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Paulo Pimenta: Voltando ao caso Folha vs. Falha

20 de setembro de 2011 às 13h01

O caso Folha x Falha

Por que a imprensa pode fazer piadas com a sociedade e nós somos proibidos de fazer com ela?

por Paulo Pimenta (PT/RS), via assessoria de imprensa do mandato

O caso da ação judicial movido pelo jornal Folha de S. Paulo contra os irmãos Lino e Mario Bocchini é exemplar para provocar uma reflexão sobre os limites éticos do debate da liberdade de expressão sob o ponto de vista de setores importantes da mídia tradicional. Os irmãos Bocchini criaram o blog Falha de S.Paulo, espaço irreverente e descontraído de análise e críticas de matérias e conteúdos veiculados no tradicional diário paulista.

Como paródia, naturalmente, o blog é “uma obra literária que imita outra obra literária”, evidentemente que em tom caricato com “objetivo jocoso ou satírico”, segundo o dicionário Houaiss. Observa-se aqui com nitidez aquilo que classifico como uma característica marcante da mídia tradicional e conservadora do Brasil. A seletividade na abordagem dos temas ou como analisar temas semelhantes de maneira distinta a partir dos interesses que estão em jogo, propondo-se a criar indicativos no leitor/telespectador sobre a relevância dos acontecimentos e os fatos essenciais para o seu comportamento no meio social, não só refletindo, mas também reconstruindo a própria realidade, ao gosto dos grandes empresários da comunicação deste país. Verifica-se, assim, o papel ideológico representado pela mídia tradicional, atuando em favor da manutenção da preeminência ideológica dominante.

No processo eleitoral de 2010, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) questionou no Supremo Tribunal Federal a proibição de fazer sátiras a políticos durante a campanha. Acertadamente, o STF liberou o uso de sátiras e manifestações de humor contra políticos, acatando proposta da Abert. “O riso e o humor são expressões renovadores, de estímulo à prática da cidadania. O riso e o humor são transformadores, saudavelmente subversivos, são esclarecedores e reveladores, e, por isso, são temidos pelos detentores do poder”, afirmou no julgamento o ministro Celso de Mello.

No mesmo julgamento, Gustavo Binenbojn, advogado da Abert, destacou: “a sátira e o humor são formas consagradas de manifestação artística e crítica política. O advogado da Abert reforçou ainda a tese da entidade de que a proibição do humor causa “grave efeito silenciador”.

No episódio em que a atriz Juliana Paes move processo contra José Simão, colunista da Folha de S. Paulo, a advogada do jornal, Tais Gasparin, a mesma que agora assina a ação contra o blog Falha de S.Paulo, alega: “tratar o humor como ilícito, no fim das contas, é a mesma coisa que censura”. A Folha de S. Paulo, que apoiou a ditadura no Brasil, mantém-se, nesse episódio do blog Falha, coerente ao seu passado, mas em contradição com seu discurso atual de defesa da liberdade de expressão no país. De qual Folha estamos falando?

Seguindo a defesa da Folha, o Casseta & Planeta, Pânico na TV, CQC estariam impedidos de utilizar a paródia como instrumento de crítica humorística, que “se valem de elementos visuais de importantes personalidades públicas para identificação pelos telespectadores”. É o que dizer então do fato do cartunista Ziraldo ter criado a revista “Bundas”, como paródia da revista “Caras”, ou em plena ditadura o jornal O Pasquim referir-se ao jornal O Globo como “The Globe”.  Não há registro de terem sido censurados ou de tentativa de censura.

Por fim, é curioso observar também que a MTV Brasil em três oportunidades no dia 28 de junho levou ao ar o logotipo idêntico usado pelo blog Falha de S.Paulo que satiriza o jornal Folha de S. Paulo, que foi proibido pela justiça, no mesmo contexto (paródia) sem que nenhuma ação fosse movida contra o Grupo Abril, dona da MTV Brasil, revelando mais uma vez que a imprensa pode fazer piada com ela mesma, a sociedade não. Lobo não como lobo, já diz um velho ditado popular.

Não há dúvidas, portanto, que a ação contra o blog Falha de S.Paulo é um recado a todos os blogueiros, sites, tuiteiros e qualquer outro tipo de protagonismo possível que as novas tecnologias têm permitido aos cidadãos e à sociedade civil de romper com lógica vertical da comunicação. “Liberdade de expressão é bom, é um princípio, mas não para vocês. O monopólio da informação e da livre manifestação do pensamento é nosso, e qualquer tipo de crítica será censurado. E se possível, ainda queremos, buscar uma indenização daqueles que insistirem em nos desafiar”.

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13 Comentários escrever comentário »

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Marcio H Silva

21/09/2011 - 00h46

Me desculpe o Sr. Paulo Pimenta (PT/RS), mas ficar discutindo este assunto é perda de tempo. Todos já sabem quem são os PIGs, como são os PIGs , como agem, porque agem. Então meu amigo está na hora de colar na Rua o Marco Regulatório.

