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Luciana Chaui-Berlinck: Veta o Ato Médico, Dilma, veta!

publicado em 11 de julho de 2013 às 10:06

VETA, DILMA, VETA! CONTRA O ATO MÉDICO

por Luciana Chaui-Berlinck

Nós da Associação de Acompanhamento Terapêutico (AAT) não podemos deixar de engrossar as fileiras da luta contra o Ato Médico.

Em primeiro lugar porque o exercício do Acompanhamento Terapêutico é por excelência multiprofissional e, portanto qualquer ato que seja contrário à multiprofissionalidade nos atinge diretamente tanto em nossa forma de entender a clínica e a saúde como em nossa forma de atuar profissionalmente.

Por que o Ato Médico age contrariamente à multiprofissionalidade? Porque estipula como atividade privativa dos médicos a formulação de diagnóstico nosológico e respectiva prescrição terapêutica e determina que só os médicos possam chefiar os serviços de saúde.

Ora, sabemos de muitos equipamentos de saúde que funcionam muito bem e cujas chefias não são realizadas por médicos. Sabemos também que fonoaudiólogos podem perfeitamente diagnosticar e prescrever tratamentos para problemas de fala, psicólogos são capazes de diagnosticar questões de saúde mental e prescrever psicoterapia e todas as outras onze profissões que seriam afetadas por esta PL possuem conhecimentos específicos para atuarem independentemente dos médicos.

Não é possível que, a esta altura do desenvolvimento da autonomia das várias profissões da saúde, haja um retrocesso e nos vejamos como meros apêndices da autoridade dos médicos.

O Ato Médico fere os princípios do SUS que busca a atuação multiprofissional dos serviços de saúde. Dessa maneira, é o cotidiano das unidades de saúde, com a perda da horizontalidade nas relações entre os profissionais, que será drasticamente afetada, prejudicando a população nos atendimentos de que necessita.

É inimaginável que um cidadão que necessite de algum atendimento para sua saúde tenha que ir primeiro a um médico para que este o encaminhe ao profissional competente! É inimaginável que um cidadão que possa ser prontamente atendido por um profissional da área da saúde tenha que esperar ser primeiro atendido por um médico para depois receber o tratamento buscado.

É possível pensar o que aconteceria com as filas, já existentes, dos atendimentos do SUS?

Não somos contra a regulamentação da medicina, somos contra o corporativismo que busca retirar a autonomia das diversas profissões e que, ao invés de cuidar para que os cidadãos tenham melhor qualidade em seus atendimentos, dificultam cada vez mais o acesso da população aos tratamentos de saúde necessitados. Que os médicos regulamentem a sua profissão, mas sem tentar regular as outras profissões.

Por este motivo, convidamos a todos a participarem do manifesto contra o Ato Médico na quinta-feira, 11 de julho.

TODOS CONTRA O ATO MÉDICO NO DIA 11 DE JULHO!!!

Luciana Chaui-Berlinck  é presidente da Associação de Acompanhamento Terapêutico.

Leia também:

Fátima Oliveira: Lei do Ato Médico é mais proteção para a saúde

 

25 Comentários para “Luciana Chaui-Berlinck: Veta o Ato Médico, Dilma, veta!”

  1. seg, 22/07/2013 - 12:32
    Humberto

    Se você quer saber o que pode ou não a sua profissão conheça o seu regulamento, que foi sancionado por algum presidente algum dia, a regulamentação da medicina conforme sua formação acadêmica não altera o seu regulamento, este continua bem escrito em seus artigos. Tenho certeza que seu regulamento apresenta muitos direitos, lute por eles, exija a sua efetivação, é um direito e digno.

  2. dom, 21/07/2013 - 10:09
    Manuela

    A maioria dos médicos brasileiros são dependentes da “medicina diagnóstica”, porque não sabem diagnosticar uma doença, precisam dos exames de laboratórios.
    Minha mãe recebeu numa unidade de saúde como diagnóstico FRESCURA e ainda assim, a médica frescurologista prescreveu diazepan, plasil e dipirona que seria aplicada no soro. Retiramos ela e a levamos a um hospital, onde o médico diagnosticou colecistite aguda (inflamação na vesícula), que foi confirmada por exame. A colecistite aguda é uma emergência médica que se não tratada pode complicar levando à morte.
    O meu sobrinho caiu do balanço no parquinho, foi levado a unidade de saúde recebeu como diagnóstico MANHA a manhologista receitou dipirona em gota e o mandou embora para casa. Levamos a criança a um hospital, o médico imediatamente diagnosticou fratura e confirmou em seguida pela radiografia. Ele deu uma bronca na mãe pela demora em buscar atendimento, mas a mãe mostrou a receita do atendimento anterior. Indignado, o médico sugeriu que a mãe mostrasse o braço engessado do menino e mandasse a médica voltar para faculdade.

