Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha

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CRISTOVAM: A INTERNACIONALIZAÇÃO DO MUNDO

Atualizado em 20 de maio de 2008 às 12:03 | Publicado em 20 de maio de 2008 às 11:40

O Globo-10/10/2000- Cristovam Buarque

Fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia, durante um debate, nos Estados Unidos. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia.

Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da humanidade.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.

Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, possa ser manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada.

Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola.

Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
sandro sao paulo (12/12/2009 - 21:13)
Parabéns ao excelente político, pois foi uma sabia resposta, de um político coerente e sensato, acredito que se o povo ouvisse isso poderia começar a ver que ainda temos políticos nesse pais que ainda pensam no brasil como nação que não deveria se vender.
parabens ao sr. Cristovao Buarque

Daniel Pereira (14/09/2009 - 21:03)
É lamentável que tenhamos que passar por essa afronta, é o mesmo que dizer que somos relaxados e o pior que eles têm razão.
Não nos preocupamos com nós mesmos, visamos assim como eles o lucro final.
Temos que nos importar uns com os outros e fortalecer o nosso Brasil que em minha opinião que teria que ser um País rico e de primeiro mundo devido as suas riquezas naturais.
O Sr. Cristóvam Buarque esta de parabéns em colocar o EUA no seu lugar.
Se é pela desculpa do bem-estar da humanidade, que internacionalizemos tudo, o idioma, a moeda, as fronteiras, os riquezas, os costumes e tudo mais.
Vai ser todo mundo cuidado de todo mundo.

Silva, Presidente Prudente/SP (26/05/2008 - 18:48)
Digo que falta ao brasileiro aquilo que sobre nos americanos: o orgulho de ser um nacional, de ter, ver e fazer tremular nossa bandeira, a exemplo do que eles fazem. Alguém já viu um filme ou show americano sem que aparece, mesmo discretamente uma bandeira deles tremulando? Penso que não! No Brasil, as bandeiras tremulam em campos de futebol e carnaval. Depois de uma copa, passamos 4 anos pensando na outra. Depois de um carnaval, passamos um ano pensando no outro. Enquanto isso, nos bastidores, os americanos loteiam nossa Amazônia. E o pior é que o povo não sabe e os meios de comunicação, talvez por uma força oculta, não fazem a menor questão de mostrar. Tenho saudades do tempo em que, na Semana da Pátria (pelo menos nela!) usávamos o crachá verde e amarelo, ou na antena dos carros, etc. Não estou defendendo nenhum regime, muito menos o de exceção. Há não muito mais que 50 anos os americanos jogaram duas BOMBAS ATÔMICAS cerca de 300 mil japoneses, que foram fulminados instantaneamente. E os japoneses, de memória curta, são um dos maiores aliados americanos. Os Iraquianos, por muitas razões (não nego), logo se entregaram aos invasores, sem muita resistência. Pergunto: o que fariam os brasileiros para defender o Brasil, lutariam? Não sei responder! Hoje, penso que não, pois falta o orgulho de ser brasileiro, de exibir e defender nossa bandeira. Se não defendemos isso, defenderemos a Amazônia de nossos esbulhadores ideológicos? Quem viver, verá!

Sérgio Petry - Brasília/DF (25/05/2008 - 15:01)
Esta é uma mensagem de um brasileiro que deu certo! Vemos com orgulho nosso ex-ministro da Educação tratar o patrimônio brasileiro com tanta paixão, quanto poucas vezes vemos nossos governantes (independente de quem esteja no cargo) o tratarem. Os maiores críticos sobre nossa administração da Amazônia são exatamente os maiores destruidores das outras riquezas naturais. Dá-lhes Cristóvam, orgulho de ser brasileiro.

Sergio Telles (21/05/2008 - 15:11)
Cristovam é um excelente teórico, e tem excelentes visões sobre os problemas. Mas, como Marina Silva, e como outras pessoas essencialmente teóricas, possuem dificuldade de dar prática e executar o que pensam, por ser muito puristas/idealistas no que pensam. O lugar deles, justo, justíssimo, é no Senado Federal. Não podemos nos privar de idéias dessas. Mas, no executivo, precisamos de pragmatismo. Precisamos pegar essas e tantas outras idéias e fazer o melhor possível. Otimizar nossos recursos, de todo tipo, e avançar. Isso talvez seja o maior mérito do governo Lula que a história ao longo tempo fará contar, mesmo contra a "história oficial" que tenta nos fazer lembrar do atual governo por "escândalos e confusões", aonde confusa está essa história oficial, pois quem vivia dessa maneira, e afundando o Brasil crise após crise, era um determinado governo tucano que se tudo der certo, nunca mais dá as caras por aqui. Pelo bem do Brasil e pro azar das nações ricas.

