
Atualizado em 22 de julho de 2009 às 23:21 | Publicado em 22 de julho de 2009 às 23:14
22/07/2009
Washington: “Não teve Golpe de Estado em Honduras”, mas espero que o “episódio” sirva de “lição” para Zelaya e outros que seguem o padrão venezuelano
por Eva Golinger, em Rebelion
Revisado por Caty R.
Tradução: Daniel Alvarez
Finalmente depois de três semanas de uma fala ambígua por parte de Washington sobre o golpe de Estado em Honduras,a diplomacia americana não considera como golpe o que aconteceu em Honduras. Assim foi confirmado ontem pelo porta-voz do Departamento de Estado, Phillip Crowley, em uma roda de imprensa em Washington. Um jornalista lhe perguntou se o governo americano qualificou que os eventos de Honduras como um golpe de Estado” e o porta-voz do Departamento de Estado respondeu com um firme “Não.”
Ao longo destas semanas, desde que aconteceu o desastroso golpe de Estado o último 28 de junho, o Departamento de Estado se recusou a responder claramente sobre os fatos. Desde o primeiro dia, a secretária de Estado, Hillary Clinton, não reconheceu os fatos como um “golpe” e nem exigiu claramente a restituição do presidente Zelaya ao poder. Adicionalmente, em todas suas declarações, ela se referiu sempre “as duas partes” do conflito, legitimando desse modo os golpistas e responsabilizando abertamente o presidente Zelaya.
Desde então, apesar de referências diversas ao “golpe” de Honduras, o Departamento de Estado recusou-se a qualificar como golpe de Estado, o que o forçaria a suspender todos os tipos de apoio econômico, diplomático e militar ao país. No dia 1 de julho, os porta-vozes do Departamento de Estado explicaram deste modo: “Em referência ao próprio golpe, a melhor coisa seria dizer que foi um esforço coordenado entre os militares e alguns setores civis.”
Inicialmente, os porta-vozes do Departamento de Estado disseram que os seus advogados estavam “analisando” os fatos para verificar se realmente houve um golpe em Honduras. Mas depois da reunião entre Hillary Clinton e o presidente Manuel Zelaya, no dia 7 de julho, a diplomacia americana se recusou a opinar sobre o assunto para não “influenciar” o processo de “negociação” posto em andamento por Washington.
Porém, na segunda-feira, 20 de julho, ficou tudo claro. Eles admitiram perante ao mundo que Washington não considerava o que tinha acontecido em Honduras como um golpe de Estado. Se assumir esta postura, o governo dos Estados Unidos se unirá sozinho ao regime golpista de Honduras e seus aliados -- a maioria velhos golpistas ou agentes da inteligência americana. A União Européia, as Nações Unidas, a Organização dos Estados Americanos e todos os países de América Latina classificaram o que aconteceu em Honduras como golpe de Estado. Portanto, se insistir na tese de que não houve golpe, legitimando a remoção do presidente Zelaya do poder, a administração de Obama só terá ao seu lado os golpistas.
Que sirva de lição para Zelaya e o outros
Durante a mesma roda de imprensa no Departamento de Estado o dia 20 de julho, o porta-voz Phillip Crowley ainda disse algo mais revelador sobre a posição de Washington frente aos eventos de Honduras. Quando lhe perguntado sobre uma suposta ruptura entre o governo venezuelano e o presidente Zelaya devido à negociação na Costa Rica, Crowley disse o seguinte: “Se nós tivéssemos que escolher um governo e um líder modelo para serem seguidos na região , a liderança atual de Venezuela não seria aquele padrão. Se essa é a lição que aprendeu o Presidente Zelaya deste episódio, bom, seria uma boa lição.”
Essa declaração de Washington confirma que o golpe em Honduras é um esforço para atentar contra a ALBA e o bolivarianismo que cresce e se expande pela região inteira. Também indica que o golpe contra Zelaya é uma mensagem a outros governantes de América Latina que estão estreitando suas relações com a Venezuela. É como lhes dizer: “se ficarem mais pertos da Venezuela, poderão ser derrubados por um golpe ou outra agressão” , que seria respaldada por Washington e justificada como uma medida para livrar a região da “ameaça chavista.”
Um jornalista insistiu no assunto com o porta-voz do Departamento de Estado: “Quando diz que o governo venezuelano não deveria ser o exemplo de governo para outros líderes…” E Phillip Crowley respondeu cinicamente, “eu acredito que disse as coisas com clareza…”
Devido às implicações destas declarações, insistiu o jornalista, “pode repetir isto? (ri) é como justificr o golpe de Estado, porque está dizendo que se algum governo tentar seguir o padrão socialista do governo da Venezuela, seria justo derrubar esse governo. "Pode explicar a sua declaração sobre a Venezuela?”
Crowley respondeu à pergunta do jornalista com um silêncio de cumplicidade. E então tirou proveito do momento para atacar a Venezuela.“Nós temos preocupações com o governo do presidente Chávez, não só pelo o que fez no próprio próprio país, perseguindo a imprensa, por exemplo, mas também pelos passos que deu para limitar a participação e o debate dentro do próprio país. Nós também estamos preocupados pelos passos que deu com alguns dos seus vizinhos… e a intervenção que nós temos visto por parte da Venezuela com respeito às relações com outros países, Honduras por um lado e a Colômbia por outro. E quando nós tivermos diferenças com o presidente Chávez, nós sempre dissemos isto de um modo muito claro.”
Sem dúvida, estas últimas declarações de Washington confirmam o apoio ao golpe de Estado de Honduras e a motivação por trás dos eventos. A lição que está dando Washington com este golpe é uma declaração de guerra contra a ALBA , especialmente contra a Venezuela.
Os ataques se intensificam tanto contra a Venezuela como contra o Equador e Bolívia. Com o acordo entre o presidente Obama e o presidente Uribe, da Colômbia, de aumentar, de modo volumoso, a presença militar americana na América Latina, a nova administração de Washington reafirma que a batalha entre a paz e a guerra continua, e a briga pela liberação dos povos latinoamericanos da enorme mão imperial apenas começou.
O artigo original está aqui: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=88980
É hilariante como agora querem que os EUA se metam nos assuntos das Honduras...afinal em que é que ficamos?! "Yankee go home" or "Yankee save Zelaya"
Essa Golinger, como todos os comunas, é paranoica e adora fazer telenovelas imbecis sempre com o "papão" norte-americano como protagonista.