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Brasil, o superpoder agrícola

Atualizado em 06 de novembro de 2009 às 21:07 | Publicado em 06 de novembro de 2009 às 21:05

por Jonathan Wheatley, no Financial Times

Published: November 4 2009 16:29

Os maltusianos preocupados com a capacidade do mundo de se alimentar deveriam ouvir Roberto Rodrigues, um consultor do agronegócio e ex-ministro da Agricultura brasileiro.

"A ideia de que haverá falta de alimento é errônea", ele diz. "A produção no Brasil está crescendo em todas as áreas".

De um pequeno país agrícola, o Brasil se tornou uma superpotência nas últimas duas décadas, se tornando o maior exportador de carne, frango, concentrado de laranja, café, açúcar, etanol, tabaco e do complexo de soja, grãos e óleo, além do quarto maior exportador de milho e carne de porco.

Ao contrário da maior parte da economia brasileira, onde os crescimentos de produtividade foram menos que espetaculares, a agricultura atingiu seu novo status graças ao gerenciamento mais eficiente e ao desenvolvimento e aplicação de tecnologia.

Entre as safras de 1990-91 e 2008-09, por exemplo, a produção de grãos aumentou de 58 milhões para 144 milhões de toneladas. No mesmo período, a área plantada com grãos aumentou apenas 26%, de 39,9 para 47,7 milhões de hectares. A produtividade, medida em toneladas por hectare, quase dobrou.

Entre 1980 e 2008, o número de vacas leiteiras subiu de 16,5 milhões para 21,5 milhões, enquanto a produção de leite aumentou de 11,2 bilhões para 27,1 bilhões de litros -- um ganho de produtividade de 86%. Entre 1994 e 2009, a produção de carne aumentou 77%, de carne de porco 133% e de carne de frango, 217%.

Mas a importância do Brasil como fornecedor global se baseia mais em potencial do que em performance passada. De seu território total de 851 milhões de hectares, cerca de 340 milhões são bons para a agricultura. Destes, 72 milhões estão sendo usados na agricultura e 172 milhões como pastagens. Isso deixa 96 milhões de hectares livres para a agricultura, sem tocar uma árvore da floresta amazônica ou outras áreas sensíveis.

Ainda assim fazendeiros e pecuaristas tem cortado as florestas do Brasil em um ritmo alarmante. Embora a taxa de devastação na Amazônia tenha caído de 27 mil km quadrados em 2004 para 11,2 mil km quadrados em 2007, ainda é alta.

O governo diz que o declínio se deve a melhor monitoramento e controle, embora muitos cientistas digam que a flutuação dos preços das commodities tiveram um papel maior na queda e no aumento subsequente do desmatamento.

Muita da terra disponível para a agricultura fica em partes do país onde os títulos de propriedade são relativamente bem estabelecidos e a lei é cumprida. Na maior parte da Amazônia não é o caso. É fácil para um pequeno pecuarista, por exemplo, cortar a floresta e usar a terra para criar gado por alguns anos até que os nutrientes se esgotem, e se mudar para outra gleba.

Um melhor monitoramento e iniciativas de mercado geram esperança de que o deflorestamento vai diminuir. Enquanto isso, os fazendeiros se concentram em aumentar a produtividade.

O número de cabeças de gado aumentou de 78,6 milhões em 1970 para 169,9 milhões hoje, enquanto a terra usada para pastagens passou de 154,1 milhões de hectares para 172 milhões de hectares.

No estado de São Paulo, há 1,55 cabeça de gado por hectare de pastagem; se essa média, que é baixa pelos padrões internacionais, fosse mantida no resto do país, outros 62 milhões de hectares se tornariam disponíveis para o plantio.

Pecuária de alta densidade é um avanço tornado possível por cientistas de centros de pesquisa agrícolas do país, que desenvolveram melhores variedades de capim, por exemplo. O Brasil também é ajudado por seu clima tropical, com quantidades de sol e chuva geralmente previsíveis.

