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Investigar os latifundiários. Já

Atualizado em 26 de outubro de 2009 às 17:42 | Publicado em 26 de outubro de 2009 às 17:41

Uma CPI do ódio de classe
 
por DR. ROSINHA*
 
Contra o desejo raivoso dos ruralistas anti-MST, vamos mais uma vez comprovar a legitimidade do movimento e da agricultura familiar
 
A constituição de uma CPI mista para investigar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), cogitada a partir do desejo raivoso dos ruralistas e viabilizada graças ao apoio ostensivo da mídia privada, é reflexo da influência que setores conservadores ainda mantêm sobre a sociedade brasileira.
 
Também é sintoma da fragilidade de parte da base de apoio do governo Lula, formada por alguns parlamentares sem compromisso com o governo que dizem apoiar.
 
Com uma atuação internacionalmente reconhecida, o MST foi recentemente classificado pelo intelectual norte-americano Noam Chomsky, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, como "o mais importante movimento de massa do mundo".
 
A quem interessa criminalizar o MST? A quem interessa demonizar um movimento social com 25 anos de serviços prestados à justa causa da reforma agrária?
 
A resposta é simples: aos latifundiários e aos grandes detentores do capital financeiro, nacional e transnacional, que controlam boa parte da agricultura no país.
 
Os dados do censo agropecuário do IBGE, divulgados há poucas semanas, revelam que menos de 15 mil fazendeiros são donos de mais de 98 milhões de hectares. Em termos percentuais, 1% dos proprietários rurais detém a titularidade de 46% da terra no país.
 
O que incomoda a bancada ruralista e os setores por ela defendidos no Congresso é o fato de o MST simplesmente existir. E lutar pela distribuição das terras no campo.
 
Aos olhos dos ricos, os pobres não têm o direito de se organizar, de se manifestar em defesa de seus direitos.
 
Além de criminalizar o MST, os ruralistas desejam adiar a reforma agrária. Ao se contrapor, por exemplo, à revisão dos índices de produtividade —medida determinada em lei— demonstram todo o caráter reacionário e ilegal de sua posição.
 
Esses índices determinam se uma fazenda é ou não improdutiva. Criados em 1975, estão defasados. Não levam em conta os avanços tecnológicos da agricultura, o que facilita aos fazendeiros alcançar os indicadores mínimos e evitar desapropriações.
 
A legislação brasileira determina o seu ajuste "periódico". Com novos índices, o número de imóveis que não cumprem sua função social disponíveis para a reforma agrária cresceria no país.
 
Sem discurso diante do sucesso do governo Lula, os três principais partidos de direita hoje no Brasil, DEM, PSDB e PPS, estão desnorteados, à procura de alguma tábua de salvação para se agarrar. Assim como em outros episódios, tentam da fazer da CPI do ódio de classe contra o MST um palanque eletrônico, com vistas à eleição de 2010.
 
O MST já afirmou que não teme a CPI. O Partido dos Trabalhadores e o governo, também não.
 
Com um requerimento sem fato determinado, que de tão genérico permite a investigação desde cooperativas em geral até evasão de divisas, passando pelo crime organizado, grilagens de terra e uma infinidade de outros temas, a comissão pode vir a se debruçar, entre outros casos, sobre as contas das entidades patronais do agronegócio.
 
Sabemos que o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Serviço de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), duas entidades patronais, receberam mais de R$ 1,1 bilhão em recursos públicos entre 2000 e 2006. E que parte desses recursos foi utilizada ilegalmente pelas federações que representam os interesses dos fazendeiros.
 
Que tal investigarmos também o cartel internacional das indústrias de suco de laranja, liderado pela Cutrale, que atua em terras públicas griladas no Estado de São Paulo?
 
Embora tenha sido minimizado pela mídia, é público o fato de que há cerca de uma década o Incra (Instituto Nacional de Reforma Agrária) reivindica na Justiça a posse da fazenda Santo Henrique, ilegalmente ocupada pela Cutrale.
 
Contra o ódio de classe dos ruralistas e de sua raiva anti-MST, vamos mais uma vez comprovar a legitimidade do movimento e da agricultura familiar, como contraponto ao latifúndio e ao agronegócio.
 
O IBGE já comprovou que, dos produtos consumidos pelos brasileiros, 70% do feijão, 87% da mandioca, 58% do leite, 46% do milho e 34% do arroz são produzidos pelos pequenos agricultores.
 
