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Eduardo Galeano: A história do Haiti é a história do racismo

Atualizado em 20 de janeiro de 2010 às 10:22 | Publicado em 19 de janeiro de 2010 às 15:11

por Eduardo Galeano, em Resumen Latinoamericano, via Resistir.info

 A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto.

O voto e o veto

Para apagar as pegadas da participação estadunidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito nem sequer com um voto.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:

– Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

 O álibi demográfico

Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Porto Príncipe, qual é o problema:

– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.

Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado... de artistas.

Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista

Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do Citybank e abolir o artigo constitucional que proibia vender as plantations aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". Um dos responsáveis pela invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: "Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses".

 O Haiti fora a pérola da coroa, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro".

Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: "Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos". Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro "pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras".

A humilhação imperdoável

Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes a sua independência, mas tinha meio milhão de escravos a trabalhar nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

 A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.

O delito da dignidade

Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar havia podido reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma ideia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. Por essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indenização gigantesca, a modo de perdão por haver cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

Leia aqui como o New York Times quer fazer o "Extreme Makeover" no Haiti à imagem e semelhança dos "especialistas" que consultou


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
João (07/03/2010 - 12:42)
É triste! Por que um país de extensão territorial tão pequena incomoda tanto os EUA e a Europa? Por que os americanos principalmente não deixam os haitianos em paz? Será que deixar o Haiti em paz vai provocar um rombo no orçamento dos EUA? Será que a França tem que se sentir tão humilhada assim? Será que o homo sapiens não é capaz de admitir quando erra e deixar os outros em paz? Escravizaram o povo, que apenas lutou por sua liberdade, apenas se cansou de sofrer, é pedir demais para as potências levarem isso em consideração? O Brasil pode, por gentileza, retirar as suas tropas de lá?

Angela B. (26/01/2010 - 15:19)
Alem de As veias abertas da America Latina, do proprio Galeano, ler "A ilha baixo ao mar" de Isabel Allende. Li ano passado, qdo o Haiti "nao tinha entrado na moda" como alguem aqui disse.´E fiquei chocada com a historia daquele pais.. Que poucos reconhecem..

Indenizaçao, o Brasil pagou uma gigantesca pra Portugal tb.. E de Angola, pelo que eu vejo, agora que moro aqui, nao há comunismo, há um belo quem pode pode. A 1a consituiçao aprovada agora deixa o voto indireto pta presidente!!! Nao, aqui tb nao há democracia. Mas ao contrario de Haiti, nao ha terrmotos e há muito petroleo. Dinheito há.. nao há é justiça social.


Chico Mendes (22/01/2010 - 21:35)
Nossa sociedade racista lê um texto deste e nem dá bola. Afinal nossa sociedade não acredita em racismo.

Renato Lira (21/01/2010 - 22:24)
Costumo fazer anotações de livros, tratados, comentários que leio.

Esse texto de Galeano é um dos mais marcantes que já li.

Passa a fazer parte de minhas discussões, apontamentos, sugestões e influências.

Obrigatório.

Apesar de ser uma história que já conhecia, por ser historiador, jamais vi ser contada de forma tão sucinta e ao mesmo tempo tão completa, direta e arrebatadora.

Não preciso dizer que Galeano é um dos pensadores que fez minha cabeça.

Mas dessa vez ele elevou sua estatura intelectual e moral ainda mais acima com este texto sublime.

EVOÉ!!!

emilia (20/01/2010 - 21:30)
Galeano ,brilhante como sempre.

Thales Mendes (20/01/2010 - 16:09)
Estou com nojo da história humana... somos primitivos a ponto de não reconhecer que somos todos parte de uma mesma energia, um mesmo planeta, um mesmo sistema...
Sofremos até hoje o preconceito de raça, classe, aparência, o que for... a mídia trabalha com esse propósito... e a mídia é controlada por quem??? O sistema bancário??? Nesta religião, negro não entra...

Revolução já!!!

Cláudia (20/01/2010 - 15:10)
Irineu, no que diz respeito ao texto do Galeano, um genial pensador latino-americano, autor de um dos mais impressionantes livros sobre o continente (Veias abertas da América Latina), não há modismo algum. Há, sim, uma atualidade desconsertante: o texto foi publicado no jornal uruguaio Brecha 556, de Montevideo, em 26 de julio de 1996. Há quase 14 anos, tudo que vemos agora no Haiti já estava dito por Galeano.