A maior eficiência gerou monoculturas, especialmente de cana de açúcar e soja. Grandes áreas estão cobertas por mares desses produtos, pontilhados por equipamentos de irrigação.

O sr. Rodrigues, que é de uma família de fazendeiros, diz que visitou recentemente a fazenda de um filho no norte do estado do Maranhão.

Quando pediu ovos frescos e saladas da horta, o filho disse que ele poderia comprar no supermercado.

"É como tem de ser hoje", ele diz. "Concentração no meio mais eficaz de produção". O conhecimento dos fazendeiros avançou enormemente, mas eles ainda enfrentam problemas. Estradas ruins e outros problemas logísticos aumentam bastante o preço de levar os produtos ao mercado.

Ao contrário de outras nações agrícolas, o Brasil quase não tem seguro rural para proteger os fazendeiros de fatores fora de seu controle; além do clima, eles também ficam vulneráveis aos juros, taxa de câmbio, negociações comerciais e mais.

O sr. Rodrigues diz que não é verdade, como muitos do setor reclamam, que o Brasil não tem política agrícola. O que falta, ele diz, é uma estratégia ampla para o setor, coordenada por mais de um ministério.

Apesar desses problemas, o sr. Rodrigues diz que o status do Brasil como um superpoder agrícola só vai crescer. Ele diz conhecer 22 fundos de investimento estrangeiros em busca de oportunidades.

"Se eu fosse investidor, colocaria meu dinheiro em logística e fertilizantes", ele diz. "As oportunidades são fantásticas. E as pessoas estão vindo sem que a gente as convide".


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Jase (08/11/2009 - 18:37)
Eles vão elogiar mesmo quando exportarmos bananas.

O texto é bem motivacional,um elogio estadunidense é sempre um motivo de orgulho para o Brasil.
Afinal,somos o único país que acredita que será uma nação desenvolvida sem deixar de ser uma colônia exportadora de matérias primas.

http://infinitoaldoluiz.blogspot.com/ (07/11/2009 - 14:35)
O abjeto povo brasileiro é descartável e o que menos interessa aos proprietários do "agrobusiness", a não ser para puxar as carroças dos seus senhores; os que permanecerem ainda vivos de acordo com a programação da NOVA ORDEM MUNDIAL escravagista é claro.
Sinto muito, sou grato.

Malthus (07/11/2009 - 13:48)
Washington, DC (LifeNews.com) -- An advisor to Secretary of State Hillary Clinton claims the Earth faces overpopulation problems even though dozens of nations are seeing too few births to support an aging population. While some nations are following the new 4-2-1 population model Nina Fedoroff claims the planet has too many people.

The new model is seeing nations like Japan, many countries in Europe, and even the United States seeing one child who will be expected to support two parents and four total parents and grandparents.

The model shows how nations like Canada, England, Japan, Russia and others are facing acute worker shortages and problems putting enough money into social and government systems from workers to support retirees.

Still, Fedoroff told the BBC One Planet program that humans had exceeded the Earth's "limits of sustainability."

"We need to continue to decrease the growth rate of the global population; the planet can't support many more people," she claimed. "There are probably already too many people on the planet."

"Starting in the world's richest, best-fed nations during the 1970s,and now spreading throughout the developing world, we find birthrates falling below the levels needed to avoid long-term, and in many instances, short-term, population loss," he adds.

Longman says the phenomenon has spread beyond Europe and Asia to Latin America.

"Brazil is an aging nation that no longer produces enough children to replace its population.

lmvp (07/11/2009 - 13:47)
Tem que invadir terras improdutivas, produtivas e que estejam nas mãos do capital internacional.
Quem disse que reforma agrária não combina com capitalismo?? Não sei se vocês sabem, mas o único grande país capitalista que não fez a reforma agrária no século XX foi o Brasil.
Do México aos EUA. Todos respeitam e dão espaço aos pequenos produtores, só aqui é essa pouca vergonha

Marcos D. (07/11/2009 - 13:46)
O governo Lula foi o que mais investiu na agricultura familiar. O orçamento do Pronaf aumentou 531% no governo Lula, passando de R$ 2,38 Bilhões para R$ 15 Bilhões neste período.

