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Eduardo Guimarães: A mentira das demissões

Atualizado e Publicado em 16 de janeiro de 2009 às 20:06

Pode-se dizer qualquer mentira contando parte da verdade, e é isso o que está fazendo a mídia na questão do nível de emprego no Brasil. Com finalidades políticas, a mídia tenta fazer o consumidor parar de consumir, de forma que, com queda nas vendas, os empresários demitam. E com demissões e quebradeiras, a popularidade de Lula finalmente cairia, beneficiando politicamente os autores dessa insanidade.

Tentou-se, pelas duas vias (empresários e trabalhadores), induzir a crise. Com os empresários, não está funcionando. Eles gostam de dinheiro, não querem crise, menos aqueles grandes empresários que mamam nas tetas do Estado, que Lula não está tratando a pão-de-ló ao exigir deles contrapartidas para receberem dinheiro público, tais como não demitir e investir.

A Globo, a Folha, a Veja, em suma, a quadrilha midiática que prejudica o país, que parou de fazer jornalismo faz tempo, que virou mera máquina de propaganda do governador de São Paulo, José Serra, a fim de elegê-lo presidente em 2010, está difundindo um aumento do desemprego que não está ocorrendo da forma que apresentam.

Este blog pretende explicar os fatos a fim de que seus leitores os difundam o máximo que puderem e enquanto é tempo, porque o noticiário está impressionantemente alarmista e já começa a surtir efeito.

Nos jornais e telejornais surgiram, nos últimos dias, fatos e números que são verdadeiros, mas que contam apenas parte da verdade. A questão foi pouco explicada e não estou vendo ninguém explicar a onda de desemprego que dizem que há. Começarei, pois, pelo mais óbvio até chegar à malandragem mais importante e que ninguém está explicando e que Lula até explicou, mas ninguém percebeu.

Esse noticiário começou acenando com milhares de demissões que estão ocorrendo na indústria automobilística, com destaque para 744 demissões na GM. Mesmo dizendo que os demitidos foram trabalhadores contratados em regime temporário, portanto sob expectativa de que tais contratações seriam só para suprir uma situação de aumento momentâneo da demanda, a relevância desse fato não está sendo bem explicada.

Os demitidos foram contratados em caráter temporário bem antes do agravamento da crise no mundo e no Brasil em setembro do ano passado. Havia a expectativa de não serem mais necessários em algum momento, por isso foram contratados temporariamente, mesmo que houvesse expectativa de manutenção de nível de demanda e, portanto, do emprego. As demissões nas montadoras são bem menos grave do que se pensa.

A indústria automobilística está puxando para cima o número de demissões e de queda na atividade industrial. Isso ocorreu por falta de crédito internacional, que financiava as taxas de juro baixíssimas que eram oferecidas na compra a prazo de carros, que era a maior parte dos negócios.

Com a paralisação dos negócios com carros novos por falta de crédito – e não de ânimo do consumidor –, a produção das montadoras parou e as indústrias de autopeças, que entregam a elas grandes volumes e que estão ajustadas para demanda ininterrupta da linha de produção dessas montadoras, passaram a demitir.

Porém, com medidas do governo para suprir a falta de crédito e com renúncia fiscal favorecendo as montadoras, em dezembro a compra de carros novos subiu fortemente e várias linhas de produção serão retomadas. Há expectativas de aumento das vendas depois do primeiro trimestre, por isso as montadoras querem que os trabalhadores aceitem ganhar menos até que elas voltem a ter lucros estratosféricos, pois demitir as colocaria numa situação que narrarei a seguir.

Sou representante de comércio exterior de uma indústria que vende a montadoras. Viajo pela América Latina para fechar contratos de exportação. Em novembro do ano passado, com a paralisação do suprimento da linha de montagem das montadoras, o dono da empresa que represento, assustado, demitiu dez por cento dos seus empregados. Precipitou-se, apesar dos meus avisos.

