
Atualizado em 10 de abril de 2008 às 13:23 | Publicado em 10 de abril de 2008 às 11:26
Quando Fidel Castro disse que ia acontecer, levou chumbo. Agora é oficial, já que o New York Times admitiu hoje, em editorial, que existe uma crise mundial de alimentos - sobre a qual, aliás, este site já publicou dois textos.
O jornalão pede que os Estados Unidos e a União Européia retirem as tarifas de importação e acabem com os subsídios para a produção local de biocombustíveis, o que seria uma grande vantagem econômica para os exportadores brasileiros.
Embora o jornal não seja específico, o principal beneficiário da medida seria o Brasil, que produz álcool de cana - muito mais barato e energeticamente eficiente que o álcool de milho produzido nos Estados Unidos.
Em "compensação", as invasões de terra no Brasil passariam a ser feitas pelos latifundiários da cana. Teríamos soja e cana plantada até nas calçadas de São Paulo.
E não posso deixar de me perguntar se nessa história não tem o dedo da família Bush. Jeb, o irmão do George, se juntou ao ex-ministro da Agricultura brasileiro, Roberto Rodrigues, para promover um mercado mundial de álcool de cana-de-açúcar.
Reproduzo o texto do editorial do jornal americano:
A maioria dos americanos considera a comida parte do cotidiano. Mesmo os 20% mais pobres gastam apenas 16% de seu orçamernto em alimentação. Em muitos outros países, a comida não é garantida. Famílias nigerianas gastam 73% de seu orçamento para comer, os vietnamitas 65% e os indonésios 50%. Eles enfrentam problemas.
No ano passado, a conta de importação de alimentos dos países em desenvolvimento subiu 25%, quando os preços subiram como nunca se viu em uma geração. O milho dobrou de preço em dois anos. O trigo atingiu seu preço mais alto em 28 anos. Os aumentos estão causando protestos do Haiti ao Egito. Muitos países impuseram controles de preços ou impostos em produtos agrícolas de exportação.
Na semana passada, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, advertiu que 33 nações correm risco de distúrbios sociais por causa dos preços de alimentos. "Para países em que a comida compõe de 50% a 75% do gasto familiar, não há margem para sobrevivência", ele disse.
Os preços não devem cair em breve. A Organização de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas diz que os estoques mundias de cereal vão atingir este ano seu ponto mais baixo desde 1982.
Os Estados Unidos e outros países desenvolvidos precisam se mobilizar. O aumento no preço dos alimentos é parcialmente causado por forças incontroláveis - inclusive o aumento no custo da energia e o crescimento da classe média na China e na Índia. Isso aumentou a demanda por proteína animal, que requer grande quantidade de grãos.
Mas o mundo rico está exacerbando esses efeitos ao apoiar a produção de biocombustíveis. O Fundo Monetário Internacional estima que a produção de etanol de milho é responsável por pelo menos a metade do aumento da demanda por milho nos últimos três anos. Isso aumentou os preços. As racões ficaram mais caras. E o produto agrícola também - especialmente a soja -, uma vez que fazendeiros passaram a produzir milho, de acordo com o Departamento de Agricultura.
Washington dá um subsídio de 51 centavos por galão de etanol e coloca uma tarifa de 54 centavos em importações. Na União Européia, a maioria dos países isenta os biocombustíveis de alguns impostos e coloca uma taxa média de mais de 70 centavos por galão no etanol importado. Há várias razões para acabar com essa intervenção. Na melhor das hipóteses, o etanol de milho é responsável por apenas uma pequena redução nos gases que produzem o efeito estufa quando comparado com a gasolina. Mas pode causar algo muito pior: o desmatamento de florestas. O aumento dos preços de alimentos oferece um argumento urgente para acabar com o incentivo ao etanol.
A longo prazo, a produtividade agrícola deve aumentar no mundo em desenvolvimento. O sr. Zoellick sugeriu que os países ricos poderiam ajudar a financiar uma "revolução verde" para aumentar a produtividade e aumentar a produção na África. Mas o aumento no preço dos alimentos requer que as nações desenvolvidas providenciem uma assistência imediata. No ano passado, o Programa Mundial de Alimentos diz que os aumentos dos preços de grãos provocaram um rombo de 500 milhões de dólares em seu orçamento, que é voltado para ajudar milhões de vítimas da fome em todo o mundo.
Infelizmente, as nações industrializadas não são generosas. A ajuda estrangeira dos países ricos caiu 8.4% no ano passado, em relação a 2006. Países desenvolvidos deveriam aumentar este orçamento em 35% nos próximos três anos apenas para cumprir os compromissos assumidos em 2005.
Eles não podem deixar de fazer isso. O contínuo crescimento da classe média na China e na Índia, a busca por fontes de energia renováveis e o dano à produção agrícola por causa do aquecimento global significam que os preços dos alimentos devem se manter altos. Milhões de pessoas, a maior parte em países em desenvolvimento, podem precisar de ajuda para evitar a desnutrição. A política de energia dos países ricos ajudou a criar o problema. Agora esses países deveriam ajudar a resolvê-lo.
dai que nossos usineiros nao sao bobos nem nada, vao preferir exportar a vender aqui. e como hoje imensa parte da frota anda com alcool, significa que estamos perdidos se exportarmos tanto pra eles. os preços vao pras alturas. é a velha lógica do suco de laranja. a safra americana quebra e nós pagamos mais caro aqui já que os produtores vendem tudo pra eles. egoísticamente falando, deixem os americanos que se virem com o preço de sua comida. do contrario, vai sobrar pra nós DE NOVO!