Atualizado e Publicado em 18 de julho de 2008 às 14:29
POR Vasconcelo Quadros, do JB Online
O diretor-geral interino da Polícia Federal, Romero Menezes, determinou nessa quinta-feira a formação de força-tarefa interna para ampliar as investigações desencadeadas pela Operação Satiagraha e evitar que o banqueiro Daniel Dantas acabe tirando vantagem da crise que atingiu o judiciário.
"O caso é prioridade", disse Menezes, que disponibilizou para os delegados Ricardo Saadi e Érika Mialik Marena - responsáveis pelos inquéritos em andamento - policiais e recursos financeiros necessários para para garantir a eficácia da investigação.
A nova ordem é reforçar o aparato de investigação com o que tiver de melhor no órgão. Menezes disse que as atividades supostamente ilícitas do banqueiro Daniel Dantas e suas implicações no mercado financeiro receberão o tratamento especial, adequado às grandes operações de investigação e, no final, a conclusão será usada como referência.
"O caso vai gerar padrão", afirmou o delegado.
O que for necessário
Diante da pergunta sobre a quantidade de recursos que serão colocados à disposição da nova equipe, o diretor foi lacônico, mas explícito: "o que for necessário", garantiu.
Além do inquérito em que Daniel Dantas é acusado de lavagem e corrupção - cuja denúncia já foi aceita pelo juiz da 6ª Vara, Fausto de Sanctis - presidido pelo delegado Protógenes Queiroz, a Polícia Federal abriu duas novas frentes de investigação. Parte do material está relacionada às transcrições de grampos autorizados pela Justiça Federal em torno da turma de Daniel Dantas e que durou cerca de um ano e meio. O restante sairá de dezenas de HDs e documentos apreendidos nos 58 endereços de pessoas que gravitam em torno do banqueiro.
Por conta da crise, os malotes lacrados ainda não foram abertos, mas sabe-se que muitos documentos importantes para as investigações havia sido listados e foram encontrados exatamente onde a polícia suspeitava que estavam. São papéis que podem ligar as atividades do banqueiro a outros personagens do esquema no Congresso e no Executivo.
Os dois inquéritos serão tocados agora pelos delegados Érika Marena e Ricardo Saadi, ambos especialistas em investigações financeiras.As investigações apontam fortes indícios para acusar Daniel Dantas por gestão fraudulenta à frente do Grupo Opportunity. O delegado Saadi chefiava a Divisão de Crimes Financeiro (Defin) em São Paulo e comandou várias investigações do gênero, entre elas a que trata das ramificações no Brasil dos delitos praticados pela direção do banco suíço UBS. Há suspeitas de que o caso UBS possa estar relacionado a algumas atividades do Grupo Opportunity em paraísos fiscais.
Chance de ouro
Apesar da crise gerada pelo delegado Protógenes Queiroz, a Polícia Federal enxerga no resultado das investigações em torno do Grupo Opportunity uma oportunidade de ouro para depurar o mercado financeiro. O objetivo é atacar as relações promíscuas de segmentos da economia que se utilizam do tráfico de influência para fazer negócios. A Operação Satiagraha, segundo avaliação da polícia, chegou a uma parte da rede que usa atividades lícitas como fachada para desviar recursos públicos e lavá-los no exterior com a camuflagem de investimentos normais.
O relatório policial sobre o primeiro inquérito concluído será entregue hoje por Protógenes Queiroz à Justiça Federal. É nele que o delegado deverá amparar as acusações contra todos os envolvidos. Há quatro anos investigando as atividades de Daniel Dantas, Queiroz fez tudo certo, mas se perdeu quando a Satiagraha precisava ser fechada. Permitiu que a operação vazasse, colocou sob suspeita a direção do órgão ao se recusar a abrir informações necessárias para o planejamento das prisões e cumprimento de mandados de busca. Acabou detonando uma crise que rachou a polícia e o judiciário.
Ao recorrer ao apoio da Agência Brasileira de Informações (Abin) à revelia da direção do órgão ao qual é subordinado, Queiroz provocou um visível desconforto entre o ex-diretor da Polícia Federal Paulo Lacerda (hoje chefe da Abin) e o atual, Luiz Fernando Corrêa. Por tabela, alimentou as divergências entre os grupos que integram o entorno dos dois diretores. Nos bastidores da Polícia Federal circulava ontem o boato de que ex-dirigentes estariam se aproveitando da crise para conspirar contra a gestão de Corrêa. O que está em jogo, no entanto, é algo mais importante: Lacerda e Corrêa são responsáveis pelo que há de mais sensível na República nas áreas de segurança e informação e o que menos interessa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva é vê-los numa contenda.
JB Online
Acho que pela disposição demonstrada pela cúpula da Policia Federal em dar prioridade ao inquérito da operação Satiagraha, poderemos ter finalmente no BRASIL uma OPERAÇÃO MÃOS LIMPAS, e será ótimo começar com esse mega criminoso travestido de empresário chamado Daniel Dantas e sua organização criminosa, aliás invenção e cria dos tucanos (o rabo tá ficando quente?)/demos no governo FHC. Pelas decisões estapafúrdias, precipitadas e duvidosas, seria muito bom também estender um ramo dessa investigação para as ligações do Daniel Dantas com parte da cúpula do Poder Judiciário, principalmente no STJ e STF, pois o próprio facínora disse que sua preocupação era com a Justiça Federal de 1º grau, já que no STJ e STF ele teria "facilidades". Foi ele que disse!