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Leitores de jornal versus surfistas da rede: quem sabe melhor?

Atualizado e Publicado em 21 de julho de 2009 às 07:11

20/7/2009

por Michael Kinsley, na revista eletrônica Slate

Tradução: Caia Fittipaldi

E se os jornais desaparecerem? Muita gente, repórteres e editores, principalmente, têm alertado para essa possibilidade, que parece estar já à vista. E declaram, em altos brados, "Vocês lamentarão muito!" Para economizar 50 centavos ou um mil réis, dizem, ficaremos sem o conhecimento crucial do qual vivem todos os cidadãos bem-informados das democracias que prestam.

Mesmo nos bons tempos, quando os jornais eram empresas muito lucrativas, nenhum leitor jamais pagou realmente o custo do que lia em jornais. Os tais 50 centavos ou um mil réis não pagariam nem o papel e a tinta, sem falar na distribuição – e, isso, se o conteúdo brotasse gratuitamente. Há cada dia mais gente interessada em ler jornais, o que se constata pelo número de leitores que visitam as páginas dos grandes jornais na Web. Os próprios consumidores estão ajudando os editores a economizar mais do que se continuassem a exigir jornais impressos à moda antiga. A culpa pelo fracasso financeiro dos jornais, portanto, não é dos leitores. Ainda assim, os donos de jornal – quase tão desiludidos com os anunciantes, quanto os anunciantes com os donos de jornal – contam com os leitores como uma espécie de última salvação.

Os que defendem os jornais argumentam, corretamente, que praticamente todo o noticiário que se distribui na Web é reprodução dos jornais impressos, sobretudo dos grandes jornais como [nos EUA] o Washington Post (proprietário da revista Slate) e o New York Times. Só depois de não haver mais esses jornais, saberemos o quanto precisamos deles, mas então já será tarde demais. De fato, nem é preciso que os jornais desapareçam completamente: o ex-grande Los Angeles Times está aí para demonstrar o quão facilmente um jornal pode resvalar até a completa irrelevância [no Brasil-2009, bom exemplo é a Folha de S.Paulo, já resvalada até a completa irrelevância. NT].

O que, exatamente, desaparecerá, quando desaparecem os jornais, varia de jeremiada a jeremiada. A guerra sobre o suporte físico está superada. É espantosamente mais barato publicar na Web: isso não se discute. Os jornais do futuro, sejam quais forem os conteúdos ou o proprietário, serão lidos em telas – que variarão, mas serão sempre telas: de monitor de computador, de um Kindle, iPhone, ou outras "plataformas" ainda por inventar e desenvolver.
Mas que outras diferenças esperar, em relação aos jornais que conhecemos hoje (ou conhecíamos há alguns poucos anos)? O que deixará de haver? As listas tendem a refletir os gostos subjetivos dos produtores das listas. Mas praticamente todas as listas incluem (1) noticiário local e comunitário; (2) noticiário internacional (principalmente daquela famosa agência de Bagdá); (3) jornalismo investigativo e "de empresa" de todos os níveis; e (4) "miscelânea" – histórias que ninguém procura e nas quais se tropeça, como por acaso, nas páginas de jornal. (Como membro assalariado do comentariato, anoto sem comentário e com amargura que ninguém parece super alarmado com o fim do noticiário nacional nem com o fim do colunismo e do 'analismo' dos 'especialistas'. Por isso, é difícil usar a falta de opinião de que padece a Internet como argumento a favor dos jornais.)

O item n. 4 — "miscelânea" — foi grave preocupação no nascimento da Web. Muita gente dizia que, ao arrastar o olho do leitor para notícias exteriores ao seu campo normal de interesses, o jornal impresso impediria que você virasse um foguete blindado não-tripulado e obcecado, desses que sabe tudo sobre esportes e Bolsa de Valores e coisa alguma sobre todo o resto.

Acho que, hoje, todos já entenderam que nada pode ser mais "miscelânea" e mais "geral" que a "miscelânea" e o "geral" dos hyperlinks, que são "geral" e "miscelânea" de modo muito mais profundo. Ninguém consegue ler uma página de Web de cima abaixo, sem nunca se deixar arrastar para algum universo paralelo do qual jamais ouvira falar... até ver o link.

