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Cartas de Minas
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Pedro dos Anjos: Revisionismo neonazi tem a pureza do cheiro de ralo

19 de agosto de 2017 às 20h00

Revisionismo neonazi tem a pureza do cheiro de ralo

por Pedro dos Anjos, especial para o Viomundo

Os neonazis são um prodígio em matéria de revisionismo.

Com a solitária – este verme danado –devorando os seus cérebros, a revisão que eles pretendem da história fica abaixo da crítica.

Então, o nazismo era de esquerda ?!

Caramba, como foi então que a Siemens, a VW, a Krupp, a IG Farben, a Hugo Boss e outras corporações alemãs que aderiram, sustentaram e se beneficiaram da máquina moedeira de gente do Hitler e seus sequazes não perceberam a esquerdopatia desta corja?!

Do mesmo modo, por que terá faltado esta lucidez ao Chase Manhattan, à Ford e GM, à Coca Cola, à IBM e outras gigantes norte-americanas, que transacionaram continuamente com a Alemanha nazista – mesmo estando o governo e o povo dos EUA em guerra com ela?!

E o que dizer da Nestlé – com matriz sediada na neutra ma non troppo Suíça –, cujos negócios foram mantidos sem pudor com o governo do esquerdista Führer?!

A tese neonazi que liga nazismo à esquerda não é apenas papo furado: é covardia, reles pusilanimidade destinada a escamotear as marcas da natureza direitista que caracteriza a ideologia materna dos neonazis, que foi um amálgama de  fanatismo nacionalista, esmagamento de minorias, militarismo imperialista e defesa brutal do grande capital!

O farsesco, a propósito, está nos primórdios do próprio ideário materno dos neonazis.

Alguns autores já haviam percebido que o nazismo – de modo distinto das demais ideologias reacionárias da direita – relativizou um pouco o  elitismo e flertou com a “ralé”. Sua  implementação prática passava por este, digamos, rebaixamento pouco nobre e dependeu de disputar o povo trabalhador com as esquerdas comunista e socialista.

Wilhelm Reich descreveu a  apropriação pragmática de símbolos tradicionais das esquerdas pelos nazis em ascensão nos anos 20 e 30 do século passado.

Por exemplo, o vermelho – sempre identificado com o comunismo – colorindo as bandeiras, flâmulas e braçadeiras nazistas, porém devidamente contraditado com a inserção da suástica no meio.

Do mesmo modo, a inscrição das palavras socialismo e trabalhadores na nomenclatura do partido, que ficou assim chamado: PARTIDO NACIONAL-SOCIALISTA DOS TRABALHADORES ALEMÃES.

Só mesmo o revisionismo tosco e solerte de boçais como Olavo de Carvalho e seus sequazes-neonazis-ou-quase-neonazis para igualar nazismo à ideologia de esquerda (abro parênteses para reforçar que as esquerdas têm que acertar contas com suas próprias  excrescências totalitárias: estalinismo, Coreia do Norte, etc. Mas, de todo modo, rechaçar a trapaça da direita de não assumir o nazismo e o fascismo como seus ).

Os neonazis, com seu mitômano Bolsonaro à frente, não passarão com esta propaganda revisora que tem a pureza do cheiro de um ralo!

 

3 Comentários escrever comentário »

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Arthur

21/08/2017 - 13h47

Em 1923, Hitler concedeu uma entrevista. Nela, explicou a parte socialista do partido: “Não é socialismo desses marxistas! É o socialismo puro ariano, onde cada um sabe seu lugar! Defendemos a propriedade privada!”
https://www.theguardian.com/theguardian/2007/sep/17/greatinterviews1

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Mark Twain

21/08/2017 - 11h57

Faltou mencionar a Bayer.

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Lucas Vasconcelos Ponzo

20/08/2017 - 22h56

Como disse Nelson Rodrigues, existem situações em que até os idiotas perdem a modéstia. E esta é uma delas. São tempos de obscurantismo e desonestidade intelectual.

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