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CONCEIÇÃO LEMES: "UM VERDADEIRO CRIME CONTRA A SAÚDE PÚBLICA"

Atualizado em 06 de fevereiro de 2008 às 21:31 | Publicado em 05 de fevereiro de 2008 às 21:04

O texto abaixo nasceu de uma troca de mensagens que tive com a jornalista Conceição Lemes. Tanto quanto eu, ela ficou alarmada com o tratamento irresponsável que a mídia brasileira deu à epidemia de febre amarela, tão real quanto as armas de destruição em massa que até hoje são procuradas no Iraque. Dessa troca de mensagens nasceu a idéia de produzir um texto com o objetivo de fazer o que muitos não fizeram: bem informar o público. Por isso, convoco todos os leitores a disseminá-lo. E todos os blogueiros a reproduzí-lo. Quem quiser, imprima o texto.

Vou contar um causo verdadeiro para explicar que, mesmo que você não acredite, essa internet funciona. Fiz uma entrevista para o site com o dr. Granato, da UNIFESP. Na entrevista, pedi ao médico um conselho: minha mãe, de 83 anos de idade, moradora de Bauru, deveria ou não se vacinar? Minha mãe não lê o meu site. Porém, uma rádio de Bauru capturou o áudio da entrevista e colocou no ar. E minha mãe, ao ouvir a entrevista que fiz com o dr. Granato, finalmente se tranqüilizou e NÃO tomou a vacina, o que ela havia considerado fazer. Portanto, peço a vocês que tratem o artigo abaixo como uma peça de contra-desinformação.

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A "EPIDEMIA" DE FEBRE AMARELA

por CONCEIÇÃO LEMES

Fim de dezembro de 2007. Surge o primeiro caso suspeito de febre amarela deste verão.  Rapidamente, o assunto domina o noticiário.  A mídia, por conta própria, decreta: a febre amarela voltou. O auge foi conclamar a população a se vacinar em massa. “Um verdadeiro crime contra a saúde pública brasileira”, condena o médico epidemiologista Euclides Castilho, professor titular do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP.
A primeira vez que se cogitou vacinar toda a população foi no final de 1999 e início de 2000.  Em Goiás, na Chapada dos Veadeiros, ocorria um grande surto de febre amarela. Ao mesmo tempo, havia alta infestação do mosquito Aedes aegypti em boa parte das cidades brasileiras. O aedes, além de transmitir o vírus da dengue, é o transmissor do vírus da febre amarela urbana.

Após intenso debate com especialistas das nossas principais instituições de pesquisa, o governo optou, como agora, não vacinar os moradores de áreas sem risco. A vacina é eficaz e segura.  Porém, ela pode produzir efeitos colaterais, alguns graves; em raros casos, óbitos. No Brasil, há quatro mortes associadas à vacina a partir de 2000. Há fortes indícios de que já exista mais uma. Ocorreu quinta-feira, dia 31 de janeiro, em São Paulo: uma mulher que não precisava se vacinar – ela não pretendia viajar para região de risco – e, ainda, tinha contra-indicações. De 1999 a 2007, foram aplicadas no país cerca de 79,5 milhões de doses. Em janeiro de 2008, aproximadamente 6,3 milhões. Estão disponíveis somente na rede pública de saúde.

 “Como a vacina é barata e o Brasil o maior produtor mundial, seria, em tese, mais fácil o Ministério da Saúde ceder à pressão da mídia e determinar a vacinação em massa”, observa o médico epidemiologista e pesquisador Cláudio Struchiner, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).  “Felizmente, prevaleceram os critérios científicos e tecnológicos.”

“Deus me livre, vacinar todo mundo sem necessidade”, reforça o infectologista Celso Granato, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Vacina não é como um comprimido de vitamina C, que você toma e elimina o excesso na urina.” O infectologista Celso Ferreira Ramos-Filho, professor da UFRJ e presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, é categórico: “O Brasil sempre seguiu à risca as recomendações internacionais para controle e prevenção da febre amarela. O problema é que a mídia fez uma mixórdia tremenda, a começar por confundir a forma urbana com a silvestre.”

Ambas são doenças infecciosas, causadas pelo mesmo vírus. A última epidemia de febre amarela urbana aconteceu no Acre em 1942. Já a febre amarela silvestre não voltou por uma simples razão: ela nunca foi embora. É de 1692 o primeiro relato da doença no Brasil; foi um surto na Bahia. “Nem irá nos abandonar”, antecipa Castilho. “A menos que se exterminem todos os macacos, o Haemagogus e o Sabethes. Algo totalmente irreal. Afinal, são seres silvestres e fazem parte da natureza.” 

