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O FIM DA CHIMERICA

Atualizado em 23 de setembro de 2008 às 13:54 | Publicado em 21 de setembro de 2008 às 22:33

ROUGH WEEK, BUT AMERICA'S ERA GOES ON

por Niall Ferguson, no Washington Post

O derretimento de Wall Street é prenúncio do fim do século americano? Muitos comentaristas alertaram que a catástrofe financeira da semana passada foi um recuo não só econômico, mas político para os Estados Unidos. "Por que o resto do mundo levaria a sério o modelo americano de mercado livre depois desse debacle?", um jornalista britânico me perguntou na quinta-feira. Essa crise, ele argumentou, foi para a economia o que a guerra do Iraque foi para a política externa dos Estados Unidos: um golpe fatal para a credibilidade da alegada primazia global norte-americana.

Certamente, se a conversa de "momento unipolar" que se seguiu ao colapso soviético era exagero, as dificuldades de crédito representam um nêmesis bem americano. Dez anos atrás existia uma estranha competição nos Estados Unidos para saber quem era mais arrogante. Os neoconservadores argumentavam que o resto do mundo deveria correr e abraçar o caminho americano ou se preparar para um bombardeio que os levaria à "idade democrática". Mas igualmente arrogantes eram os economistas neoliberais, que argumentavam que o resto do mundo deveria se apressar e abraçar o assim-chamado consenso de Washington para expandir o comércio, atacar a inflação e encorajar investimento estrangeiro, ou se preparar para uma venda rápida. Um grupo atacava a falência política do mundo muçulmano; o outro atacava o "capitalismo corrompido" da Ásia, supostamente a causa-raiz da crise dos mercados asiáticos em 1997-98.

Os neocons levaram o troco no Iraque, onde as forças americanas não foram, como eles diziam, abraçadas como libertadoras. Os neolibs levaram o deles este mês, quando um Departamento do Tesouro republicano, dirigido por um ex-presidente da Goldman Sachs, de fato nacionalizou os grandes financiadores do mercado imobiliário e depois a maior companhia seguradora. Enquanto os candidatos presidenciais, em raro uníssono, atacam os jogadores de Wall Street e os fiscais deficientes, o palco parece montado para o fim do "fundamentalismo de mercado", na frase de George Soros.

Que os paradigmas da política estão mudando é claro. Mas o equilíbrio global de poder também está? Para responder a essa pergunta precisamos refletir mais profundamente sobre a real natureza dessa crise.

Estamos vivendo o fim de um fenômeno que Moritz Schularick, da Universidade Livre de Berlim, definiu como Chimerica. Na visão dele, a coisa mais importante a se entender sobre a economia do mundo nos últimos dez anos é a relação entre a China e a America. Se você pensar em uma economia chamada Chimerica, essa relação representa cerca de 13% do território global, 25% da população, um terço do PIB e cerca de metade do crescimento global dos últimos seis anos.

Por um tempo essa relação simbiótica parecia quase perfeita. Uma metade poupava e a outra gastava. Comparando a poupança nacional como proporção do PIB, a poupança dos Estados Unidos caiu de mais de 5% na metade dos anos 90 para virtualmente zero em 2005, enquanto a poupança dos chineses saltou de menos de 30% para cerca de 45% no mesmo período. Essa divergência em poupança permitiu uma explosão da dívida nos Estados Unidos, já que o "excesso" de poupança da Ásia tornou muito mais barato o crédito. Enquanto isso, o trabalho barato dos chineses ajudou a segurar a inflação.

Não é preciso dizer que não foram apenas os americanos que tomaram emprestado, nem apenas os chineses que emprestaram. Em todo o mundo de fala inglesa, assim como na Espanha, a dívida doméstica cresceu e as formas tradicionais de poupança foram abandonadas em favor do investido em mercados imobiliários. Enquanto isso, não apenas na China mas em outras economias da Ásia houve acúmulo de reservas, com isso financiando os déficits em conta corrente do Ocidente, assim como tornando as exportações baratas. Exportadores de energia do Oriente Médio e outras regiões também se viram com superávits e reciclaram os petrodólares para a Anglosfera e seus satélites. Mas a Chimerica era o verdadeiro motor da economia mundial.

