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EM DEFESA DE GREENHALGH

Atualizado em 22 de julho de 2008 às 17:39 | Publicado em 22 de julho de 2008 às 17:32

Petista atuou nos bastidores do governo

Raymundo Costa, no Valor Econômico
16/07/2008


O advogado Luiz Eduardo Greenhalgh atuou nos bastidores do governo para selar o acordo entre o banqueiro Daniel Dantas, o Citibank, os fundos de pensão e - já no final - a Oi, na fusão que terminou com a criação de uma supertele. Havia grande desconfiança no Palácio do Planalto e nos fundos de pensão em relação às reais intenções de Dantas, removidas por Greenhalgh ao longo de cerca um ano de trabalho, o tempo que durou sua relação profissional com o dono do Opportunity.

 

Esse período foi monitorado pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, e levou o delegado Protógenes Queiroz a dizer que Greenhalgh era a pessoa encarregada dos ilícitos, dentro do Palácio do Planalto, de uma suposta quadrilha, chefiada por Dantas para a prática de crimes financeiros. Como prova, apresentou trechos de um diálogo mantido entre LEG, como o advogado é conhecido entre amigos, e o chefe de gabinete da presidência da República, Gilberto Carvalho. A prisão, pedida pela PF, foi recusada pela Justiça.

 

Greenhalgh evita conversar sobre a Operação Satiagraha, mas lamenta ter envolvido Gilberto Carvalho, um amigo de mais de 30 anos, ao procurá-lo atrás de informações de uma suposta operação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contra um dos homens de Dantas. Segundo apurou o Valor, o advogado lamenta o constrangimento que causou a Carvalho e ao governo Luiz Inácio Lula da Silva, mas está certo de não ter cometido ilegalidades enquanto trabalhou para o banqueiro.

 

Advogado de Lula e da CUT, indicado pelo PT para acompanhar o caso do assassínio do prefeito Celso Daniel, às vésperas das eleições de 2002, Greenhalgh era a pessoa menos indicada para manter uma associação profissional com Dantas, banqueiro combatido pelo PT desde que o partido estava na oposição.

 

Os dois nem sequer se conheciam. Um dos candidatos a deputado mais votado em 2002, Greenhalgh não se reelegeu em 2006, o que atribuiu aos escândalos que atingiram o PT no governo, como o do mensalão e o dos aloprados. Por algum tempo foi cotado para assumir algum cargo no governo, mas acabou voltando à profissão que lhe projetou como um defensor dos direitos humanos (além dos presos políticos no regime militar, era advogado do MST).

 

Em março de 2007 ele encontrou um amigo que colaborara com sua campanha a presidente da Câmara, em 2005, o publicitário Guilherme Sodré, cuja agência tem escritórios em Salvador, São Paulo e Brasília. Foi o publicitário quem sondou Greenhalgh a pedido de Dantas. O encontro entre o banqueiro e o advogado se deu na semana seguinte, no Rio.

 

Sempre em movimento, dando voltas em torno da mesa, Dantas disse que estava havia cinco anos no negócio, e já ocupava o centro da maior disputa societária do capitalismo brasileiro, o que ocupava 88% de seu tempo. Ele queria sair do negócio, vender as ações da Telemar, Telemig e da Brasil Telecom, mas não era levado a sério.

 

Greenhalgh ainda ponderou que ele dispunha de uma boa equipe de direito, mas Dantas insistiu e, segundo um dos participantes da reunião - que incluiu outros diretores do Opportunity - contou ao Valor, disse que precisava de um advogado que tivesse "compreensão política" de todo o processo. A afirmação não causou estranheza entre os presentes, que o consideram "gênio das finança, mas desastre da política".

 

A intenção de Dantas era vender seu lote de ações, mas continuar a guerra societária na Justiça. Nesta mesma reunião, Greenhalgh fez seu primeiro aconselhamento ao banqueiro: se ele queria um acordo e ser levado a sério, deveria propor que todas as partes retirassem as mais de 70 ações que moviam uma contra as outras. O banqueiro pareceu contrariado, mas concordou. O advogado começou a levantar os processos, junto com os outros defensores de Dantas, e analisar cada um deles.

