
Atualizado em 05 de dezembro de 2008 às 09:49 | Publicado em 05 de dezembro de 2008 às 09:36
Prezados,
quis o acaso que se esse amontoado de átomos nascesse e vivesse em uma pequena cidade que fica na Latitude -27° 20' 37'' e por isso me deram um gentílico de catarinense. Por eu ter vivido lá por muito tempo e ainda ter lá meus pais, eu devo avisá-los que o povo de Santa Catarina é um povo pobre. Pobre de espírito, de cultura e financeiramente. Ao contrário no que sai nessas revistas e jornais. MESMO!!!
Mandem roupas, alimentos e livros.
Santa Catarina é terra de Bornhausen, que nasceu no Rio de Janeiro por que seu pai fugiu, se não estou enganado, do pessoal do Getúlio. Assim contam as más línguas...De Amin, de Paulo Afonso, que elegeu Ideli Salvatti (essa apresenta cada projeto no senado!)
Santa Catarina é comandada por uns quatro ou cinco gatos pingados. Nessa terra tem-se orgulho do trabalho. Mesmo que você trabalhe o resto da sua vida para ter um carro e uma casa e, quando com sucesso, se possível deixar um lote para os filhos (só consegue isso quem vai à missa e lá, primeiro agradece e depois faz o pedido para conseguir vencer na vida). Mas se bobear, essa pessoa que tem o seu carrinho e a sua casa não conhece a imensidão do mar. Viajar não é a moda lá não! O nosso estado é tão bom, que as pessoas vêm nos visitar! Na minha opinião, os catarinenses não saem por que não têm dinheiro (Mais ou menos como um disse nos comentários abaixo: “Se Deus quizer, teremos uma temporada de verão maravilhosa, sejam bem vindos...” É a idéia central que domina o estado, turismo! Não para o catarinense, mas para os outros!
Na mídia catarinense e brasileira enaltecem um Resort, feito em área de preservação ambiental e com financiamento de pai para filho, grilam terrenos, constroem em área que, pela lei, pertence a Marinha.
É um estado peculiar. Eu gostaria de saber quantos catarinenses conhecem a capital do seu estadado sem ter ido lá para se consultar ou acompanhando um parente no HU-UFSC, no Vilson Pedro Kleinübing (Oncologia), CEPON (dois na Capital e nenhum no Oeste), Hospital Infatil Joana de Gusmão, Hospital Governador Celso Ramos.
O caboclo que mora lá em Dionísio Cerqueira, fronteira seca com a Argentina, tem que fazer "ambuloteria", terapia de ambulância, até Florianópolis para se tratar de doenças mais graves, algo perto dos 1000 km. Se bobear, em Joinville, a Manchester catarinense (viram só como se criam bons slogans nessa terra!), dependendo do tratamento de saúde, não tem erro, terá que ir para Florianópolis ou Curitiba.
E nem vou falar da divisão do Ensino Público Federal em SC. Nos últimos 4 anos é que isso avançou. Também, quem manda eleger deputado que é dono de universidade, não é?
Mas é interessante ver um pouco da história desse estado. Na época de imigração, os colonos foram vítimas do bilhete premiado pelas empresas que organizavam as viagens na Europa e pelo governo brasileiro da época, e quem pagou o pato foram os índios.
O Governo, querendo branquear a raça brasileira para se equivaler à Argentina (os argentinos mandaram os seus negros para a Guerra do Paraguai), e também garantir as suas fronteiras com o país vizinho, “prometeu” facilidades para os colonos, como sementes, crédito e terra para que fossem morar por aquelas bandas. Os colonos, muitos deles famintos, pois viviam em uma Europa assolada por pragas ( praga da batata), doenças (tuberculose), e a seca na Europa, aceitaram na hora (mais ou menos o que acontece hoje com as promessas que levam brasileiros, africanos, árabes, entre outros para a Europa, EUA, Canadá, Inglaterra e Dubai).
Esse fenômeno de imigração é perfeitamente normal, pois como acontece em qualquer lugar e época, quem migra a procura de trabalho é pobre, pois rico faz viagem de turismo e viagem de negócios. No meu caso sou mão-de-obra.
Mas voltando ao assunto. Quando os colonos chegaram no Brasil, eles tiveram algumas surpresas. Primeiro que o bilhere era falso, não tinham ferramentas, não tinham sementes e segundo, porque as terras tinham uns habitantes um tanto quanto esquisitos para os padrões europeus de posse de terra, bens e trabalho. Esses habitantes ainda não tinham nem aprendido a fazer o plantio em linha dos alimentos e tinham uma característica muito peculiar: Eram nômades, como os Touareg que barraram aquele pessoal das cruzadas...
Alguns índios foram mortos por estarem acampados em terras vendidas. Outros índios descobriram que em determinadas áreas existia muito alimento e, acostumados soltos na vida, pegavam esses alimentos sem pedir. Os colonos ficaram bravos e foram à caça.
