seja, não tem tempo pra estudar. Trabalhar e estudar não combina. É por isso que o Brasil avança na oferta de vagas e piora na qualidade de ensino. O padrão civilizatório superior exige educação para a vida toda. Na sociedade do conhecimento não dá para exercer uma profissão ao longo da vida sem estar estudando e isso significa um abandono profundo da sociedade passada. Só estudam crianças, adolescentes e alguns jovens... isso acabou.

Os desafios da educação são enormes?

Ocorre que a educação de hoje não transforma as pessoas. Não está transformando. A educação conforma as pessoas para o mercado de trabalho. Não é uma educação para a vida. A educação que nós vamos precisar daqui para frente é educação para a vida, isso significa inverter a educação do jeito que ela é agora. O princípio da educação é a do especialista. Todo mundo quer ser especialista. Você vai ao hospital e tem lá o especialista em dedo direito, em dedo esquerdo. Tem o advogado especialista em uma área, outro em outra área, ou seja, a nossa estrutura educacional é de especialistas. O problema é que abandonamos o princípio da universalidade, isto é, da unidade do conhecimento. Todos tínhamos uma unidade do conhecimento. Hoje não temos. O resultado é que temos o especialista que sabe cada vez mais de menos coisas. A sociedade do conhecimento, da informação, nos coloca dados, análises de forma absurda que não temos condição de acompanhar, sistematizar. Resultado, nós estamos nos transformando cada vez mais numa população de ignorantes, analfabetos. Na minha área, por exemplo, não consigo acompanhar a profusão de livros, teses, artigos... isso só da minha área de conhecimento. E as outras áreas?

Nesse novo padrão civilizatório qual o papel da educação?

A educação tem o papel nobre, não só de reconstituir a base de conhecimento, mas de ser um agente de transformação, da sistematização do conhecimento. É uma atividade nobre, inclusive do ponto de vista da sociabilidade. À educação caberá esse papel rico de reconstruir os laços sociais porque hoje estamos diante de uma sociedade doentia , uma sociedade que consome remédios em um volume impressionante, uma sociedade dos indivíduos. Ninguém tem mais tempo para nada. Não tem mais diálogo. Um cidadão passa 4, 5 horas por dia na frente de um computador, nem ao banheiro vai. Tem tempo para conversar com qualquer pessoa e não tem tempo para conversar com seu filho, que está ao seu lado. Quando vai almoçar em um restaurante com a família, fica em frente da TV olhando o filme e o que predomina é o silêncio. Eu mesmo falo muito com meu filho pelo celular e internet, mas isso não é sociabilidade. Sociabilidade é olho no olho, é o carinho, é a expressão.

O senhor, no fundo, defende a refundação do Estado a partir desse outro padrão?

Claro. O Estado brasileiro precisa ser refundado. O Estado que temos hoje não serve. É um Estado apenas para os ricos e poderosos. Um novo Estado significaria a reinvenção do mercado. Por exemplo, dizem que o Estado admite competição. Isso é uma grande mentira. No mercado não tem competição. O mercado está completamente dominado pelas grandes corporações, embora 95% do mercado seja constituído de médias e pequenas empresas, mas elas não têm condições de participar de concorrências públicas, das grandes concorrências privadas, porque não há democracia no mercado, não há competição. O Estado que está aí não pode ser uma série de caixinhas, mas tem que atuar através de políticas matriciais, articuladas, integradas. O Estado que nós temos é um Estado herdeiro dos problemas do século 19 e 20. Temos o problema do analfabetismo. Como resolver? Só com professores, escola, material, pedagogia? Claro que não. Hoje o enfrentamento ao analfabetismo fica só na caixa do Ministério da Educação. Mas todo mundo sabe que o analfabetismo não é só um problema de educação. São questões de saúde, alimentação. O Estado de caixinhas fracassou. Nós fracassamos. Temos 11% da população analfabeta, doenças do século 19. Reforma agrária! Faz 60 anos que tentamos fazer reforma agrária e a estrutura fundiária que temos hoje é pior do que a estrutura de 1950, com o agravante de que hoje as terras estão sendo contratadas nas mãos de empresas estrangeiras. Estamos falhando e o problema não está na falta de recursos financeiros.

O que precisa ser feito para reduzir mais rapidamente a desigualdade entre pobres e ricos?

