VIOMUNDO

Flavio Aguiar: Agora eu não sou mais Charlie Hebdo. Agora, me chamo Aylan

15 de janeiro de 2016 às 20h31

Não sou mais charlie Flavio Aguiar

 

Agora eu não sou mais Charlie Hebdo

Eu agora me chamo Aylan, me chamo refugiado, me chamo muçulmano: a ‘piadinha’ xenófoba que fizeram com o menino morto na praia foi uma covardia.

Flavio Aguiar, em Carta Maior

Agora eu não sou mais Charlie Hebdo. Eu sou um refugiado sírio, eu sou um muçulmano perseguido, eu sou um norte-africano afogado no Mediterrâneo, um judeu em Auschwitz, um africano escravizado, um índio desaparecido em nome da Conquista europeia, uma criança vietnamita bombardeada com napalm nos anos 60 ou setenta, etc… Um menino morto na praia onde ele deveria brincar.

Mas Charlie Hebdo eu não sou mais.

Quando houve o atentado contra a redação do Charlie Hebdo, perpetrado por uma quadrilha de fanáticos que agiam em nome de uma visão completamente destorcida do Islã, eu e minha esposa saímos aqui nas ruas de Berlim, portando na lapela, com luto e orgulho, a divisa, “Ich bin Charlie Hebdo”, “Eu sou Charlie Hebdo”.

A loja vizinha, de amáveis quinquilharias, de propriedade de um sírio, pusera na porta, em destaque, uma bandeira francesa. Não sou amigo de bandeiradas nacionalistas, mas aquilo era muito diferente, muito mais do que isto, era uma homenagem ao luto diante da estupidez do ato perpetrado, que incluía um ataque covarde a um supermercado de produtos judaicos.

Mas Charlie Hebdo eu não sou mais.

Tenho visto e já escrevi sobre a paranoia histérica que vem tomando conta da Europa depois desta série de atrocidades – não vamos brincar com isto – cometidas, tomando o nome de Alá em vão.

Se os terroristas perpetradores destes crimes lesa-humanidade pensam que serão recebidos no Paraíso, espero que se dêem conta do que na realidade fizeram ao arderem no mármore do inferno pela eternidade.

Mas Charlie Hebdo eu não sou mais.

A histeria paranoica piorou muito desde o “arrastão sexual” perpetrado por um milhar de energúmenos embriagados no Hauptbahnhof de Colônia, na Alemanha, atacando covardemente mulheres indefesas com todo o tipo de ofensa, que foram do roubo de celulares ao estupro.

Agiam em nome de Alá? Foram descritos como “de aparência árabe ou norte-africana”. Não duvido. Mas a raiz deste comportamento não é islâmica, não é o Corão.

A raiz é o descaso com que a juventude é tratada nas nossas metrópoles ocidentais. Isto justifica a barbárie que cometeram? De jeito nenhum.

Existem milhões de jovens que são tratados com o mesmo descaso e que reagem de modo inteiramente diferente, construindo vidas próprias distantes destes ensurdecimentos ou fanatismos, entregando-se a militâncias generosas em nome da tolerância, da igualdade, da fraternidade, humanidade, da solidariedade, é bom não esquecer este conjunto de palavras, ou simplesmente em busca de uma vida decente e digna.

Mas Charlie Hebdo eu não sou mais.

O cruel massacre dos jornalistas do Charlie Hebdo deixou cicatrizes. Mas a gente sabe que uma cicatriz pode ser tanto a lembrança da superação de uma ferida, como também a permanência da Marca da Maldade, assim com maiúscula, como no imortal filme de Orson Welles.

Agora a equipe do Charlie Hebdo cedeu diante da Marca da Maldade. Covardemente, atacaram uma criança. Mais covardemente, atacaram uma criança morta.

