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Flávio Aguiar e Honduras: o jogo vai para a prorrogação

Atualizado em 25 de novembro de 2009 às 13:38 | Publicado em 25 de novembro de 2009 às 10:31

Honduras: Dia 29 deverão se realizar as eleições gerais em Honduras. Quase toda a América Latina, do México à Argentina e ao Chile, está comprometida com o não reconhecimento dessas eleições promovidas sob a égide do golpe. O presidente deposto Manuel Zelaya chamou o boicote às urnas.

por Flávio Aguiar, em Carta Maior

Ahora es esta la batalla
Pa’que vuelva Manuel Zelaya

E parece que vai ter de chegar aos pênaltis. O governo golpista de Roberto Micheletti resolveu não ceder nem mesmo diante do acordo que fez com o governo norte-americano. Para este, fica a escolha entre ter encenado um acordo para também ganhar tempo e favorecer os golpistas, ou não ter forças para enfrentar uma situação política que vai embaraçar – embaçar – toda sua relação com a América Latina e prejudicar sua posição perante sua oposição interna.

Dia 29 deverão se realizar as eleições gerais em Honduras. Quase toda a América Latina, do México à Argentina e ao Chile, está comprometida com o não reconhecimento dessas eleições promovidas sob a égide do golpe. O presidente (deposto, suspenso) Manuel Zelaya chamou o boicote às urnas. O candidato de esquerda Carlos Reyes retirou sua candidatura; outros cinco candidatos continuam inscritos, entre eles os favoritos Porfírio Lobo Sosa, do Partido Nacional, e Elvin Santos, do Partido Liberal.

A situação internacional tornou-se mais complicada. Para a presidência do Conselho da União Européia elegeu-se no dia 19 de novembro o primeiro ministro belga, do Partido Democrata Cristão, Herman Van Rompuy. Ele assume no dia 1o. de janeiro de 2010, mas desde já isso significa uma inclinação mais para a direita. Se nenhum país reconheceu o governo de Micheletti, é possível que alguns venham a fazê-lo depois da eleição. Um indício disso é a posição dos dois partidos que compõem o atual governo alemão. O governo de Berlim, seguindo os demais da União Européia, não reconheceu o governo golpista. Mas em compensação, informações na imprensa local dizem que a União Democrata Cristã, partido da chanceler Ângela Merkel, apoiaria o Partido Nacional, enquanto o FDP, do ministro de Relações Exteriores, Guido Westerwelle, apoiaria o Partido Liberal.

Ainda é impossível dizer o que acontecerá. Tudo vai depender ainda do comparecimento às urnas, do desempenho das Forças Armadas, da possibilidade da Frente de Resistência contra o Golpe de Estado em Honduras, de que Carlos Reyes é líder, capitalizar o boicote. Certamente tudo vai depender também da até aqui mantida unidade de 99% dos governos da OEA contra os golpistas e contra a atitude complacente dos Estados Unidos. Quanto a este governo, a impressão que dá é a de não só estar enredado em suas contradições internas e confrontos externos (com o governo de Hugo Chávez, por exemplo), como a de estar disposto a sacrificar o futuro de suas relações na região por causa de suas lealdades do passado. Ou seja, o governo de Barack Obama pode estar muito bem dando um pequeno passo para o abismo em matéria de relações diplomáticas na América Latina enquanto olha no espelho retrovisor.

Quanto à direita latino-americana, esta almeja, evidentemente, o sucesso golpista.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
John Bastos (26/11/2009 - 11:46)
Honduras eh mais uma derrota contabilizada pelo nosso gigante Celso Amorim. Quem frequenta esse blog sabe que eu cantei a bola. Mas tambem nao precisa ser nenhum genio para adivinhar que o Brasil vai sair humilhado do affair se nossa politica externa eh capitaneada pelo Celso Amorim.

francisco de paula leite (26/11/2009 - 10:14)
Os EUA com Obama ou com Busch serão sempre a arrogância e a prepotência do globo. A hora de peitar este "gigante acordado" chegará e desta vez o curso será outro! Tenho Dito!!!

Carlos. (26/11/2009 - 09:38)
Michelleti & Os Golpistas não teriam permanecido no topo das paradas por tanto tempo sem o apoio, mesmo que velado, dos EUA. Espera-se que encerrada a votação em Honduras, Obama decline do Nobel da Paz que recebeu sabe-se lá porque cargas d'água.