Se formos comparar o Brasil com países menos desiguais vamos observar que o Brasil não fez as reformas clássicas do capitalismo contemporâneo. Nós não fizemos a reforma agrária. No Brasil a propriedade é muito concentrada. Os meios de produção estão concentrados nas mãos de 6% da população. 20 mil famílias dominam o país, absorvem 70% do serviço dos juros da dívida. O Brasil também não fez a reforma tributária. Em muitos países os ricos pagam impostos. Aqui os ricos não pagam impostos, seja porque não tem impostos seja porque praticam o planejamento tributário que permite transferir o pagamento dos impostos para as pessoas. Você vai a uma consulta médica ou odontológica e ela custa um valor X, mas se você quiser o recibo o valor da mesma consulta é X mais Y, ou seja, quem paga o imposto é o próprio usuário. E por fim, o Brasil não fez a reforma social.

E o Bolsa Família, como o senhor avalia?
É importante, mas é uma ação de emergência. Não vamos resolver os problemas dos miseráveis num estalo de dedos, mas essas pessoas precisam viver. Há um preconceito muito grande quando se transfere recursos para os pobres no Brasil. Para os ricos não há preconceito nenhum. Já falamos do imposto de renda, por exemplo. Os filhos da classe média que vão estudar na universidade privada com bolsa pública ninguém chama de política compensatória, assistencial. O Bolsa Família minimiza a pobreza. Alguém pode dizer que é muito pouco. Pode ser, mas não é pouco para quem vive com R$ 30, R$ 40 mensais. Veja bem, o Estado administra recursos apropriados e precisa ter contrapartida.

O público do Bolsa Família paga imposto, é quem mais imposto paga. Os 10% mais pobres do Brasil, ou seja, 20 milhões de brasileiros, que vivem com renda média mensal per capita de R$ 70 essa gente transfere R$ 35 dos R$ 70 em impostos para o governo, porque os impostos indiretos são os que mais oneram essa população. Os 10% mais ricos não comprometem 20% do que ganham com pagamento de impostos, embora usem mais que isso do Estado. Por exemplo, na declaração de Imposto de Renda é possível descontar gastos com educação, saúde, assistência privada. Isso é estranho. O Brasil financia educação e saúde pública, mas também financia a privada! Em 2007, foram utilizados R$ 14 bilhões para financiar a saúde privadaa, através dos descontos do Imposto de Renda.

E esse pessoal que teve o financiamento da saúde privada paga pelo Estado é quem contrata os sete milhões de empregados domésticos, que não tem carteira assinada. Qual o compromisso das pessoas que recebem do Estado o financiamento de sua educação e saúde privadas em contratar domésticas assinando a carteira? É o mesmo caso de desoneração que está sendo feita nas indústrias. As indústrias foram beneficiadas com a redução do IPI, mas não mantiveram o emprego, e sequer repassaram para o preço. É a mesma coisa que a classe média que tem acesso aos recursos do imposto de renda e contrata pessoas sem carteira assinada. Dos 7 milhões de empregadas domésticas contratadas, menos de 30% tem carteira assinada.

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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Fabio Passos (14/09/2009 - 23:42)
Ei contraponto, ficou mesmo magoado?
Vai tomar uns chopp rapaz...


Contraponto (14/09/2009 - 21:07)
Puxa! E não é que tentou mais uma vez mesmo? Pena que ficou só no campo pessoal de novo.
Podia ao menos se esforçar um pouquinho, sabe? Tentar abrir a cabeça, ler sem os óculos das idéias pré-concebidas e simplesmente argumentar.

Achei bonitinho também o elogio ao... humm agora nem sei se dá mais pra usar a palavra colega, será amiguinho Felipe?

"Fabio Passos (14/09/2009 - 12:59)
É isso aí Felipe Amaral.
Não vamos confundir Leigo com mau caráter."

Fabio Passos (14/09/2009 - 11:34)
hã... é fácil demais.

John Bastos (14/09/2009 - 09:14)
""Os donos do capital incentivarão a classe trabalhadora a adquirir, cada vez mais, bens caros, casas e tecnologia, impulsionando-a cada vez mais ao caro endividamento, até que sua dívida se torne insuportável", profetizou Karl Marx, em 1867. "

Ignorante... Karl Marx nunca profetizou isso, voce apenas esta repetindo uma piada que saiu na internet... Eu me lembro quando eu era mais jovem e o tipico militante de esquerda lia de fato Marx

Fabio Passos (13/09/2009 - 23:26)
contraponto... o Felipe não precisa de minha ajuda. Ele te deu um baile.