 O Haemagogus e o Sabethes (apenas durante a estação seca) são os mosquitos que transmitem o vírus da febre amarela silvestre ao homem. No país, de 1996 a novembro de 2007, há 349 casos confirmados, com 161 óbitos. O ano de maior incidência foi 2000: 85 casos confirmados, 40 óbitos. De dezembro de 2007 a dia 4 de fevereiro de 2008, há 25 casos confirmados e 13 óbitos. Os dados são da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde (MS). 

 “Não há epidemia de febre amarela – nem urbana nem silvestre”, informa o médico epidemiologista Eduardo Hage Carmo, coordenador de Vigilância Epidemiológica do MS.  “Existe uma situação de emergência: temos casos, mas não temos surto.”  A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) assinam embaixo. “O Brasil está no caminho certo”, sustenta o médico epidemiologista Jarbas Barbosa da Silva Jr., gerente da área de Vigilância em Saúde e Manejo de Doenças da OPAS/OMS. “O governo tem que continuar adotando as medidas de controle e prevenção, como já tem feito.”

Isso significa: 

1) Vacinação de quem realmente precisa vacinar-se. “Incluem-se, aqui, as crianças que residam ou viajam para as áreas de risco”, alerta o pediatra Gabriel Oselka, professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP e membro do Comitê Técnico de Imunizações do MS. Atualmente, a vacina faz parte do calendário infantil de vários estados brasileiros (veja mais adiante).

 2) Vigilância de morte de macacos, para monitorar a circulação do vírus da febre amarela. Como eles são o “prato” predileto do mosquito transmissor da forma silvestre, funcionam como sentinela. A morte deles é um sinal de alerta, que exige investigação, para evitar casos humanos. Desde 2003, todos os estados têm equipes treinadas para fazer essa vigilância. “É um sistema bastante sensível que tem permitido detectar epizootias (morte de macacos pelo vírus da febre amarela silvestre) e intervir antes que o vírus chegue ao homem, prevenindo epidemias”, salienta Ramos.

 3) Vigilância  dos sintomas. Nas regiões de risco de febre amarela, é obrigatória a notificação como suspeitos dos casos de pessoas com febre alta e icterícia (pele e olhos amarelados) ou febre alta e alguma hemorragia. E, em seguida, investigados, pois há muitas doenças com sintomas semelhantes.

4) Detecção precoce e tratamento dos casos suspeitos.

 5) Combate ao Aedes aegypti. “A erradicação ou, pelo menos, a sua diminuição drástica só será possível com a ajuda de toda a população”, adverte Struchiner. “Além de lutar contra a dengue, você estará ajudando a evitar a urbanização da febre amarela.”
Grande parte da mídia, porém, ignorou essas e outras informações. Gerou a sua “epidemia”, provocando desinformação, pânico, filas, vacinações desnecessárias, erradas, entre outros “efeitos colaterais”.  Por isso, juntamos, aqui, os doutores Euclides Castilho, Jarbas Barbosa da Silva Jr., Celso Ferreira Ramos-Filho, Cláudio Struchiner, Celso Granato, Eduardo Hage Carmo e Gabriel Oselka. Esses sete especialistas nos ajudaram a elaborar este guia para você se proteger – de verdade! -- da febre amarela.


Brasil só tem a forma silvestre
Doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo, 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela. Continua a ser importante problema de saúde pública nas Américas e África tropical. Tem dois tipos de transmissão: a silvestre e a urbana. No Brasil, a que existe é a febre amarela silvestre, restrita principalmente às áreas de matas e florestas.

 

Dos animais para o ser humano
Começando pelo tipo silvestre. O Haemagogus prefere o macaco. Aí, o mosquito, caso esteja infectado, transmite o vírus ao primata, que então se infecta. Assim, um passa o vírus para o outro, sucessivamente. É um ciclo mosquito-macaco-mosquito.
Já o ciclo de transmissão da febre amarela urbana é diferente. Primeiro, o ser humano infectado pelo vírus da febre amarela precisa ser picado pelo Aedes aegypti. Depois, se o mosquito realmente se infectar, o vírus se desenvolve. Mas, só numa picada posterior, a transmissão se completa. Desde que, é claro, essa pessoa nunca tenha entrado em contato com o vírus -- seja naturalmente ou pela vacina. A transmissão pelo Aedes é que a caracteriza. “Febre amarela urbana não significa caso de pessoa que reside na cidade, como muitos pensam”, avisa Hage. “No momento, é muito remoto o risco desse tipo no Brasil.”