Quem não se lembra das fotos do Pequeno Aylan, de bruços, tendo como leito de morte uma praia onde ele deveria brincar? E aí o desenhista do CH, embriagado por um sentimento aparente de ironia, mas na verdade de profunda xenofobia, faz uma “piadinha”, perguntando, o que seria dele, se tivesse sobrevivido. E completa com a pseudocharge, onde o adulto resultante tem, inclusive, um nariz de porco na imagem, que ele teria se transformado num “beliscador de bundas na Alemanha”.

Decididamente, não sou mais Charlie Hebdo.

Isto faz o serviço para as Marine Le Pen, as Front Nationale, as Pegidas alemãs, os neonazis de todo lado, os fascistas da Ucrânia, os reacionários da Polônia, os governantes idiotas que dizem estupidamente que seus países só receberão “refugiados cristãos” (dá vontade de perguntar: quer dizer que os judeus também não têm vez?), os antissemitas da Hungria, os canalhas no mundo inteiro que se valem das histerias estimuladas pelo sensacionalismo curto e grosso de mídias semeadores da idiotice.

Charlie Hebdo, adeus. Adeus, Charlie Hebdo.

Como já disse, eu agora me chamo Aylan, me chamo refugiado, me chamo muçulmano, me chamo tudo, menos esta profanação da memória de um inocente.

Liberdade de expressão é uma coisa. Desfaçatez, desrespeito, grossura, idiotice, covardia, canalhice para vender mais um exemplar a mais, é outra. Isto se chama jornalismo selvagem. Aliás, capitalismo selvagem.

Adeus, Charlie Hebdo. CH, adeus. O resto é silêncio.

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rita

16/01/2016 - 23h31

a charge é lamentável, boba, para dizer o mínimo. se queriam fazer humor com a crise de refugiados na Europa, ou o escândalo que a mídia faz , podiam ter escolhido outro caminho. não se justifica desrespeitar a memoria de alguém e de sua família. luto!

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Adrian

16/01/2016 - 18h58

Os franceses só vão acordar qdo mais gente morrer por causa desse jornal estúpido e preconceituoso.
Eu nunca fui a favor dos insultos desse jornal. Só poderia dar no que deu. Morte !
Humor que ridiculariza o irmão não é humor e gozacao.
Isso não é liberdade de expressão. Isso é preconceito, xenofobia, racismo etc.
Esses jornalistas franceses do Charlie habdo são ultranacionalistas, e escrevem esse jornal para pessoas iguais a eles. Não estão muito longe do nazismo não. É nisso que vai dar todo esse preconceito. Esperem e verão o ressurgimento de uma franca e Europa extromonacionalista.

Responder

Marcio Ramos

16/01/2016 - 11h04

Nunca fui e nem serei Hebdo. Um folhetim racista, preconceituoso, oportunista e desumano. Liberdade também se aprende, mas é preciso boa vontade, o que Hebdo não tem e por isso é escravo de sua ignorância..

Responder

Marcio Ramos

16/01/2016 - 11h04

Nunca fui e nem serei Hebdo. Um folhetim racista, preconceituoso, oportunista e desumano. Liberdade também se aprende, mas é preciso boa vontade, o que Hebdo não tem e por isso é escravo de sua maldade.

Responder

    Leo V

    16/01/2016 - 16h51

    Avisa isso para os franceses. Você não acha arrogante de sua parte afirmar isso sobre um jornal que tem mais de 40 anos, parte da extrema-esquerda francesa, e que é procurado até por ONGs antirracistas para realizarem campanhs conjuntas? Procure se informar mais, e contextualizar as coisas. Se não qualquer dia passando pelo Xingu vc vai achar que os índios praticam atentando violento ao pudor passando pelados na frente das crianças.

    Sugestão de leitura:

    Entendendo as charges do Charlie Hebdo

    http://www.passapalavra.info/2015/10/106313

    Perdida na tradução: Charlie Hebdo, liberdade de expressão e a esquerda monolíngue

    http://www.passapalavra.info/2015/01/101964

    que tinham o objetivo de se reunir com suas famílias. Após o massacre, a organização ofereceu o seu apoio ao jornal e denunciou o ataque como uma agressão à liberdade de expressão.”

