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Não atacarão o Irã

Atualizado em 23 de julho de 2008 às 12:39 | Publicado em 22 de julho de 2008 às 20:35

Não atacarão o Iran.*  

Uri Avnery

12/7/2008


Se você quer entender a política de um país, examine o mapa – recomendava Napoleão.

Quem queira adivinhar se Israel e/ou os EUA atacarão o Iran, deve examinar o mapa do Estreito de Hormuz entre o Iran e a Península Árabe.

Por ali, por um pedaço de mar de apenas 34 km de largura, passam os navios petroleiros que carregam entre 1/5 e 1/3 de todo o petróleo do mundo, inclusive o que sai do Iran, Iraque, Arábia Saudita, Kuwait, Qatar e Bahrain.

Raros, dos muitos que têm falado sobre o inevitável ataque americano e israelense ao Iran, consideram o que mostra o mapa desta região.

Fala-se sobre um ataque aéreo “limpo”, “cirúrgico”. Os potentíssimos jatos dos EUA decolarão de porta-aviões que já estão atracados no Golfo Persa e de bases norte-americanas espalhadas por toda a região e bombardearão todas as instalações nucleares do Iran – e nesta ocasião festiva também bombardearão prédios do governo, instalações militares, centros industriais e o que mais lhes dê na telha. Usarão bombas de profundidade, que penetram fundo, também, no chão.

Simples, rápido e elegante – uma revoada e adeus Iran, bye-bye aiatolás, bye-bye Ahmadinejad.

Se Israel atacar sozinho, a operação será mais modesta. O máximo que os agressores israelenses podem esperar é destruir as principais instalações nucleares e conseguir escafeder-se sãos e salvos.

Só tenho um pedido a fazer, pedido modesto: antes de começarem, olhem, por favor, mais uma vez, o mapa, no ponto onde está o Estreito que leva o nome (provavelmente), do deus de Zaratustra.

A primeira reação, inevitável, se o Iran for bombardeado, será o bloqueio do Estreito de Hormuz. Já seria suficientemente evidente, mesmo antes das explícitas declarações de um dos generais iranianos do mais alto escalão, há poucos dias.

O Iran controla o Estreito, em toda a extensão. Eles podem bloqueá-lo completamente, hermeticamente, com mísseis e artilharia de terra e naval.

Se acontecer, o preço do petróleo disparará – para bem além dos 200 dólares/barril, das estimativas mais pessimistas de hoje. Daí em diante, a reação será em cadeia: depressão mundial, colapso de todas as indústrias e explosão catastrófica do desemprego nos EUA, Europa e Japão.

Para evitar este perigo, os EUA terão de ocupar partes do Iran – talvez todo o território de um país muito extenso. Os EUA não têm nem uma pequena parte das forças de ocupação de que necessitarão. Praticamente todas as forças terrestres dos EUA já estão enleadas no Iraque e no Afeganistão.

A poderosa frota naval dos EUA ameaça o Iran – mas, no momento em que o Estreito for fechado, estará reduzida à situação daquelas miniaturas de navios que se compram em garrafas. Exatamente porque há este perigo, os comandantes da Marinha dos EUA retiraram do Golfo Persa, esta semana, o porta-aviões movido a energia nuclear, o “Abraham Lincoln”; alegaram que o deslocamento teria a ver com a situação no Paquistão.    

Resta a possibilidade de os EUA usarem um “testa de ferro”. Israel ataca. Os EUA não são oficialmente envolvidos. E negarão qualquer responsabilidade.

Será? O Iran já anunciou que considerará qualquer ataque por Israel como operação norte-americana. E que responderá como se fosse atacado diretamente pelos EUA. Faz todo o sentido.

Nenhum governo israelense sequer cogitará de iniciar qualquer ataque ao Iran, se não houver acordo explícito e não-secreto com os EUA. Os EUA jamais farão tal acordo.

Então… o que significam tantas manchetes tão dramáticas em toda a mídia internacional?

A Força Aérea de Israel fez exercícios a 1.500 quilômetros do litoral de Israel. Os iranianos responderam com disparos-teste de seus mísseis Shihab, de igual alcance. Antigamente, estes movimentos eram chamados de “agitar os sabres”[1]; hoje, se fala de “guerra psicológica”. São úteis para políticos fracassados em crise de baixo prestígio interno, para assustar os cidadãos. E dão ótimas imagens de televisão. Mas o mais simples bom-senso ensina que quem planeje um ataque surpresa não sobe ao telhado, aos gritos, para avisar que atacará. Menachem Begin não encenou qualquer manobra aérea antes de mandar os bombardeiros para destruir o reator iraqueano. Nem Ehud Olmert discursou sobre sua intenção de bombardear um misterioso prédio na Síria.