Onde “mora” o perigo

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 A fonte deste mapa é a Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde. Nele, é possível visualizar todas as áreas de risco de febre amarela silvestre no Brasil. Cada cor corresponde a um tipo de risco:

* Verde significa região endêmica. São os estados onde a circulação do vírus é constante e o risco, permanente; em geral, tem poucos casos, devido à maior vacinação da população. No ambiente silvestre, porém, a reprodução dos mosquitos está mais ligada a um ciclo natural, sazonal. Assim, a cada cinco a oito anos, tem um pico.  Foi o que aconteceu em Goiás, em 2000. É o que acontece agora nos estados com casos humanos e mortes de macacos.

* Em vermelho, a área intermediária, ou de transição. Nela, o vírus circula em baixa intensidade, esporadicamente. É uma área de risco médio. Entretanto, ocasionalmente, também pode ter picos, como os observados, em 2001, no Rio Grande do Sul (em macacos), e, em 2001 e 2003, em Minas Gerais (em macacos e humanos).

* Em amarelo, a área de risco potencial. Até o momento, não apresenta circulação de vírus da febre amarela. No entanto, é vulnerável, pois: 1) apresenta características ecológicas semelhantes àquela onde, em 2003, ocorreu o surto em Minas Gerais; 2) é uma região muito próxima da zona de transição. Tanto que, nela, há uma busca sistemática de macacos doentes ou mortos.  

* Em azul, a área indene, isto é, sem risco de febre amarela. Além de não haver circulação do vírus, não tem contigüidade com áreas onde ele circula. 

 

Como você  pode se infectar
O  vírus da febre amarela não se "pega" como o vírus da gripe, por exemplo. A transmissão não é ser humano a ser humano. É preciso um agente intermediário. No caso, os mosquitos transmissores do vírus da febre amarela, principalmente o Haemagogus, o mais freqüente:  "O Haemagogus só nos pica quando entramos de bicão no pedaço dele, e ele não tem outro alimento mais apetitoso por perto", fala sério Ramos-Filho. "Aí, o ser humano acidentalmente se infecta, caso não esteja imune." Portanto, tem risco de se infectar quem:

* Reside nas zonas verde, vermelha e amarela do mapa da SVS/MS e não tomou a vacina.

*Viaja para essas mesmas zonas, em qualquer época do ano e não se vacinou.

 

Sintomas: três a seis dias após a infecção
Nem todas as pessoas infectadas pelo vírus da febre amarela têm sintomas. Nas que apresentam, eles geralmente aparecem três a seis dias após a pessoa ser picada: febre, calafrios, vômitos; dores de cabeça, nas costas e musculares; fadiga e fraqueza.  Essa fase pode ser seguida por ligeira melhora, que dura, em média, 24 horas. Porém, nos casos graves, a febre alta e demais sinais e sintomas reaparecem acompanhados de hemorragia de gengiva, nariz, estômago, intestino e pele (manchas vermelhas no corpo). Icterícia (pele e olhos ficam amarelados) e aumento de proteínas na urina freqüentemente ocorrem nos casos graves. Nos estágios mais avançados, a pessoa pode ter hipotensão, necrose do rim, arritmia cardíaca. Também entrar em coma.
“Não há tratamento específico para a febre amarela”, adverte Euclides Castilho. “Os tratamentos são apenas para os sintomas.”

 

Fatal em cerca de 50% dos casos
Entre as pessoas infectadas pelo vírus da febre amarela e que têm sintomas, cerca de 50% morrem.  No Brasil, dos 349 casos confirmados de 1996 a novembro de 2007, 161 foram a óbito. Atente à situação, ano a ano.

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Vacina, a única prevenção eficaz
Só há uma forma segura de prevenir a febre amarela: vacina. É fabricada com vírus vivo da doença, atenuado, em oito países: Brasil, França, Estados Unidos, Inglaterra, Índia, Rússia, Colômbia e Senegal. São oitos laboratórios, todos pré-qualificados pela OMS. Apenas três produzem para o mercado global, entre eles: Instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz – o maior produtor mundial; e o Instituto Pasteur, na França. A vacina é a mesma. De 1999 a janeiro de 2008, foram aplicadas aproximadamente 85,8 milhões de doses no Brasil. Tem validade de dez anos.

“É uma vacina eficaz e segura”, garante Jarbas Barbosa, da OPAS/OMS. Gabriel Oselka frisa: “A eficácia é praticamente de 100%”.

Descubra quem deve se vacinar e por quê
Deve ser vacinado quem:

* Ainda não se vacinou e reside em: todos os estados das regiões Norte e Centro-Oeste; todos os municípios do Maranhão e Minas Gerais; municípios do sul do Piauí, oeste e sul da Bahia, norte do Espírito Santo, noroeste de São Paulo e oeste de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

* Vai viajar para esses mesmos lugares por qualquer motivo – negócios, visita a familiares, trabalho, ecoturismo. Importante: a vacina deve ser tomada dez dias antes da viagem, independentemente da época do ano.