Jair de Souza

16/01/2016 - 09h38

É bom constatar que o Flávio Aguiar está abandonando o eurocentrismo que o caracterizava até pouco tempo atrás em seus artigos para Carta Maior. Já estava bastante claro para quem quisesse entender que este tal Charlie Hebdo vinha atuando há muito tempo como mero propagador de preconceitos racistas eurocêntricos. No momento em que sofreram os atentados cometidos por bandidos islamistas, o que corresponderia aos humanistas de bom senso era condenar veementemente as atrocidades dos fanáticos islamistas, assim como também apontar as responsabildades dos editores da infame publicação Charles Hebdo por sua atuação que ajudava a aumentar os preconceitos contra povos de outras culturas e fomentar ódios que, inevitavelmente, gerariam mais intolerância, mais racismo, mais eurocentrismo e, consequentemente, mais violência e mais mortes. Espero que agora, Flávio Aguiar comece a repensar sobre a desgraça que significou para o povo líbio os ataques da principal organização terrorista do planeta (OTAN) que, em aliança com A Qaeda, destruiram o estado que oferecia a seus habitantes o mais alto padrão de vida de todo o continente africano. O assassinato atroz do líder líbio, Muamar Gadafi, foi um crime abominável que deveria ter chocado os sentimentos de qualquer pessoa de boa índole. No entanto, o artigo de Flávio Aguiar sobre isto parecia mais uma expressão de júbilo ao acontecido do que uma análise serena sobre o bárbaro crime executado. Condenar de igual forma, como sanguinários, megalomaníacos e coisas pelo estilo, aos líderes das principais potências da Europa capitalista e dos EUA (os maiores responsáveis por quase todas as tragédias que afligem a humanidade nos últimos séculos), isto não. Ou seja, lideranças de países europeus, ou europeístas (EUA, Austrália, Nova Zelândia) não podem nunca ser colocados no mesmo nível de baixeza que liderenças de países de povos periféricos. Espero mesmo que Flávio Aguiar avance nesta reflexão.

Responder

    Nelson

    16/01/2016 - 13h36

    Meu caro Jair.

    Muito bom você ter retomado o caso do ataque dos países ditos modernos, civilizados e democráticos à Líbia e a seu povo. Um dos grandes crimes deste século que, uma vez que foi cometido pelos países “de bem”, foi divulgado, exaustivamente, como ajuda para que o povo líbio pudesse se livrar de um ditador. Na verdade, o que ocorreu foi um grande atentado terrorista.

    Em suas viagens à Líbia, a ex-deputada estadunidense, Cynthia Mckinney, fez algumas observações que relatou ao jornalista Ron Ridenour. Neste relato, a ex-deputada expôs algumas das razões reais para o ataque ao país:

    “Mckinney disse que se informou de como depois de que Kadafi havia dirigido um movimento para derrubar a monarquia repressora, começou a repartir a riqueza resultante da produção do petróleo. Os bancos privados foram fechados e foi criado um Banco Central do Estado para que pudesse financiar projetos úteis sem cobrança de juros. Um dos projetos foi o financiamento do primeiro satélite de comunicação da África. Desde sua inauguração, no final de 2007, as 45 nações africanas vêm poupando um total de 500 milhões de dólares anuais que antes eram embolsados pelas companhias européias. Os telefones e outras comunicações são agora muito mais baratos em toda a África.”

    A matéria do jornalista Ron Ridenour pode ser lida em http://www.rebelion.org/noticia.php?id=134850.

    Nelson

    16/01/2016 - 14h07

    Fosse verdadeiro que a Líbia foi atacada porque Kadafi era um ditador a massacrar seu povo, os EUA e seus asseclas da Europa teriam bombardeando também vários outros países; Arábia Saudita, Iemen, Bahrein, por exemplo.

    Mas, nunca foi este o problema.

    O problema é que Kadafi, apesar de ceder – em prejuízo de seu povo – ao receituário do duo FMI/Banco Mundial, manteve ainda uma boa dose de autonomia em relação aos ditames dos países ricos.