Mac (20/01/2010 - 13:15)
Lembraremos também que os sumérios ,assim como os egípicios e os primeiros gregos,que eram mais escuros do que claros ,eram uma potência marítima desenvolvida cientificamente e letrada ,ao contrários dos nomâdes das montanhas asiáticas entre o irã e a Turquia e a Bactria no Tian Shan,onde originaram os "brancos" ,que eram tidos como bárbaros e primitivos .

Maconheiro (20/01/2010 - 13:06)
É o nariz que umedece, filtra e aquece o ar para que ele possa ser aproveitado pelos pulmões,como o ar das montanhas do Levante ao Hindu Kush/Himalaia entre as estepes que vão da europa à mongólia e a suméria é muito seco ,frio e rarefeito ,aqueles que se aventuraram por lá há uns 6.000 anos sofreram mutações para se adptar ao ambiente .Há teorias que mesmos os primeiros gregos,Micenas ,e egipicios eram negros antes das invasões,e consequente miscigenação,de nomâdes pastores das montanhas asiáticas em 1700 antes de cristo colocando fim á idade do bronze em 1200 a.c .

Luciana (20/01/2010 - 12:45)
A história do racismo , é a história dos opressores que submetem os oprimidos à miséria humana.

Maconheiro (20/01/2010 - 12:42)
Tomando como parâmetro a quantidade de pêlos no corpo, os brancos são bem mais primitivos e selvagens que os negros,e na europa os pêlos só são lisos e sedosos , o nariz longo ,por causa do clima seco e da falta de luz solar !Já mais de 50% dos americanos brancos têm cabelos tratado e pintados .É uma alienação da estética .

Patricio (20/01/2010 - 12:36)
Irineu:
Os Estados Unidos SÃO culpados de tudo. Agora esconda a bandeira das treze listras que está sobre a sua mesa, que está pegando mal.

Giovanni de SOusa (20/01/2010 - 12:06)
Excelente artigo. Só um detalhe de tradução: "Karl von Linneo" é o naturalista sueco Karl von Linné, ou Carolus Linnaeus, conhecido no Brasil simplesmente como Lineu, o pai da classificação biológica. Não só os negros, mas todas as raças humanas não-brancas reconhecidas na época foram consideradas por ele como inferiores (os orientais seriam "soturnos e sinistros", se não me falha a memória). Tudo isso representa o preconceito vigente na Europa intelectual do século XVIII, que continua até hoje com algumas atenuações e eufemismos.

João Bastos (20/01/2010 - 11:55)
"irineu (20/01/2010 - 00:56)
O Haiti entrou na moda. E a mesma lenga lenga de sempre declarando os Estados Unidos culpados por tudo. E sobre Angola nada a dizer? Como foi a "independencia" deles? Parece que tem um democrática república comunista no poder. Mas sobre isso não interessa falar. Somos todos companheiros."

A direita tem uma memória muito curta, mas nós não esquecemos. A UNITA foi uma guerrilha armada por Kissinger/Nixon e pelo regime do Apartheid na África do Sul para destruir Angola.

Mas é bom que você tenha tocado no assunto. Cai a sua máscara e mostra mais uma vez o tipo de gente que faz a direita no Brasil. Gente que tem saudade do Apartheid.

Caio (20/01/2010 - 11:32)
Irineu
''O Haiti entrou na moda. E a mesma lenga lenga de sempre declarando os Estados Unidos culpados por tudo. E sobre Angola nada a dizer? Como foi a "independencia" deles? Parece que tem um democrática república comunista no poder. Mas sobre isso não interessa falar. Somos todos companheiros.''

Irineu não vejo nesse texto nenhuma lenga lenga só fatos historicos e se hover ai um fato que não seja verdadeiro
façao favor de nos mostrar porque na verdade quem veio com lenga lenga foi voce ja que esse negocio de tentar desqualificar o argumento de alguem chamando-o de comunista esta por demais ultrapasado

parabens ao eduardo galeno
belo texto(y)

http://infinitoaldoluiz.blogspot.com/ (20/01/2010 - 10:34)
Caro Moacir, é simples assim; bomba atômica foi arma do século XX, agora a arma insuspeita e muito mais eficiente chama-se H.A.A.R.P. procure se informar a respeito. Pode começar pelo meu blogue. Abraços

Flavio Lima (20/01/2010 - 09:16)
Parabens ao Galeano pela aula, e o Azenha pelo post.