* Vai viajar ou procede de países com alto risco de febre amarela, estabelecidos pela OMS.  

“Além de estar na agenda de vacinação internacional, a vacina faz parte, desde a década de 1990, do calendário de imunização infantil da região endêmica”, informa Eduardo Hage. “A partir de 2004, tornou-se também sistemática para adultos dessa região, assim como para crianças e adultos da área de transição.”

Na certa, a esta altura, tem gente objetando: “Se a pessoa reside ou pretende viajar para a área vermelha ou amarela por que se vacinar?”

“Primeiro, você deve se vacinar, sim”, rebate Cláudio Struchiner. Por várias razões: 1) Tem risco potencial; 2) Proteger a si próprio de eventual picada por mosquito infectado; 3) Ajudar a impedir a urbanização da febre amarela.  Uma vez vacinadas, as populações das áreas de transição e de risco potencial funcionam como barreiras de proteção entre a população urbana e a região silvestre, onde a transmissão está se dando. Quanto menos pessoas infectadas pelo vírus da febre amarela nas cidades, menor a probabilidade de os mosquitos urbanos – leia-se Aedes aegypti – se infectarem e passarem a transmitir a doença. Aí, sim, pode ocorrer a febre amarela urbana.

 “Mas eu moro em Brasília, onde o risco é zero. Por que me vacinar?”, mais gente deve replicar. “Em Manaus, o risco de febre amarela também é zero. E aí?”
“Realmente, nas cidades citadas o risco é zero. Mas que certeza vocês têm de que nunca irão aos seus arredores, como Pirinópolis, próximo a Brasília?”, devolve o desafio Celso Ramos. “Muitas vezes um simples churrasco rural pode ser uma fonte insuspeitada de risco.” Não à toa
Jarbas Barbosa é taxativo: “Moradores de áreas de risco devem se vacinar, mesmo que vivam em cidades. Muito provavelmente vocês têm eventualmente contato com ambientes silvestres próximos, como chácaras, cachoeiras, rios e áreas de camping”.

Atenção às contra-indicações
Como qualquer vacina composta de vírus vivos (mesmo que atenuados) e cultivados em embriões de ovos de galinha,  a da febre amarela tem contra-indicações:

* Bebês com menos de seis meses; há risco de encefalite (inflamação do cérebro).

* Pessoas alérgicas, especialmente a ovo; têm risco de reação grave.

* Pessoas com baixa imunidade devido a doenças ou ao tratamento delas. Por exemplo, câncer, transplante de órgãos ou lupus, que exigem remédios imunossupressores, como corticosteróides em altas doses.

* Gestante ou mulher que pretende engravidar; há risco teórico de o vírus da vacina atravessar a placenta e causar encefalite no feto.

 “Quanto a pacientes HIV-positivos, não existem dados que permitam uma posição inconteste”, informa Ramos. Há relato de um caso de reação indesejada na Tailândia. É preciso, portanto, avaliar caso a caso, pesando risco e benefício.
 

Reações adversas:  leves, as mais comuns
Como toda vacina fabricada com vírus vivos atenuados, a da febre amarela tem  efeitos colaterais. Os mais comuns: dor no local da injeção – é imediata; febre baixa, dor de cabeça e mal-estar – três a oito dias após a vacinação. Atingem 5% a 15% dos vacinados. “As reações mais comuns, portanto, são leves, em sua intensidade”, enfatiza Celso Granato.

A vacina pode, ainda, eventualmente causar:

* Asma, urticária e até choque anafilático em pessoas alérgicas a ovo ou outro componente utilizado na preparação da vacina. Ocorre menos de 1 caso por um milhão de vacinados.

* Encefalite. É uma reação grave, temida, mas muito rara. Surge cerca de 12 dias após a aplicação da vacina, e se manifesta por febre, dor de cabeça,  irritabilidade, sonolência/torpor/coma e convulsões. É mais comum em bebês com menos de seis meses, daí a contra-indicação para eles. Depende da cepa viral usada. Especificamente a cepa francesa, utilizada na vacina manufaturada no Senegal.

* Simulação de febre amarela. Casos esporádicos têm sido verificados ultimamente, com graves danos aos rins e fígado. Esses casos ocorreram em pessoas com doença do timo (glândula situada em frente à traquéia, muito importante para a produção de substâncias de defesa do organismo) e em indivíduos acima de 65 anos. 