    Imperdoável, pois a postura de Kadafi impedia que o grande capital realizasse lucros ainda maiores às custas do povo líbio. Então, ele tinha que cair.

    Como imperdoável é também a postura do governo iraniano, do governo venezuelano, do governo boliviano, do governo cubano, por tentarem manter também alguma autonomia – a autonomia é um direito inalienável que assiste a qualquer povo, é preciso dizer.

    Contra esses governos, então, é posta a trabalhar, para difamá-los, a máquina midiática de propaganda azeitada pelo dinheiro do grande capital europeu/estadunidense.

    A autonomia impede a acumulação de lucros maiores ao mesmo tempo em que pode servir de mau exemplo a outros governos, incentivando-os a seguirem caminho idêntico.

    Por isso, os governos autônomos demais devem ser fustigados, perseguidos, até que desistam do caminho escolhido, pelo bem ou pelo mal. Os governos dos EUA/Europa não terão pudor algum se, para evitar tal autonomia, tiverem que submeter os povos envolvidos aos maiores sacrifícios, até mesmo ao terrorismo e ao assassinato de milhares ou mesmo milhões.

    Leo V

    16/01/2016 - 18h13

    É bastante curioso alguém reclamar de eurocentrismo sem enxergar o seu brasilcentrismo.

    Se você quer que os outros saibam ver pelo ponto de vista de onde vc está situado deveria saber também enxergar pelo ponto de vista de outra cultura: no caso outra cultura de humor, outro contexto.

    Esse seu comentário exala ignorância e desconhecimento em cada linha, além de preguiça de pesquisar só um pouquinho. A menos que sua intenção seja realmente caçar bruxas, creio que vc deveria ler esses dois artigos traduzidos ao português que linko abaixo. Talvez amenize seu brasilcentrismo.

    Entendendo as charges do Charlie Hebdo

    http://www.passapalavra.info/2015/10/106313

    Perdida na tradução: Charlie Hebdo, liberdade de expressão e a esquerda monolíngue

    http://www.passapalavra.info/2015/01/101964

    Só gente ignorante que não se preocupa em conhecer antes de acusar e condenar para afirmar que um jornal da extrema-esquerda que sempre se caracterizou por ser antirracista e antixenófobo e cujo principal alvo são os xenófobos e racistas da Frente Nacional, é ele próprio racista e xenófobo. Vai ver a principal ONG antirracista é que tem que consultar tua sabedoria para não fazer mais campanhas antirracistas conjuntas com o Charlie Hebdo,

    Leo V

    16/01/2016 - 18h30

    Os ingleses (e americanos), estão entre aqueles que, assim como os brasileiros, tem dificuldade de compreneder o humor satírico francês. Eu disse: os INGLESES (só como exemplo).

    Até onde sei os ingleses são europeus, e eles costumam fazer as mesmas críticas (infundadas) ao Charlie que você “antieurocênctrico” faz.

    Pois bem, está claro que a questão não é eurocentrismo ou não-eurocentrismo, mas sim de estupidez de não se dar o trabalho de contextualizar e entender uma outra cultura e linguagem de humor. Na própria Europa existem diferentes culturas e linguagens de humor.

    Se discurso terceiro-mundista no final encobre apenas preguiça intelectual e ignorância.

    Jair de Souza

    17/01/2016 - 12h12

    Aviso aos lambe-botas das potências imperialistas europeias e norte-americanas: passar no caixa para receber sua recompensa. Mas não esperem muito. Lambe-botas não merecem mais que migalhas.

    Leo V

    17/01/2016 - 14h30

    Jair de Souza,

    Se vc nao sabe a diferença de um Estado Imperialista e de socialistas que lutam no interior deles pelos interesses dos proletários de todo mundo, me desculpa, mas vc precisa de um analista.
    Desse modo me parece que o xenófobo é você, que diz quem é quem pela nacionalidade, e qualifica irracionalmente um indivíduo que nasceu na Europa como sendo uma “Potência Imperialista”.