Enquanto essa tremenda expansão dos empréstimos -- e dos emprestadores -- acontecia, alguns economistas tentavam entender o que estava se passando. Alguns argumentavam que se tratava de Bretton Woods 2, um sistema internacional de câmbio parecido ao que ligava a Europa Ocidental aos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial. Outros chamavam de "desequilíbrio estável", que poderia continuar por algum tempo. Mas depois uma onda de calotes nas hipotecas sub-prime revelaram o quanto a Chimerica era instável.

Na essência, a poupança do resto do mundo tinha ajudado a inflar a bolha do mercado imobiliário dos Estados Unidos. Dinheiro fácil era (o que sempre acontece nessas bolhas de bens) acompanhado de facilidades para emprestar e fraude pura e simples. A euforia deu lugar à preocupação e essa ao pânico. O problema começou no mercado do sub-prime, já que nele havia maior risco de default. Mas logo ficou claro que todo o mercado imobiliário dos Estados Unidos seria afetado. Nunca desde a Grande Depressão vimos o valor das casas cair a taxas anuais de mais de 10%.

Isso teve três conseqüências distintas. Primeiro, expôs os bancos mais fracos (particularmente os bancos de investimento, que não podem recorrer à poupança depositada) a declínio selvagens e auto-alimentados no preço das ações. Segundo, a falência de firmas financeiras causou crise no vasto e opaco mercado dos derivativos -- especialmente os credit-default swaps. Terceiro -- e mais importante --, a contração de crédito dos bancos certamente condena o resto da economia dos Estados Unidos à recessão. A Main Street está começando a sentir a dor causada pela falta de crédito em Wall Street.

Quais são as implicações geopolíticas disso? Uma possibilidade é de que a "grande reconvergência" entre o Leste e o Oeste está se acelerando. Se você voltar ao primeiro relatório que a Goldman Sachs produziu sobre os BRICs (Brasil, Rússia, India e China), a projeção era de que a China superaria o PIB dos Estados Unidos em 2040. Mas em relatórios mais recentes essa projeção foi antecipada para 2027. Talvez vá ocorrer mais cedo. Uma das conseqüências da dificuldade de crédito é que os Estados Unidos vão crescer mais devagar -- perto de 1 a 2% por ano, em vez dos 3 a 4% usuais. Por contraste, a economia semi-planejada da China pode crescer confortavelmente a 8% ou mais por ano, empurrada pelo investimento estatal em infra-estrutura e a crescente demanda dos consumidores. Como a exportação deixou de ser a chave para o crescimento da China, um espirro dos Estados Unidos não é necessariamente causador de uma gripe na Ásia.

Os dias em que o dólar era a moeda internacional podem ter chegado ao fim. As moedas de reserva não duram para sempre, como a libra britânica deixa claro. Houve uma vez em que a libra era a moeda número um do mundo, a unidade em que as transações financeiras eram feitas. Morreu um longa morte, arrastada, caindo de U$ 4.86 em 1930 até a paridade com o dólar no momento mais forte da moeda americana, no início dos anos 80. A principal razão foi a dívida gigantesca do Reino Unido, contraída para lutar as duas guerras mundiais. A segunda razão foi o crescimento menor: a economia britânica tinha a pior performance do mundo desenvolvido no pós-guerra até o início dos anos 80.

Se a conseqüência fiscal do aperto de crédito é um aumento do risco para o governo federal -- já substancialmente maior desde a nacionalização da Fannie Mae e Freddie Mac -- os Estados Unidos poderiam ficar numa posição parecida com a do Reino Unido. O dólar poderia seguir o caminho da libra. E os Estados Unidos poderiam perder a conveniência de emprestar dos estrangeiros com baixas taxas de juros em sua própria moeda.