Silva, Presidente Prudente/SP (21/05/2008 - 11:38)
Ainda acerca da suposta internacionalização da Amazônia, a mera menção a essa possibilidade já é uma verdadeira ofensa e declaração de guerra. Para bom entendedor, meia palavra basta, e um "pingo é letra". Essa por enquanto mera referência já é um sórdido ataque à nossa soberania. Mas pelo jeito, estamos falando da soberania de um povo, e não do governo desse povo, pois até agora não vi qualquer pronunciamento de nosso governo, e menos ainda que fosse à altura do ataque sofrido. Os EUA merecem e precisam de uma retaliação oficial ao governo brasileiro, uma retaliação civilizada e que traga um pouco de orgulho aos brasileiros, e que sirva de exemplo às nações vizinhas, para que se espelhem e façam o mesmo. Para começar, uma reunião com as nações vizinhas e especialmente interessadas não seria nada mal. Nessa reunião também deveria ser tratado acerca das manobras da 4ª Frota Americana em águas do Atlântico, entre o Caribe e o Sul. Os objetivos dessa 4ª Frota são de terrorismo de estado, só não vê quem não quiser. Como os EUA respiram, pensam e se alimentam de dinheiro e de trabalho (vivem para o trabalho; não trabalham para viver!). Sugiro uma retaliação PACÍFICA boicotando as principais marcas daquele povo, como a Coca-Cola, NIKE, Pepsi, e tudo o mais que se fabrica lá, mas que poderíamos comprar daqui mesmo, ou de outros países, especialmente os concorrentes dele. Eu garanto que os EUA agiriamo e pensariam diferente. No bolso "dói mais". Façamos. Quem viver, verá!!!!!!!!!!!!!

Francisco Pereira Neto (20/05/2008 - 23:27)
Qual sua mágoa Waleria com Cristovam Buarque? Vc parece aquele soldado no batalhão. É a única que está marchando errado e acredita que o resto é que estão errados. É a síntese dos comentários aqui postados. Vc está parecendo amante traída.

Silva, Presidente Prudente/SP (20/05/2008 - 22:08)
A comentarista Fátima-Bahia tem razão. O perigo ronda nossa país, bem como os vizinhos do sul. A arma mais mortal que há, para o bem e para o mal, é o dinheiro, ou a falta dele. No caso dos EUA, que já estão inoculados com o antigo vírus "ruína do império", o ideal seria divulgar o nosso temor, de forma justificada, aumentando o sentimento anti-americano que já reina pelo mundo, e deixar de comprar todo e qualquer produto que tenha a bandeira ou a mão-de-obra deles. O bolso é um dos melhores lugares para atacar uma pessoa, ou um país, mesmo os americanos. E não precisariamos dar um tiro naquele povo pouco sensível. Dor, é provável que eles não sintam, pois já mataram milhares de iraquianos e afegãos, e não sentiram nada!.
Quem viver, verá!

Silva, Presidente Prudente/SP (20/05/2008 - 22:04)
Ainda acerca da "internacionalização da Amazônia pelos (pseudo)democráticos EUA, um leitor comentou sobre a reativação das manobras da "4ª Frota Americana" em águas do Caribe até o sul.
Para quem não sabe nada a respeito, ou ainda não leu), vale a pena ler esse trecho bem elaborado do autor abaixo referido: "... O anúncio da recriação da 4ª Frota, destinada a realizar missões navais agressivas nas regiões do Caribe, América Central e América do Sul, é uma grave ameaça à paz, à segurança e à soberania dos povos da nossa região. Recentemente, ao respaldar a ação militar da Colômbia em território equatoriano, o governo dos EUA intentou dar vigência no continente aos pressupostos da guerra preventiva, uma doutrina fascista a serviço do terrorismo do Estado".
Autora: Socorro Gomes, dirigente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) e recém-eleita presidente do CMP.
Gente, pasmem, não se trata de teoria da conspiração, mas o perigo é mais que iminente.
Quem viver, verá!!!
fonte: http://www.correiodobrasil.com.br/noticia.asp?c=138524 (20-5-2008, as 15:34 horas).



Fabio Passos (20/05/2008 - 20:07)
Cristovam Buarque em seu melhor momento.
Tem toda a razão. Vamos internacionalizar todo o planeta, ora bolas! Só a amazônia? Faz me rir... gringos caras-de-pau.

waleria (20/05/2008 - 16:02)
Cristovam é tão incompetente, que conseguiu idiotizar o ministério da educação.

Para ele, internacionalizar o todo - é conseguencia direta da pré-idiotização do mesmo todo.

Fátima-Bahia (20/05/2008 - 15:50)
Azenha e comentaristas:
Que podemos fazer de mais concreto,além de debater e divulgar?Nunca me envolvi em movimentos públicos,mas pensei se não poderíamos dar início a uma proposta de manifesto em todo o Brasil a respeito desse tema?Mostrar ao mundo que nós brasileiros estamos aqui para defender e reafirmar que esta terra é nossa?algo que ganhe força e visibilidade?Um movimento que possa crescer a ponto de alcançar inclusive a população de outros países?
Não tenho experiência com isso,deixo a sugestão para vocês:vamos crescer a nossa voz?