Nelson

15/01/2016 - 23h18

Vejamos o que nos informa o cientista política francês, Thierry Meyssan, em ¿Quién organizó los atentados de enero y noviembre de 2015 en París?:

“Nuevas informaciones, publicadas por el diario croata Slobodna Dalmacija establecen la existencia de una responsabilidad del Estado francés en los atentados perpetrados en París, en enero y noviembre de 2015. Hay dos posibilidades: o las autoridades francesas habían logrado infiltrarse previamente en los grupos que cometieron los atentados en enero y noviembre, sin intervenir después para impedir que pasaran a la acción, o están directamente implicadas en la organización de esos actos de violencia. En todo caso, queda por determinar quién tomó las decisiones y si actuaba o no en nombre de la República Francesa.”

A íntegra do artigo pode ser lido em http://www.voltairenet.org/article189910.html.

Responder

José de Pindorama

15/01/2016 - 23h15

Caros Comentaristas, boa noite!
Sendo sintético; para o bem da França e dos Franceses : – Democraticamente, que se feche esse folhetim!
Quando se critica, com respeito, abordando pontos não convergentes, produzindo até tiras de humor que unem inteligência, sutileza, e leveza (matérias primas para o verdadeiro humor; tão longe dos dias de hoje), apontando-se caminhos sempre abertos ao diálogo; enfim respeitando o contraditório; aplausos. Quando se parte para a provocação extremada e sistemática, sensacionalista, e humor de muito mau gosto que visa o ódio, preconceito, e o sectarismo; àqueles que são verdadeiramente franceses devem se indignar e através das autoridades, por um fim nesse ‘folhetim marrom'; que a meu ver é impulsionado pela onda fascista que assola nosso infeliz planeta .

Responder

Leo V

15/01/2016 - 22h16

Explicando a charge para os caçadores de bruxas:

Sátira do discurso xenófobo que se propaga na Europa de que os imigrantes se tornarão bandidos.
Levando esse discurso xenófobo ao absurdo, ao determinar que aquela criança iria ser uma abusador no futuro.

Mas claro, para a esquerda hoje em dia a história não importa, a história de um jornal de esquerda não importa, o total desconhecimento da cultura em que ele está inserido também não. Importa é cada um condenar o outro para posar de alma boa e pura.

Responder

    Francisco niteroi

    16/01/2016 - 07h29

    Léo

    A sua interpretação pode ser correta, admito, mas VC há de convir que a interpretação mais aceita e expressa no post TB pode ser correta.

    Então, devemos chegar à seguinte conclusão: em charge em que há a necessidade de NOTA EXPLICATIVA, faltou, NO MÍNIMO, talento.

    Leo V

    16/01/2016 - 16h09

    Discordo Francisco.

    A charge não precisa de nota explicativa na França, e para o público que lê o Charlie.

    Ela precisa de nota explicativa para os caçadores de bruxas fora da França, apenas.

    Um ano atrás, quando a esquerda-caçadora de bruxas destacava charges supostamente racistas, homofóbicas etc tec. do Charlie, o que se via nas redes sociais eram os franceses explicando a amigos estrangeiros as charges.

    Essa incapacidade de contextualizar cultura e política é um atestado de óbito da esquerda. É para essa esquerda que as charges precisam ser explicadas.

    francisco niteroi

    17/01/2016 - 10h30

    discordo mais uma vez de que a charge é compreendida na frança.

    pode ser em determinados nichos.

    conheço muitos franceses, ate mesmo por periodos que passei lá.

    e vi repudios por parte deles a certas charges.

    entao na verdade certas charges sao feitas pra grupos especificos do espectro politico e cultural.

    ou seja, necessita de NOTA EXPLICATIVA e aí, meu caro, como já disse, em charge assim falta no minimo TALENTO. Sem falar no BOM SENSO.