Apesar de as propriedades com menos de dez hectares ocuparem apenas 2,7% da área total dos imóveis rurais, a agricultura familiar gera 74,4% dos empregos no campo.
 
Toda denúncia deve ser investigada pelos órgãos competentes. Sim à reforma agrária, não à criminalização dos movimentos sociais.
 
*Dr. Rosinha, deputado federal (PT-PR), é coordenador da Frente da Terra, que defende a reforma agrária no Congresso Nacional.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
nelon eulálio (28/10/2009 - 15:10)
Se a histeria anticomunista das elites conservadoras brasileiras, usando a histeria maior ainda das Forças Armadas nesse particular, não tivesse impedido que João Goulart (um tremendo burguesão, fazendeiro riquíssimo, nada a ver com comunista) levasse a termo suas Reformas de Base (Reforma Agrária inclusive e principalmente) o MST simplesmente não existiria!

Mas, como as Reformas foram impedidas e as terras continuaram concentradas nas mãos da pequena minoria de latifundiários (coronéis nordestinos, paulistas, mineiros, etc.) o país, ainda na situação de "terceiro mundíssimo", sem um parque industrial que absorvesse a mão de obra disponível na escala dos milhões; a pequena burguesia cuidando de seus (pequenos) negócios; as beatas das famílias "de bem" rezando nas igrejas contra os ateus comunistas; os filhos dessa mesma burguesia estudando nas universidades federais para tomar conta dos negócios da família (e não os da República!), foi sendo criado ao longo de todos esses anos um "exército de reserva" (Marx) de camponeses (= trabalhadores do campo) que mais dia menos dia iria reivindicar seu lugar ao sol (ou ao solo).

Estava criado o caldo de cultura que só necessitava do "intelectual orgânico" (Gramsi) aparecer; pois, como diz o ditado: "Quando o discípulo está pronto o mestre aparece". O discípulo (MST) estava pronto e o Mestre (Stedile) apareceu. Só resta dizer para as elites: "Segura que o filho é teu!" E, diga-se de passagem, um filhão festejado no mundo todo!

Urbano (27/10/2009 - 14:46)
Se há entidades para ser devassada neste país, são exatamente as entidades ligadas aos latifundiários. Esses sim devem ser criminalizados, o MST não, pois nunca usurpou nem grilou terras de ninguém.

Maria (27/10/2009 - 12:51)
A CPI do MST já foi instalada. Vamos à dos latifundiários, alguns (poucos?) tb escravocratas e grileiros. Está bom assim D. Kaccira?

Manoel (27/10/2009 - 12:37)
Dr. Rosinha honra de forma extraordinária o seu mandato como legítimo representante das maiorias. Porque, não é fácil se contrapor a ação cínica de uma mídia que esconde descaradamente a grilagem de terras neste pais. O Paraná tem que se orgulhar desse excepcional homem público.

Luis Armidoro (27/10/2009 - 12:14)
Cara, eu sou engenheiro civil, mas gosto de urbanismo. Se não fosse o MST oferecer um pouco de esperança às pessoas do campo, ia ter helicópetro caindo todo dia abatido no Brasil

Gerson (27/10/2009 - 11:48)
Folha Online 27/10/2009 - 08h22

"Sudeste lidera ranking de trabalhadores em situação análoga à escravidão"

Reportagem de ontem do jornal "O Estado de S. Paulo" apontou essa realidade no Sudeste e informou que a região atingiu pela primeira vez o topo do ranking nacional de trabalhadores resgatados. Após o Sudeste vem o Nordeste, com 655 resgatados (30%), seguido do Norte (23%), do Sul e do Centro-Oeste --ambos com 7%.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u643728.shtml

Pedro de Sousa (27/10/2009 - 11:02)
Rodolfo, (corrigindo a pergunta)

Que tal não ser judeu, e "branco", em Israel?

Fernando (27/10/2009 - 10:59)
Até a Marina Silva propôs CPI dos Latifúndios.

Luiz (27/10/2009 - 10:07)
Parece ser comum os latifundiários pilantras pedirem dinheiro em bancos estatais para safras e a safra "quebra" e eles nunca mais pagam. Já houve denúncias tempos atrás que pediam dinheiro para safras e construíam casas e piscinas nas propriedades. Depois só negar porque a "colheita não deu". Um monte de hipócritas mal acostumados.