 

Um trabalho que levou cerca de seis meses. Mas logo após a conversa no Rio, Greenhalgh teve um encontro com a ministra Dilma Rousseff. Ele havia deixado a Câmara e pedira uma conversa com a ministra. Tão logo entrou em seu gabinete, perguntou sobre a candidatura presidencial da ministra, que desconversou. Ela perguntou o que ele estava fazendo. Voltara a advogar, respondeu LEG, mas mudara a "base social" de clientela. Diante da curiosidade da ministra, contou que estava advogando para Daniel Dantas.

 

A ministra torceu o nariz. "Ele é encrenca", disse. Greenhalgh contou então que Dantas estava disposto a sair do ramo das telecomunicações. A ministra demonstrou descrença, mas ressalvou que, se essa fosse mesmo a disposição do banqueiro, isso facilitaria a criação da supertele, a Brt-Oi. Segundo um outro ministro contou ao Valor, o governo de fato torcia pela terceira gigante no setor das telecomunicações, que corria o risco de acabar num duopólio. "Era uma fusão do interesse da população", disse esse ministro.

 

Dilma recomendou que Greenhalgh fosse falar com Sérgio Rosa, presidente do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, a Previ, sócia da Dantas. Foi recebido com um descrédito ainda maior sobre as intenções de Daniel Dantas, que em outras ocasiões teria proposto acordos sobre os quais depois voltava atrás. "Canalha" foi uma das expressões mais suaves que ecoaram na sala da presidência da Previ. Mas Rosa, convencido por Greenhalgh, resolveu ir adiante.

 

Quando fazia quase seis meses que Greenhalgh trabalhava no caso, Dantas chamou-o para uma conversa: eles ainda não haviam assinado um contrato de prestação de serviços. O banqueiro queria regularizar a situação, para que o advogado depois não fosse acusado de estar fazendo lobby no governo, segundo contou a um funcionário. Valor do contrato: R$ 50 mil ao mês.

 

Em fevereiro, Carnaval no Brasil e audiência numa corte americana para um acordo entre Dantas e o Citibank. A notícia que chegou ao Brasil fora que Dantas recusara a assinar o acordo. No encontro seguinte de Greenhalgh com Sérgio Rosa - foram mais de seis audiências formais -, o presidente da Previ recebeu o advogado com o clássico "Eu não te disse que não dá para confiar nesse canalha"? Sugeriu que LEG estava sendo ingênuo.

 

Mas LEG estava com a transcrição da audiência nos EUA. Um dos trechos era claro: o Citi concordava com o acordo, mas se recusava a retirar ações judiciais contra Dantas. O banqueiro então também disse que não retirava as suas. Mas a partir daí - já com o interesse da Oi -, as negociações foram aceleradas e o acordo enfim assinado, simultaneamente por todas as partes com a retirada das ações e o compromisso de um não mais acionar o outro na Justiça.

 

Greenhalgh ouviu falar pela primeira vez que a PF investigava Dantas antes do fechamento do acordo. Um rastreamento no Judiciário e na polícia nada revelou. Quando Humberto Braz avisou que estava sendo seguido por pessoas que se diziam da Abin, LEG tinha uma conversa com Carvalho para discutir um evento político em Jaú (SP).

 

No encontro contou que um seu cliente fora seguido por um Astra, placa KWY 8132, e que um tenente chamado Marcos, lotado na PM de Minas Gerais, se identificara a serviço da Abin. Braz e Greenhalgh temiam que pudesse se tratar de um sequestro. Carvalho conferiu e respondeu - num telefonema que foi grampeado - que não havia nada. Depois voltou a chamar. Havia gente da Abin no local, mas o alvo da operação seria um estrangeiro.

 

Num raro momento de bom humor - esperava ser criticado por defender Dantas, mas não de chefiar uma quadrilha -, Greenhalgh costuma perguntar como pode ser encarregado de ilícitos dentro do governo, se nunca conversou, mandou recomendações ou concordou com a nomeação do ministro Mangabeira Ünger - que trabalhou para Dantas nos EUA - para o ministério.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
M.A.P (28/07/2008 - 20:47)
Prezado jornalista; será que o LEG é o "cabo Anselmo" do contexto? O infiltrado?

Fernando Carvalho (26/07/2008 - 02:14)
E EU ACREDITO EM PAPAI NOEL!!!!

Henrique Campos Souza Moura (23/07/2008 - 18:14)
Na boa, se ele tivesse um resquício do que ele foi no passado nem mesmo teria começado a trabalhar para o banqueiro bandido!