    Manhologista é o especialista em detectar a manha
    Fresculorogista é o especialista em detectar a frescura

  3. qui, 11/07/2013 - 21:21
    Juliana

    Em resposta ao Sr. Wolf…Um paciente chega a um Pronto Socorro procurando sim pelo médico, e por um atendimento humanizado, que não seja visto apenas o seu pé quebrado, ou sua dor de barriga, ou qualquer outro sintoma físico, e sim como pessoa.
    E muitas vezes não encontra ninguém que o atenda, ou fica horas em um corredor, ou simplesmente escuta que o que tem é uma virose…..
    Como psicóloga do SUS há 7 anos falo com propriedade, que não sabemos diagnosticar lupus, ou qualquer outra doença que não seja mental, porém sabemos muito bem cuidar do sofrimento que essa pessoa doente traz quando tem um diagnóstico desse tipo; coisa que vocês não sabem, pois não aprenderam a lidar com o sofrimento psíquico.
    Além disso, o psicólogo tem capacidade de diagnosticar e tratar, todas as doenças mentais e sofrimentos psíquicos.
    Para finalizar deixo recado aos pediatras que não sabem diagnosticar precocemente com precisão um Autismo, um retardo, ou qualquer outro transtorno do espectro, evitando assim o sofrimento posterior dessa criança e de sua família.
    Todos na saúde temos uma função….e que cada um na sua continue o seu trabalho.

  4. qui, 11/07/2013 - 18:03
    Paula

    Classe prepotente e arrogante, deveriam fazer uma auto-reflexão do comportamento de vocês perante a sociedade, perante aos usuários do SUS, HUMANIZAÇÃO ? classe mais desumana…. querem a regulamentação das suas profissões, pois não firam o direito das outras?? já ouviram falar nos princípios e diretrizes do SUS? Equipe Multidisciplinar ? pois esse AT é contrário a eles, é um retrocesso….
    Querem ser médicos? pois vão fazer o que se propuseram, exercer a profissão por vocação e não por status ou dinheiro… vão lá pro interior do Amazonas…. ah não querem, pois cuidado tá cheio de cubano querendo ir.
    Coloquem os pés no chão pois a cima de vocÊs tem um governo e do LADO, inúmeros outros profissionais da Saúde, pois hospital, posto de saúde…. não funciona só com médicos.

  5. qui, 11/07/2013 - 15:56
    José Roberto Reis

    Esses médicos estão passando dos limites! Cada vez mais arrogantes, talvez como uma forma saudosista de compensar sua antiga condição de profissionais liberais, elites bem remuneradas com prestígio e status de “classe dominante” e sua atual situação de assalariados dos planos de saúde ou de clinicas e hospitais privados que atuam como qualquer mercearia em busca de lucro. São trabalhadores importantes, que deviam se valorizar como profissionais comprometidos com a saúde coletiva e dispostos a mudar a realidade da saúde no Brasil, se identificando com uma agenda progressista de transformações sociais em consonância com o SUS, tal como foi pensado pelos valorosos médicos reforma sanitária. No entanto se portam como reacionários, corporativistas empedernidos, fechados aos seus interesses mercantis como se tivessem se formado com esse único objetivo. Ademais querem se se impor através de uma Ato médico discricionário, se opondo conservadoramente a vinda de médicos estrangeiros ou a qualquer mudança sob o argumento falacioso de que é preciso criar condições ótimas para irem para o interior ou qualquer coisa que o valha, mas não apresentam nenhuma proposta para enfrentar o problema. Só resmungam contra e ficam se afagando uns nos outros. A saída é democratizar radicalmente a entrada de estudantes nos cursos de medicina, pois enquanto continuar esse acesso elitista, esse quadro não mudará, pois a falta de compromisso e o individualismo dos filhos da riqueza brasileira que se formam como médicos é incontornável. Tempos ruins esse que vivemos…(claro que aqui eu generalizo e cometo injustiças pois individualmente é claro que há valiosos e dedicadíssimos médicos, mas argumento a partir do quadro geral que se observa nas manifestações das entidades corporativas dos médicos)

  6. qui, 11/07/2013 - 15:37
    Gildásio

    Luciana Chaui-Berlinck, você está brincando! Mas realmente agora conquistou sem vestibular a condição de médica. Tem de beijar os pés do Padilha e da Dilma, todos os dias, até o CFM derrubar o veto.
    Não é impossível, deputados médicos formam a segunda maior bancada da Câmara Federal

    A bancada de Deputados Federais eleita para o pleito 2007/2011 é constituída por 61 médicos. No ranking de parlamentares por profissão, a bancada médica é a segunda maior da futura Câmara, perdendo apenas para os advogados (87), o que representa quase 12% dos Deputados eleitos.

