
Atualizado em 01 de dezembro de 2009 às 22:30 | Publicado em 01 de dezembro de 2009 às 22:29
A respeito de um texto que publiquei, o embaixador Arnaldo Carrilho fez algumas observações:
Bom, o texto abaixo, bom porque positivo e merece reparos, o primeiro relativamente à adjetivação corrente do regime de exceção que tivemos, longo como a "Era Fascista" do Duce (1964/85 e 1922-43, respectivamente. A nossa não foi uma ditadura "militar", ela foi ditadura e pronto. Os milicos tentaram nela implementar não mais que uns 5% do seu ideário em torno dos "Objetivos Nacionais Permanentes", no quadro da "Doutrina de Segurança e Desenvolvimento". Não puderam ampliá-lo porque os fautores da ditadura, a burguesia preposta de interesses vários, inclusive estrangeiros, não estavam interessados em ideários e doutrinas.
Empenhavam-se apenas na repulsa a tudo que trescalasse ao que o Azenha chama de "Povo", palavrinha enganadora e pretextual de golpes e salafrarices sem fim. "Massa" também não serve, dada sua origem mussoliniana. Então vamos de Multidão, conceito spinozeano, reexumado por Toni Negri, em contexto diverso ao que viveu o pensador luso-holandês, claro. O que o sociologuês estatístico dos uspeanos chama de "Classes D e E" (que horror!) é onde se concentram as Multidões (não no sentido de Orlando Silva, apodado de "Cantor das Multidões!", pois naquele tempo, no Brasil corporativo-estadonovista, nem rádio tinham os pobres de eito, a grande maioria, cf. "Coronelismo, Enxada e Voto", de Victor Nunes Leal).
Permita-me igualmente o Azenha entrar em sua imediata ancestralidade, pois fiquei admirando o Seu Azenha. Não havia contradição alguma no fato de seu valoroso pai ser empresário (outra palavrinha de que não gosto, mas "pegou", já que comerciante ou industrial são mais corretas, a primeira meio-desmoralizada por aí: "Comerciante é todo aquele que, inscrito, ou não, no Registro de Comércio, faz da mercancia sua atividade habitual", dfinição bem lusitana contida no Código Comercial, de 1853 - o buzílis está no "não-inscrito", o que faz de "comerciante" a maioria não-multitidinária). Acho que não pairam dúvidas sobre a condição de Comunista de Friedrich Engels, pois não?
Ele era mais que rico, pois filho de papai riquíssimo, aliás, "executivo" (outro horror!) do genitor, em Bruxelas, Manchester e Londres, viajadíssimo e grande champanheiro-charuteiro. E, não fosse isso, como é sabido, Karl Marx teria morrido antes e não teria escrito tanto. Nessas condições, Seu Azenha não foi absolutamente contraditório e formou fileiras com a "vanguarda", inclusive a que levou à criação do PT com as Pastorais Operária e da Terra e as Comunidades Eclesiais de Base, jamais aquela do "Cesinha"-dos-infernos da Geléia Geral ropicodélica(*).
Pequena nota: meu avô materno, morto sob tortura aos 32 anos, foi anarco-comunista nos anos-20 e era "comerciante de café, madeira e cereais", tendo legado à família uma carteira da III Internacional que minha Vó queimou, com medo dos esbirros de Arthur Bernardes e Aurelino Leal. O tal documento, contrariamente aos repressores de hoje (RGs, CPFs, atestados de residência, títulos eleitorais e carteiras do trabalho - qias mais?), facultariam a ela e prole de cinco filhos moradia e educação gratuita na URSS. Em suma, o potiguar Omar da Fonseca Moura, ex-anarquista bolchevizado, era um comerciante, talvez inscrito no Registro de Comércio, ninguém da família sabia, ao certo...
Mas parabéns pelo texto, filho do Seu Azenha!
Abraços do
Arnaldo C.
(*) Nem todos os prisioneiros eram deveras "politicos" (os militares e policiais torturadores, mal-instruídos pelas cartilhas franco-argelinas e estadunidenses - não entendiam lá muito de idiomas estrangeiros -, revelavam ignorância abissal). Cobro sempre aos pesquisadores, por outro lado, pesquisa sobre os infiltrados nos movimentos da luta armada, sem resultado, mas aí o departamento é outro. Não há "Esquerda sem Povo", porque a ESQUERDA ESTÁ NA MULTIDÃO, o resto é conversa fiada. Numa "Faca só lâmina", João Cabral poetou o significado e significante elíptico de "afiada", viu, Seu PHA? Já houve gente que pensava fundo nesse País, como um Antonio Candido ou um Alfredo Bosi podem testemunhá-lo, por escrito e oralmente.
PHA é aquele que foi da juventude lacerdista e hoje apóia o governo fascista do Sérgio Cabral?