Temos em investigação 47 casos suspeitos de reação à vacina; 21 foram hospitalizados com reações moderadas a graves”, informa Eduardo Hage. Qualquer pessoa que toma a vacina e, em dez dias, apresente febre, manchas avermelhadas no corpo ou reações mais graves, como icterícia ou hemorragia, deve ser considerada como caso suspeito de reação adversa. E, aí, só uma investigação laboratorial confirmará, pois os sintomas de reação à vacina podem se confundir com os de várias doenças.


1 óbito para cada 1 milhão de vacinados
O risco de óbito é uma possibilidade remota. Não é exclusividade da vacina contra a febre amarela. Também não é um problema da vacina brasileira. Aconteceu igualmente com a fabricada nos Estados Unidos.
“Num estudo que realizamos em Minas Gerais e Rio Grande do Sul, estimamos a possibilidade de 1 óbito para cada 12 milhões de doses aplicadas”, revela Cláudio Struchiner. Já o Ministério da Saúde trabalha com uma probabilidade maior: 1 óbito para cada um milhão de vacinados. “É que levamos em conta o total de doses aplicadas no país e o total de efeitos colaterais relatados à SVS”, explica Hage.

 Conclusão: só tem sentido vacinar uma população quando o risco de ela se infectar pelo vírus da febre amarela é maior do que o risco de reações adversas graves da vacina. No caso da região indene (em azul, no mapa), seguramente o risco da vacina é maior.

Uma dose a cada dez anos
A vacina contra a febre amarela protege você por dez anos. Portanto, só a cada dez anos você tem que se revacinar.
“É errado tomar duas, três doses seguidas”, adverte
Gabriel Oselka. A vacina não é um remédio qualquer. É um produto imunobiológico que contém vírus vivo atenuado. Como o posto de saúde não pode negar a ninguém a vacina, o controle está em suas mãos. Uma dose só, a cada dez anos!

 

Todos podem ajudar. Faça a sua parte!
Portanto, esta é a realidade hoje:
1) Se você mora ou vai viajar para região de risco de febre amarela, vacine-se se ainda não o fez.

2) Se tem alguma das contra-indicações citadas ou outro problema de saúde, consulte o seu médico ou uma Unidade Básica de Saúde antes de se vacinar.  Nesses casos, é preciso colocar na balança o risco e o benefício de cada situação.
3) Se mora em área sem risco, melhor para você. Está livre da vacina. Não caia na armadilha do “se bem não faz, mal também não vai fazer”. Em se tratando da vacina contra a febre amarela, isso é uma roubada.
4) Não deixe a água se acumular nos vasinhos de plantas, tampe a caixa d’água, não jogue pneus nem garrafas de refrigerante ou latinhas de cerveja nas ruas. Isso – você sabe muito bem – combate a proliferação do mosquito Aedes aegypti. O benefício é duplo. Você ajuda a diminuir a dengue e a prevenir a urbanização da febre amarela. Faça a sua parte. Proteja-se de verdade!

Quem é Conceição Lemes
Há 25 anos atua como jornalista especializada em saúde. Já ganhou 22 prêmios por reportagens nessa área. Entre eles, o Esso de Informação Científica e
José Reis de Jornalismo Científico, concedido pelo CNPq. Conquistou também vários prêmios Abril de Jornalismo, a maioria por matérias publicadas na revista Saúde!, da qual foi repórter, editora-assistente, editora e redatora-chefe. Em 1995, foi com a reportagem “Aids — A Distância entre Intenção e Gesto”, publicada pela revista Playboy. O projeto que desenvolveu para essa matéria foi selecionado para apresentação oral na 10ª Conferência Internacional de Aids, realizada em 1994 no Japão. Pela primeira vez um jornalista brasileiro teve o seu trabalho aprovado para esse congresso. Concorreu com cerca de 5 mil trabalhos enviados por pesquisadores de todo o mundo. Aproximadamente 300 foram escolhidos para apresentação oral, sendo apenas dez de investigadores brasileiros. Em conseqüência, foi ao Japão como consultora da Organização Mundial de Saúde.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
karla (21/01/2009 - 19:28)
deveriam vericar casos em santos de meningite mengococica...em crianças de 2 anos e homenns acima de 40 empresario que foi contagiado.......

José Mauro Couto (20/02/2008 - 17:09)
Não costumo ler blogs, mas até que deveria, vejo que somente ali, obtive informação responsável, clara e honesta com respeito a um tema de interesse de todos. Parabéns a jornalista Lemes pela brilhante matéria e por ter dado voz aos sete especialistas que transmitiram o aspecto técnico conferindo imparcialidade e confiabilidade ao texto.

Eduardo Campos de Oliveira (20/02/2008 - 09:53)
Prezada Conceição, estava gozando férias e somente agora pude ler sua mensagem e acessar o blog do Azenha (à semelhança do Prof. Celso, não sou "frequentador" assíduo de blogs, ao menos até agora!) e também gostaria de parabenizá-la, e ao Azenha pelo espaço inteligente de leitura e debate, pelo trabalho.
Brasília, 20 de fevereiro de 2008.