Com a China divorciada dos Estados Unidos -- dependendo menos de exportações para cá, se preocupando menos com a relação do yuan com o dólar -- o fim da Chimerica parece certo. E com o fim da Chimera, o equilíbrio global vai mudar. Sem tanto compromisso com a amizade sino-americana estabelecida em 1972, a China pode explorar outras esferas de influência global, da Organização de Cooperação de Shangai, que agrupa a China, Rússia e quatro nações da Ásia Central ao próprio império rico em commodities da China na África.

Mas os comentaristas deveriam hesitar antes de fazer a profecia do declínio e queda dos Estados Unidos. O país já passou por crises financeiras antes  -- não apenas a Grande Depressão mas a Grande Estagflação dos anos 70 -- e emergiu com sua posição geopolítica reforçada. As crises, ruins em casa, quase sempre têm piores efeitos nos rivais da América.

O mesmo pode estar acontecendo hoje. De acordo com o índice da Morgan Stanley Capital Internacional o mercado de ações dos Estados Unidos perdeu 18% este ano. O número equivalente para a China é de 48% e para a Rússia -- o mercado emergente mais afetado -- é de 55%. Esses números não são boa propaganda para os modelos econômicos mais regulamentados e guiados pelo estado favorecidos em Moscou e Beijing.

Além disso, uma vez que investidores continuam a considerar a dívida do governo dos Estados Unidos como refúgio em tempos de incerteza, a última fase da crise financeira viu o dólar subir, em vez de cair mais.

Naturalmente, isso pode ser o último suspiro do refúgio seguro, especialmente se as autoridades dos Estados Unidos não conseguirem evitar uma nova onda de falências de bancos nos próximos dias. De qualquer forma, a diferença é clara. A arrogância dos anos recentes foi seguida por uma terrível crise financeira. Mas é muito cedo para concluir que o século americano acabou. Como tudo o que é feito nos Estados Unidos, esse desastre pode se mostrar um produto de exportação muito bem sucedido.

Niall Ferguson é professor de História de Harvard.

 


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Athos Rache (30/09/2008 - 15:47)
Esse Bastos só pode estar de brincadeira.

Não sabe nada de economia, como ele mesmo disse, e ainda tira onda de sabe tudo, como ele mesmo disse.

Assim fica difícil. Acredito no Bastos ou no Bastos.

Bastos, a economia mundial segue o padrão dólar. Isso foi definido a muito tempo atrás. Portanto, esta moeda tem comportamento único no mundo.

O dólar subiu porque a matriz ta precisando de dinheiro. Isso seca as reservas mundiais de dólar.
Só falta agora querer comparar o dólar com cruzeiro.

Essa crise é insuficiente para ameaçar a supremacia econômica americana.
Penso que a guerra do Iraque, como foi muito bem lembrado no artigo, trará consequências maiores à liderança dos EUA no mundo do que esta crise.

Quer pagar a bancarrota? Saia do Iraque e em 5 anos ta tudo pago.




Cici (30/09/2008 - 10:56)
Pedro - Bahia, o crescimento da demanda por dólar não deve ser apenas para especulação (esperar a alta), mas também fuga do capital volátil. A premissa deste capital é: ganhar o máximo e se perder, que seja o mínimo. Considerando que as economias mais prejudicadas deverão ser as em desenvolvimento, este capital deve migrar para economias mais sólidas.

Pedro - Bahia (29/09/2008 - 20:33)
cuidado, john, para não sofrer indigestão com a pança cheia.

John Bastos (29/09/2008 - 19:47)
"Só não entendo uma coisa: Se os EEUU estão em crise porque o dólar se valoriza? Não deveria ser o contrário? Quando uma empresa vai mal, as ações se desvalorizam." ----- O que sua cabecinha tem que entender eh que a economia americana, crise ou nao, eh uma das economias mais solidas do mundo, um colosso de solidez comparado com a economia brasileira ou europeia ---- "Cuidado para aqueles que estão apostando na especulação e se impaturrando de moeda americana. O baque pode ser maior nos próximos dias. Eu, particulamente, prefereria ações da Petrobras, Vale do Rio Doce ou Banco do Brasil e não aplicar na compra da moeda americana. " ---- Eh porque existem investidores como voce que investidores como eu acabamos enchendo a panca... Santa inocencia.

