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Cartas de Minas
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Angelina Anjos: Quando o homicídio de uma jovem é celebrado em Belém

19 de abril de 2017 às 13h09

Sexta-feira 13 e Quem é o palhaço?

por Angelina Anjos, de Belém, especial para o Viomundo

Belém anoiteceu com o assassinato da reconhecida voz da periferia, Srta. ANDREZA*, 22 anos, e uma vida marcada pela exclusão social que decepa o presente e impossibilita o futuro.

O relatório da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Estado do Pará prova que o “justiçamento” não passa de simples extermínio, conduta autoritária, criminosa, atentatória contra o Estado Democrático de Direito, as liberdades individuais e constitui-se como poder paralelo aos poderes constituídos sempre é motivado por dinheiro ou vantagens de qualquer natureza, não existe “justiçamento”, existe oportunidade de ganhar dinheiro.

Aqui a milícia mata e tenta confundir e aterrorizar com toque de recolher, inventa que o bando da srta iria sair pra matar, mas quem mata é a milícia.

A srta mal tinha o que comer, ela sonhava em ter uma vida tranquila, longe do bairro que morava e tinha medo. Quem cuidou do medo dela?

O palhaço que estava tatuado no braço da jovem assassinada era o Coringa do filme do Batman. O mesmo desenho já vi no braço de um jovem da classe média, mas como é branco e classe média não significa a mesma coisa que num braço de pobre?

Srta. Andreza era uma jovem pobre, negra, mãe preocupada com o futuro da filha e morava no bairro da Cabanagem, quem comanda por lá é a lei do tráfico e a moça chamou atenção sobre o fato e temia por sua vida. Vida tão sofrida e tão curta. Virou estatística e mesmo morta é violentada. Quem vai pagar pela cabeça da filha da srta, que tem menos de 5 anos de idade?

Traficante não passa fome, quem passa necessidade é “avião”, quem financia o tráfico é a galera da classe média e alta, que só sabe ser feliz cheirando o seu pó, fumando a sua nóia, dentro de suas coberturas e sacadas gourmet. O nome disso é hipocrisia. Quem é o palhaço?

Segundo o relatório da CPI das milícias é inadmissível que o Estado saiba onde se localizam os criminosos em suas bocas de fumo e aparelhos clandestinos e não tome a iniciativa de atacar com veemência estas estruturas, estrangulando-as.

Mandando o recado correto para a sociedade, qual seja, o de que não haverá trégua para o tráfico e às condutas a ele associadas, inclusive as milícias e seus integrantes, lavrando quantos flagrantes forem necessários, independentemente do desfecho judicial dos processos punitivos.

22h e Belém parecia um cenário de guerra, a Segurança Pública colocou seus homens e mulheres para combater o toque de recolher da milícia. Motos da Polícia Militar, homens com escopeta nas mãos e a vida dos policiais em sério risco. Sinalizavam a resposta que a Segurança é o Estado que comanda.

Antes de fazer apologia ao assassinato da juventude da periferia, é preciso saber o quanto falta de políticas públicas, sobre a falta de escolas de qualidade, a falta de perspectiva que submete qualquer ser humano.

Visite a periferia e não compactue com discurso de ódio, a próxima vítima pode ser qualquer um de nós.

O criminoso manda áudio de ódio e alienação social, espalha a criminalização dos pobres e pretos, fala de mulher pobre, preta e assassinada como lixo. E quem é o palhaço?

Dentre as vinte e oito recomendações da CPI das milícias, estão duas que caracterizo importantes ressaltar.

Trabalhar a relação com os meios de comunicação e cobrar uma postura com relação a uma política de paz e valorização dos Direitos Humanos e RECOMENDAÇÕES URGENTES REFERENTES AO PPDDH (Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos).

Quem defende a cultura da paz e exige aplicação de políticas sociais e públicas — os defensores de direitos humanos — sofre a criminalização e fica exposto à matança dos grupos de extermínio. Quem é o palhaço?

Somos todos submetidos a fantoches de uma dúzia de imundos que acreditam que violência se combate com matança; acontece que dessa mortandade ninguém está à salvo e a periferia sangra.

Solidariedade aos familiares da Srta. Andreza e que descanse na paz do Altíssimo.

*Andreza Ariani Castro, conhecida como srta. Andreza, foi candidata a vereadora em Belém em 2016 pelo PCdoB

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Santos

20/04/2017 - 20h40

A Morte dessa jovem negra, pobre e moradora da periferia de Belém, na qual eu moro e só o preludio do que acontece com a juventude, sem esperança, sem horizonte. O estado ausente que só chega na periferia com a guarda pretoriana e desse o cacete, não quer saber quem esta na frente, essa mesma guarda que faz isso é a mesma que fornece os milicianos para matar a esperança e alimentar o medo o pavor e a covardia, todos sabem que quem mata os pobres, pretos e periféricos favelados, são os mesmos filhos de pobres, pretos e favelados, é pobre matando pobre e enquanto isso os moradores das áreas nobres onde os oficiais moram, olham de soslaio como bons burgueses… e vida e a morte andam juntas, nesta cidade violenta e desesperançada.

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Rogério Bezerra

20/04/2017 - 16h55

Enquanto houver a abissal desigualdade entre ricos e pobres seremos um país sem lei e sem respeito ao outro. É impossível viver dignamente se desde o ventre somos sabotados.
Mas os ricos não dão o braço a torcer.
Com outras palavras, repetem o que os reis e membros das cortes diziam… “Temos sangue azul!” O sangue azul de hoje é a meritocracia!
Milhares, milhões de jovens talentosos morreram e morrerão até que digamos NÃO a exploração dos nossos irmãos pobres. ESSA DESGRAÇA TEM QUE ACABAR!

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