Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha

Palanque

Deixe aqui sugestões de pauta, de leitura e desabafos

Escreva!

   
 
Home Receba as últimas notícias via RSS
Você escreve Utilidades

Marília Juste: São Paulo na contramão

Atualizado em 07 de fevereiro de 2010 às 13:49 | Publicado em 07 de fevereiro de 2010 às 13:48

07/02/10 - 07h00 - Atualizado em 07/02/10 - 07h00

Na contramão de São Paulo, projeto nos EUA reverte rios à condição natural

Governo do Estado amplia as pistas na margem do Tietê. Enquanto isso, americanos tentam ‘desurbanizar’ oito rios.

Marília Juste

Do G1, em São Paulo

Enquanto o governo de São Paulo amplia as pistas da Marginal do Tietê, nos Estados Unidos um projeto vai na direção contrária: tenta reverter rios do país ao estado original.

O objetivo, segundo os organizadores, não é apenas a preservação ambiental, mas também o bem estar da população. Rios preservados são fontes de água limpa e causam menos enchentes.

O projeto “Rios Sustentáveis” é uma iniciativa da organização The Nature Conservancy em parceria com o Corpo de Engenheiros dos Estados Unidos – órgão responsável pela gestão da maior parte dos recursos hídricos do país.

A proposta está sendo aplicada como teste em oito rios. O primeiro foi o Green River, no estado do Kentucky, que se estende por mais de 600 km, ligado a uma rede de cavernas e que abriga mais de 150 espécies diferentes de peixes. A criação de uma represa alterou o curso do rio, a temperatura da água e atrapalhou a reprodução dos peixes.

Com o projeto, os engenheiros estão revendo como a água é liberada da represa, para deixá-la mais próxima das condições naturais da área.

O Green River é muito diferente do rio Tietê. E, embora entre os rios do projeto existam alguns que passam por áreas urbanas, nenhum atravessa nada parecido com São Paulo, uma das maiores cidades do mundo.

Mas, para Andy Warner, coordenador do projeto, a proposta é apenas o primeiro passo. “Temos oito rios para teste, para mostrar que isso é possível. Mas nossa ambição é grande. Queremos levar isso para todos os rios dos Estados Unidos, mesmo nos grandes centros”, afirma Warner.

Para ele, a tendência mundial é essa: reduzir a urbanização e reverter os rios à sua condição natural. Mas isso seria possível em uma cidade com mais de 11 milhões de habitantes?

Para Warner, sim. “Na minha experiência, essa história de que há um conflito entre o social e o ambiental, entre o desenvolvimento e a preservação, é besteira. É perfeitamente possível – e desejável -- que os dois convivam pacificamente. É preciso pensar de maneira criativa”.

Mestre em ciência hídrica e formado em gestão de recursos hídricos, Warner explica que “rios precisam de espaço”. “As cidades precisam se desenvolver, mas não podem prensar seus rios. É preciso levar em conta o período das cheias e não invadir os locais que alagam em algumas épocas do ano quando eles estão secos”, afirma.

'Alternativa saudável'


Para o engenheiro ambiental Antônio Carlos de Oliveira, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o projeto americano é “uma alternativa saudável para minimizar os impactos causados pelo homem e a urbanização”. “É uma ação contrária ao que se está realizando na Marginal Tietê”, afirma.

Mas ele não acredita que algo parecido seja possível na cidade, ou mesmo em outros pontos do Brasil. “Não creio nessa possibilidade por várias razões, mas a principal é a crônica falta de planejamento urbano e as suas distorções”, disse.

 “Atualmente a população urbana brasileira é cerca de 90%, segundo dados do Ministério das Cidades. Esse grau de urbanização se deu de forma não controlada e contribuiu muito significativamente para a ocupação de áreas de risco, em morros e principalmente ao longo de córregos e riachos, pela população de menor poder aquisitivo. Ao longo dos anos, o poder público fez vista grossa a essa situação, de tal forma que o crescimento desordenado dessa ocupação em muito contribui para o aumento dos problemas atuais”, afirma o engenheiro.

"Uma ação de retomada dessas áreas pode significar um elevado custo social que poucos administradores poderão ou ousarão pagar”, avalia.

Tietê

A Dersa, responsável pela obra na Marginal Tietê, afirma que o governo vai plantar um total de 167 mil árvores no entorno da via, nos bairros próximos e no Parque Ecológico do Tietê, para compensar o impacto ambiental das novas pistas.

 “O aumento do verde propiciará redução da poluição e da temperatura média na região. Mais verde, somado a mais pistas e acessos, proporcionarão aos 1.700 usuários diários da Marginal Tietê uma via mais bonita, redução de 35% no tempo médio de viagem (que significa ainda redução da emissão de dióxido de carbano e melhoria da qualidade do ar) e no desperdício de combustível em aproximadamente 300 mil litros/dia”, afirmou a empresa em nota.