Quanto aos outros três itens: o noticiário local está sempre presente nas páginas de abertura; e os temas de noticiário internacional e empresarial são os tópicos mais prestigiados em todos os editais de acesso a financiamentos oferecidos por fundações e patrocinadores.
E aí, papai?! Posso parar de ler jornais?

Para responder essa pergunta, a revista Slate, a partir da 3ª-feira, estará conduzindo experimento altamente não-científico. Durante três dias, dois jornalistas do jornalismo (principalmente) impresso voltarão ao tempo (há 15 anos!) quando, se quisessem ler notícias (em vez de vê-las desfilar à sua frente em imagem de televisão), eram obrigados a comprar uma entidade física conhecida como "jornal impresso". Cada um gastará apenas uma hora por dia, todos os dias, lendo qualquer jornal impresso (em língua inglesa) que encontrem à venda na cidade onde vivem.

Os jornalistas são Timothy Egan, colunista (e blogueiro) do New York Times, e Sam Howe Verhovek, ex-repórter do New York Times e do Los Angeles Times. Dado que ambos vivem em Seattle, só poderão ler, de fato, o New York Times, o Wall Street Journal, o USA Today, o Seattle Times, embora possam ler qualquer jornal que lhes caia nas mãos. (Recentemente, The Seattle Post-Intelligencer deixou de imprimir e só vive na Web; e o Washington Post impresso não tem distribuição nacional.) Tim e Sam empenharam solenemente sua palavra-de-escoteiro de que não tentarão nenhum golpe baixo – por exemplo, pedir que alguém lhes envie o Post, por fax. E é claro que não podem ler notícias online, mesmo que alguém lhes mande o link, de boa fé.

Durante os mesmos três dias, outro grupo de dois jornalistas que trabalham (principalmente) na Web – Emily Yoffe (nick-codinome "Prudence") e Seth Stevenson, ambos da revista Slate, só usarão, como fonte de notícias, a Web.

O truque, é claro, está em excluir todas as páginas que apenas 'transferem' para a Web material impresso em jornais e as que 'agregam' linhas a material publicado, sem de fato, agregar coisa alguma.

Essa tática de 'agregação' é difícil de definir. Em certo sentido, o jornalismo sempre é uma espécie de 'agregação' e já era, mesmo antes de a WWW aparecer. Quanto do que escrevo é 'agregado' (ou, digamos, é material 'repensado') ao que li publicado no New York Times? Por favor: é pergunta retórica; não respondam. E o próprio Times não chegaria a ser escrito, sem o Washington Post, e vice-versa. A melhor definição de "agregação", em sentido jornalístico, é a de Justice Potter Stewart, falando de pornografia: "Sei que é, quando vejo." Nossa equipe-Web empenhou solenemente sua palavra-de-escoteiro e prometeu não ler, na Web, o que seja claramente material de jornal impresso. (O blog Politico, OK. O Huffington Post, praticamente todo, ou a maior parte, não. Nesse nosso Slate, John Dickerson sobre política e Fred Kaplan sobre temas militares, evidentemente produzem material original para a Web. "Today's Papers" evidentemente, não produz. Em todos os casos, Emily e Seth postarão uma lista das páginas consultadas – e caberá ao leitor (aqui) avaliar se jogaram limpo ou se trapacearam.)

Nas tardes da 3ª, 4ª e 5ª-feira da semana em curso, publicaremos uma discussão sobre as notícias do dia, na qual o conhecimento e a interpretação das notícias – ou a ignorância e a não-interpretação – oferecidos pelos nossos porquinhos-cobaias estarão sendo informalmente testados. Todos podem brincar. Se você quiser, escolha um lado e respeite as regras acima. É isso, ou você continuará a ler jornais e a surfar na Web como sempre leu e surfou. Se você preferir ser o que sempre foi, você será nosso grupo de controle.