  7. qui, 11/07/2013 - 14:38
    Wolf

    O que o governo quer é medicina “pobre” para os pobres!
    Para economizar ainda mais à custa do sofrimento dos pobres!

    Alguém que tem dinheiro vai num “oculista” para mandar fazer óculos ou vai num oftalmologista, para fazer medida da pressão intra-ocular, ver se tem catarata e, se necessário, fazer avaliação da retina?

    Alguém que está doente chega num pronto-socorro perguntando onde está a enfermeira ou pergunta pelo médico de plantão?

    O que um psicólogo entende de lupus eritematoso sistêmico, de hipotireoidismo ou dos efeitos de uma doença hepática crônica sobre o humor e o comportamento?

    Esse governo é um brincante!

  8. qui, 11/07/2013 - 11:49
    Yole de Assis

    Parabéns Luciana Chaui-Berlinck você virou médica padilhana por alguns dias. Aproveite porque eles serão pouquíssimos. Afinal ser AT e virar médica não acontece todo dia.

    Sobre o AT

    MAS O QUE É O AT?

    Podemos dizer que consiste numa atividade terapêutica cujo objetivo central é promover a singularidade de pessoas que sofreram algum tipo de crise e favorecer a vivência de uma experiência significativa onde seu desejo encontre expressão.

    Busca, por outro lado, criar condições para que o sujeito acompanhado possa conviver com as pessoas de seu meio, com seus familiares, consigo mesmo e com as tarefas de seu dia-a-dia.

    Dessa maneira, o Acompanhamento Terapêutico é uma modalidade clínica que envolve a Psicologia, a Psiquiatria, a Enfermagem, a Terapia Ocupacional, a Assistência Social e as diversas instituições envolvidas com Saúde Mental.

    O AT é um modo de intervenção terapêutica que se dá em meio à vida cotidiana de uma pessoa. É um tipo de atendimento herdeiro das transformações do cuidado na área da Saúde Mental, na busca de uma forma de tratamento mais humanizada.

    O acompanhante terapêutico se caracteriza por estar presente nas situações concretas que o paciente vive. Essa presença ao lado do paciente, além de ajudar a realizar atividades cotidianas que o paciente não viabiliza por si mesmo, permite utilizar o fato de sua realização como material para a elaboração dos conflitos psíquicos que impedem o indivíduo de organizar o seu ser no mundo de modo significativo.

    Além de um importante serviço na área da Saúde Mental o AT tem sido utilizado na área da Saúde como um todo, na Educação e no Judiciário.

    O objetivo deste trabalho terapêutico é a constituição ou o resgate de um projeto de vida no qual o acompanhante age como um facilitador para a inserção sócio-cultural do acompanhado.

    http://www.aat.org.br/sobre-o-at/

  9. qui, 11/07/2013 - 11:43
    Yole de Assis

    FENAM e lideranças sindicais debatem neste momento greve geral da categoria contra vetos do Ato Médico

    Reunião traçará diretrizes contra o veto de trechos da Lei do Ato Médico e Programa Mais Médicos
    11/07/2013

    A Federação Nacional dos Médicos (FENAM)esta reunida neste momento com lideranças sindicais de diversos estados brasileiros para definir as datas de greve geral da categoria médica como forma de insatisfação e repúdio às medidas publicadas pelo Governo Federal, entre elas o veto a dez trechos da Lei 12.842, que regulamenta a medicina, conhecida como Lei do Ato Médico, publicada nesta quinta-feira (11).