Você ficou sem nenhum argumento e tentou desqualificar o Felipe bancando um prof pasquale fajuto.

Eu só tirei uma onda com sua cara... exatamente devido a sua arrogância vazia.

Quem precisa tentar mais uma vez... é alguém mais qualificado do que você.

Contraponto (13/09/2009 - 22:49)
Divertida sua resposta defendendo o colega, Fabio. Caso o único problema do Felipe fosse a dificuldade com o português até concordaria com você.

Algum comentário sobre o resto? Fica sempre mais fácil partir pra ataques à pessoa, não aos seus argumentos... quer tentar mais uma vez?

Fabio Passos (13/09/2009 - 22:29)
hã... será que não tem um "contraponto" mais qualificado prá tentar criticar o Pochmann?

Este aí o Felipe Amaral surrou... e o cara se perdeu todo.

uso do plural... pobre diabo.

Contraponto (13/09/2009 - 18:34)
"O problema é SEU, você que pague duas vezes."

Por incrível que pareca a primeira vez que acerta em seu post você concorda comigo. É triste, mas descamba para o erro novamente ao afirmar que tenho "a possibilidade de onerar os cofres públicos pra usar o serviço que você quiser". Caso entendesse de imposto de renda como alardeia saberia que da base de cálculo do imposto de renda são retiradas as despesas com saúde. Não há ônus. Estude mais um pouco e tente mais uma vez. É bom pesquisar também o significado da palavra ônus.

"Isso não atende aos princípios básico (sic) de democracia e cidadania previsto (sic) na constituição. isso cria o que se chama de cidadãos de primeira classe e cidadãos de segunda classe."

Sei que é bater em cavalo morto, mas no fim do post insiste em atribuir significados não compreendidos na palavra cidadania e, pra não ficar barato, coloca um "democracia" na brincadeira. Isso sem falar em mais fracassos no uso do plural. Mais sorte na próxima.

Contraponto (13/09/2009 - 18:33)
"Só não faz pra quem não entende a lógica do imposto de renda"
Cuidado com a dupla negativa, sua frase diz exatamente o contrário do que você queria dizer dado o resto do seu comentário.

Repare que também confunde o conceito de cidadania. Infelizmente as palavras guardam significados próprios, não aqueles que gostaríamos que elas tenham. Cidadania não tem nada a ver com saúde e educação providas pelo Estado, consulte o pai dos burros nessa.

Para além desses erros, contrário ao que você escreve, o imposto de renda não está associado diretamente a nenhuma atividade específica do Estado. Não serve, portanto para fazer "distribuicão de renda". Serve para financiar o governo. Ponto. Algo parecido com o que você pensou é a antiga CPMF, um tributo associado a atividades específicas.

"Então você, que tem renda vê que o serviço do estado é ruim (mesmo pq o Estado brasileiro não tem uma arrecadação per capita decente) e decide usar os serviços privado " (sic)

Repare que não falei que o serviço provido pelo SUS é ruim, mas sim que o que pode ser encontrado em hospitais privados é melhor. É pouco educado colocar palavras na boca das pessoas. Lembrar do uso do plural também faz bem.

Messias Franca de Macedo (12/09/2009 - 22:15)

O NEOLIBERALISMO COMEÇA A ARDER NAS PROFUNDEZAS DO PRÉ-SAL!

Na seção "o cafezinho da semana" [programa Fatos e Versões], o jornalista Ilimar Franco afirmou que os tucanos não encararão o desgaste político junto à sociedade brasileira, contestando as propostas encaminhadas pelo governo Lula, atinentes ao marco regulatório da exploração do petróleo da camada pré-sal. Os tucanos "irão marchar juntos com o governo!"
Ilimar Franco, de O Globo, disse: "O líder DEMo Agripino Maia marcou reunião com o comando tucano, para a próxima terça-feira. Agripino, algo que incrédulo, quer ouvir das próprias bocas dos tucanos a decisão sabida por todos!"

Êta oposiçãozinha de merda, siô! A propósito, "a quanto andas" a [tal] CPI da Petrobrax?! [É este senado aético e esta oposiçãozinha literalmente DESMORALIZADA as instâncias que investigarão a Petrobras nacional? Conta outra!]