O artigo original, em ingles, pode ser lido em:
http://www.slate.com/id/2223262/entry/2223263/


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Tomudjin (22/07/2009 - 09:14)
É possivel, um dia, que as redações dos jornais fiquem entregues às moscas, por falta de sopa.
E, por confundirem sopa com caviar, algumas dessas moscas têm sofrido frequentes processos.

Julio Oliveira (22/07/2009 - 02:17)
o pior da imprenssa impressa é que só nos mostram um lado da moeda. (o lado que pago o salário dela).
a liberdade da internet não tem preço que pague!

EFE (21/07/2009 - 22:43)
"E se os jornais desaparecerem?"...eles ainda existem !?!?

mauro ramos (21/07/2009 - 19:20)
pra que ler Folha,Estadao,Globo?
so pode ser mau gosto ou masochismo,kkkk!!!
pior que eles so seus primos pobres mineiros,kkkkk!!

tonico (21/07/2009 - 18:34)
miriam leitão PIG, diogro mainada, noblat, tio rei, essa turma me dá gastrite. Acho que o brasileiro não merece isso. São exemplos do que de pior existe nas comunicações.

E as árvores com toda certeza agradecerão! (21/07/2009 - 16:44)
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Gustavo Eduardo Paim Pamplona - Belo Horizonte - MG
Fazendo história no "Vi o Mundo" - Desde Fev/2008!

Athos (21/07/2009 - 15:14)
Hoje todos tem acesso a informação por intermédio da internet.

Acabou!

Klaus (21/07/2009 - 14:30)
Eu só entro aqui pra ler as opiniãos sempre tão abalisadas de Miltin Hayek.

richard pereira (21/07/2009 - 14:23)

Claro sempre existem excessões, mas que será um alivio para o povo brasileiro , o dia em que sumir do mapa a imprensa mentirosa, difamadora, caluniosa, comprometida com a elite e outras mazelas, é uma grande verdade.

A INTERNET PERMITE VOCE LER TODAS AS VERSÕES FALSAS OU VERDADEIRAS E ANALISAR O QUE VOCE CONCLUI, JÁ OS JORNALÕES, REVISTAS, TV ETC. MOSTRAM SEMPRE O LADO DE QUEM OS PAGA PARA MENTIR.

RICHARD PEREIRA

Markito (21/07/2009 - 13:46)
E como sempre, as "Vestais Assanhadas" chiando sobre a opinião da blogosfera... me pergunto: querem compactuar com o quê? que projetos tem para uma mudança significativa para este país? querem continuar submissos aos lesa-pátria? ao menos, os esquerditas têm uma posição clara do que defendem! já eles, gostam do conforto de suas poltronas em cima do muro!

jose carlos lima (21/07/2009 - 12:53)
E tem mais uma
Por aqui às vezes morro de rir
Como agora, ao acessar o PHA e ver o Barak Obina que o Serra criou para compensar a visita que a Dilma fará ao Barak Obama, tal como quando ele foi premiado pela ONG caloteira e o imprensalão disse que foi prêmio da ONU

Kakakakakakaka

Fiquem com o Barak Obina

http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=14530&cpage=1#comment-138050

Gilson Lima (21/07/2009 - 12:47)
Ao lado do seu leito de morte a Folha ouve o juramento, solene e compungido, da Veja, que passará a mentir em dobro após sua partida. O Globo, não está em vigíla; lançou-se a campo e trata de triplicar sua capacidade instalada.

Luís Carlos P. Prudente (21/07/2009 - 12:23)
Viva a internet! Ela me da a liberdade de ver porcarias e coisas úteis. Basta eu escolher. Mas na televisão e rádio, tenho que ver ou ouvir o que o editor desses meios me permite. Nos jornais, posso ver o que quiser, mas este o que quiser é editado de acordo com o interesse do editor. Portanto, na internet tenho mais opções de escolher o meu conhecimento.


jose carlos lima (21/07/2009 - 12:23)
O imprensalão transpira ódio sempre sempre sempre.
Nem gosto de olhar na cara da Miriam Leitão, ela me passa uma coisa ruim.
Por isso evito ler.
Por uma questão de saúde.

