Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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COINCIDÊNCIA: TERRAS ATRIBUÍDAS A LULINHA FORAM VENDIDAS A DD

Atualizado em 22 de julho de 2008 às 12:38 | Publicado em 22 de julho de 2008 às 11:51

Provocado por um leitor do site, fui ler matéria assinada por IBIAPABA NETTO na IstoÉ Rural:

Não é de hoje que se conhece o ditado de que "cada um que conta um conto, aumenta um ponto". E, como o brasileiro gosta de uma boa história, algumas mentiras se tornam verdades, às vezes até mais divertidas do que a própria realidade. Nem mesmo o mundo rural está livre das boatarias que hoje percorrem o mundo em mensagens eletrônicas via internet. Todas, é claro, sem a identificação da autoria.

Quem sentiu na carne os efeitos de um boato bem contado foi o criador de nelore puro de origem José Carlos Prata Cunha, dono de terras em Valparaíso, interior de São Paulo. Circula na internet um e-mail que conta a história de uma fantástica operação em que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o "Lulinha", teria comprado a sua principal área, a Fazenda Fortaleza, por R$ 47 milhões. "Isso é tudo bobagem, nunca vendi minha fazenda e, na verdade, nem oferta cheguei a receber", esclarece Prata Cunha à DINHEIRO RURAL. "Tratamos isso como piada", reforça Leonardo Badra, sócio de Fábio Luís na empresa de jogos eletrônicos Gamecorp.

Mas de onde, então, nasceu essa curiosa história?

Para Fernanda Prata Cunha, filha de José Carlos, que acompanha de perto os problemas derivados do "boato rural", a confusão nasceu de uma sondagem imobiliária. "Realmente fomos procurados por um grupo que se disse representante do filho do presidente", explica. Mas, comenta a fazendeira, a notícia rapidamente caiu "na boca do povo", os e-mails começaram a circular e nunca houve, na prática, algo que se aproximasse de uma oferta de compra.

A fazenda não foi vendida, porém, a dor de cabeça dura até hoje. "Tivemos de modificar a entrada da fazenda e proibir a entrada das pessoas", lamenta Fernanda. Segundo ela, a propriedade virou uma espécie de "ponto turístico" em Valparaíso. "As pessoas param para tirar foto e as brincadeiras por causa da suposta venda que não aconteceu são constantes", diz. De certa forma, ela se diverte. "Algumas pessoas na cidade nos olham meio estranho", brinca.

Mas os "causos" rurais do filho do presidente da República não se limitam às terras dos Prata Cunha. Ele também ganhou fama em outros Estados da Federação, como no Pará. Em outra mensagem, um pouco mais recente, circula a "revelação" de que Lulinha estaria prestes a se tornar um novo "rei do gado". Para tanto, ele teria comprado duas propriedades nas cidades de Marabá e Xinguara, ambas do megapecuarista Benedito Mutran, dono de um dos maiores rebanhos comerciais do Brasil. O que ele diz a respeito? "Tudo bobagem, nunca houve essa operação", diz Mutran.

Em 2007, de fato, Mutran vendeu algumas de suas terras para a Fazenda Santa Bárbara, do empresário Carlos Rodemburg. As vendas aconteceram, só que o comprador era outro. E com verdades misturadas a meias-mentiras, a equipe de DINHEIRO RURAL, de passagem pela ExpoGrande, maior mostra pecuária de Mato Grosso do Sul, se deparou com o novo boato. Entre amigos, um pecuarista de nome Augusto Araújo Oliveira tentava se livrar das gozações dos amigos. O motivo? Uma suposta venda de bois para o filho do presidente. Indagado pela reportagem, ele disse, lacônico: "Não sei de nada, não sei de nada", desconversou, e foi embora. Verdade? Mentira? Não se sabe, mas com certeza vem aí um novo boato rural.