Messias Franca de Macedo
Feira de Santana, Bahia, República de Nós Bananas

Fabio Passos (12/09/2009 - 20:38)
O correto não é acabar com todos atendimento de saúde e educação pagas?

Saúde e educação são direitos.

Não são uma mercadoria que uma casta de abastados pode gozar como privilégio.

http://infinitoaldoluiz.blogspot.com/ (12/09/2009 - 19:32)
Meu caro Pochmann, reduzindo seu belo texto a uma expressão mais simples, permita-me dizer que de fato a educação, não transforma. Ela doutrina e conforma para a aceitação de uma sub-reptícia ideologia escravagista que nos oprime secularmente e de desgovernância não tem nada e agora se auto denomina com o pomposo epíteto de Nova Ordem Mundial. Você não teve oportunidade de ouvir os belos discursos de Bushs, kissingers, Rockfellers, Obamas, Browns & Cia.?
Sinto muito, sou grato.

Landia (12/09/2009 - 18:54)
Pelo entendimeto do autor, não se deve financiar atividades privadas em detrimeto público. Concordo plenamente, com a deteriorização propositada pagamos saúde privada, educação privada etc Vamos ao caso das estradas pedagiadas, onde a pessoas não percebem que é mais uma conta a pagar que não deveria existir, pois o ministro ou secretário dos transportes são culpados pelo descaso.Vários países grandes como USA, Rússia, Austr, Canadá, possuem trens de carga e passageiros para todo o território e dentro das cidades . Não possuimos montadoras nacionais, os custos de transporte rodoviário, poluição, acidentes, asfalto(dura muito pouco c/caminhões), são astronômicos.Alguns países acabaram com as montadoras pois poluiam muito, preferem importar carros, outros colocam alto imposto para venda de motos(acidentes), no Brasil o interesse é outro, venda de carro, gasolina, privatização das estradas,caos urbano(político),indústria da segurança, indústria da saúde etc.

Carlos (12/09/2009 - 14:31)
Ainda bem que foi só uma "marolinha".

eheeheheheehehe

Felipe Amaral (12/09/2009 - 12:05)
olha o Dvorak

"Para idiotas como você, caro Felipe, só haveria crise se o Brasil passasse pelo menos uns 20 anos sem crescimento, não é??"

20 anos é exagero, mas o país poderia ficar pelo menos na situação do méxico, que está numa recessão brava há muito tempo, para eu considerar como crise. O Brasil não vai ter nem recessão esse ano, a recuperação é absoluta, afinal, como já disseram aqui um crescimento de 1,9% no trimestre em relação ao anterior é crescimento chinês. E perto do que acontece no mundo, principalmente no centro do capitalismo mundial, não chega nem a ser uma marolinha o que aconteceu com o Brasil.

Felipe Amaral (12/09/2009 - 11:32)
Contraponto, esse é um argumento que faz total sentido. Só não faz pra quem não entende a lógica do imposto de renda. Ele serve para que possa haver uma distribuição da renda, simplesmente assim. Voce tem renda e pode prescindir do Estado no tange a serviços de saúde e educação. Nós temos o conceito de cidadania aqui, ou seja todo cidadão deve ter garantia de saúde educação e outras coisas de mesma qualidade, está na constituição. Então, o Estado tem que dar um jeito de prover esses serviços para TODOS os cidadãos, sejam eles de baixa ou de alta renda. Para isso ele retira a renda daqueles que tem para prover os serviços com equidade, principalmente pensando naqueles que não podem prescindir do Estado. Então você, que tem renda vê que o serviço do estado é ruim (mesmo pq o Estado brasileiro não tem uma arrecadação per capita decente) e decide usar os serviços privado. O problema é SEU, você que pague duas vezes. Mas não é o que acontece, você tem a possibilidade de onerar os cofres públicos pra usar o serviço que você quiser. Isso não atende aos princípios básico de democracia e cidadania previsto na constituição. isso cria o que se chama de cidadãos de primeira classe e cidadãos de segunda classe.

Sagarana (12/09/2009 - 11:03)
Esse é o Márcio sofisminha...

Marcelo (12/09/2009 - 08:56)
Esse economista é o cara. Parabéns.

Moacir Moreira (12/09/2009 - 06:42)
Plantão Globo anuncia a morte do comunismo!