www.josecarloslima.blogspot.com

JMello (21/07/2009 - 12:10)
Anteriormente já comentei algo parecido e volto a repetir, numa sociedade capitalista como a nossa qualquer empresa ligada a midia la no finzinho mesmo somente uma coisa importa a palavra santa e ao mesmo tempo maquiada "lucro", gostaria eu de acreditar que outras midias interessadas sim no social, coletivo no futuro deste planeta (para nos omo zapiens, ra ra)que tambem tem que brigar pela sobrevivencia isto e, arrecadar no mínimo o que custa, que tenham uma postura etica e honesta com aquilo que informam.
Mas nos temos uma carga cultural tao grande pra desinformação, alienação politica e entretenimento barato sedimentado mela midia de massa que a discusão não e nem deve ser pontual ou determinista ela abrange os mais diversos caminhos do comportamento humano.

Carlos (21/07/2009 - 12:08)
Desde moleque eu lia jornal. Faz alguns anos cancelei assinatura da Falha de São Paulo e nem aos domingos compro mais o jornal. Não perdi nada. Visito os blogs higiênicos para saber o que se passa na política, através dos comentários que vazam dos esgotos eu tenho uma vaga idéia do que a direita pensa que pensa. Tem gente que pensa, tem gente que repete o que lê e pensa que pensa...

Milton Hayek (21/07/2009 - 11:59)
Ele fala dos outros exatamente o que faz por aqui....Vai pra casa Klaus Barbie!!!

" Klaus (21/07/2009 - 09:33)
O problema na internet é que geralmente o leitor só procura informações em veículos que confirmem o seu pensamento. E mesmo aqueles que procuram informações num leque mais amplo, tendem a tachar aqueles com o qual não concordam de vendidos, falsos, etc."

Leider Lincoln (21/07/2009 - 10:52)
Klaus: mas esta é a solução! Que opção alguém que mora em Catalão, Goiás, tinha, a não ser ler Estadão, Folha, O Popular, Diário da Manhã e ver TV?
Você, sinceramente, acha que eu acreditava neles? Eu sempre desconfiei, mas e a prova? A internet deu-ma! Comparando essas porcarias nacionais com Avui, Público (PT e ES), Liberation pude ver o quanto são tendenciosos. Comparando-os com o Guardian, pude ver que é possível jornalismo de direita e de qualidade.
Eu tenho escolhas! Todavia, há mesmo uma tendência de a gente ler o que gosta. E isso não é ótimo? Ou você queria que lêssemos o que não gostamos nem confiamos?

Louzada (21/07/2009 - 10:47)
Klaus, fale só por vc.
Passo por todos os blogs que tenho afinidade, mas é imprescindível passar por outros que não tenho a menor afinidade , mas penso ser útil para foprmar opinião. Acredito que a grande maioria aja como eu.
É claro que não vou me sujar visitando Blog's da Veja etc, mas acreditem visito até o Cluadio Humberto (é preciso saber o que pensa e como aje o inimigo)

Klaus (21/07/2009 - 09:33)
O problema na internet é que geralmente o leitor só procura informações em veículos que confirmem o seu pensamento. E mesmo aqueles que procuram informações num leque mais amplo, tendem a tachar aqueles com o qual não concordam de vendidos, falsos, etc.

Daniel Campos (21/07/2009 - 08:36)
É até covardia comparar. Porquê no jornal impresso você vê o que o editor resolver publicar (e como sabemos, editado), já na Internet você vê até o que não deveria ver se assim desejar.

jose carlos lima (21/07/2009 - 08:15)
Adorei a frase "meu pai está na África", isto humanizou o blog,,,o afeto muda tudo.

Estou me referindo a esta postagem no blog do Eduardo Guimarães


"Senhoras e senhores leitores, quem lhes escreve é Carla Guimarães, filha de Eduardo Guimarães.

Meu pai está na África. Está com dificuldades de acesso à internet.

Ele só chega na quinta-feira. Até lá o máximo que poderei fazer é liberar os comentários dos senhores.

Contamos com sua compreensão."

Fonte: www.edu.guim.blog.uol.com.br

meu blog aFEto
www.josecarloslima.blogspot.com



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