Christian Schulz (26/11/2009 - 08:24)
Como bem dizem o Dvorak, o Fabio e o Julio, é só dar o r* para os bebedores de cocacola e tudo bem!

Paulo (26/11/2009 - 06:59)
Uns 30 anos atrás daria pra concordar que "o importante é o que digam os EUA". Hoje a situaçäo é um pouco mais complexa do que isso.

luis (26/11/2009 - 01:06)
O que está em jogo é muito mais do que isso! A posição brasileira de liderança cada vez mais importante não só no cenário latino americano como mundial, sinalizando também uma aproximação com a França, faz com que os EUA adotem posição no sentido de tentar enfraquecer o Brasil. Daqui para frente, notaremos mais ações conflitantes entre Brasil e EUA no que diz respeito ao cenário latino americano. Os EUA veem com preocupação a ascenção brasileira no mundo. Não é esse o papel que os EUA imaginavam para o Brasil

Maria da Luz (25/11/2009 - 22:20)
Estive lendo a imprensa internacional sobre as eleições.

É dado como certo o reconhecimento das eleições por USA, Panamá e Peru.

É dado como certo o não reconhecimento por Brasil, Guatemala, Venezuela, Paraguai e Argentina.

O México passou de "não reconhecimento" para o muro (vão avaliar o desenrolar dos fatos).

Há cerca de 350 observadores internacionsis para acompanhar as eleições, além de uma dezena de representantes do congresso americano.

Parece que Micheletti venceu no cansaço, com uma ajudinha do invulgarmente suave "faz-de-conta-que-estou-bravo" americano.

Se vai para os pênaltis, Zelaya vai ter que bater vendado e de tamancos.

Acho que se não fosse pelo receio do Chávez fincar o pé ali e criar um satélite centro-americano, os yankees teriam enquadrado o Micheletti bem lá atrás, quando ocorreu o golpe.

Parece que agora já era.

Júlio César Taques (25/11/2009 - 21:16)
Concordo com o Fábio.

O que importa para Honduras é reconhecimento dos EUA.

A posição da américa latina nesta pendenga é absolutamente irrelevante.


sergio (25/11/2009 - 15:29)
Tem gente que se contenta com a posição em circunflexo, desde que quem esteja atrás seja um americano.
Quanta falta de dignidade ... são uns baba-ovo.

Dvorak (25/11/2009 - 14:14)
"Dia 29 deverão se realizar as eleições gerais em Honduras. Quase toda a América Latina, do México à Argentina e ao Chile, está comprometida com o não reconhecimento dessas eleições promovidas sob a égide do golpe."


Se os EUA reconhecerem, fim de papo.A partir daí o governo brasileiro terá que decidir o que fazer com o "Ratinho de Tegucigalpa".Mais uma batata quente para a diplomacia brasileira, batata essa criada pelo próprio governo.Seria cômico, não fosse trágico!

Fabio (25/11/2009 - 14:03)
O importante para Honduras é que os EUA reconheçam a eleição. O resto que se dane.

junior-mku-go (25/11/2009 - 13:30)
Azenha, tem como vc verificar o que esta acontendo na Filipinas.

Fernandes Rollim (25/11/2009 - 11:26)
A situação de Honduras desmascara a persistente estratégia de intervenção dos EUA em todo o mundo, através de "elites capatazes" e entreguistas.
Esse filme passa no Brasil há tanto tempo que nem nos damos conta do grau dessa intervenção antidemocrática e antinacional.
A história do Irã, retratada na edição desta semana de Carta Capital, é outro exemplo muito claro. Enquanto a ditadura do Xá Reza Pahlavi favoreceu interesses britânicos e yankees, estava tudo bem para eles.
A diferença fundamental é que hoje se enfraqueceu e esburacou o monopólio imperial da mídia planetária. Através das frestas, podemos ver e ouvir a verdadeira história, antes escondida ou manipulada.
O rei está nu.

------------------------- (25/11/2009 - 11:01)
A farsa eleitoral tem todo o apoio dos grandes impresas de comunicação do PAÍS.

Klaus (25/11/2009 - 10:44)
O interesse pelo o que aconteceu na Nicaragua foi zero por aqui. Estranho.



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