DESDE o rei Ciro, o Grande, fundador do Império Persa há 2.500 anos, que permitiu que os israelitas exilados na Babilônia voltassem a Jerusalém e ali construíssem um templo, as relações entre israelenses e persas têm altos e baixos.

Até a revolução de Khomeini, houve firme aliança entre eles. Israel treinou a temida polícia secreta do Xá ("Savak"). O Xá era sócio do oleoduto Eilat-Ashkelon, projetado para ultrapassar o Canal de Suez. (O Iran ainda tenta receber o pagamento que lhe é devido pelo petróleo que forneceu.)

O Xá ajudou a infiltrar oficiais do exército de Israel nos territórios curdos do Iraque, onde colaboraram para a revolta comandada por Mustafa Barzani contra Saddam Hussein. Esta operação foi interrompida, quando o Xá traiu os curdos iraqueanos e fez um acordo com Saddam. Mas a cooperação Israel-Iran foi praticamente recomposta, depois que Saddam atacou o Iran. Ao longo desta guerra longa e cruel (1980-1988), Israel apoiou secretamente o Iran dos aiatolás. O affair conhecido como “Irangate” é só uma pequena parte desta história.

Nada disto impediu Ariel Sharon de planejar a conquista do Iran, como já denunciei várias vezes. Quando eu trabalhava num artigo mais extenso sobre ele, em 1981, depois de ele haver sido indicado ministro da Defesa, o próprio Sharon contou-me, confidencialmente, sobre esta idéia ameaçadora: depois da morte de Khomeini, Israel pegaria de surpresa a União Soviética, na corrida para o Iran. O exército israelense ocuparia o Iran em poucos dias e entregaria o país aos norte-americanos, muito mais lentos, que já teriam fornecido antes, a Israel, enormes quantidades de armamento sofisticado, expressamente para aquela invasão.

Sharon também me mostrou os mapas que planejava levar para exibir nas reuniões estratégicas anuais, em Washington. Eram impressionantes. Mas, pelo visto, não impressionaram muito os norte-americanos.

Tudo isto sugere fortemente que uma intervenção militar israelense no Iran nada tem de muito revolucionária. Mas, em todos os casos, a condição necessária sempre é uma íntima cooperação com os EUA. Portanto, nada acontecerá, porque os EUA seriam as primeiras vítimas das conseqüências.

O IRAN é hoje uma potência regional. Não faz sentido negá-lo.

A ironia do caso é que os iranianos muito têm a agradecer, por serem hoje uma potência regional, ao seu principal agente benemérito: George W. Bush. Fossem gratos, tivessem uma grama de gratidão, teriam de erigir uma estátua de Bush na praça central de Teeran.

Por muitas gerações, o Iraque foi a última fronteira antes do mundo árabe. Foi a muralha do mundo árabe, contra os persas xiitas. Ninguém esqueça que, durante a guerra Iraque-Iran, os árabes iraquianos xiitas combateram com muito entusiasmo contra os persas iranianos xiitas.

Quando o presidente Bush invadiu o Iraque e destruiu o país, ele abriu toda a região ao poder crescente do Iran. Gerações futuras de historiadores ainda se espantarão muito com esta ação, que merece capítulo especial, só dela, numa “Marcha da Loucura” que se escreverá um dia.

Hoje já está suficientemente claro que o verdadeiro objetivo dos EUA (como já escrevi aqui, desde os primeiros artigos que escrevo) sempre foi tomar posse da região petrolífera do Mar Cáspio/Golfo Persa e ali, no centro, estabelecer uma base norte-americana permanente. Este objetivo já foi alcançado – os norte-americanos falam hoje em permanecer no Iraque “por cem anos”, e já tratam de fazer a partilha das imensas reservas de petróleo do Iraque entre as quatro ou cinco empresas “gigantes do petróleo” norte-americanas.

Mas esta guerra começou sem pensamento estratégico amplo; ninguém considerou o mapa geopolítico daquela região. Não se sabe ainda quem é, ali, o principal inimigo dos EUA. Não se sabe, sequer, onde concentrar a luta. A vantagem de dominar o Iraque será rapidamente perdida, se resultar, disto tudo, o nascimento do Iran como potência nuclear, militar e política, potência que lançará sua sombra sobre todos os aliados dos EUA no mundo árabe.

E ONDE fica Israel, neste jogo?

Por muitos anos, Israel tem sido bombardeada por propaganda que diz que o esforço nuclear dos iranianos seria ameaça à existência de Israel. Esqueçam os palestinos. Esqueçam o Hamás. Esqueçam o Hizbóllah. Esqueçam a Síria. O único perigo que ameaça a existência do Estado de Israel é a bomba nuclear iraniana.