    Uma convocação será feita a todos os médicos que participem da luta, bem como do Encontro Nacional das Entidades Médicas (ENEM), onde serão definidas decisões conjuntas sobre o posicionamento da categoria.

    http://portal.fenam2.org.br/portal/showData/405018#.Ud6-ARU8GnM.twitter

    • qui, 11/07/2013 - 14:38
      Mirela Maria Vieira

      Será bom a “categoria” fazer uma imersão em suas próprias consciências. VETO TOTAL AO ATO MÉDICO E APOIO INCONDICIONAL AO PROGRAMA MAIS MÉDICOS DO GOVERNO DILMA(VÃO PERGUNTAR PRO POVÃO E VOCÊS OUVIRÃO EM ALTO E CLARO TOM)

    • qui, 11/07/2013 - 20:05
      Jessica Araújo

      Tenham certeza que nós, brasileiros vítimas do mercantilismo de vocês, estaremos lá também, mas para vaiá-los.

  10. qui, 11/07/2013 - 11:37
    Messias Franca de Macedo

    JATENE DEFENDE
    POLÍTICA PARA MÉDICOS
    Missão de um médico não é trabalhar no Sírio e brilhar na Ilustrada da Folha.
    Vá aos 3 minutos e 18 segundos da isenta “reportagem” do Mau Dia Brasil para ver a sonora do Dr Adib Jatene, que tem mais autoridade moral para falar da Medicina que maioria dos Conselhos Regionais – especialmente daqueles que passavam a mão na santa cabeça do Dr Abdelmassih.
    Publicado em 10/07/2013

    Em http://www.conversaafiada.com.br/tv-afiada/2013/07/10/jatene-defende-politica-para-medicos/#comment-1194204

  11. qui, 11/07/2013 - 11:10
    Érica Batista

    De retaliação em retaliação a dupla Dilma-Padilha consegue transformar todas as profissões de saúde em medicina, zerando assim o déficit de médicos no Brasil! Medicina padilhana de araque para pobre, porque os ricos continuarão sendo atendidos por médicos formados em medicina! Cabe ao CFM DERRUBAR os vetos no Congresso Nacional, ou fechar suas portas.

    Presidente Dilma Rousseff sanciona com vetos lei do Ato Médico O texto aprovado foi publicado nesta quinta-feira no Diário Oficial da União
    Agência Brasil
    Publicação: 11/07/2013 09:44Atualização:

    A lei que regulamenta o exercício da medicina, o chamado Ato Médico, foi sancionado pela presidenta Dilma Rousseff, com vetos. O texto aprovado, que estabelece atividades privativas dos médicos e as que poderão ser executadas por outros profissionais de saúde, está publicado na edição desta quinta-feira (11/7) do Diário Oficial da União (DOU).

    No último dia para definir sanção ou veto, texto do Ato Médico é analisadoO Artigo 4º, considerado o mais polêmico e que motivou protestos de diversas categorias da saúde, como fisioterapeutas, enfermeiros e psicólogos, teve nove pontos vetados, inclusive o Inciso 1º, que atribuía exclusivamente aos médicos a formulação de diagnóstico de doenças. A classe médica considera que esse ponto era a essência da lei. Já para as demais categorias o trecho representava um retrocesso à saúde.

    Pela lei, ficou estabelecido que caberá apenas às pessoas formadas em medicina a indicação e intervenção cirúrgicas, além da prescrição dos cuidados médicos pré e pós-operatórios; a indicação e execução de procedimentos invasivos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos, incluindo acessos vasculares profundos, as biópsias e as endoscopias. Também será de exclusividade médica a sedação profunda, os bloqueios anestésicos e a anestesia geral.

    Já entre as atividades que podem ser compartilhadas com profissões da área da saúde não médicas estão o atendimento a pessoas sob risco de morte iminente; a realização de exames citopatológicos e emissão de seus laudos; a coleta de material biológico para análises laboratoriais e os procedimentos feitos através de orifícios naturais, desde que não comprometa a estrutura celular. Na quarta-feira (10/7), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a regulamentação da atividade, mas defendeu a manutenção do “espírito de equipes multiprofissionais, com outros conhecimentos e competências, que são o conjunto das profissões de saúde”.

    • sex, 12/07/2013 - 21:07
      edu serrao

      em que medicina?você poderia ser mais claro?os mais ricos fazem tratamento com acupuntura,para a maiorias das doenças!se for para tomar remedio o profissional mais competente para receiter mediczmentos é o farmaceutico. Em casos de emergência ai sim o médico é o profissional mais adequado.

  12. qui, 11/07/2013 - 11:03
    Wolf

    Esse veto não muda nada na vida dos médicos…
    A única consequência será o retardo dos diagnósticos em alguns casos.

    Será a mesma coisa que acontece com uma pessoa que foi a um mau médico que não deu o diagnóstico adequado no momento correto, e que depois foi a um bom médico que deu o diagnóstico e fez o tratamento correto! A única diferença é que alguns vão poder ganhar seu “pão de cada dia”. Tranquilo!