Pedro - Bahia (29/09/2008 - 18:35)
Só não entendo uma coisa: Se os EEUU estão em crise porque o dólar se valoriza?
Não deveria ser o contrário? Quando uma empresa vai mal, as ações se desvalorizam.
Cuidado para aqueles que estão apostando na especulação e se impaturrando de moeda americana. O baque pode ser maior nos próximos dias. Eu, particulamente, prefereria ações da Petrobras, Vale do Rio Doce ou Banco do Brasil e não aplicar na compra da moeda americana.

Marcelo Conti (27/09/2008 - 12:59)
Só quem é extremamente limitado intelectualmente acredita no tal Fukuyama... Os limitados sempre acreditam naquilo que tiranos (como os Estados Unidos) querem fazer-lhes crer...

John Bastos (27/09/2008 - 10:45)
"Coitadinho do Fukuyama... será que o caudatário vai apregoar o pós-fim da História?????????????? "

Nao entendi. Voce acha que a Historia nao acabou? Serio?

Marcelo Conti (26/09/2008 - 20:27)
Coitadinho do Fukuyama... será que o caudatário vai apregoar o pós-fim da História??????????????

marcelo - curitiba (26/09/2008 - 18:46)
Ótimo texto, mas o professor sem dúvida entende mais de História do que de Economia.

Não há mais espaço para que os países do mundo se refugiem nos títulos do governo americano. Não há inclusive, mais a necessidade de fazerem isso. Até porque, já ficou claro que a possibilidade de o próprio governo pagar seus débitos é cada vez menor. E ficará menor ainda na medida que as empresas forem falindo. Não dá mais imprimir dinheiro como foi feito nos anos 70/80 porque os EUA não podem mais exportar sua dívida. As reservas mundiais em dólar estão caindo e os países e empresas aos poucos (e agora cada vez mais) estão optando pelo ouro e outras moedas promissoras. Isso signfica que se imprimirem dinheiro, terão o mesmo destino do Brasil e tantos outros países tiveram nos anos 80. Naquela época os EUA tinham pra onde expandir seus tentáculos financeiros e bélicos. Atualmente não há mais espaços livres para serem ocupados. A quebradeira só não será maior porque naturalmente alguns governos terão que ajudar, pra não verem a crise ficar maior ainda na sua própria casa. Porém, aí entra a (in)disposição do contribuinte mundial em se ralar pra ajudar os arrogantes do mundo...
Eu não poria minhas fichas na América desta vez...

Ney (23/09/2008 - 16:57)
Quão frágil é a sustentação de metodologias, atitudes e sistemas que se distanciem da verdade. É fato de que muitas de nossas atuais atividades são decorrentes deste processo errôneo, senão, seria melhor acabarmos com o medo e as preocupações ou gastarmos mais tempo, dinheiro e energia para financiar a indústria da segurança, que existe, justamente porque não há mais segurança. Medo e preocupação, fazem parte dos costumes falsos e ilegítimos, por isto nos fazem tanto mal. Por um dado tempo podem se manter, mas como faltam-lhe alicerces, princípios e ética, por fim vem a decadência e conseqüente extermínio. Muitos defendem, que estamos vivendo sob a era da falsidade, a noite escura da ignorância, quando o ser humano se distancia de sua própria verdade e passa então a utilizar-se de artifícios e artificialismos que auxiliem a manter este status quo. É só quando há escuridão, que existem as súplicas por iluminação. Grande parte do sofrimento humano se baseia na tentativa de sustentação e ostentação do método irreal, falso e, porque colocamos tantos obstáculos à mudança. O que é mais barato? Investirmos um dinheiro que nem existe, gerando uma maximização da explosão futura, ao sustentarmos padrões que não podem se sustentar, ou mudarmos a nossa consciência perante aos fatos? Já dizia Albert Einstein, que nenhum problema pode ser resolvido, através da mesma mentalidade com a qual foi criado. Crises são motivadoras de mudanças e sábio é aquele que está atento ao que o tempo exige.