Nota do site: Tremenda coincidência. O Rodemburg - que na verdade se escreve Rodenburg - mencionado pela revista é sócio de Verônica Dantas na Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, que investe em compra de terras e criação de gado de corte. De acordo com o relatório da Polícia Federal, a empresa comprou a Fazenda Promissão por R$ 7 milhões, dando R$ 3 milhões de entrada no dia 28/02/2008. Na mesma data, Maurílio Tolentino, em nome da Agropecuária, pede a Leonardo Correa, do Opportunity, um pagamento relativo à compra da Fazenda Caracol III  - de R$ 3.895.000,00.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Alessandro (03/09/2008 - 15:56)
A verdade é que se isso for real, a maior parte da midia não vai noticiar, pois os mesmos veiculos que poderiam nos informar estão envolvidos até o topo com esses crapulas, pois estes veiculos recebem incentivos financeiros do governo.

Claudio (09/08/2008 - 09:54)
Amém! Tem mais mídia interessada em vender até a alma aos poderosos e aos governos corruptos, do que mídia perdendo tempo para inventar histórias pitorescas dessa natureza. Eu sempre ouvi, desde pequenino, de que, "aonde tem fumaça, tem fogo". Como alguém em sã consciência quer vir defender atos de alguém que ganhava dois ou três salários mínimos e que se envolve em empresas de comunicações, ganhando milhões? Como querer retificar, passar a borracha naquilo que se tornou patente no país, simplesmente alegando que são "boatos maldosos"? Eu me pergunto, revoltado e indignado, aonde está a grande imprensa nacional, essa imprensa livre e feita com amor, com vertgonha na cara dos homens que a fazem, que não vêm explicitar para os leitores, todo essa podridão e esperteza desses homens que fazem o estado brasileiro? Será que a mídia do meu país está aí só para mentir que aqui temos milagres todos os dias, que alguém, aqui, faz feira com 05 reais, que doméstica ganha 3.000 reais mensais e que vivemos num paraíso?

Geraldo Galvão Filho (22/07/2008 - 19:17)
Antonio Álvaro, nós vamos ter muitas duvidas esclarecidas no dia que quebrarem o sigilo bancário, telefônico e fiscal do Jovelino Mineiro.

ANTONIO ALVARO GUEDES (22/07/2008 - 14:51)
AZENHA OU QUEM PUDER DESENHAR O ORGANOGRAMA DO ESQUEMA DANIEL DANTAS. ÀS VEZES EU PENSO QUE ELE É O PREPOSTO DE ALGUÉM MAIS PODEROSO.

italo (22/07/2008 - 14:02)
Muito difícil de acreditar que o PIG não sabia do envolvimento de Dantas, com compra de fazendas, compra de boiadas, contas em paraísos fiscais. Tem verdade que não precisa sair na tv, uma dúvida ou ódio plantados para vender 'antes de mais nada' é um recurso daqueles que 'clamam por liberdade de Imprensa' para escapar de legislação. Assim como a liberação expressa de corruptos por parte das mais altas cortes brasileiras, sem cerimônia nenhuma atribuem ao ambiente jurídico criado pela própria sociedade, quer dizer, nós que criamos a sem vergonhice, amém.

Marco Vitis (22/07/2008 - 13:09)
Os autores dessas "informações" devem ser responsabilizados na Justiça. A impunidade é o incentivo à calúnia e à difamação.

zanuja (22/07/2008 - 13:06)
Nada como um dia atrás do outro p a "imprensa" com seus boatos serem desmentidas. Plantam e irrigam notícias falsas e depois se perguntam pq nós não confiamos neles. tal "opinião publicada" não nos interessa mais.

Patrick (22/07/2008 - 12:56)
Caro Azenha, no Brasil já existem profissionais de marketing cuja função é gerar essas correntes pela Internet. Lembro aqui de pelo menos um exemplo: o proprietário do sítio cocadaboa.com, que "vende" esse tipo de serviço.



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