Moacir Simples Assim (20/01/2010 - 09:04)
Pergunta pertinente:

Por que os EUA, numa ação humanitária, simplesmente não lançam uma bomba atômica no Haiti e acabam com o sofrimento daquele povo com o qual ninguém se importa?








irineu (20/01/2010 - 00:56)
O Haiti entrou na moda. E a mesma lenga lenga de sempre declarando os Estados Unidos culpados por tudo. E sobre Angola nada a dizer? Como foi a "independencia" deles? Parece que tem um democrática república comunista no poder. Mas sobre isso não interessa falar. Somos todos companheiros.

robledo duarte (19/01/2010 - 22:35)
Pobre Haiti, sua história e pura e cruel dominação do ocidente sufocando o país até hoje.

Euler (19/01/2010 - 22:33)
Galeano tem sempre idéias e percepções comprometidas com os de baixo. Por outro lado, notamos que os países ricos aparecem ajudando um país destruído como se praticassem gesto de caridade e humanidade, simplesmente. No fundo, essa ajuda deveria ser apresentada como ressarcimento de parte pequena do grande mal que fizeram contra o Haiti, especialmente, mas também contra os povos da África, da América Latina e da Ásia. No passado, aos olhos da elite ocidental, o primeiro país a conquistar a independência pelas mãos dos negros escravizados não poderia ficar impune. Infelizmente, alguns bons momentos de rebeldia contra a tirania e exploração - incluindo aqui a revolução cubana de 1959, mas não somente - foram tragados pelas engrenagens demoníacas do capitalismo, desfigurando-os.

Gerson (19/01/2010 - 21:57)
Hoje, mais do que nunca, pode-se dizer que o Haiti tem a Veia Aberta e Fratura Exposta na Am. Latina.

Mas o pior são os Abutres oportunistas.

Loucos para dar o bote final.




Paulo Roberto (19/01/2010 - 21:50)
A fala do consul haitiano no Brasil comprova a tese do articulista. É assim que pensa a "elite" haitiana, tal qual a "elite brazileira"...

Marcelo José Gonçalves - Rio de Janeiro (19/01/2010 - 21:08)
De Galeano sempre temos ótimos textos!

Leda Ribeiro (19/01/2010 - 20:24)
Parabéns, Eduardo Galeano! Uma mente lúcida como a sua em defesa do povo haitiano, é um presente que o mundo merece. Eu não tinha conhecimento desta atitude de Simon Bolívar. Lamentável!

Diogo Costa (19/01/2010 - 19:48)
Qualquer semelhança com o destino imposto aos escravos que lutaram na Guerra da Secessão dos EUA (1860/1865) e o destino dos "voluntários da Pátria" que lutaram na Guerra do Paraguai (1865/1870), não é mera coincidência...

Professor (19/01/2010 - 19:02)
Interessante o fato de que a tão constante presença de comentaristas de apoio à direita não se façam presentes neste artigo. Com certeza muitos até são racistas, mas não tem coragem de expô-lo aqui.

Geysa Guimarães (19/01/2010 - 18:56)
Vitimas da crueldade branca, os corpos negros, como teria notado Montesquieu (que nojo, me fizeram perder tempo na escola com o "Espírito das Leis"), não são poupados nem pela mãe natureza.
Mais um texto gol de placa. Eesse blog não baixa a qualidade nem em período de férias.

Davi dos Santos (19/01/2010 - 18:45)
Excelente reflexão.O artigo desvenda o racismo disfaçado com a sociedade ocidental dita civilizada trata da população negra das Américas. os meios de comunicação se esquessem ou negam que a maior tragédia social que vive o povo aitiano foi causada pela colonização francesa e a invasão européia.

Edson (19/01/2010 - 18:34)
É importante ressaltar que não existem doações ao povo haitiano, apenas pagamento de um mísera parcela da dívida dos povos brancos ocidentais ao Haiti. E nada mais...

J.Tito (19/01/2010 - 18:16)
O racismo opera para destruir aniquilar e lucrar.

Luciana (19/01/2010 - 18:10)
É a guerra silenciosa contra os povos pobres do mundo.
São projetos de opressão e dominação social, apresentam um povo guerreito como se não tivessem capacidade intelectual, mas lá falam tres ou mais idiomas e se libertaram em 1804.aboliram a escravidão que os torturava noite e dia para que plantassem, cuidasse, colhessem e produzissem açúcar, rum e algidão aos franceses, antes trabalharam nas minas para os espanhóis, e tiveram que pagar a dívida (terminou o pagamento em 1947)da ousadia da liberdade e da independência. Bárbaro é quem sequestra, escraviza e mata para que seres humanos lhes dê lucro, dê sua força de trabalho sob chicotadas.

