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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Beatriz Cerqueira desmascara mentiras espalhadas pelos defensores da Escola sem Partido ; veja vídeos

13 de novembro de 2017 às 13h42

Fotos da montagem: Jéssica Souza/Sind-UTE/MG

Sind-UTE/MG

Sexta-feira passada (10/11), Dia Nacional de Mobilização, foi duplamente de luta em Minas Gerais.

Pela manhã, trabalhadores de várias categorias dos setores público e privado, sindicatos e centrais, entre as quais a CUT, se uniram para protestar contra as reformas trabalhista e da previdência.

À tarde, o alvo da luta foi o projeto de lei da Escola sem Partido, a chamada lei da mordaça.

Durante uma audiência pública, que aconteceu na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e que contou com a presença de vários profissionais da educação pública e privada, a coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, explicou por que esse projeto é tão maléfico à educação.

“A Escola sem Partido coloca os professores como opressores dos estudantes, dando uma falsa ideia de que na relação do ensinar do aprender existe a lei do mais forte.”

Outro ataque que esse projeto faz diz respeito ao conteúdo, ao que pode ou não pode se discutir no ambiente escolar. Ter pensamento crítico, fazer o debate sobre a realidade em vários aspectos não se deve permitir, segundo o projeto Escola Sem Partido.

Mas, a negação do direito a uma criança ou adolescente de discutir e ampliar o seu conhecimento sobre violência doméstica, por exemplo, estupro e outros tipos de situações foram considerados problemas sérios e que podem apontar uma corresponsabilidade da escola na formação e até no futuro dessas pessoas.

“Quando a gente nega o debate, não dá o direito às pessoas, aos nossos estudantes, de exercitarem o seu pensamento crítico, estamos impedindo-as de crescer e colaborando para a reprodução de erros graves, sendo a violência um desses males”, disse a coordenadora-geral do Sind-UTE/MG.

Ao lembrar que o problema da escola é um problema de classe e se todos não se juntarem nessa luta por uma escola inclusiva e democrática, a coordenadora-geral do Sind-UTE/MG afirmou que corre-se, ainda, o risco de termos uma sociedade cada vez mais intolerante, racista, homofóbica, misógina e que não respeita a diversidade.

Ela lembrou que esse projeto já foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Ministério Público Federal (MPF) e também por isso precisa ser combatido.

Respeitar as crianças como elas são é um dever da escola e que deve ser colocado em prática com o propósito de não expulsar esse estudante do ambiente escolar.

Ao lembrar que é preciso ampliar o debate e, inclusive, conhecer o contraditório para não ficar preso a conceitos que levam ao obscurantismo, a coordenadora-geral do Sind-UTE/MG disse que o Projeto da Escola Sem Partido já foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e o Ministério Público Federal.

Espaço onde as pessoas crescem

A audiência pública foi realizada a requerimento do deputado estadual, Rogério Correia, a pedido do Sind-UTE/MG e presidida pelo deputado estadual, Geraldo Pimenta que, ao destacar a importância deste encontro, referenciou o dramaturgo e poeta, Bertolt Brecht, para dizer que o pior analfabeto é o analfabeto político, que não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos e não sabe o custo de vida.

Já o deputado Rogério Correia lembrou que a escola é onde as coisas acontecem e as pessoas crescem.

“Agora querem amordaçar nossos professores e os estudantes também. Não queremos que todos pensem da mesma forma, mas que tenham pensamento crítico e liberdade de expressar”, afirmou.

Wladimir Coelho, representante da Secretaria Estadual de Educação, falou dos interesses econômicos, do grande capital, se sobrepondo aos interesses sociais e da educação, impedindo o crescimento do país e, consequentemente, fortalecendo projetos que são contra o povo brasileiro.

“É preciso combater e resistir a essas propostas que, inclusive, censuram a liberdade de expressão e oferecem prejuízos à educação.”, destacou.

A militante do Levante Popular da Juventude, Ana Júlia, estudante de Direito da UFMG, criticou o projeto da Escola Sem Partido e disse que ele não se justificaria caso não existisse uma pauta maior para desarticular a organização da educação e da escola.

“Eles querem criminalizar, inclusive, a luta dos estudantes e de quem constrói a escola. Essa é uma teia bem articulada, que visa precarizar cada vez mais a vida da classe trabalhadora e da sociedade brasileira”, alertou.

A presidenta do Sinpro-MG, Sindicato dos Professores e Professoras da Rede Privada de Minas Gerais, Valéria Morato, por sua vez, pontuou o quanto o projeto da Escola Sem Partido valoriza o notório saber e institui a possibilidade de qualquer um entrar numa sala de aula para ministrar qualquer tipo de conteúdo aos estudantes.

“Isso é desqualificar a nossa formação, jogar na luta do lixo todo o esforço que fazemos para nos preparar para exercer da melhor forma possível a nossa profissão.” Ela também falou da dificuldade que a categoria encontra de fazer a discussão do projeto pedagógico da escola e o projeto Escola Sem Partido, para ela, vem no sentido de piorar ainda mais essa situação.

VídeoStudium

 

 

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João Batista

15/11/2017 - 15h33

Digo: faz em vez de da

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João Batista

15/11/2017 - 15h17

Que país é esse? Em vez de estarem discutindo escola sem partido , ( escrita com letras minúsculas), que na minha visão é como estivéssemos discutindo sexo dos anjos, seria muito mais importante estarmos discutindo os graves problemas da educação brasileira, que diga de passagem que não são poucos. Um desses problemas é a Escola Sem Professores. Explico: Em um futuro não muito distante vamos ter a Escola Sem Professores, porque os jovens não verem atrativo nenhum em se formarem na profissão de professor e com justa razão. No Brasil o professor recebe um péssimo salário, não tem o reconhecimento da sociedade e muito menos dos governos. E quando o professor da movimentos paredista (greve), os governantes colocam a polícia na rua para espancar os educadores. Dito isso, reafirmo, em vez de estarem discutindo escola sem partido, deveria estarem discutindo a Escola Sem Professores. Falei é disse.

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    Viviane

    16/11/2017 - 08h38

    João, os grupos empresariais que intentam tomar de assalto a Educação querem exatamente isto: tornar o professor um mero “acessório”, investindo em “formar empreendedores e facilitadores”.

    João Paulo Ferreira de Assis

    16/11/2017 - 23h08

    Já vejo isto acontecendo meu caro João Batista. Tenho um sobrinho, filho da minha irmã mais velha. Os olhos dele até brilhavam quando falava das aulas de História do Professor Mário Celso Furtado e de seu filho homônimo em Barbacena MG. Pensei que ele iria seguir a carreira de professor, como eu, como a mãe dele. Não seguiu. Foi fazer outro curso.
    Em Barbacena a UNIPAC já não oferece mais cursos de formação de professores.

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