Link:

http://www.seagri.ba.gov.br/cartilha_plano_safra_2009.2010.pdf



LMVP (07/11/2009 - 13:42)
Marcus Vinicius (07/11/2009 - 10:15)
"Dvorak (07/11/2009 - 09:09)
Tudo muito bem, tudo muito bom. Mas e os brasileiros que passam fome. Quando serão alimentados?? "

Você é um hipócrita, Dvoranta! Se não consegue sustentar suas idiotices que costuma postar, que dar uma de "vestal" aqui com essa fala manjada, sem propostas? você é um daqueles que fazem parte da turma "Dr. Jekyll & Mr. Hyde".

Boa...
Dvorado é um daqueles babacas de crasse mérdia; se o PSDB estivesse no poder não abriria a boca, ou melhor, a latrina. Na vida pessoal deve ser dos que dizem "pobre tem mais é que se F****"

Marcos D. (07/11/2009 - 13:40)
Quem condena o agronegócio só pode ser maluco. O agronegócio é responsável por TODO o superávit comercial brasileiro acumulado no governo Lula, de cerca de US$ 234 Bilhões até o momento.

Sem as exportações do agronegócio, o Brasil se transformaria numa neocolônia totalmente dependente do capital financeiro internacional (especulativo e do FMI). Entre a independência e a morte, ficaríamos apenas com a segunda.

O agronegócio é a galinha dos ovos de ouro da economia brasileira. É a única área da economia mundial na qual somos, de forma incontestável, os líderes, com um sistema de alta produtividade e de tecnologia avançada que fez o Brasil se tornar o país mais competitivo do mundo neste segmento.

E o Brasil é o ÚNICO país do mundo que tem plenas condições de desenvolver, ao mesmo tempo, uma sólida e competitiva agricultura comercial de exportação e um sistema de propriedade familiar voltado para o atendimento das necessidades básicas da população (arroz, feijão, mandioca, trigo, etc).

O governo Lula foi bem sucedido justamente porque soube conciliar os interesses dos grandes produtores com os dos pequenos agricultores familiares. Assim, o orçamento do Pronaf será de R$ 15 Bilhões em 2010, 531% maior do que o orçamento de 2002/2003, que foi de R$ 2,38 Bilhões.


Fernando (07/11/2009 - 10:46)
Governo Lula é neoliberal no campo, entregou a Embrapa para as empresas multinacionais do agronegócio.

No site do MST:

Monsanto financia pesquisas da Embrapa

Em cerimônia realizada em Brasília na última quarta-feira (4/11), foi anunciado o repasse de R$ 8,3 milhões da Monsanto à Embrapa, a título de royalties oriundos do compartilhamento dos direitos de propriedade intelectual sobre a comercialização de variedades de soja da Embrapa com a tecnologia transgênica Roundup Ready (da Monsanto) na safra 2008/2009.

Para nós, trata-se de em verdade do investimento de mão de obra altamente qualificada da Embrapa (recursos públicos) para a promoção de uma agricultura que não beneficia o povo brasileiro, e muito menos os agricultores familiares, responsáveis pela produção de 70% dos alimentos que consumimos. Ao contrário, aumenta a dependência dos produtores a pacotes tecnológicos cada vez mais caros, aumenta a degradação do meio ambiente e compromete a saúde das pessoas com o uso cada vez maior de venenos, além de contribuir para o acelerado processo de perda de biodiversidade que vem se verificando na agricultura.

Fabio Passos (07/11/2009 - 10:45)
Uma vergonha... os elogios destes ianques são a prova irrefutável do erro cometido pelo governo no privilégio ao agribusiness.

É preciso construir um modelo de soberania alimentar para o povo brasileiro... não um modelo que agrade a "soberania dos negócios" de ianques vigaristas.

O Censo do IBGE é claro: O Brasil precisa ampliar o apoio para a agricultura familiar.