Silva, Presidente Prudente/SP (20/05/2008 - 14:55)
Temo que os EUA procedam ao loteamento da Amazônia, da mesma forma que fizeram com a ONU. Literalmente, a subserviente ONU foi loteada pelos (pseudo)democráticos estadudinenses, e dividida entre alguns supostos privilegiados da possibilidade do "poder de veto". Notem que esse "poder de veto" não funcionou para impedir a criminosa ivasão ao Iraque em busca da expropriação do petróleo daquele Povo. Pensem comigo, quem invadiu e expropriou por causa de petróleo, não fará o mesmo e até pior por causa de água? Como é que o mundo ainda permite que os EUA, praticamente sozinhos (pois os demais membros do C. Permanente são algo subservientes!) ainda se sintam e manifestem como DONOS da ONU. Os EUA não são os (pseudo) defensores da democracia? A mesma democracia que eles querem para Cuba, Líbia, Síria, Iraque, etc não vale para a ONU???? Teorias de conspiração à parte, essa ressuscitação da "teoria da internacionalização" da Amazônia é séria, e um caso a ser pensado e discutido com os vizinhos sul-americanos. Quem se habilita? Quem viver, verá!

Carlos J. Ribeiro (20/05/2008 - 13:39)
O NY Times pergunta "de quem é a Amazônia", a 4a. Frota vai começar a operar, os EUA fazendo provocações na Venezuela. Acho que já passou da hora do presidente Lula dizer bem alto e claramente que a amazônia brasileira é do Brasil!! Não quero acreditar que ele esteja com medo...

leonel (20/05/2008 - 13:36)
cristovam buarque e um dos poucos e bons homens que representam o povo este texto e maravilhoso mostra bem o lado americano de se querer tudo o que e do brasil inclusive a amozonia estou preocupado com as eleiçoes de 2010 principalmente se o governo for o tucano que pensando no proprio bolso vendeu a nossa telefonia e a nossa vale do rio doce com a disculpa de que os serviços da telefonia iriam melhorar e continu mesma merd... e a vale que ninguem entende a sua privatizaçao porque sempre rendeu bons lucros e hoje os lucros sao cada vez maiores e ai fica minha pergunta sera se a petrobras e a amazonia serao tambem privatizados por estes pervessos assassinos da nossa terra

Edson Munford (20/05/2008 - 13:18)
O Brasil, Colômbia e Venezuela são o Iraque e o Afeganistão de amanhã. Preparem-se.

Silva, Presidente Prudente/SP (20/05/2008 - 13:00)
Muito oportuno o texto do ex-Senador Cristovam Buarque acerca da internacionalização da Amazônia. Antes dela, internacionalizemos a ONU e tudo o que é globalizadamente útil" à qualidade de vida de todo e qualquer ser humano, mesmo que não seja americano dos EUA. A Amazônia é nossa e de nossos vizinhos! Não se trata de defender o senador, mas sua manifestação foi providencial. Alguém viu o LULA defender nossa Amazônia de forma merecida e contundente?

Jorge Verissimo (20/05/2008 - 12:53)
Muito interessante. Gostaria de aproveitar e comentar o "editorial" do Viomundo de uns dias atras. Nele o Azenho alertou sobre o problema da democracia na internet. Como a restricao de acesso ou mesmo estratificacao de velocidade pode minar a democracia na web. pois nao eh que o NYT veio depois como mesmo tema e posicao semelhante. Como veem o Viomundo saiu na frente. Aconselho a voces verem a "reproducao" do que o Azenha falou , so que em ingles . A seguir o link do editorial de 19 maio "Democracy and the Web" http://www.nytimes.com/2008/05/19/opinion/19mon2.html?_r=1&ref=todayspaper&oref=slogin

Toninho, Santa Catarina (20/05/2008 - 12:50)
O texto é uma obra prima, homérico. Só mesmo um Ulisses
para frear essa ganância estadunidense de querer tudo pra eles.
Daqui uns dias "eles" vão querer lotear o planeta, como se fossem donos de uma grande imobiliária.
A Amazônia, só pode ser nossa, e fim de papo. Abraços Azenha

ailton filho (20/05/2008 - 12:44)
A meu ver, esse é um dos pouquíssimos bons políticos que temos. Por bom político, cito simplesmente o cidadão que objetiva o bem-estar coletivo e não apenas o do seu próprio bolso. Já conhecia o conteúdo, mas nunca é demais ler ou ouvir pessoas sensatas.

Everton, de Belo Horizonte (20/05/2008 - 12:03)
Texto brilhante. Eu já o conhecia, mas sempre é bom "revê-lo". Diante da ameaça da "tomada da Amazônia" já ensaiada pelos Estados Unidos e União Européia, é bom ter esse texto como norteador. Eu posso estar ficando meio neurótico, mas acho preocupante os norte-americanos terem enviado seu maior porta-aviões para exercícios bélicos aqui, somado à idéia de se montar mais bases americanas na América do Sul. E esses discursinhos que vão pipocando pelo mundo afora sobre a internacionalização da Amazônia? Já vi um filme igual a esse rodado no Iraque.



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