SÁVIO SOBREIRA - DO CEARÁ (27/10/2009 - 09:27)
EU GOSTARIA DE SABER QUANTO E DESDE DE QUANDO AS DÍVIDAS DOS RURALISTA CRESCEM E SÃO PRORROGADAS ET-ETERNUM NO BANCO DO BRASIL, BNB E BASA!!!! GOSTARIA DE VER OS LAUDOS DE FISCAIS DO BANCO QUE VEZ POR OUTRA SE CONFRONTAM COM OS DAS EMATERs, DAS FIRMAS DE ASSISTÊNCIAS TÉCNICAS FEITAS PARA DESVIAR FINANCIAMENTOS PARA PRÉDIOS DE LUXO À BEIRA-MAR E AVIÕESZINHO....QUANTO DINHEIRO DESVIADOS DE SUAS FINALIDADES E NÃO FISCALIZADOS E NÃO PAGOS AO ERÁRIO PÚBLICO POR PARTE DOS RURALISTAS, QUANTAS ANISTIAS FEITAS IRREGULARMENTE.... VAMOS APURAR TUDO E , AO MESMO TEMPO, VAMOS REVER OS ÍNDICES CADUCOS DE PRODUTIVIDADE NO CAMPO.

Pedro Dias (27/10/2009 - 09:21)
Kaccira (ou Cacillllda). O MST nem o governo têm nada a temer sim, haja visto essa ser a terceira CPI sobre o MST e o que isso revelou? Nada que pudesse desmerecer o movimento, mas CPI não é bom para o país porque paralisa o congresso e é isso que os neocons querem o tempo todo. Mas poderíamos pegar essa CPI e investigarmos os latifúndios. Poderíamos investigar as terras griladas pela CUTRALE, por exemplo.

Carlos. (27/10/2009 - 08:59)
A CPI contra o MST foi outro tiro no pé. Os governistas terão maioria na comissão, além da presidência e relatoria. A base é que poderá investigar ou deixar de investigar o que quiser. O PIG, com o objetivo de criar um motivo para fabricar notícias contra o MST, o PT, o governo e Dilma, atirou seus executivos no congresso e seus patronos na fogueira.

V (27/10/2009 - 08:36)
O MST tem blog?

Chicão (27/10/2009 - 08:29)
Querem apostar quanto que as cooperativas que serão investigadas serão somente as ligadas aos assentamentos. A maioria pequeninas, mas serão tratadas pelos deputados como monstros que consomem todo o dinheiro público. Isso porq a base de apoio do Lula é uma vergonheira.

Anderson (27/10/2009 - 07:58)
Uma auditoria agraria nacional seria uma boa idéia. Checar todos os cartórios, as escrituras, as guias de ITR, as áreas das fazendas etc... ...tenho certesa que os ruralistas iam topar a idéia (hahaha) afinal, quem não deve não teme!!! ...ao final, se tudo estiver dentro da lei, podem mandar acabar com o MST...

Roberto Locatelli - São Paulo (27/10/2009 - 07:11)
Excelente posicionamento do deputado.

Só acho que a Base Aliada está muito a reboque da oposição demo-tucana. Os deputados governistas têm que começar a tomar a iniciativa.

Assim que saiu o senso do IBGE mostrando a imoral concentração de terras no Brasil, deveriam ter proposto uma CPI dos ruralistas.

Kaccira (27/10/2009 - 02:13)
"O MST já afirmou que não teme a CPI. O Partido dos Trabalhadores e o governo, também não."


Tanto não temem que fizeram de tudo para que a CPI não fosse adiante, inclusive cooptando deputados e senadores para que retirassem as assinaturas.Pensas que enganas a quem Dr.Rosinha?

Marcelo José Gonçalves (27/10/2009 - 00:23)
Eu to doido pra ver essa CPI do MST sair logo e assim desmascarar esses ruralistas!!!

João Vieira (26/10/2009 - 22:41)
O bravo Dep. Rosinha subiu muito no nosso conceito. Todo o apoio a ele e aos movimentos sociais.

Nelson Antônio Fazenda (26/10/2009 - 22:39)
Desde a época do Brasil Colõnia sabe-se o quão pernicioso é o latifúndio monocultor. "Especialistas" que desfrutam de todo o espaço do mundo nos órgãos da mídia hegemônica fingem não saber dessa verdade e colocam água no moinho daqueles que querem destruir de qualquer forma o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
Vida longa ao MST!!!

Gerson (26/10/2009 - 22:29)
É só analisar o que disse o Márcio Pochmann:

"Nós estamos em um contexto onde não há mais países que tem empresas, mas empresas que tem países. As 50 maiores corporações do mundo têm um faturamento que equivale ao PIB [Produto Interno Bruto] de 120 países".