Pedro Bial no tempo em que se auto-intitulava jornalista (e dos sérios):

http://www.youtube.com/watch?v=1XY7qWbdXe0


ivaldo (12/09/2009 - 01:34)
E Como FICA o petróleo nessa sociedade nova?Tudo que conhecemos podera ser mantido quando o petroleo começar a acabar?Ou acreditam que o petróleo é infinito.....

Messias Franca de Macedo (11/09/2009 - 23:46)

PARA TUCANO BABAR!:
Nós estamos vivendo uma época que não são mais os países que governam o mundo, mas as grandes empresas. O segundo pós-guerra criou as Nações Unidas, os países tinham as empresas. Os países eram maiores que as empresas. Hoje a realidade é inversa. As empresas têm os países.
PARA OS INFERNOS OS TucanoDEMoníacos!
e a terceira foi a crise financeira na passagem do primeiro para o segundo mandato do presidente (FHC), uma crise onde se fez acordo com o FMI. Nessas três crises houve um padrão de política pública: era o de acreditar que a saída da crise se dava pelo mercado externo e não interno, ou seja, aumentava nossa subordinação às decisões internacionais. Nas três crises há uma repetição. O governo aumentou impostos, reduziu os gastos públicos, arrochou salários e não ampliou as políticas que atendem a base da pirâmide social. De outubro do ano passado para cá o governo do presidente Lula não repetiu essas medidas, pelo contrário.
PARA, NA CAMPANHA PRESIDENCIAL, COLOCAR OS TUCANOS EM FRANGALHOS!
O governo [do presidente Lula] tem mantido o gasto público e até ampliado, ou seja, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não foi reduzido por conta da crise, e começou uma política habitacional ampla, onde pela primeira vez teremos 400 mil moradias sendo construídas para atender as pessoas muito pobres. O governo não aumentou impostos, pelo contrário, reduziu impostos. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é um exemplo. Mas teve medidas de redução do Imposto de Renda (IR). Tivemos a ampliação do salário mínimo que subiu em fevereiro em 12% e o aumento do número de famílias atendidas pelo Bolsa Família. É importante dizer que pela primeira vez desde 80 os pobres não estão pagando os custos da crise como no passado. Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) provam que de outubro do ano passado a março deste ano cerca de 315 mil pessoas saíram da condição de pobreza nas regiões metropolitanas. Isso mesmo na crise. De 80 para cá, em todas as crises houve aumento do desemprego e da pobreza. Nesta, até agora isso não ocorreu. Então, é uma forma diferente de enfrentar a crise.
NOTA: tirante "as chamadas", as palavras são uma compilação da entrevista do catedrático Márcio Pochmann

Messias Franca de Macedo
Feira de Santana, Bahia, República de Nós Bananas

Dvorak (11/09/2009 - 22:17)
"E esse Dvorak, olhe vo te dizer, a marolinha já foi comprovada hoje com crescimento de 1,9% do PIB no segundo trimestre, ou você é desinformado ou é burro."

Para idiotas como você, caro Felipe, só haveria crise se o Brasil passasse pelo menos uns 20 anos sem crescimento, não é??

Contraponto (11/09/2009 - 22:08)
"É o mesmo caso de desoneração que está sendo feita nas indústrias. As indústrias foram beneficiadas com a redução do IPI, mas não mantiveram o emprego, e sequer repassaram para o preço."

Fiquei na dúvida com isso porque não vi demissões em massa nas montadoras e vi muita venda de carro a preços menores. Essa redução no IPI foi inclusive citada pelo próprio Pochmann como uma das boas ações do governo contra a crise. Engano meu?

Contraponto (11/09/2009 - 22:06)
"Os 10% mais ricos não comprometem 20% do que ganham com pagamento de impostos, embora usem mais que isso do Estado. Por exemplo, na declaração de Imposto de Renda é possível descontar gastos com educação, saúde, assistência privada. Isso é estranho. O Brasil financia educação e saúde pública, mas também financia a privada! Em 2007, foram utilizados R$ 14 bilhões para financiar a saúde privadaa, através dos descontos do Imposto de Renda."

Esse é um argumento que não faz sentido pra mim. Penso o seguinte: não desejo levar meu filho para um hospital público (pago com dinheiro dos meus impostos) porque julgo que terá um atendimento melhor num hospital privado.