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    Gerson Carneiro

    21/09/2011 - 04h37

    Concordo. Os casos se sucedem; a choradeira começa a ficar repetitiva; e a inércia do Ministério das Comunicações torna cúmplice o Governo Federal.

    CC.Brega.mim

    25/09/2011 - 18h39

    não acho não
    a censura judiciária
    existe no brasil
    e precisa ser vista discutida combatida

Vinícius

20/09/2011 - 23h12

Eles falam de que a paródia é concorrência parasital né? Me digam uma coisa, lembram do Overman, do Laerte? Era paródia dos superheróis em geral, mas o uniforme era idêntico ao do Space Ghost (da Hanna Barbera), só trocava as cores.
Mas o pior é o seguinte: além da Abril poder zoar eles, eles podem praticar "concorrência parasitária" contra a Hanna Barbera!

(tirinha do Overman enfrentando o fantasma do espaço) http://www.universohq.com/quadrinhos/2003/n301020

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SILOÉ-RJ

20/09/2011 - 22h58

AS FOLHAS DA FALHA X AS FALHAS DA FOLHA – Quem na justiça ganhará esse embate???

O público já se definiu e creio que é isso o que mais importa.

Responder

Gerson Carneiro

20/09/2011 - 22h01

Metrô Linha 743

Ele ia andando pela rua meio apressado
Ele sabia que tava sendo vigiado
Cheguei para ele e disse: Ei amigo, você pode me ceder um cigarro?
Ele disse: Eu dou, mas vá fumar lá do outro lado
Dois homens fumando juntos pode ser muito arriscado!
Disse: O prato mais caro do melhor banquete é
O que se come cabeça de gente que pensa
E os canibais de cabeça descobrem aqueles que pensam
Porque quem pensa, pensa melhor parado.
Desculpe minha pressa, fingindo atrasado
Trabalho em cartório mas sou escritor,
Perdi minha pena nem sei qual foi o mês
Metrô linha 743

O homem apressado me deixou e saiu voando
Aí eu me encostei num poste e fiquei fumando
Três outros chegaram com pistolas na mão,
Um gritou: Mão na cabeça malandro, se não quiser levar chumbo quente nos cornos
Eu disse: Claro, pois não, mas o que é que eu fiz?
Se é documento eu tenho aqui…
Outro disse: Não interessa, pouco importa, fique aí
Eu quero é saber o que você estava pensando
Eu avalio o preço me baseando no nível mental
Que você anda por aí usando
E aí eu lhe digo o preço que sua cabeça agora está custando
Minha cabeça caída, solta no chão
Eu vi meu corpo sem ela pela primeira e última vez
Metrô linha 743

Jogaram minha cabeça oca no lixo da cozinha
E eu era agora um cérebro, um cérebro vivo à vinagrete
Meu cérebro logo pensou: que seja, mas nunca fui tiete
Fui posto à mesa com mais dois
E eram três pratos raros, e foi o maitre que pôs
Senti horror ao ser comido com desejo por um senhor alinhado
Meu último pedaço, antes de ser engolido ainda pensou grilado:
Quem será este desgraçado dono desta zorra toda?
Já tá tudo armado, o jogo dos caçadores canibais
Mas o negócio aqui tá muito bandeira
Dá bandeira demais meu Deus
Cuidado brother, cuidado sábio senhor
É um conselho sério pra vocês
Eu morri e nem sei mesmo qual foi aquele mês
Ah! Metrô linha 743

Composição: Raul Seixas

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Gerson Carneiro

20/09/2011 - 21h25

[youtube MMlLVomYpKE http://www.youtube.com/watch?v=MMlLVomYpKE youtube]

Responder

Fabio_Passos

20/09/2011 - 18h37

Não há como negar.

O frias é um pivete mau-caráter. Censor vagabundo. Deve ter saudades dos tempos em que a fsp apoiava e servia a ditadura…

Responder

Polengo

20/09/2011 - 17h55

Eles podem mandar o recado que quiserem. Vão ter que processar todo mundo que se conscientiza?
Mesmo essa que ganharam, no fim perderam, porque fica mais feio do que se deixassem quieto.

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Gustavo Pamplona

20/09/2011 - 16h45

"Por que a imprensa pode fazer piadas com a sociedade e nós somos proibidos de fazer com ela?"

Simples, os irmãos do "Falha" são idiotas (porque se identificaram) e medrosos (por conta do processo)

Vejam o caso do Sensacionalista: http://www.sensacionalista.com.br/ e divirtam-se! ;-)

Responder

    Gerson Carneiro

    20/09/2011 - 19h09

    E a imprensa faz piadas com a sociedade no anonimato? Por que os irmãos do Falha deveria fazer?

    CC.Brega.mim

    20/09/2011 - 20h03

    num mundo sem arte
    a ação é impedida.

    imagens são mudas
    a sociedade é muda.

    e tem gente que gosta..

Luiz Henrique

20/09/2011 - 16h27

Viva!!!
É piada: a folha quer liberdade só pra ela, pro outros a …
Já não leio, não abro site, uol, nada que tenha qualquer ligação com esse grupo de lobos.

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