Repito o que já disse várias vezes: não morro de medo da bomba iraniana. Claro: a vida é melhor sem bomba nuclear iraniana, e Ahmadinejad não é muito simpático. Mas, na pior das hipóteses, haverá um “equilíbrio do terror” entre duas nações, mais ou menos como houve terror equilibrado entre União Soviética e EUA – o equilíbrio que nos salvou de uma III Guerra Mundial. Também há equilíbrio do terror entre Índia e Paquistão – e, por isto, estes dois países que se odeiam visceralmente foram obrigados a reaproximar-se.     

Tudo isto posto e considerado, atrevo-me a prever que não haverá ataque militar contra o Iran este ano. Nem os norte-americanos nem os israelenses atacarão o Iran.

Escrevo estas linhas e sinto acender-se uma luzinha vermelha na minha cabeça. É uma lembrança. Na juventude, fui leitor ávido dos artigos semanais de Vladimir Jabotinsky, que sempre me impressionaram pelo estilo claro e pela lógica gelada. Em agosto de 1939, Jabotinsky escreveu um artigo, no qual afirmava categoricamente que não haveria guerra, apesar dos muitos rumores que diziam o contrário. Raciocinava claramente: as armas modernas são tão terríveis, que nenhum país atrever-se-á a iniciar uma guerra.

Dias depois, a Alemanha invadiu a Polônia. E começou a mais terrível guerra que a humanidade conheceu (até hoje), que só terminou quando os EUA lançaram bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. Desde então – são 63 anos – ninguém mais usou armamento atômico.

O presidente Bush chega ao fim da carreira, em desgraça. O mesmo destino espera, impaciente, por Ehud Olmert. Para políticos deste tipo, é fácil tentar uma última aventura. Tentar cavar um lugar na história, a qualquer custo. Podem ser decentes, é claro. E podem não ser.

Seja como for, mantenho o meu prognóstico: não invadirão o Iran.

* URI AVNERY, “Why not?”, 12/7/2008, na página do Gush Shalom [Grupo da Paz], na internet em http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1215904313/

Tradução de Caia Fittipaldi. Reprodução por internet autorizada pelo autor e pela tradutora. Copyleft.

[1] Saber rattling, em inglês; ruido de sables, em espanhol. Refere-se a um incidente da história do Chile, em 3/9/1924, quando um grupo de jovens oficiais do Exército protestaram contra a inação dos deputados, agitando os sabres nas bainhas (em http://en.wikipedia.org/wiki/Saber-rattling) NT.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Amir (17/09/2008 - 12:32)
Caro Jornalista, seu artigo é oportuno para a compreensão da situação atual. Sugiro , que leia sobre a Vida de Bahá'u'lláh, titulo dado ao Jovem Profeta Persa Mirza Houssein Ali, prisioneiro do Governo Persa no sec 19. Quem deseja entender o Momento atual da Humanidade e Futuro deve investigar a Vida desta Figura Impar. abraço e obrigado por esta oportunidade.

Gustavo Borges (29/07/2008 - 19:20)
(continuação) Os primeiros representam um enorme potencial imediato de distúrbio, não possuem nada para adiar seu sofrimento e, assim, manteren-se calmos e passíveis; sendo portanto o alvo dos militares. Os segundos virão mais tarde, numa espécie de efeito orloff: a nova guerra os transformará em pobres no curto prazo, tudo que não querem, tudo que sempre temeram, tudo o que faz nos EUA a diferença para um político. Bush não atacará o Irã por não ter como conter os possíveis disturbios internos advindos da extrema pobresa; McCain ou Obama não atacarão, a menos que se desfaçam das outras guerras, por temerem os motins e derrota em 2012. No fundo acho Bush não é do texas ou cristão; mas sim um quinta coluna dos aiatolás.

Gustavo Borges (29/07/2008 - 18:57)
Azenha, Um fato, ou um dado, não mencionado pelo texto do Uri Avneri é crucial para entender o temor do EUA em atacar o Irã; que chama atenção para ele é o linguista Noan Chomsky, em entervista recente publicada em Rebelion.org. Um dos componentes estratégicos que as autoridades de defesa e segurança dos EUA levam em consideração no deslocamento de tropas é a reserva destas ,no país, para eventual contenção de disturbios internos. Foi justamente por gerar uma queda abaixo do piso estabelecido, diz Chomsky, que em fins da guerra do Vietnan passou-se da posição de envio de mais 200.000 soldados para a de retirada das tropas. O mesmo acontece agora. Para atacar o Irã, país bem maior, mais populoso e mais bem armado e treinado que Iraque e Afeganistão, e por ademeis com a situação geo-política descrita pelo escritor Israelense, os EUA necessitariam de um contigente muito numeroso, o que enfraqueceria a situação interna. Caso a situação econômica estivesse boa isto não representaria nenhum problema; sabe-se, contudo, que ela é péssima e iria à calamidade com petróleo a mais de U$ 200,00, principalmente quando chegar o inverno. Grandes contigentes populacionais não teriam recursos para compar combustível para os auqecedores, outros tantos conseguiriam em detrimento de cortar outros compromissos finaceiros- Hipotécas de casa própria, financimanto do carro, escolas e universidades dos filhos- ou de se desfazerem de parte da poupança. (continua)