    Leo V

    17/01/2016 - 14h49

    Francisco,
    Não sei especificamente essa última charge que se tornou polêmica, mas as outras que foram “descobertas” mundo afora quando do atentado um ano atrás, eu só vi franceses explicando a eus amigos estrangeiros. Não soube de nenhum que aventasse algum racismo ou algo do tipo em charges do Charlie, que é reconhecido por toda a esquerda e antirracistas na França.
    Evidentemente pela quantidade enorme de charges que o jornal publica nesses anos todos, existem as de melhor e pior qualidade (o que é uma avaliação subjetiva). Mas afirmar que os cartunistas possuem falta de talento não faz muito sentido uma vez que, por exemplo, os cartunistas assassinados eram reconhecidos em todo mundo, tendo influenciado diretamente um mundo de cartunistas inclusive no Brasil. A explicação mais forte, a meu ver, recai sobre a incompreensão da linguagem satírica francesa associada ao desconhecimento do contexto das charges.

Leo V

15/01/2016 - 22h11

A ignorância na esquerda está de chorar.

Se forem ao Xingu vão dizer que um índio praticou atentado violento ao pudor por andar pelado na frente das crianças.

Contextualização histórica, política e cultural não existe mais na esquerda. Querem só caçar bruxas.

Faço uma sugestão/desafio aos leitores e ao Viomundo: procurem a repercussão dessa charge nas redes sociais francesas e na imprensa francesa. Por que será que dentro da França praticamente não há repercussão? Nunca pararam pra pensar? Por que será que a repercussão na imprensa francesa, como no Le Figaro é sobre a repercussão na imprensa estrangeira, por não entenderem a charge?

Por que será que a principal ONG antirracista na França já fez no passado (como em 2007) pareceria com o Charlie Hebdo? Será ela tola, ou serão pessoas como Flavio Aguiar e incontáveis esquerdistas ignorantes e soberbos ao redor do mundo, procurando alguém a quem apontar o dedo, desconhecedores da história do Charlie, da cultura de humor francesa e do debate de momento na França?

Deixo algumas indicações importantes de leitura em português, para quem não tem preguiça e nem desejo de caçar bruxas maior do que a razão.

Entendendo as charges do Charlie Hebdo

http://www.passapalavra.info/2015/10/106313

“A característica do humor no Charlie Hebdo é muito particular e, talvez, exclusiva à França. É absurdista (na tradição da Rubrique-à-Brac) e, em termos de publicações anglo-saxãs, um tipo de humor comparável ao das revistas MAD e Viz. Também é extremamente satírico, comparável a The Onion e The Colbert Report. Dizer que o Charlie Hebdo é homofóbico é tão absurdo quanto dizer que Stephen Colbert é de direita ou que Ali-G é racista. O humor do Charlie Hebdo é muitas vezes grosseiro e mostra uma total falta de respeito com muitas instituições, à la South Park. Mais explicações como essas são oferecidas nesse artigo da The New Yorker e nesse artigo do Mediapart.”

Perdida na tradução: Charlie Hebdo, liberdade de expressão e a esquerda monolíngue

http://www.passapalavra.info/2015/01/101964

“A SOS Racismo, principal ONG antirracista no país, fez no passado uma parceria com o Charlie em campanhas contra a política anti-imigrantes, como a campanha conjunta em 2007 contra os testes de DNA para os migrantes que tinham o objetivo de se reunir com suas famílias. Após o massacre, a organização ofereceu o seu apoio ao jornal e denunciou o ataque como uma agressão à liberdade de expressão.”

Responder

Mauricio Gomes

15/01/2016 - 20h40

Eu nunca fui e nem nunca serei CH. A propósito, por qual motivo esses idiotas não fazem uma charge engraçadinha mostrando os horrores da guerra na Síria patrocinada inclusive pela França? Ou então não fazem charges criticando a devastação causada em vários países da África por guerras civis patrocinadas pelos franceses? Aí depois tem um atentado em Paris (absurdo e injustificável) e esperam que o mundo inteiro seja solidário a eles. Vão tomar no brioche!

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