
Atualizado e Publicado em 08 de junho de 2009 às 19:34
Alan García, um genocida
por Lelê Teles, no blog Technosapiens
Quinta-feira era dia do meio ambiente. Dia em que todos os políticos do mundo estavam mostrando o seu cinismo (ou não) em relação ao tema. Engravatados plantavam mudas diante das câmeras, acordos eram assinados frente aos fotógrafos, silenciavam-se as motosserras, repousavam-se os machados, lacravam-se as manilhas. Aproveitando a ocasião para ganhar prêmios, publicitários anunciavam: preserve, proteja, salve...
Pois neste mesmo dia, veja o que é o mundo e a humanidade, a polícia de Alan García, no Peru, massacrava impiedosamente centenas de indígenas na província de Bagua.
El Palacio de Gobierno Del Perú teve, mais uma vez, o seu dia de Casa de Pizarro. O massacre de Bagua foi a resposta do governo aprista à contestação dos indígenas, liderados por Alberto Pizango. Os povos da floresta exigem a anulação de leis que permitem aos estrangeiros o avanço sobre a floresta, explorando minérios; sobretudo, gás e petróleo. Protestam contra as multinacionais, a quem acusam de avançar sobre as riquezas naturais do país, deixando pra trás um rastro de agressões ao meio ambiente e desrespeito à soberania nacional. Reivindicação legítima.
Mas ao invés de dialogar, García manteve-se fiel ao seu estilo soberbo, chamou os indígenas de terroristas e cidadãos de segunda classe; exatamente como fez Sarkozy antes de mandar massacrar os negros (escória) nos subúrbios de Paris.
Após 54 dias de protestos, fechando carreteras e fazendo piquetes em petroleiras, no dia 5, em Bagua, os indígenas foram surpreendidos, às cinco da manhã, pela polícia de Alan García, que partiu covardemente para o confronto. Usando helicópteros, tanques e artilharia pesada contra homens, mulheres e crianças.
Alan Garcia diz defender os interesses de seu país e de seu povo e culpa Chávez de estar por trás de Pizango, insuflando a discórdia para impedir o desenvolvimento da indústria petrolífera peruana. Pode ser, parece mesmo que Evo e Chávez têm a ver com Pizango, mas Alan Garcia está com as mãos sujas de sangue e tem uma pilha de cadáveres no armário. Terá, como Fujimori, de ser julgado por seus crimes; o de Garcia é mais grave, é genocídio.
Defender a pátria é, antes de tudo, defender o seu povo e não massacrá-lo.
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"O pior é assistir a Globo dizer que houve um confronto entre policiais e indígenas, com mortos e feridos, como se fosse uma notícia sobre o tempo, imparcial e neutra. Haja. "
De fato. Foi execucao sumaria de policiais amarrados que tiveram suas gargantas cortadas.