Rafael (19/01/2010 - 17:57)
Bom o artigo, mas não podemos esquecer da parte de responsabilidade dos haitianos por suas mazelas.Nem tudo é culpa do estrangeiro e da conjuntura do poder.

Luciana (19/01/2010 - 17:52)
A derrota imposta pelos negros do Haiti, aos colonizadores, barbaros, toruradores, escravizadores não foi e não é aceita.
Mentem, impõem estereótipos para distorcer a realidade.
São desumanos.
Estamos na Era de Aquarius e as verdades estão na pauta da agenda mundial. O Haiti e seu povo são vítimas de algozes.

Fernando (19/01/2010 - 17:52)
Eduardo Galeano... esse é um branco de respeito, tiro meu chapéu.

Roberto (19/01/2010 - 17:39)
E esses paises são chamados de primeiro mundo.Abr.

Jusseli Ingridy (19/01/2010 - 17:34)
"A história é um profeta com o olhar voltado para trás.Pelo que foi e contra o que foi E anúncia o que será".(Eduardo Galeano)
O que mais poderiamos esperar das consequencias no Haiti,um país que foi devastado pelos seres humanos e agora pela fúria da natureza.

Cleverton Silva - São Cristóvão-SE - www.porsaocristovao.blogspot.com (19/01/2010 - 16:51)
Galeano falou mais coisas sobre o Haiti em seu livro "As Veias Abertas da América Latina". Ótima leitura para quem ainda não conhece. São textos muito inspirados os de Galeano.

Mardones Ferreira (19/01/2010 - 16:43)
Galeano sempre nos brinda com artigos geniais.
Bravo!

Hans Bintje (19/01/2010 - 16:20)
Artigo publicado pela Universidade Federal de Goiás em 2003

"Um programa eficaz de combate à fome passa por questões de ordem emergencial (por exemplo, comida para quem não tem o que comer) e por questões de ordem estrutural, sendo as maiores delas a geração de empregos e a democratização das terras (urbanas e rurais). De fato, somente um completo e sério programa de reforma agrária poderá gerar milhões de empregos, com um conseqüente aumento da renda dos trabalhadores e das quantidades dos estoques alimentares a preços mais baratos.

Rever todos os contratos internacionais firmados nas últimas décadas poderá indicar caminhos seguros para tentar renegociar a dívida externa em bases mais justas, na tentativa de economizar divisas a serem aplicadas na imediata geração de empregos.

Jamais se esquecendo de que grande parte dos miseráveis têm menos de quinze anos de idade, o programa deverá dar a isso uma atenção especial a fim de garantir uma educação de qualidade a todos.

O plano de governo não pode se embrenhar numa interminável burocracia e/ou listas de propostas miraculosas, esquecendo-se de que a 'fome tem pressa', 'a fome mata no aqui e no agora' em todos os cantos do território.

Jamais o programa terá sucesso se o governo central permitir o desperdício e/ou desvio do dinheiro público. Portanto, é preciso, se necessário, punir com firmeza e urgência os atos de corrupção praticados por lideranças microrregionais."

Fonte http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/fome/lula.html

Carlos Augusto Pereira - Recife (19/01/2010 - 16:07)
O artigo muito contribui com o debate. Dignidade, soberania e autodeterminação sempre serão crimes, aos olhos dos poderosos, quando pretendidos por nações que aspiram melhorar a vidas dos seus povos.

O mesmo ocorre com grupos sociais, internamente no Brasil quando anseiam por acesso à terra, no meio urbano ou rural, em relação às elites.

Estelina Farias (19/01/2010 - 16:06)
O grande Galeano mostra como o racismo cruel mata uma Nação pela raiz. É simplesmente horripilante. A leitura deste artigo deveria ser obrigatória nas escolas.

João (19/01/2010 - 16:00)
Brilhante exposição. Permite-nos entender melhor o que aconteceu ao Haiti depois que se tornou livre.

E, para variar só um pouquinho, tem o "dedo podre" do Tio Sam na história.

trombeta (19/01/2010 - 15:51)
Sempre brilhante Eduardo Galeano, o pecado do Haiti é que seus habitantes são negros.

Jacques (19/01/2010 - 15:22)
Artigo extraordinário.



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