Gilberto (23/07/2008 - 10:35)
Não tenho procuração pra defender o Greenhalgh, mas acho que seu passado de militância em defesa dos direitos humanos lhe dá ao menos o benefício da dúvida, nesse início de inquérito. Se estão dando todo o crédito ao juiz De Sanctis, como independente homem da lei, devem se perguntar também porque ele negou a prisão do ex-deputado. Será que houve crime de Greenhalgh e o juiz o protegeu, só a ele? Tem mais: as pessoas esquecem das razões objetivas por trás dos fatos, há uma contaminação que faz com que pensem que todo ato de governo tem, por trás, um interesse escuso. Vejam o caso da Varig. Há tempos já havia manifestações de autoridades no sentido de que a falência da empresa era a opção derradeira. Na época, inclusive, ouvi muito articulista, jornalista, defendendo a salvação da empresa. Depois, repentinamente, por causa de um único depoimento de uma ex-funcionária vista com reservas pela própria imprensa, a mídia virou toda contra o governo. O mesmo penso do caso Oi-BrT. Falam em maracutaia (PHA à frente), mas ninguém cogita que, graças às benesses de FHC, um notório bandido virou sócio do governo num negócio bilionário e estratégico, via fundos de pensão de estatais. Quer coisa mais incômoda para o governo (e para o Brasil)? é de se estranhar tanto que Lula quisesse se livrar logo de Dantas, mesmo que tivesse que pagar alguns milhões por um acordo? Se vc fosse um megaempresário e tivesse esse problema, não faria o mesmo? sei não, as análises tão muito na superfície...

Fernando (22/07/2008 - 20:14)
Da maneira como ocorrem reviravoltas nesse caso não duvido nada que o Greenhalgh se torne hoje ou amanhã o novo ícone da luta contra o PIG e o demotucanato, o herói dos pobres, um perseguido pela espionagem israelense e etc.

Marco Vitis (22/07/2008 - 20:01)
Pelo seu passado, ele pode realmente ter atuado apenas profissionalmente. Porém, ele não pode alegar que não conhecia Daniel Dantas. É a velha questão da Ética. Greenhalgh deixou a Ética de lado e agiu profissionalmente. Este foi seu erro e ele é imperdoável. Agora, aguente as consequências de ter agido de forma amoral.

Bruno P. (22/07/2008 - 19:57)
Eu não acho estranho a BROI, o governo sempre quis uma super-tele nacional, Dantas se mostrou interessado em vender sua parte, qual o problema nisso ?

Ítalo (22/07/2008 - 19:49)
Por que será que ninguém da grande mídia, eu disse NINGUÉM, DISSE QUE A FILHA DE Serra foi sócia da irmã de Daniel dantas?

Sanzio (22/07/2008 - 19:36)
Quase fui às lágrimas com o relato do ínclito e impoluto Greenhalgh. Advogados assim ingênuos, novatos no ramo, sem a esperteza de velhas raposas, tendem a não acreditar no que ouvem, mesmo quando alertados sobre o caráter de seus clientes. Daniel Valente Dantas, você foi muito malvado com o Greenhalghinho, merece umas palmadas por iludir um amiguinho. Mas, pensando bem, até eu, velhaco que sou, teria acreditado que o Valente estava cansado de ter que se ocupar 88,37% de seu tempo com essas besteiras de Telemig, Brasil Telecom, Broi, essas confusões de siglas todas.

JA NEM SEI MAIS (22/07/2008 - 19:31)
DEUS DO CEU, O CARA VAI DEFENDER O MAIOR INIMIGO DOS PETISTAS... VAMOS PARAR COM ISSO.

agostinho (22/07/2008 - 19:05)
LEG, tu aceitas um serviço profissional para um 171 white collar, para conseguir do gov erno transito com a PREVI da qual o governo e BNDES precisam para viabilizar uma grande tele, a qual dara a DD e grupo Jereissati um mercado cativo e tudo isso teria - se tudo der certo- somente um merito: o de acrescentar novo ´player´ e alguma competiçao ou menos monopolio no gigantesco mercado tupiniquim q resultou da privataria.. So isso.

João (22/07/2008 - 19:03)
Votei no Greenhalgh.É uma pena que a partir de uma certa fase da vida a gente corra o risco de se tornar "ingênuo". Eu mesmo mesinto um tonto.