    O corpo humano não é só “articulações”, nem só a “mente”, nem só a “fala”. O que acontece em um órgão muitas vezes afeta os demais. E só quem é treinado para entender isso consegue fazer o diagnóstico correto!

    Veta, Dilma! A seleção natural resolve isso!

    • qui, 11/07/2013 - 14:32
      Vitima da máfia de branco

      “E só quem é treinado para entender isso consegue fazer o diagnóstico correto!”

      E porque não o fazem?
      Porque toda e qualquer barbeiragem cometida pelos incompetentes requisitantes de exames é enfiada no saco por um tal Conselho da Máfia de Branco.
      Tem que se tirar, sim, o poder das mãos dessa classe composta em sua maior parte por curandeiros picaretas que têm como único objetivo enriquecer e manter seu status quo.
      “Doutores”…pois sim! A maioria dos pajés não consegue fazer o “O” com um copo.
      Fora com a pajelança.

  13. qui, 11/07/2013 - 10:19
    Messias Franca de Macedo

    JANIO DE FREITAS APOIA INICIATIVA DE ‘MAIS MÉDICOS’
    Para colunista da Folha, programa do governo é coerente porque ‘médico quase sempre tem alguma coisa a fazer para atenuar o sofrimento mesmo sem a instrumentação e o remédio adequados. Já o equipamento, além de ficar inútil, não tem, por si só, poder de atrair quem lhe dê uso proveitoso’
    11 DE JULHO DE 2013 ÀS 07:14
    247 – O colunista da Folha, Janio de Freitas, vê como positiva a iniciativa do governo de levar mais médicos ao interior dos Estados. Para ele, são os profissionais que podem abrir caminho para melhoria na estrutura da saúde. Leia:

    De galinhas e medicina
    O que deve ir primeiro para o interior do país, o tão invocado equipamento básico ou o médico?
    O ovo ou a galinha.
    O ovo já é colega íntimo dos médicos em serviços à vida, no seu papel de receptáculo de contaminações nele injetadas para a produção de vacinas. A galinha tem séculos de contribuição aos pacientes, sob a forma daquela santa canja que reanima muito doente, para maior prestígio da medicina. É natural que se juntem para mais um esforço de contribuição ao mais importante dos saberes humanos.
    Faz sentido a ponderação dos contrários à contratação de médicos estrangeiros para o interior, por falta, lá, até dos mais simples recursos para atendimento (a ponderação das associações médicas exala odores de motivação real muito diferente). É diante desse argumento que o ovo e a galinha comparecem com a velha indagação de qual deles veio primeiro. Muito sugestiva no caso atual.
    O que deve ir primeiro para o interior, o tão invocado equipamento básico ou o médico? Se for o equipamento, além de ficar inútil, não tem, por si só, poder de atrair quem lhe dê uso proveitoso. Jornais e TV têm noticiado casos exemplares de municípios com instalações à espera de médicos, mesmo com remuneração melhor que a ofertada nas capitais.
    O médico que é médico quase sempre tem alguma coisa a fazer para atenuar o sofrimento mesmo sem a instrumentação e o remédio adequados. Vemos isso, com frequência, nos acidentes. Eu mesmo já ansiei, na beira de uma estrada, por um médico que parasse ao menos para me dizer como estancar a hemorragia perigosa.
    Se primeiro a chegar, o médico, além do efeito de sua simples chegada, e das imediatas orientações sanitárias que pode proporcionar, tem meios de requerer, reclamar, denunciar e acusar publicamente as responsabilidades pelo descaso com os recursos de que precisa.
    E pode romper, até com apoio judicial, o contrato não cumprido pelo contratante.
    O que não faz sentido é estabelecer a priori que no interior não haverá sequer os recursos minimamente necessários. Isto é sacar sobre o futuro. Especialidade de economistas e jornalistas, não de médicos. Por que não experimentar com mil ou dois mil médicos? Se a experiência com metade deles der certo, ou que seja um terço, um quarto, já se terá aprendido muito, mas, sobretudo, quanto alívio terá sido dado, quantas crianças terão deixado de sofrer, se não de morrer?
    E, se a carência impeditiva está no interior, os grandes centros urbanos estão equipados para o atendimento à população, mínimo embora? Há três dias noticiava-se que o Hospital do Andaraí, pronto-socorro e referência em queimados no Rio, estava com as cirurgias suspensas por falta até do material mais simplório, como cateter. A desgraçada periferia de São Paulo inclui serviços médicos com o equipamento necessário? As cenas recentes em TV não foram tomadas no Projac.
    Essa discussão não é sobre médicos, hospitais, postos de saúde, equipamentos. É sobre doença, sofrimento, partos, mortes, crianças.