Sem o desconto no imposto de renda então fico com duas contas para pagar. Uma do hospital público, que não uso, outra do hospital privado. Isto é, do meu ponto de vista não é o governo que tá pagando dois hospitais como o Pochmann fala, sou eu (mesmo porque quem banca o governo somos nós com os impostos). Nada mais justo do que, ao optar em não utilizar o hospital público, ter parte dos meus impostos deduzidos. Vale lembrar que essa dedução tá atrelada justamente ao meu gasto com saúde.

Não sei se ficou claro, mas a idéia basicamente é que o gasto com saúde é inevitável. Com a possibilidade de dedução no imposto de renda, o governo deixa a minha escolha se eu quero optar pelo serviço de saúde público ou privado. Acho muito justo.

Eudes Hermano Travassos (11/09/2009 - 20:44)
O professor Márcio Poshmann sempre acendendo as luzes do presente e jogando seus reflexos para o futuro, parabéns mais uma vez. Porém, o que me traz de mais importante na sua esplanação é o debate hoje ausente na sociedade e principalmente nas salas de aula que por mais antigo que seja infelizmente não quer envelhecer, as diferenças de classe e as formas de reprodução destas diferenças na sociedade capitalista.

Fernando Augusto, RJ (11/09/2009 - 20:16)

Alguma chance do economista Márcio Pochmann ser o Ministro da Fazenda de Dilma, seria muito bom.

"O senhor diz que essa crise é de produção e consumo. Explique o que é a crise de consumo?"

Nouriel Roubini: Capitalismo selvagem do Ocidente já está falido.

"Os donos do capital incentivarão a classe trabalhadora a adquirir, cada vez mais, bens caros, casas e tecnologia, impulsionando-a cada vez mais ao caro endividamento, até que sua dívida se torne insuportável", profetizou Karl Marx, em 1867. O mercado jamais levou seus aforismos a sério. Após 150 anos, Nouriel Roubini chega à mesma conclusão quando convidado a explicar a crise cada vez maior nos mercados e economias do planeta.
 
"Não são uma crise de crédito ou muito menos a desaceleração econômica as causadoras do problema. Ambas são sintomas de uma correção mais ampla no consumo mundial, algo inevitável após o acúmulo tão grande de dívidas entre 2001 e 2007%u2033, afirma. Roubini usa o termo "desmanipulação" do consumo. "O que observamos no último tempo - destaca - não é apenas o desinflar da bolha de crédito, criada por capitais manipulados (quer dizer, endividamento) dos bancos. É uma "desmanipulação", em larga escala, de um modelo de vida. Durante longos anos, os consumidores contraíam dívidas para adquirirem equipamentos elétricos, automóveis, casas, férias e outros bens", diz.

A informação é de Laura Britt, no Monitor Mercantil

Como diz Marx, "o verdadeiro limite da produção capitalista é o próprio capital".

eugenio (11/09/2009 - 20:14)
Bem, uma coisa os devorak, JB....ostas, Willian, cia vão ter ceterza ao olharem para seus filhos e/ou netos, que estão deixando um futuro para eles NEGRO.E VIVA O CAPETALISMO!

Felipe Amaral (11/09/2009 - 18:57)
É, não sei como ainda a gente dá uma certa credibilidade para os teleguiados que atacam o Bolsa Família ou qualquer coisa que seja para óbre ou para os trabalhadores. Os argumentos são incontestáveis. E esse Dvorak, olhe vo te dizer, a marolinha já foi comprovada hoje com crescimento de 1,9% do PIB no segundo trimestre, ou você é desinformado ou é burro.

Adriana (11/09/2009 - 18:11)
Realmente o texto é uma aula! Como profa. De Psicologia e Políticas Públicas vou trabalhar esse texto em minha classe!

Urbano (11/09/2009 - 17:35)
Vejam que é exatamente o que o Presidente Lula deseja fazer: eliminar de uma vez por todas esse cancro das entranhas do nosso país, que é a miséria. Porém, uma das grandes batalhas de seus adversários é minar qualquer projeto que tenha tal intuito.

Luiz Henrique Gomes (11/09/2009 - 17:17)
Grande Márcio Pochmann sou fã e admirador de suas lúcidas afirmações.

É um visionário como John Keneth Galbraith.