"...é um contexto parecido com aquela pequena cidade de cinco mil habitantes que, de repente, vê lá instalada uma siderurgia, que contrata mais de três mil pessoas e até viabiliza o orçamento da prefeitura, mas ao fim e ao cabo vamos questionar se quem manda na cidade é mesmo o prefeito democraticamente eleito ou o presidente da siderurgia".

...o programa de Reforma Agrária é um antídoto contra a desnacionalização da propriedade da terra no Brasil, que está ameaçada pela imposição econômica das grandes corporações multinacionais, que, segundo ele, governam a economia no mundo.

Pedro Luiz (26/10/2009 - 22:18)
Latinfundiarios do meu Brasil, minha Patria amada..expliquem-se. Há se não fosse o PIG do lado de vocês...e " alguns representantes " do povo. Para 2010 quem não terra não pode votar em ruralista...já pensou.

Fabio Passos (26/10/2009 - 21:56)
Mas que cara de pau dos ruralistas...

Já sabíamos que a CNA da dondoca katia abreu defende abertamente "empreendedores" que fazem uso de mão de obra escrava e silencia diante do assassinato de milhares de camponeses...

Agora descobrimos que receberam R$1,1 Bilhão do Estado e ainda desviaram dinheiro?

Isto não é comportamento que se espera de ruralistas... isto é comportamento de uma máfia.

Sergio (26/10/2009 - 21:04)
Quero ver a arrogante senadora abrir a caixa de pandora da entidade que dirige. Isso ainda vai dar mer###**pra canalha grande.hahahahaha!

mineiro (26/10/2009 - 20:49)
tem que haver uma emissora de tv igual na venezuela , uma do lado deles e a outra do governo , ai sim eu quero ver se eles escondem a verdade. agora no brasil ate as emissoras publicas segue a mesma linha do pig. se tivesse uma publica forte , eu queria ver se eles criminalizavam o mst, queria ver ,esse pig de merda teria tanta força.

mineiro (26/10/2009 - 20:45)
o governo lula tem que declarar guerra ja a esses latifundiarios que querem as terras so pra eles. o governo e a bancada do pt , tem que sair do muro e partir pra briga , e for possivel tomar as terras na força , porque na lei nao vai ser possivel , porque a lei é do lado deles . o governo e o povo tem que unir e partir pra cima dessa corja , porque eles estao vindo com tudo atraves dos demonos tucanos e do pig safado.

jose carlos lima (26/10/2009 - 20:32)
Dr. Rosinha, o Sul do Maranhão, Balsas em específico, é uma região produtora de soja, a cidade é apinhada de carros importados, no entanto a pobreza é de causar dó.
Uma CPI do Latifúndio poderia tornar este quadro mais claro e apontar para sugestões e decisões no sentido da melhora.
Por exemplo, que as empresas sedidiadas numa determinada cidade cumpram o papel da função social da propriedade, por sinal previsão legal da CF

jose carlos lima (26/10/2009 - 20:28)
Uai, o Roberto Freire não disse que Serra é mais esquerdista que Lula?

Agora é aproveitar o repentino esquerdismo de Serra para que os homens e mulheres de Serra (Kátia Abreu, Ronaldo Caiado...) arquivem a CPI do MST

E Gilmar Mendes deixará de falar fora dos processos e não defenderá mais a criminalização dos movimentos sociais(que ele defendeu em resposta a Dilma e não por causa de algum processo correndo no STF)

otavio barros (26/10/2009 - 19:34)
REPORTAGEM
Município do Tocantins lidera ranking de soja e de pobreza

Aditivado por projeto controverso que enriquece fazendeiros e transnacionais, Campos Lindos (TO) é líder estadual de produção de soja. Localidade tem a maior proporção de pobres de todo o país, segundo pesquisa do IBGE
Confiram em
http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1613


Urbano (26/10/2009 - 19:14)
Tem que ser já!

mariazinha (26/10/2009 - 18:56)
Apoiado!
Vamos nos organizar e mostrar à senadora kátia abreu e ao deputado caiado que repudiamos estas ações contra os mais fracos e lutaremos pelos sem terra, sem teto e sem oportunidades.


antonio carlos - volta redonda / rj (26/10/2009 - 18:21)
O deputado Doutor Rosinha esta certo , ja que a cpi do MST vai acontecer , devemos aprovar a cpi do latifundio. Eles tem muito mais a explicar. Assim o pa´s vai ver quem são os invasores.



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