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Lelê Teles: Apoio a tatuadores de testa vem da escória de justiceiros seletivos

12 de junho de 2017 às 14h40

SOU LADRÃO E VACILÃO

por Lelê Teles, via e-mail

Caim era filho de Adão e Eva.

pais que já nasceram adultos e, portanto, não tiveram infância como referência para educar os filhos.

por inveja Caim matou o irmão, Abel, com um golpe de queixada de burro.

essa tragédia começou um pouco antes.

Deus, que deveria ter educado filhos e netos, expulsou a família inteira de casa depois que a nora pegou uma maçã na geladeira, na calada da noite, sem o consentimento do sogro, aquele velho sovina.

a família, desajustada, sem teto e sem terra, vagou pelo mundo.

seu destino era previsível.

como castigo — e como Deus gosta de castigar! — Caim recebeu uma marca na testa, era o sinal de que ele era um criminoso.

Deus, que é todo poderoso, faz justiça com as próprias mãos.

ele pode.

mas aqui, na terra de Nod, cada crime deve ser punido de acordo com a lei.

para isso existem tribunais, juízes, advogados… o diabo.

um cabra não pode simplesmente sair por aí punindo supostos criminosos, sem uma acusação formal, como o faz o estado islâmico mundo afora.

e como o quer a Sheherazade, a justiceira fundamentalista do SBT Brasil.

mesmo porque, justiceiros são sempre seletivos.

veja como exemplo o Moro, a Shererazade, o Dallagnol, o Gilmar Mendes…

aquele garoto carioca amarrado num poste, pelo pescoço, com uma tranca de bicicleta, era pobre como Caim, o primeiro assassino.

como pobre é este outro que recebeu na testa uma caímica tatuagem.

veja que o garoto que recebeu essa marca terrível, por uma acusação de roubo — roubo este negado pela própria vítima — é pobre, dependente químico, paciente do Caps e com alegados problemas mentais.

os pais, desempregados, estão com água e luz cortadas em casa, estão jogados no mundo sem ninguém que os proteja.

lembram de Adão e Eva?

por onde Deus caminha nesses momentos? com o que diabo será que ele se distrai enquanto a humanidade se destrói?

“meu filho não é um bicho, não é um gado”, disse Vânia Rocha, a mãe do garoto que foi torturado e marcado na testa como Caim, mesmo sem ter cometido nenhum crime.

o único crime que ele cometeu foi ser pobre.

os pobres são vistos, sempre, como pessoas perigosas, criminosos em potencial.

se não cometeu um crime ainda é porque está esperando uma oportunidade.

lembremos que em situação semelhante foi encontrado o herdeiro dos Richthofen.

Aliás, em situação muito mais suspeita.

Andreas Richthofen invadiu uma casa, depois correu da polícia tentando escalar um muro, em seguida tentou entrar em um automóvel.

embora estivesse sujo, com as roupas em frangalhos, drogado e completamente desorientado, ele foi contido como mandam as regras divinas; com calma, paciência e piedade.

por que?

porque diferentemente do rapaz do poste e o da marca de Caim, Andreas apresentava sinais exteriores de piedade.

ele é branco e tem olhos claros.

todos os que apoiaram a criminosa tortura deste garoto, em nenhum momento pediram para que Eike Batista, Cunha ou Sérgio Cabral fossem linchados por populares.

é por isso que pilantras brancos e ricos como Temer, Aécio e afins, flanam por aí, sem o menor risco de serem atingidos por uma mísera bolinha de papel.

os justiceiros são sempre seletivos.

mesmo os justiceiros pobres, intoxicados pela mídia, midiotizados, escolhem sempre os pobres para torturar.

prender os autores deste crime brutal não impedirá que esse mesmo crime volte a ocorrer amanhã mesmo.

é preciso eliminar essa cultura de criminalização da pobreza e de ódio aos desfavorecidos.

e não contem com Deus para isso.

palavra da salvação.

 

5 Comentários escrever comentário »

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Mau Rufino

14/06/2017 - 14h19

O Brasil adoeceu.

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Vicente

14/06/2017 - 13h44

Queria ver esses covardes fazerem isso com um bandido de verdade.

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Edgar Rocha

14/06/2017 - 13h39

Curioso o autor ter falado tanto de Deus. Talvez tenha escutado urras de satisfação de algum “piedoso” cristão, assim como eu escutei. Alguém que no passado aprontou poucas e boas, diga-se. Mas, que nunca ninguém teria a brilhante ideia de tatuar-lhe a testa. É gente “de bem”, de “família”… Seria um pecado.
É tanta gente pronta pra bater em quem é menos favorecido que não tenho dúvida: já ultrapassamos a fronteira da civilidade e adentramos no fascismo social, institucional, religioso e político. O mais grave é que o sistema precisa disto. É preciso eliminar contingente incômodo, subjugar aos que sobrarem da farra-do-pobre e impor-lhes todas as limitações possíveis. Mas, pra isto, é preciso haver m pacto que legitime o recrudescimento das instâncias de poder contra a maioria. É preciso que sobrem os que dizem acreditar na violência como solução pra tudo, para que não tenham moral suficiente a ponto de oferecer alguma resistência.
Hoje, pela manhã, li a notícia de que um destes tresloucados abriu fogo contra um grupo de políticos republicanos durante um evento esportivo nos EUA. Já não era sem tempo! Talvez a esperança de um revés nos projetos da direita seja o de ver suas práticas se voltarem contra eles próprios. De minha parte, não escutarão discurso por civilidade nem um chamado ao bom senso. Por estas paradas, começaram com a farra-da-leitão.
Quem pariu Mateus… Tô nem aí. Dai a Cézar…
Por falar em Cézar, um continho antigo, só pra refletir:
Dionísio parou com seu exército na fronteira do rio Indo. Vendo que os indus eram numericamente superiores, simulou um recuo, deixando para trás ânforas de vinho puro, sem misturar com água. Uma espécie de cavalo de Troia à moda dionisíaca. Os indus, ao se depararem com a bebida, encheram a cara, sem medir a potência da bebida. A maioria embebedou-se de tal forma que se afogou nas águas do Indo. Outros estavam tão bêbados que não puderam lutar. Assim, Dionísio conquistou a Índia. Ele, o Deus do vinho – e da temperança – cobra o preço pelos excessos hedonistas da alma humana.

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GERALDO TELLES

13/06/2017 - 13h46

E os que prenderam o garoto no poste foram presos depois, em casa, como “traficantes de drogas” da zona sul do Rio.

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Alex

12/06/2017 - 15h27

Este é um mundo pelo avesso, um mundo que premia seus arruinadores, como dizia o saudoso Eduardo Galeano.

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