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Latuff: Golpistas lá e aqui

Atualizado em 30 de setembro de 2009 às 14:39 | Publicado em 30 de setembro de 2009 às 10:59

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por Carlos Latuff

No caso de Roberto Micheletti renunciar e buscar asilo político, o Brasil poderia recebê-lo de braços abertos. Ou melhor, a imprensa brasileira. Quem sabe lhe arrumar um cargo de editor-chefe no Estadão, que em suas páginas tem culpabilizado a todos pelo golpe de estado em Honduras: Lula, Hugo Chavez, a diplomacia brasileira, o presidente deposto Manuel Zelaya. Menos os próprios golpistas, que aliás, para as rádios, jornais e TVs no Brasil, nem sequer são golpistas. Referem-se ao processo pelo qual Zelaya foi expulso como legítimo e constitucional.

Constitucional, a meu ver, foi o  "impeachment" que afastou Fernando Collor da presidência, seguindo todo um trâmite legislativo. A menos, é claro, que a constituição hondurenha entenda como legítimo mandar soldados encapuzados invadir na calada da noite a residência de um presidente eleito, e sob a mira de fuzis, enfiá-lo num avião rumo a outro país.

Mas o que esperar da mídia brasileira que tem uma Folha de São Paulo, que emprestou seus veículos de reportagem para agentes da repressão, e que mais recentemente referiu-se à ditadura no Brasil como "Ditabranda"? Ou mesmo as Organizações Globo, cujo capo di tutti i capi Roberto Marinho, expandiu seus negócios graças ao apoio dado ao regime militar? São os mesmos veículos que chamaram de "oposição" os golpistas que tentaram derrubar os governos eleitos de Hugo Chavez e Evo Morales.

A culpa pelo golpe em Honduras é de Manuel Zelaya, assim como a culpa pelo golpe no Chile provavelmente foi de Salvador Allende. Os militares e os civis que os comandam não tem culpa. Nunca tiveram. Sejam eles oficiais que torturaram e mataram presos políticos Brasil nos anos 60 e 70, ou mesmo policiais que torturam e matam nas favelas cariocas nos dias atuais. Assim como Berlusconi tenta reabilitar o fascismo quando disse que Mussolini "nunca matou ninguém" e que enviava seus opositores a "colônias de férias", a mídia brasileira tenta, com seus maneirismos, reabilitar as ditaduras.

São golpistas os que derrubaram Manuel Zelaya, como golpista também é a mídia brasileira, que tenta a todo custo nos convencer do contrário
 


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
JSB (30/09/2009 - 18:08)
O Brasil, finalmente, colocou o seu primeiro grande passo!

Estamos dando mais importância às notícia midiática inescrupulosas, do que aos próprios fatos reais, nacional e internacional mente reconhecidos.

Éderson Dias Segantini (30/09/2009 - 15:37)
O autor está certo. Uma entrevista concedida pelo Ruy Mesquita, ao seu próprio jornal: o estadinho, meses atrás confirma a teoria de Carlos Latuff. O grande democrata Ruy Mesquita, assim como o não menos democrata papai: doutor julinho( júlio de mesquita filho), disse textualmente que o golpe de 1964 foi dado por causa de Jango. Ele que foi o culpado pela intervenção militar. ruy disse ainda que conspirou com o papai, dr. julinho, pela deposição de Jango. E ainda papai julinho é um sumo democrata por ter contestado Sartre, dizendo que este foi reacionário por defender a URSS; enquanto que aquele dizia que a sacrossanta democracia do capital ocidental seria o destino inexorável do mundo. A História demonstra pela atitude que são os verdadeiros democratas e os legítimos reacionários. Abraços.

Saladino (30/09/2009 - 14:57)
O mais impressionante, Azenha, é que o discurso é igual. Seja em espanhol, português ou inglês. Confira aqui um texto que tenta justificar uma intervenção militar para depôr... Obama. http://migre.me/81Gm


graciliano (30/09/2009 - 14:22)
Por acaso, os donos dos dois maiores jornais golpistas, em Honduras, são tb donos da maior distribuidora de medicamentos naquele país. El Heraldo e La Prensa, os jornais. O presidente Zelaya cometeu o crime de comprar medicamentos genéricos de Cuba, por até 18% do preço cobrado por tal distribuidora.
Dá prá entender porque a mídia latino-americana (as famiglias da SIP) apóiam o golpe.

Moacir Moreira (30/09/2009 - 11:59)
Olá, Azenha e amigos leitores,

O problema de envolver o Brasil nesse "embroglio" em Honduras é que os golpistas da época da ditabranda ainda estão no poder, operando livremente, como se nada tivesse acontecido.

Até onde eu sei, João Goulart jamais chegou a assinar a carta de renúncia e as eleições brasileiras, desde então, tem sido promovidas sob a supervisão do PiG, especialmente a partir da eleição de Collor, patrocinada pela Globo e demais vassalos, com amplo apoio da turma do Lula, Roberto Freire e Fernando Gabeira, entre outros.

Sendo assim, não seria contraditório o companheiro Luís Inácio, amigo e admirador da biografia de José Sarney, defender a democracia de um outro país, enquanto nós mesmos ainda precisamos julgar e punir nossos próprios criminosos?

Abraços

Márcia Regina (30/09/2009 - 11:56)
Golpista gosta mesmo é de golpe e, portanto, é coerente a postura vergonhosa do PIG. Curiosamente, a canalhice global, veja, estadal, folhal "late" quando se tenta discutir a mínima regulação para o monopólio promíscuo da mídia no Brasil. Que tal trazer ao Brasil o queridinho "governista de fato" Michelleti para fechar esses veículos mentirosos de comunicação???



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