Gerson Pompeu (23/09/2008 - 10:59)
No fim da noite de um domingo os efeitos do excesso de álcool, consumido durante todo o dia, deixa as pessoas agressivas e cheias de si. Ou será defeito moral, mesmo? Os piores tolos são os que vêem tolices em todos os que não pensam igual a ele próprio (ou acreditam em outras fontes de informação).

John Bastos (22/09/2008 - 23:45)
Evandro Trigueiro:
"Pouca gente diz, mas além dos poços petrolíferos, a moeda da União Européia esteve por trás das razões da Guerra do Iraque, haja vista Saddan Hussein estava a vender seus barris por euro."

Pouca gente diz, porque eh baboseira. Nao eh verdade que Saddam estivesse vendendo seu petroleo por euro --- o Iraque estava sob sancoes da ONU e soh podia vender petroleo por escambo (o chamado Food for Oil Program) --- Seja lah quem lhe contou que Saddam estava vendendo o petroleo por euro olhou para voce e viu um tolo facil de enganar.

Tambem quem lhe contou que os EUA invadiram o Iraque para tomar os pocos acha-lhe um tolo. Essa ideia eh um absurdo inane. Recentemente, houve uma grande licitacao para explorar um mega campo de petroleo, e quem ganhou foi uma companhia chinesa.

João Pedro (22/09/2008 - 20:57)
Continuação:

Nos últimos tempos presenciamos a mais pura demonstração da supremacia dos irmãos do norte. Alguns exemplos:

1. vendem seixo a preço de brilhante;
2. obrigam os concorrentes a injetar recursos em suas empresas atoladas em enormes prejuízos;
3. provocam uma colossal transferência de renda das demais economias para a sua, via juros, dividendos e lucros;
4. sustentam falsos oráculos da economia mundial, como as empresas de rating com suas falsas avaliações;
5. desdenham o apelo dos impotentes aliados que imploram um mínimo de moderação no seu ajuste;
6. forçam a ampliação dos mercados internos dos parceiros para que estes absorvam o excedente da sua parada estratégica, sem nenhuma preocupação com a inflação daí decorrente;
7. equilibram a sua balança comercial mediante o aumento das exportações de suas empresas sem competitividade e sem mercado interno; etc.

Alguns vendem o sonho da breve quebra da hegemonia econômica dos EUA e a conseqüente deterioração do padrão-dólar. Puro ilusionismo; hoje ninguém tem força para tanto, pois o Yene e o Euro já ajoelharam e o Yuan está começando a flexionar os joelhos. O nosso sonho de testemunhar a queda do império está longe de acontecer.

É a velha e conhecida socialização do prejuízo em nível global amparada na força dos mercados consumidores e das armas.

A financeirização do capitalismo está mostrando a sua face mais cruel.

João Pedro (22/09/2008 - 20:56)
Esta crise norte-americana é falsa como nota de três dólares.

O falcão-mor está se despedindo em grande estilo e aproveitando para arrumar a casa. Com a velocidade digna da ave de rapina mais rápida do planeta, está fazendo a faxina e aproveitando para colocar uma pedra sobre este ciclo da farra. Além disto, está aplicando o "freio de arrumação", que além de aglomerar na marra os passageiros mostra quem está no comando.

A exemplo das guerras "cirúrgicas", está apresentando a conta a todos que, mansamente, porque não têm alternativas, pagam!

Em 04 de novembro, chegará o novo dono do poder que vai citar as velhas frases por nós tão conhecidas: vamos olhar para a frente, não vamos dirigir olhando para o retrovisor, o passado é o passado, etc. etc.

Sempre soubemos que o neoliberalismo com a sua dita eficácia dos mercados era pirita, pois eles querem o Estado para arrecadar impostos que devem servir, prioritariamente, para garantir seus ganhos.