Enquanto isso a porcaria da mídia-lixo-corporativa - rede globo / quadrilha veja / estadão / fsp - continua funcionando como polícia do pensamento a favor de grileiros, escravocratas e latifundiários...

Marcus Vinicius (07/11/2009 - 10:15)
"Dvorak (07/11/2009 - 09:09)
Tudo muito bem, tudo muito bom. Mas e os brasileiros que passam fome. Quando serão alimentados?? "

Você é um hipócrita, Dvoranta! Se não consegue sustentar suas idiotices que costuma postar, que dar uma de "vestal" aqui com essa fala manjada, sem propostas? você é um daqueles que fazem parte da turma "Dr. Jekyll & Mr. Hyde".

Dvorak (07/11/2009 - 09:09)
Tudo muito bem, tudo muito bom. Mas e os brasileiros que passam fome. Quando serão alimentados??

ZUIS (07/11/2009 - 08:49)
A produtividade aumentou, a produção tb, existe terra disponível para aumentar a área plantada. As pastagens podem ser recuperadas, então ficam as perguntas. Porque os agricultores não pagam suas dívidas??? Se não pagam porque agricultura não dá lucro, porque continuam aumentando a área??? Se o negócio é deficitário, porque o preço da terra continua em alta???? Com a palavra a senadora pinóquio Kátia Abreu.

Leo (07/11/2009 - 03:32)
O filho do seu Rodrigues tem que comprar a salada do pequeno agricultor.

Claro que o FT está feliz, o brasil é a horta do primeiro mundo. A política agrícola do governo é para exportação.

Márcia (07/11/2009 - 01:54)
Para mim é um texto alarmante. Não vejo beleza nesse projeto. Não vejo fim da fome com esse mar de monocultura de transgênicos. Quem desmata a amazônia não é o pequeno pecuarista. O agronegócio nada de braçada detonando a terra, o meio ambiente, o agricultor.

Ok (07/11/2009 - 00:43)
Quanto isso, nossos solos se esgotam.
Nossa população passa fome porque os donos das terra precisam de computadores e para isso preferem vender em dolar.
O Brasil não produz seu próprio computador de R$100,00.
Não educa os trabalhadores rurais (quem vai fazer o serviço pesado se eles forem melhores engenheiros que nós?)

Dvorak (06/11/2009 - 23:32)
E têm aqueles que preferem acreditar no Stédile???

Osmar - Matão SP (06/11/2009 - 21:51)
Enquanto isso a turminha de "fazendeiros" da Katia e do Caiado...

Destilaria Araguaia explora trabalho escravo pela 4ª vez em 8 anos. Sob administração do Grupo Eduardo Queiroz Monteiro, a usina (ex-Gameleira) mantinha 55 migrantes em condições análogas à escravidão. Para auditores, ausência de salários cerceava empregados, que se afundavam em dívidas

Por Maurício Reimberg

Três libertações nos últimos oito anos (em 2005, 1.003 foram resgatados da escravidão; em 2003, 272 foram libertados; e, em 2001, 76) não foram suficientes para que a Destilaria Araguaia - antiga Gameleira -, situada no município de Confresa (MT), mudasse a sua conduta. Operação ocorrida de 6 a 16 do mês passado flagrou 55 pessoas submetidas à escravidão na usina sucroalcooleira, que já figurou na "lista suja" e está sob a alçada do Grupo EQM (Eduardo Queiroz Monteiro) - conglomerado econômico dotado de poderosos tentáculos na política, com sede em Pernambuco.

Nesta última operação, 55 trabalhadores foram flagrados em condições análogas à escravidão, segundo o grupo móvel. O auditor fiscal do trabalho Leandro de Andrade Carvalho, coordenador da operação, afirma que a empresa permanecia há três meses "sem pagar ninguém" - inclusive na planta industrial - e alguns estavam há seis meses sem receber vencimentos.

A reportagem completa está aqui:
http://www.reporterbrasil.com.br/exibe.php?id=1666

Fernando (06/11/2009 - 21:11)
Viva a grande propriedade exportadora!

O sucesso das plantations está de volta!

MST? Isso não existe...



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