  14. Para quem não sabe o que é esse tal “ato médico”, uma explicação sucinta:

    Os médicos – aqueles mesmos que não querem ir às cidades pequenas, mas também não querem que médicos cubanos vão – pretendem monopolizar TODOS os procedimentos que tenham a ver com saúde, mesmo que remotamente.

    Quais são esses procedimentos? São os mais variados, como por exemplo: fisioterapia, terapia ocupacional, aulas de Yôga, Tai-Chi, etc, acunpuntura, massoterapia, etc, etc.

    Os médicos – os mesmos que, se pudessem, extinguiriam a pobreza com lança-chamas – querem, para si, uma gigantesca reserva de mercado. Isso é uma ilegalidade e uma IMORALIDADE.

    • qui, 11/07/2013 - 10:37
      Cláudia

      Concordo plenamente.

    • qui, 11/07/2013 - 11:02
      Janice Freitas

      Se informe mais para não mentir descaradamente: “pretendem monopolizar TODOS os procedimentos que tenham a ver com saúde, mesmo que remotamente.” É mentira! Médico só quer ser médico, mas vc pode optar por um curandeiro, na boa!

      Dilma sanciona Lei do Ato Médico

      Brasília (AE) – A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta quinta-feira, 11, com vetos, a lei que disciplina o exercício da medicina no País. Também conhecida como “Lei do Ato Médico, a norma determina que são privativas do médico atividades como indicação e execução da intervenção cirúrgica, execução de sedação profunda, e a indicação da execução e execução de procedimentos invasivos, como biópsias e endoscopias, por exemplo. Com os vetos presidenciais, no entanto, outros profissionais poderão formular diagnóstico e respectiva prescrição terapêutica, indicar o uso de órteses e próteses e prescrever órteses e próteses oftalmológicas.

      A presidente Dilma argumenta que rejeitou que o diagnóstico ficasse restrito ao médico porque, “da forma como foi redigido, o inciso impediria a continuidade de inúmeros programas do Sistema Único de Saúde que funcionam a partir da atuação integrada dos profissionais de saúde, contando, inclusive, com a realização do diagnóstico nosológico por profissionais de outras áreas que não a médica”. “É o caso dos programas de prevenção e controle à malária, tuberculose, hanseníase e doenças sexualmente transmissíveis, dentre outros. Assim, a sanção do texto poderia comprometer as políticas públicas da área de saúde, além de introduzir elevado risco de judicialização da matéria”, defende a presidente na mensagem enviada ao Congresso com as razões dos vetos feitos ao projeto.

      Pela lei, ainda são privativos do médico perícia e auditoria médicas, ensino de disciplinas especificamente médicas e coordenação dos cursos de graduação em Medicina, dos programas de residência médica e dos cursos de pós-graduação específicos para médicos. A direção administrativa de serviços de saúde, porém, pode ser exercida por outro profissional.

      O projeto que deu origem à lei tramitou por quase 11 anos no Congresso Nacional e foi tema de 27 audiências públicas. A nova legislação entra em vigor em 60 dias.

      • qui, 11/07/2013 - 13:14
        Newton b

        A maioria dos curandeiros é muito melhor que a maioria dos “médicos”

      • qui, 11/07/2013 - 20:14
        Jessica Araújo

        Ao chamar de curandeiros certas pessoas que realmente patrocinam a saúda humanamente, a qual vocês deveriam se preocupar antes do dinheiro (como fazem), mostra o porquê a população explorado até o último centavo, quando tem dinheiro, e tratada como coisa abjeta, quando não o tem, vai crescendo em aversão a vocês. Esclareço que a aversão é a vocês, e não à medicina, aquela que vocês deveriam estar exercendo, ao invés do mercantilismo que vocês praticam, e cinicamente escondem.

      • sex, 12/07/2013 - 21:17
        edu serrao

        ser curandeiro também é fazer medicina. Por exemplo há 20 anos atrás a acupuntura era criticada pela classe médica,vista como curanderismo,pois bem hoje a classe médica que obter o monopolio sobre a acupuntura no brasil,mesmo a OMS afirmar que a acupuntra é patrimomio imaterial da uhumanidade.

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