Helena Brígido (11/02/2008 - 09:31)
No Pará foi (está sendo uma loucura) o alarde, ainda que a Sociedade de Infectologia informe à população. Parabéns pela reportagem. O desabastecimento da vacina no país ocorre exatamente por conta do desespero que fizeram a população ter e muitos que REALMENTE precisam da vacina não têm. Parabéns! Helena Brígido

joao rodrigues dos santos (09/02/2008 - 10:50)
Parabens pelo site e pelo interesse em esclarecer a populacao. Achei importante analisar a tabela do texto que mostra a evolucao dos casos de febre amarela no brasil desde 1996. Desde 1998 eu venho alertando meus colegas virologistas da UFMG que a vacina da febre amarela, de todas as que usam virus atenuado, é que envolve maiores riscos de morte. Vacinacao em massa é sinonimo de aumento gigantesco no numero de casos. A propria tabela apresentada acima confirma isto. Nao precisa ser um bom cientista para ver isto.As campanhas de vacinacao em massa começaram em 1998 e terminaram em 2003 devido as confirmacoes, pela imprensa, dos efeitos adversos graves ligados a vacina. Morreram mais de 4 pessoas neste periodo pela vacina. A campanha de vacinacao voltou em dezembro de 2007 e, no fim de dezembro eu, voltei a alertar meus colegas que o numero de casos de febre amarela no Brasil iria crescer a medida que o numero de pessoas vacinadas aumentassem. Nao deu outra! O ministro da Saude é uma pessoa extremamente competente e acho que ele devia reavaliar estas medidas preventivas em relacao a febre amarela. Os riscos de morte pela vacina sao infinitamente superiores para aquelas pessoas que nao iram entrar nas matas das regioes de florestas.

mjsrego@gmail.com (09/02/2008 - 08:58)
Magnífica reportargem Azenha. Esclarecedora, informativa, séria e isenta. Nós brasileiros estamos sedentos de notícias deste calibre e de jornalistas como você. Parabéns!!!!!!

Willians Barros (09/02/2008 - 03:04)
Caro Azenha: este post não é para ser publicado, obviamente. Quando puder, por favor, repasse meu e-mail para a Conceição Lemes, atendendo a um pedido dela. Parabéns pelo belo trabalho!
Willians Barros
wmgb@terra.com.br

Tatiana (08/02/2008 - 16:46)
Perfeito o texto-reportagem. Claro, direto e definitivo. Que bom seria se nossa imprensa fosse assim. Evitaria muita confusão, idéias erradas e até mortes. Parabéns!

Conceição Lemes (08/02/2008 - 12:59)
Willians, estou ficando com medo, você lembra do meu passado mais do que eu mesma. Brincadeirinha. Realmente, fiz aquela reportagem sobre o uso de hormônios para engorda de boi. A revista Saúde tinha saído da Abril ido para a Azul e depois voltou para a Abril, lembra-se? Quanto ao hormônio em questão era o dietilestilbestrol (DES), que acabou banido. Era cancerígeno, foi muito usado na década de 1980, e chegava ao Brasil via contrabando. Eu, por exemplo, comprei-o em Cuiabá. Agora, chega de passado. Por favor, envie para o Azenha o seu email. Obrigada. Um abraço e boa sorte.


Leider Lincoln (08/02/2008 - 09:47)
Recebi meu documentário, "A Revolução não será Televisionada"! Já vi 2 vezes e irei mostrá-lo a todos os meus alunos de sociologia! Espero que não haja muita encrenca com royalties, pois pretendo replicá-lo para atividades de contra-desinformação. Inclusive, se alguém o quiser, meu endereço eletrônico é lidersilvaso@gmail.com!

Celso Ferreira Ramos Filho (08/02/2008 - 04:55)
Cara Conceição:
Parabéns: excelente matéria, como sempre!
Não sendo freqüentador de blogs, não sei exatamente o que pode ser escrito, aqui. Mas li hoje a matéria da Sra. Eliana Catanhêde, publicada na Folha de São Paulo de 9 de janeiro: aquela, intitulada "Perigo Amarelo" (verdade, verdade... mas não a febre: ela), em que fez um apelo "para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem... Vacine-se logo!". Não sei se foi o artigo dela que desencadeou a onda alarmista, ou se ele apenas fez parte do maremoto. Sei porém duas coisas.
Primeiro, que é extraordinária a arrogância desta senhora que, montada em sua ignorância de um assunto técnico, julga-se capaz de, levianamente, propor a uma população de 180 milhões de habitantes que se utilizasse em massa de um imunobiológico sobre o qual ela (Catanhêde) não sabe seguramente nada, com conseqüências de que ela (idem) sequer podia suspeitar.
Segundo, que, apesar das queixas e reclamações que a mídia freqüentementer faz da capacidade reguladora e punitiva dos Conselhos Regionais de Medicina, eu não tenho dúvidas: fosse médica a Sra. Catanhêde, estaria ela certamente em vias de dar com um belo processo pelas fuças.
Não leio a Folha: mas eles não têm lá um "ombudsman" (que, suspeito, seja a mesma coisa que um ouvidor - mas é mais chique...)?