Continua.

Evandro Trigueiro Tavares, Manaus - AM (22/09/2008 - 18:30)

Na crise dos anos 70-80, não havia uma moeda que rivalizasse com o dólar, o que permitiu a Paul Volcker, presisente do Fed indicado por Ronald Reagan, aumentar a taxa de juros para 18%, contendo a inflação estadunidense, a qual estava muito alta devido aos gastos militares da Guerra do Vietnã e ao Choque do Petróleo. Na época, a alta dos juros jogou a América Latina no fundo do poço com as crises das dívidas externas. Mas hoje, um aumento dos juros poderia fazer o mundo abandonar o dólar e se socorrer com o euro. Aliás, a questão do euro é muito séria. Pouca gente diz, mas além dos poços petrolíferos, a moeda da União Européia esteve por trás das razões da Guerra do Iraque, haja vista Saddan Hussein estava a vender seus barris por euro.

Luiz (22/09/2008 - 17:24)
o governo americano está usando reservas ou emitindo dólares?

Luiz Carlos Azenha (22/09/2008 - 14:05)
Erro meu, Conceição. Obrigado por corrigir.

Leider Lincoln (22/09/2008 - 13:59)
Muito otimismo, mas muito mesmo. De toda forma, numa coisa ele está certo: o que ainda sustenta os EUA é o dólaqr. Se ele cair, se o euro ou o yuan o substituírem, já era. E justiça poética: como a Inglaterra teve seu golpe de morte com a inútil e injustificada Guerra dos Bôeres, os EUa, também por riqueza aparentemente fácil, verá seu fim por conta também de uma guerra predatória. Por fim, em relação a esta crise, há duas nuanças que o autor se esqueceu _ou achou conveniente_ de analisar: ao contrário de 1929, quando a Europa estava parcialmente destruída, e de 1973, quando o Japão foi moído pela falta de energia, agora os EUA têm concorrentes, não apenas a China, mas também, a UE (Alemanha e França), como Rússia e mesmo Índia (a paz com o Paquistão foi um golpe nos EUA) e Brasil (a solução da crise boliviana que o diga). Ora, o fato é que até agora, com excessão das economias que lhe eram FINANCEIRAMENTE dependentes (Espaanha, Reino Unido, México...) os EUA, diferentemente das outras vezes, não conseguiram mundializar a crise.

Conceição Oliveira (22/09/2008 - 13:45)
Azenha o 'Chimera' no título é uma brincadeira sua para os múltiplos sentidos que o termo tem chimeric tem em inglês, mas o autor usa chimerica ao longo de todo o texto, né?
É que em alguns momentos na tradução aparece chimera e também caberia em sentido irônico.

João Aguiar (22/09/2008 - 10:20)
VERSOS ÍNTIMOS
Augusto dos Anjos

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última chimera.
Somente a Ingratidão - esta panthera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miseravel,
Mora entre féras, sente inevitavel
Necessidade de ser também féra.

Toma um phosphoro. Accende teu cigarro!
O beijo, amigo, é vespera do escarro,
A mão que affaga é a mesma que apredeja.

Se a alguem causa inda pena a tua chaga,
Apredeja essa mão vil que te affaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Ivan Moraes (22/09/2008 - 07:52)
Belissimo texto! O titulo tem um jogo de palavra que talvez nao fique claro pra maioria dos brasileiros: "chimera" quer dizer "castelo no ar", "sonho cor de rosa", e coisas parecidas.

Cici (22/09/2008 - 00:16)
Historicamente sabemos que o poder econômico é cíclico e não resta dúvida que estamos vivenciando o final de um período, nesta fase a nação tende a meter os pés pelas mãos, não será diferente com os EUA. A mais ou menos quinze anos, já dizia um colega meu da faculdade de economia, "Se prepara, vai estourar uma crise financeira mundial, não existe lastro para tantos negócios, é muito crédito". Injetar recursos na crise não resolve, é preciso mais controle nos mercados financeiros.



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