Na minha vida estudantil, morando em república, eu escutei dois relatos da caça aos indíos. Um contou o que seu avô lhe contou: saia à noite para caçar índios, onde hoje é Criciúma. O outro contou que seu pai também saia para caçar bugres, como eles são conhecidos lá no oeste de SC. Esse era totalmente revoltado, pois os "índios vagabundos" tinham lhe roubado as terras que eram sua herança. As terras ficam em Seara, região que ainda vive conflitos.
E tem mais: onde é a Imaribo, se não estou enganado, é terra de quilombola...A ocupação desordenada de SC daria reportagem...
O Vale do Itajaí e suas adjacências também têm suas histórias de caças aos índios e esse tipo de aquisição de terra.
O que quero dizer é que a ocupação desordenada em Santa Catarina não é de hoje e o nosso estado é pobre, ineficiente e ganancioso, pois até hoje não foi capaz de resolver este problema.
Algumas pessoas aqui na Alemanha dizem que a Reforma Agrária européia foi feita por meio do envio de pessoas daqui para a América (para eles América é todo aquele pedaço de terra, no outro lado do Atlântico, que vai do Alasca até a Antártica). Os mais reacionários, como o locador do meu imóvel, diz que eles se livraram dos menos abastados e dos mais problemáticos. Segundo ele, muitos (criminosos) viram a oportunidade de se livrar de alguns problemas por aqui e partiram.
Os que ficaram aumentaram seu capital. Menos uma família para comer, mais terra para cultivar, etc, etc. Já ouvi histórias de pessoas que foram para a Itália atrás de parentes e deram com os burros n'água, pois os parentes achavam que eles queriam requisitar direito de herança. De um alemão ouvi que não acharam o registro de saída de seus antepassados nas Igrejas (nessa época era a Igreja que fazia os registros), o que pode ser um forte indício de que a nobreza, que os seus descendentes no Brasil tanto fazem questão de enaltecer, pode ter sido inventada por um antepassado sacomão.
A grande vantagem que os imigrantes tinham quando chegaram ao Brasil eram as garrunchas e a alfabetização, além do início da cultura industrial. Isso, para alguns, fez a diferença e surgiram as cidades-indústrias, onde o prefeito gerallmente é membro da família dona da principal empresa da cidade ou o contador da maior empresa da cidade. Como levavam trabalho da empresa para a prefeitura, muitas vezes se atrapalhavam com os papéis e a prefeitura pagava a conta errada...
Nessa região do Vale do Itajaí, se bobear, muitos ainda sonham com a Vaterland. Essa palavra é equivalente a "nossa terra natal "na língua portuguesa (para ver como a língua alemã é do contra, sol é substantivo feminino e lua é masculino!). É só ver como eles mantém seus dialetos e hábitos:
http://br.youtube.com/watch?v=qev_jIXzyqI
http://br.youtube.com/watch?v=-OJ7HsA18RA&feature=related
O Brasil não é uma maravilha, temos problemas sociais gravíssimos, mas somos tolerantes e melhoramos muitos no que diz respeito à diferença cultural. Nós conseguimos conviver com diferenças, até demais, como a fome, os desempregados, os miseráveis, entre outras coisas, como bem enalteceu o texto que me motivou a dar uma aliviada nos pensamentos.
Digo isso porque, na Europa atual, com uma crescente tendência reacionária, uma manifestação cultural igual a essa é motivo, para muitos, de pânico, é perda da identidade, é uma ataque à soberania e por aí vai. Aqui, para se ter uma idéia, eles estão querendo proibir palavras estrangeiras no dia-a-dia. Claro, menos o inglês.
É tempo de refletir, é tempo de se unir. É tempo de agir para resolver esses problemas. Liberdade, Igualdade e Fraternidade nunca saiu de moda.
De autoria de um catarinense anônimo que vive na Alemanha
Sou paranaense mas moro praticamente desde que nasci em Santa Catarina, e porisso digo que apesar de SC não ser um lugar perfeito (aliás, nenhum lugar do mundo é), tbém não é tão ruim como este anônimo catarinense (será que é mesmo?) afirma em seu texto. Não se pode criticar um estado por eleger alguns maus políticos, pois isso não é exclusividade catarinense, ou será que Heráclito Fortes, César Maia, José Agripino, Orestes Quércia, Garotinho,entre outros, foram eleitos pelos catarinenses?? Não se pode julgar SC apenas por um ou outro parâmetro, tendo em vista que é um estado pequeno, porém muito heterôgeneo, em termos de colonização e desenvolvimento, possuindo diversidades regionais bem acentuadas. Claro que este estado apresenta problemas, como qualquer outro do Brasil, mas ainda assim mantém índices de desenvolvimento humano em níveis acima da média, tem uma natureza exuberante e um povo acolhedor e simpático. Será que se SC fosse tão ruim como o Anônimo diz, tantas pessoas de outros estados estariam se mudando pra cá?