Willians Barros (08/02/2008 - 02:50)
Conceição, como eu disse outro dia, já era seu admirador secreto desde a época da revista Saúde, na Azul. Parabéns por mais esse gol de placa! Se puder, espanque minha dúvida: por acaso, foi de sua lavra uma reportagem cabeludíssima sobre o emprego de hormônios no gado bovino brasileiro, publicada na Saúde? Faz tempo, eu sei...mas até hoje ando cismado com isso.

Lorene Pinto (08/02/2008 - 00:29)
Agradeço em nome dos profissionais de Saúde Pública a nobre contribuição.
Superintendente de Vigilância e Proteção da Saúde SES-BA
DMPS/FAMEB/UFBA

Toshio Chiba (07/02/2008 - 23:51)
Parabéns pela qualidade da matéria e informação "verdadeiramente" valiosa como material jornalística. Fico contente pela presença de Jornalistas como vocês no meio de tanta informação, muitas vezes, perturbadores!

Sergio Telles (07/02/2008 - 23:11)
Belíssimo serviço de utilidade pública! Isso sim que é "prestação de serviço", de forma exemplar. Quem sabe um dia nossa grande mídia aprende e faça isso ao invés de alardear bobagens.

O mapa é claríssimo, curioso que 99% das pessoas que vão a Brasília NUNCA se vacinaram e ela é tão potencial como a Amazônia, apenas por ser uma área urbana é que o risco torna-se muito menor. (Até porque quem vai na Amazônia geralmente vai fazer turismo no meio da selva).

Parabéns. De coração.

Conceição Lemes (07/02/2008 - 16:24)
Azenha, o mérito é meio a meio. Faço questão de compartilhar o resultado dessa reportagem com você e os entrevistados. Se você não tivesse a coragem de publicá-la, de que adiantaria eu tê-la feito? Nada. Ela morreria na gaveta. Obrigada -- mesmo! -- por tamanha dignidade, pelo extremo cuidado e rigor com as informações, por colocar os interesses da sociedade acima dos interesses individuais, pela enorme preocupação com o povo brasileiro. Agora, à dúvida do Breno. Não há uma diferença clara, consensual, entre surtos e epidemias. Inclusive para alguns especialistas são sinônimos. A maioria, porém, considera surto quando há um número relativamente pequeno de casos, em lugares bem determinados. Por exemplo, um bairro, uma escola, um quartel, um presídio. Já epidemia, consequentemente, seria mais generalizada tanto em termos de números de casos quanto de área geográfica. Abraços e boa sorte a todas e todas.

Moisés Goldbaum (07/02/2008 - 14:43)
Meus parabéns a todos, especialmente à Conceição Lemes pela demonstração de seriedade e equilíbrio na análise deste importante problema de saúde pública. Valoriza o conhecimento existente, de forma responsável, e recupera com um texto fluente e didático e faz jus a toda a correta orientação já fornecida pelo Ministério da Saúde. É um texto que merece sua ampla e irrestrita divulgação.

Eduardo Hage Carmo (07/02/2008 - 14:29)
Conceição,
Excelente trabalho. Ouviu adequadamente especialistas no tema de várias instituições, o que garante uma cobertura sem nenhum viés (para usar um jargão epidemiológico). O tratamento destas informações foi excepcional e muito didático. Eduardo Hage Carmo, coordenador de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde da Saúde


Roberto Medronho (07/02/2008 - 13:33)
Parabéns ao meu colega Azenha pelo excelente site e à competente jornalista Conceição Lemes pela reportagem séria, factual, altamente informativa, consultando as fontes corretas. Um primor! Não compactuo com matérias sensacionalistas que servem para "vender jornais" ou, quando não, para interesse muito menos nobre. O Ministério da Saúde agiu corretamente neste caso.

Luiz Carlos Azenha (07/02/2008 - 13:12)
Gente, eu sou apenas INTERMEDIÁRIO. Os parabéns são para a Conceição. Não espalhem este segredo: estou pagando penitência pelas besteiras que já escrevi e disse...