Na primeira quinzena de janeiro, a demanda explodiu, pois a empresa também vende para o mercado paralelo (para atacadistas de autopeças) e este, que também tinha se retraído em outubro, novembro e dezembro, diante dos muitos negócios que perdeu por falta de mercadorias lotou aquela fábrica com pedidos neste mês.

A fábrica demitiu cerca de 30 trabalhadores da produção. Agora, está tendo que trabalhar três turnos e, assim mesmo, não está suprindo a demanda. Os clientes dos clientes da fábrica estão pressionando seus provedores e acabarão cancelando pedidos e indo comprar da concorrência.

Os empresários que embarcaram no jogo político da crise se deram muito mal. Como não estão demitindo a contento, pois as demissões são em setores localizados com esmagadora liderança do setor automotivo, tenta-se agora sabotar a economia pela via do consumidor alarmando-o com o fantasma do desemprego.

O mais trágico disso tudo é que se o consumidor comprar passagem nesse barco furado, acabará perdendo seu emprego. Caindo a demanda, seu patrão demitirá. Mas o noticiário sobre desemprego assusta, mesmo que esteja sendo distorcido a fim de alarmar.

E agora vou explicar a pior das malandragens: a mídia infestou jornais e telejornais com notícias de que as demissões em dezembro foram as maiores desde 1999. É verdade. A mídia só não diz que as contratações também foram as maiores da história, em 2008, de maneira que os números do IBGE mostrarão, em breve, um resultado melhor do que se pensa, ainda que venham a mostrar certo aumento do desemprego.

Esta é minha denúncia. Espalhem-na, por favor. A cada dia de alarmismo, mais estragos são causados. O país está sendo sabotado. Não há um grande aumento do desemprego, mas outros empresários poderão fazer o que fez aquele que mencionei acima, que se assustou e demitiu por conta, pagando, em média, 4 meses de salário para cada demitido, e agora terá que recontratá-los, depois de dois meses (!).

Fico meio exasperado porque não tenho como difundir adequadamente esta denúncia. A mídia bloqueia qualquer coisa neste sentido, qualquer coisa que contrarie os prenúncios das desgraças que ela alardeia a fim de que o eleitorado fique insatisfeito com o governo e vote em Serra em 2010.

Minha família e eu dependemos do meu trabalho. As de vocês - e vocês mesmos –, também. A quase totalidade do país trabalha duro para viver, seja como empresário ou como trabalhador. Não receberá os “brindes” que Serra distribuirá à mídia, se for eleito presidente. Não passam de algumas dúzias os que serão beneficiados pela eventual débâcle econômica do país.

Não se omita. Ajude-me a ajudar o país. Difunda este texto como se sua sobrevivência dependesse disso. E que Deus nos ajude, sendo tão ameaçados por essas máfias midiático-oposicionistas.

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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Athos Rache (19/01/2009 - 17:38)
Desculpe Marco antonio mas voce sabe quanto custa o aluguel de um barraco na rocinha ou no Borel?
Não é coisa pra desempregado!

...

Marco Antônio Leite (18/01/2009 - 18:44)
Cara Nona, o número de favelas aumentou assustadoramente em todo o país. Isso esta relacionado com o desemprego, não importa se é de ontem ou gerado pelo neoliberal Lula. Procure dar umas voltas pelas periferias das grandes cidades do Brasil que você constatará o número de desempregados e a miséria estabelecida por aí afora. Não seja inocente, o Lula não difere do Collor, Itamar e FHC, são todos capins do mesmo pasto, onde come um, come os demais, ou seja, nas custas dos trabalhadores. Vale dizer, não leio a imprensa direitista e elitista que procura fazer o povo de bobo da corte através de noticias sofistas.

jr_bahia (18/01/2009 - 18:43)
Trabalhei numa multinacional, expert em demitir em situações de crise...

Na virada da era "FHC" 98/99 essa empresa demitiu bem mais, e bota mais nisso, do que agora. Porém o PIG nem colocou uma linha...