João Aguiar (27/07/2008 - 10:41)
Viiiiiiiiiiixi, o Uri tá certo, fui dar uma espiada no estreito de Ormuz, macaco véio não mete a mão naquela cumbuca, literalmente. O Emir Sader fez uma enquete no blog dele sobre se os EUA iriam invadir o Irã nos tempos mais ameaçadores do Bush, o resultado foi que a grande maioria duvidava com base no senso comum, se estão patinando no Afeganistão, vão encarar aquela pedreira muçulmana mobilizada e anti-imperialista até a tampa? Dos votos favoráveis, teve 9 a favor da invasão pra ver os EUA se fuder todinho, eu incluído, kkkk

epimpampleriopamplona (24/07/2008 - 17:27)
O Irã será invadido assim que os vizinhos dele fizerem um bom acordo comercial. Alea jacta est.

Luiz Carlos Azenha (24/07/2008 - 16:42)
Francine, quase te enganei. Quase!

Francine (24/07/2008 - 15:25)
Azenha, agora que eu vi que não foi vc que escreveu o texto, mas não tiro uma vírgula do que disse, porque vc é excelente mesmo, e outra pensei lendo o texto, só o Azenha mesmo para conversar com Sharon, conseguiu falar com o "russo". Mas e aí, vc concorda com ele?

Francine (24/07/2008 - 14:33)
Nossa Azenha, a diferença de idade entre a gente é pequena, mas juro que gostaria que vc fosse meu pai - com certeza vc não ia querer uma filha rebelde com causa,hehehe - vc tem a capacidade de escrever sobre um assunto que mexe muito com a gente, mas ao mesmo tempo, no meu caso, me acalma, porque vc me trás para realidade histórica.Que capacidade rara, me colocou a par do que está ocorrendo de forma tão simples e isenta, eu estou tão presa nessa questão do Dantas que nem lembrava mais que existia mundo.

Daniel Lavieri (24/07/2008 - 13:35)
É, Azenha, o Irã não é o Iraque... O Irã é quase quatro vezes mais extenso que o Iraque, possuindo um meio natural bem mais diversificado, onde se destacam as regiões desérticas do planalto central iraniano e áreas montanhosas, como a dos Montes Elburz e Zagros. Diferentemente do Iraque, país quase sem acesso ao mar, o Irã possui litorais "abertos" (Golfo Pérsico e Oceano Índico), além da costa banhada pelo mar Cáspio, um mar fechado. A cautela norte-americana em relação a uma ação bélica contra o Irã justifica-se por vários motivos. No momento atual, seria contraproducente abrir mais uma frente de luta. A situação no Afeganistão, alvo dos ataques dos EUA em 2001, ainda é instável e no Iraque, nada faz crer que a situação apresente melhora significativa em futuro próximo. Esses dois países compartilham fronteiras terrestres com o Irã e como os três fazem parte do mundo islâmico, a eventual ação militar seria motivo para acirrar ainda mais o ódio contra os norte-americanos.

Hans Bintje (23/07/2008 - 13:05)
Azenha, prepare sua calculadora de quatro operações para fazer algumas contas. O trecho a seguir é de um texto escrito por Winslow T Wheeler ( http://www.counterpunch.org/wheeler07232008.html ): "The epitome of the Air Force"s self-image is the F-22 fighter. At $355 million for each of the 184 purchased, it is history"s most expensive fighter aircraft, but it is yet to fly its first sortie in the wars in Iraq and Afghanistan, and it likely never will. As an air-to-air fighter, it is irrelevant to those conflicts. It may even be a gigantic flop against the non-existent major conventional air force it is designed to fight: too few are affordable to deal with such a foe; it is an aerodynamic performer that on close inspection is a huge disappointment; and it relies on a radar-based "beyond visual range" air-to-air combat hypothesis that has failed time and time again to deliver meaningfully effective results in real air combat. However, the shadow over the Air Force is darker than arguments over its technology. Despite the F-22"s irrelevance to real world wars, the Air Force"s leadership dedicated virtually the entire institution to advocating more of them than the Pentagon was willing to buy. Unauthorized Air Force lobbying for more F-22s had become so commonplace on Capitol Hill and in oblique (and not-so-oblique) comments to the press that it was clear the Air Force saw the Pentagon"s (and the President"s) budget as just the starting point for grabbing more dollars."



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