"Ainda como compensação pela obra, serão construídos 24 km da Estrada Parque com ciclovia, que integra o Projeto Várzeas do Tietê, da Secretaria de Energia e Saneamento, e que preservará a várzea do rio Tietê entre a barragem da Penha, em São Paulo, e o município de Salesópolis. Também estão sendo desenvolvidos projetos para mais três núcleos com infra-estrutura de lazer para a população”, informa a nota.

De acordo com a empresa, "a compensação ambiental da Marginal corresponde a 14% do valor da obra, o que a coloca entre as maiores do mundo”.


Indique esta Matéria
ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Renato (11/02/2010 - 12:50)
walter thadeu (08/02/2010 - 15:19)
Nunca ouvi comentarem quais seriam as desvantagens e as vantagens disso?

Renato (11/02/2010 - 12:49)
Então...vamos fazer assim, você prefere um filho pobre e socialista.
Aonde você viu que ética boa é a socialista? Você já ouviu falar das gulags? Ouviu sobre Mar Cápsio? Ouviu sobre a prisão em hospitais de loucos dos inimigos da revolução bolivariana? E o naõ acesso a eles? Na boa. Prefiro a nossa mentirosa democracia. E ensinar a verdade para o meu filho. Alías, os socialistas acreditam que os pais não devem ensinar os seus filhos e sim a sociedada.

João Paulo (10/02/2010 - 10:32)
''Não quero filho socialista''.

Então você quer um filho que faça tudo para se enriquecer, jogue ovos podres nos trabalhadores que nas madrugadas cariocas caminham para o trabalho na zona sul, porque o transporte público não vai até onde moram. Para você então o Boninho, a Narcisa Tamboringdeguy são exemplos a ser seguidos. Meus pêsames.

Renato (08/02/2010 - 18:28)
Professor (07/02/2010 - 17:35)
fala onde você dá aula, pois o meu filho não estudará lá. Não quero filho socialista.

walter thadeu (08/02/2010 - 15:19)
Por mim São Paulo seria anexada aos EEUU, assim deixaríamos de ler estas b...

Daniel Campos (08/02/2010 - 15:18)
Não adianta apenas colocar mais pistas na marginal, pois o problema de entrar e sair delas continua (quem já teve que cruzar meia São Paulo por não ter conseguido pegar um acesso ou desvio, levante a mão). E logo vai virar o "aperto" de antes porquê a solução não é colocar mais carros, é colocar mais ônibus e metrô (mas como andar de ônibus para o paulista é "coisa de pobre"...).

E depois o que irão fazer, mais pistas? Onde vai ficar o espaço para os apartamentos, casas e principalmente... pessoas? Alguém se deu conta do quanto de espaço é gasto para permitir passagem de carros?

Se um alienígena desavisado fosse à São Paulo, acharia que a forma de vida dominante do planeta são coisas de metal coloridas com quatro rodas.

Klaus (08/02/2010 - 09:55)
Que coisa mais anos 70 ficar imitando os estadunidenses.

Lucas (08/02/2010 - 03:43)
A elite de São Paulo adora corruptos:

Primeiro Ademar de Barros,
depois Maluf

agora Serra.

jefferson (07/02/2010 - 22:28)
Os tucanos estão tão perdidos que nem conseguem mais copiar os EUA...
Para mim, serra é o novo maluf: manda a polícia bater em manifestantes, destrói árvores para fazer pistas para carros sem se preocupar com o impacto ambiental, nomeia o reitor da USP contra a vontade do conselho universitário e gasta uma fortuna em propaganda. É o novo maluf...

Sagarana (07/02/2010 - 20:09)
Uai, mas não era prá fazer tudo ao contrário que os estadunidenses fazem?

Professor (07/02/2010 - 17:35)
Por que agora o projeto dos EUA é alvo de elogios se em vários países europeus situações como esta já são enfrentadas há muito mais tempo? Não se recupera margens de rios em muitos lugares porque as propriedades particulares são consideradas "sagradas" e NEM SEMPRE as ocupações ocorreram por parte de populações de baixa renda, principalmente nas áreas centrais das cidades que também são cortadas por rios.

Marcelo José Gonçalves - Rio de Janeiro (07/02/2010 - 17:04)
SP vai virar uma cidade de concreto.

Milton Hayek (07/02/2010 - 14:10)
Se é bom para os EUA os paulistas,agora,vão dizer que é bom para São Paulo.



Comente este Texto
Email: viomundoteve@msn.com Receba o conteúdo do site via RSS developed by: webmasters online design by: kallore design