Casa (22/07/2008 - 18:54)
Estado de direito é assim, á lei é formal e a forma é garantia da própria lei, muitas vezes a forma altera até á essência da própria lei, não importa a quem venha beneficiar, é assim, onde se respeite o estado de Direito. www.EWlpais.com.br. El juez excluye pruebas contra el antiguo chófer de Bin Laden obtenidas por métodos "coercitivos" Salim Hamdan se había quejado durante las audiencias previas al juicio de que fue golpeado y amenazado de muerte tras su captura en Afganistán El juez del tribunal militar en la base naval estadounidense de Guantánamo (Cuba) que juzga a Salim Hamdan, ex conductor del jefe de Al-Qaeda Osama Bin Laden, ha descartado utilizar algunas pruebas obtenidas en interrogatorios bajo condiciones "altamente coercitivas" en Afganistán.

Marco Antônio Leite (22/07/2008 - 18:50)
Todos são capim do mesmo pasto Dantas, Gilmar, LEG, Lulla, Serra, Crivella, Garotinho, Maluf, Pitta e congêneres. Muita água suja transita por debaixo dessa ponte que deságua nos Palácios e Mansões desses malfeitores que tomaram conta do país. Eles compram patrimônios e mais patrimônios com o dinheiro do contribuinte e nada acontece, isto porque o envolvimento de políticos nessas transações espúrias são muitos. Se puxar as fichas dessa gente junto à receita federal vai dar muito bolo para a festa da corrupção. Se puxar as fichas das contas bancarias muito dinheiro do povão vai estar dormindo nos cofres das agências bancarias. Se puxar as fichas desse pessoal junto à telefônica muitos assuntos nebulosos virão à tona. Todavia, toda essa imundície que estamos sentindo através das narinas acabará como sempre terminou, ou seja, em nada, absolutamente nada? Todos os corruptos a partir de hoje rasparão os cabelos para evitar o uso de grampos?

Leo (22/07/2008 - 18:47)
Stanley, se tudo que o Protogenes e sua equipe levantaram viesse seriamente à tona, ocorreria uam crise política sem precedentes. Não sobrava PT,PFL ou PSDB pra contar história. Nem Lula nem Serra. Mas infezlimente somos reféns da mídia, ou do PIG. Se eles não mostram é como se não existisse, para efeitos políticos.

Maria Izabel L. Silva (22/07/2008 - 18:36)
Cinquenta mil reais por mes?? É um super salário!Com um salario desses o sujeito defende até satanás!! De fato.A acusação contra Greenhalgh não se sustenta. Não há mesmo qualquer ilegalidade.Ele foi contratado para realizar um trabalho licito, pefeitamente compatível com as suas credenciais de advogado. Trabalho é trabalho. Não me causa estranheza o fato do banqueiro ter procurado justamente ele, uma figurinha carimbada do PT. Um personagem histórico, com reputação ilibada, intocada, e com grandes amizades no governo. O que me causa estranheza é ele ter aceito fazer o papel de defensor dos interesses de Dantas. Por outro lado, como recusar um trabalho lícito que lhe rende 50 mil reais por mes??????????????????????????????????????????????

Bernardo (22/07/2008 - 18:34)
Eu particularmente acho que, se ele realmente é inocente, ele será inocentado em um julgamento justo (desde que na primeira instância, uma vez que as maiores instâncias da justiça brasileira estão corrompidas). Como diz PHA, que se ponha tudo ao sol e na claridade o que estiver podre ou mofado não sobreviverá. PS: ainda quero uma boa explicação do governo a respeito de toda esta história da Broi...

Alberto (22/07/2008 - 18:21)
É absolutamente incrível como o Presidente Lula consegue atrair tantos "companheiros" de verdade; seja na dor ou no deleite "eles" voltam para assombrar o barbudo presidente. O tal de LEG colocou um bode no Palácio do Planalto. Pobre Lula!!!! É o louco com a chave do hospício. Advogar para o Dantas é o mesmo que tergiversar contra o Lula e a favor de FHC. Chama a polícia!!!!!!!!!!

Stanley Burburinho (22/07/2008 - 18:16)
Niguém fala no fato do Serra ter sido mencionado no grampo da PF pelo Nahas que disse que o governador passou informação privilegiada sobre a privatização da CESP para o próprio Nahas que disse que com essa informação ganharia R$ 80 milhões especulando no mercado. A imprensa e os jornalistas fazem de tudo para proteger o Serra.

Carlos (22/07/2008 - 17:56)
Um inocente, dócil, ingênuo, coitado, será que cresce.



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