Messias Franca de Macedo (11/09/2009 - 16:59)

"Os ricos vivem aqui muito melhor que a classe média e os ricos nos Estados Unidos e na Europa porque aqui os ricos não pagam impostos." Doutor Márcio Pochmann

POR OUTRO LADO:

"Os 10% mais pobres do Brasil - 20 milhões de brasileiros - vivem com renda média mensal per capita de R$ 70 e transferem R$ 35 dos R$ 70 em impostos para o Governo, porque os impostos indiretos são os que mais oneram essa população", diz o economista Márcio Pochmann, presidente do IPEA." O mesmo Doutor Márcio Pochmann, economista da UNICAMP

Ô elitizinha escrota e chinfrim!

Messias Franca de Macedo
Feira de Santana, Bahia, República de Nós Bananas

Alexandro (11/09/2009 - 16:57)
Tive a oportunidade de assistir uma palestra do Pochmann aqui na PUC de Campinas... Ele é genial, é de gente assim que o Brasil precisa, ousadia, coragem para propor o novo, sair da mesmice estrategicamente estabelecida.

Marcio Pochmann, esse sim é o cara!

Messias Franca de Macedo (11/09/2009 - 16:39)

NÃO OBSTANTE, ÊTA POVO VALOROSO!

Feira de Santana, agreste da Bahia, quinto lugar no ENEM (2009); quarto lugar em 2008. A primeira escola do Estado de São Paulo ficou na décima posição!

Sem nenhum bairrismo, sem nenhuma prepotência! Evidências científicas, apenas!

Messias Franca de Macedo
Feira de Santana, Bahia, República de Nós Bananas



Moacir Moreira (11/09/2009 - 16:37)
O socialismo de privilégios da turma do Zé Dirceu já está em pleno funcionamento.

Agora só falta combinar com o povo.

Messias Franca de Macedo (11/09/2009 - 16:28)

"Em outras palavras: para que aqui no Brasil pudesse se instalar a indústria automobilística e a produção nacional comparável ao os países ricos foi necessário concentrar profundamente a renda, para poder viabilizar o padrão de consumo dos mais ricos." Doutor Márcio Pochmann

Ou seja, toda riqueza é produto de um roubo!


Messias Franca de Macedo
Feira de Santana, Bahia, República de Nós Bananas

Luiz (11/09/2009 - 16:07)
Excelente! Infelizmente existem pouquissimas mentes evoluídas como a desse senhor no mundo...

Milton Hayek (11/09/2009 - 16:05)
PPPPPPUUUUUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMMMMMMMMM!!!!!!!!

" Dvorak (11/09/2009 - 15:37)
"É verdade que tivemos alteração na trajetória de crescimento. Diferentemente de outros países, como Índia e China, que não tiveram recessão, tiveram redução na taxa de expansão do crescimento, mas vão continuar crescendo 6%, 7% ao ano."


Ainda bem que foi só uma "marolinha".

eheeheheheehehe"

Dvorak (11/09/2009 - 15:37)
"É verdade que tivemos alteração na trajetória de crescimento. Diferentemente de outros países, como Índia e China, que não tiveram recessão, tiveram redução na taxa de expansão do crescimento, mas vão continuar crescendo 6%, 7% ao ano."


Ainda bem que foi só uma "marolinha".

eheeheheheehehe

gilsantini@hotmail.com (11/09/2009 - 15:22)
Azenha,desculpe trazer esse assunto em local inapropriado mas recebí este e-mail: "A cartilha "O Olho do Consumidor" produzida pelo Ministério da
Agricultura, com arte do Ziraldo, para divulgar a criação do Selo do SISORG (Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica) que pretende padronizar, identificar e valorizar produtos orgânicos,
orientando o consumidor, teve sua distribuição sustada
pela multinacional de sementes transgênicas Monsanto por uma liminar de mandado de segurança O arquivo foi inclusive retirado do site do Ministério (o link está "vazio").
Em autêntica desobediência civil e resistência pacífica à medida de força, estamos distribuindo eletrônicamente a cartilha. Se você concorda com esta idéia, continue a distribuição para seus amigos e conhecidos.
Chega desse judiciário comprometido com o grande capital internacional" No entanto, encontrei no site abaixo: http://www.agricultura.gov.br/images/MAPA/arquivos_portal/ACS/cartilha_ziraldo.pdf Você tem melhores informações sôbre isso? Obrigado.

Pedro Dias (11/09/2009 - 14:58)
Simplesmente fantástico. Passei para o Word e dei um formato melhor e listei. Vou passá-lo para os meus amigos.



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