Diego Pereira (07/02/2008 - 13:04)
É o tipo de trabalho, matéria e jornalismo que os principais meios de comunicação do Brasil deveriam fazer, e simplesmente não fazem. Pelo contrário, em vez de informar, eles desinformar a população. Parabéns Azenha e Conceição Lemes por esse texto.

Maria da Glória Teixeira (07/02/2008 - 12:00)
Felizmente que ainda existe jornalismo e jornalistas responsáveis. Pena que este texto não atinja a grande mídia, que neste caso específico, criou pânico e terror na população. Não foi por desinformação que se deu tanta informação equivocada! A grande mídia construiu uma estratégia política de descrédito das orientações do Ministério da Saúde, que vem trabalhando rigorosamente dentro de critérios técnico-científicos. Parabéns Azenha e C. Lemos!

Amyra El Khalili, Economista (07/02/2008 - 10:55)
Conceição,

Parabéns pela esclarecedora e didática matéria A "EPIDEMIA" DE FEBRE AMARELA!

Sendo filha de enfermeira-sanitarista, bem sei o que isso significa. Acompanhei a vida inteira diversas campanhas de vacinação e como são feitos os comunicados e cobertura na imprensa.

Essa não é a primeira vez que a imprensa abusa da má informação provocando desespero na população. Somente o olhar comprometido de jornalistas éticos, que colocam a sua cidadania acima dos interesses individuais em favor do interesse público, poderá mudar este estado de desinformação, desbaratar o maniqueísmo mercantilista.

A boa informação passa também pela sensibilidade. Parabéns pela elegância com que esbofeteia com tapa de luvas de pelica a ignorância dos desavisados que pensam que ainda podem enganar a todos o tempo todo. Os incautos subestimam o poder da internet, minha amiga!

A verdade, ainda que tardia, de uma forma ou de outra sempre aparece. E, hoje com a internet, aparece com carro alegórico, buzinando marchinha de carnaval.

É do engajamento de mulheres pela paz como você, Conceição, que alimentamos nossa esperança!

Qublát Falastinía

(bjs Palestinos)

Amyra El Khalili - mulherespelapaz@bece.org.br
Movimento Mulheres pela P@Z!

%u201CQUANDO O PODER DO AMOR SUPERAR O AMOR PELO PODER,
O MUNDO CONHECERÁ A PAZ%u201D Jimi Hendrix %u2013 1942 %u2013 1970


vitor rocha ferreira (07/02/2008 - 10:24)
Azenha, parabéns!! Simplismente....fantástico o seu trabalho. Meu muito obrigado.

Breno Syperrek (07/02/2008 - 09:51)
Caro Azenha,

Quem dera nossa "grande" mídia prestasse um serviço de informação desse nível. Eu tenho apenas uma dúvida. O texto fala de epidemia e surto. São a mesma coisa? Se não o que caracteriza cada uma das situações?

Abraço e parabéns pelos serviços prestados.

Sabina Gotlieb (07/02/2008 - 09:44)
Parabéns aos envolvidos e preocupados com a verdadeira informação!por favor,não desanimem.

Euclides Castilho (06/02/2008 - 23:35)
Prezado Azenha,

Obrigado pela confiança a mim depositada!

Axé ( como bom baHiano)
Euclides Castilho

José Ricardo Ayres (06/02/2008 - 22:39)
Vocês me tiraram um nó da garganta!! Há semanas que venho acompanhando, estarrecido, o estrago que a mídia vem causando ao controle da febre amarela no país, por uma cobertura, no mínimo, desinformada e superficial. Que bom que esse alerta e o esclarecimento ganham um espaço como este. Parabéns Azenha, Conceição e todos os profissionais que colaboraram com a matéria.

Jair Licio Ferreira Santos (06/02/2008 - 20:44)
Muito bem, Azenha e C. Lemos! Voces devolvem à midia um tanto da dignidade que ela vem perdendo...Abraços.

Carlos Alberto Lemes de Andrade (06/02/2008 - 20:33)
Azenha: parabéns a você e à Conceição, também Lemes e que creio originária da Campanha (MG). É assim que se faz jornalismo sério e responsável. Por favor continuem, os dois, nessa caminhada para desfazer o que coleguinhas menos éticos tentam fazer com a politização e partidarização da nossa (hoje) tão desvalorizada profissão.

Stella (06/02/2008 - 19:46)
Parabéns Azenha e Conceição, profissionais como vocês fazem com que não percamos a esperança no ser humano!

José Eduardo R. de Camargo (06/02/2008 - 19:44)
Parabéns, Azenha!
É assim que se faz jornalismo sério. A função precípua do jornalismo é e deve ser informar.
Abraços!



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