Sei que o desemprego é péssimo, principalmente quando ocorre em massa, onde geralmente o item competência não está sendo levado em conta, mas se comparado a 10 anos atrás, creio que desse ano(2008/09) foi bem menor. Principalmente para quem vive de exportações, e vende em U$.

Marco Antônio Leite (18/01/2009 - 18:35)
Caro escriba, onde estão os milhões de desempregados gerados nas entranhas do FHC e, que o Lula nada fez para criar novos empregos. Os vinte milhões de trabalhadores informais, aqueles que trabalham sem carteira assinada vendendo todo tipo de bagulhos, os quais são perseguidos pelos governantes sejam eles Municipais, Estaduais e Federal e, o Lula nada fez para tirá-los das ruas. Todavia, o Brasil tem milhões de desempregados e desamparados pelo sistema neoliberal, o qual foi bem aceito pelo Lula e sua corriola. Veja bem, 700 empregos aqui, mil ali nada altera no quadro atual. Quanto a empregados temporários não é justo você achar que eles podem ser jogados no olho da rua, esta defendendo o indefensável. Pois o Lula é culpado pela miséria ora instalado em todo território nacional, não seja mais um bajulador amador, bajule, mas procure receber algum daqueles que você fala bem.

laura (18/01/2009 - 14:53)
ISSO MERECE UM TEXTO OU REPORTAGEM>
Fui comprar um carro hoje nos feirões da carros das montadoras. Posso e ia comprar. Mas o que ví foi uma droga.Baixaram os preços dos carros devido a isenção de IPi do governo federal. Mas enfiaram a faca nos financiamentos.Inclusive nos financiamentos de porta de fabrica e dos bancos das montadoras. 1.6% a taxa média. As taxas menores só com 60, 70% do carro pago( ou seja, quase a vista. O carro sai pelo dobro do preço. Não vale a pena e não vou comprar desse jeito. Os feirões estavam vazios. Fui no da Fiat( porta de fabrica), Renault, Chevrolet, Ford.E não era a "CRISE", não. São as ofertas, uma droga. Ninguém é tonto. Antes , segundo chofer de taxi, chegavam a 0,995. Ou seja tentaram fazer o consumidor( e o governo) de trouxa. SIMPLESMENTE O CONSUMIDOR SUMIU, pois não é babaca. 2- Há que se baixar as taxas de juro neste país. O resto é conversa para boi dormir.
3-E para enfiar na goela do trabalhador o trabalho escravo.

Rodrigo (18/01/2009 - 14:15)
Ninguém afirmou que Lula tem poderes divinos pra impedir que a crise chegue no Brasil. A questão é que a mídia está tentando agravar a crise visando tirar vantagem política. Na mente deles cada nova demissão significa um voto a mais pro Serra em 2010. Eles querem espalhar pra toda a economia uma crise que está concentrada em alguns poucos setores, como o automobilístico e de siderurgia.

John Bastops (17/01/2009 - 11:51)
Eduardo Guimaraes estah certo, afinal crise economica com Lula presidente eh impossivel, pois Santo Luis Inacio tem poderes divinos e certamente teria como transformar um colapso economico em uma cornucopia de prosperidade e prazeres orgiasticos.

Eduardo Guimarães (16/01/2009 - 21:43)
Nona, foram 1300 demissões no mundo

nona fernandes (16/01/2009 - 20:39)
Eduardo, uma notícia em parte verdadeira, mas altamente manipulada para prejudicar o governo Lula, foi: "Vale demite 2.300 funcionários", bradaram todas as TVs. Na verdade, esse número de demissões aconteceu no mundo inteiro, segundo um empresário do ramo entrevistado na Record (não me lembro o nome). No Brasil foram 230 demissões. Preocupa, pero no mucho (acho que é assim que escreve).

Gerson (16/01/2009 - 20:21)
Tem outra malandragem nisso por parte dos grandes empresários (FIESP):

É a oportunidade também de flexibilizar as leis trabalhistas, cortar salários e benefícios.
Chantagem emocional pra cima dos trabalhadores menos organizados.
Dúvido que a CUT aceite reduzir salários.




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