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ÁGUA PARA PROMOVER A PAZ

Atualizado e Publicado em 21 de agosto de 2008 às 12:04

Água para promover a paz


Economista diz que estrangeiros já investem no Brasil pensando em lucrar com reservas

O brasileiro não consegue imaginar um mundo onde a água seja razão para uma guerra, mas esta situação já é real no Oriente Médio. A economista Amyra El Khalili, fundadora do projeto Bece – Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais, afirma que uma possível escassez de água no futuro pode abrir oportunidade para o Brasil exercer uma liderança global. Ela esteve em Curitiba na última semana de maio para o IV Seminário Internacional das Águas, onde falou sobre a água como commodity ambiental. Em entrevista à Gazeta do Povo, Amyra comenta sobre as conseqüências geopolíticas da crise mundial no abastecimento de água.

Gazeta do Povo – É verossímil o cenário segundo o qual a falta de água pode ser motivo de guerras?

Amyra El Khalili – Na verdade, ele já é real: a questão palestina já tem um forte caráter hídrico. Enquanto os israelenses podem irrigar suas plantações à vontade, os palestinos não podem nem abrir poços. Israel não sai das colinas de Golan porque são áreas de manancial. Esse cenário parece uma coisa distante para nós, porque temos muita água. Mas no Oriente Médio esse é um bem escasso. Quem controla a água controla tudo – e, aqui, os políticos do Nordeste sabem muito bem disso há décadas. Por isso a transposição do Rio São Francisco é um assunto tão polêmico. A própria história do mundo mostra que tudo se organiza em torno da água: as cidades surgiram às margens dos rios, as indústrias se instalam perto deles, os agricultores precisam da água.

– A água pode ser o petróleo do futuro, no sentido de se tornar instrumento de poder mundial?

– O grande medo dos ambientalistas é que a água passe a ser cotada na bolsa como se faz hoje com o barril de petróleo. Certamente não queremos uma Opep da água [a Organização dos Países Exportadores de Petróleo controla o mercado de petróleo determinando o ritmo de produção], por um motivo muito simples: enquanto é possível viver sem petróleo, procurando outras fontes energéticas, não se pode viver sem água. Aliás, digo que um mundo sem petróleo seria mais feliz, embora um mundo sem água seja inviável. Consideramos o acesso à água como um dos direitos humanos. Mas não vejo problema em vender o excedente da produção, desde que antes as necessidades de toda a população estejam satisfeitas.

– Que posição o Brasil poderia ocupar no futuro?

– O Brasil é o país que tem as maiores reservas de água para consumo no mundo. Mais adiante, certamente teremos uma posição de mais destaque no mundo em relação ao que somos hoje, justamente por causa disso. Mas não é por isso que o Brasil deveria passar a regular seus estoques de água e determinar preços para obter vantagens com isso – seria a repetição dos erros do passado e do presente em relação a outros recursos, como o petróleo. Mesmo porque o Brasil não tem estratégia para ser a Opep da água, pois apesar das nossas riquezas, não sabemos vendê-las. Há quem veja essa minha opinião e pense que, por causa de uma questão de direitos humanos, perderíamos nossa grande chance de liderança mundial. Minha concepção é diferente: se é para vender água, melhor que a dê aos outros – e o Brasil se tornaria líder mundial por promover a paz. Essa generosidade seria reconhecida e abriria muitas oportunidades comerciais ao país. É uma questão de filosofia de vida. A regulação da água só interessa a quem lucra com a guerra.

– Essa riqueza brasileira pode atrair a ganância de outros países?

– Não há dúvida de que os estrangeiros sabem o que temos debaixo do solo; para isso basta passar com um satélite por cima. E eles já começaram a se mover. Organizações estrangeiras compram terras aqui com o pretexto de cuidar do que está do lado de cima, mas cientes das riquezas que estão no subsolo. Outra preocupação dos movimentos ambientais é impedir que terras com reservas subterrâneas de água sejam oferecidas como garantia na hora de firmar os contratos de seqüestro de carbono previstos no Protocolo de Quioto. Falta informação nesse sentido, e muitas negociações já foram feitas assim que surgiu essa possibilidade. Estamos criando uma bomba que pode estourar daqui a décadas.

Marcio Antonio Campos, Gazeta do Povo (Paraná), 05/06/2005

http://tudoparana.globo.com/gazetadopovo/brasil/conteudo.phtml?id=466569


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Roosevelt S. Fernandes (13/09/2008 - 11:24)
Amyra, como sempre, na frente do seu tempo; suas declarações mostram isso.
Realmente, ainda não temos no Brasil uma "guerra pela água", mas já temos "mortes sem guwerra"; no Estado do Espírito Santo já temos registros neste sentido. Certamente não é uma particularidade do ES. Seria importante fazer um levantamento destes dados em todos os Estados e, quem sabe, a preocupação se amplie.
Acredito que a água será o "petróleo do fututo", com uma particularidade : após atendidas suas necessidades próprias (bem como as demandas futuras), são poucos os países do mundo que terão "potencial de água para vender". Ou será que não está claro aos "brasileiros responsáveis" que há uma cobiça explicita pela Amazonia e uma implicita pelo Rio Amazonaas.
O Braasil tem que pensar estrategicamente seus recursos (inclusive as novas e significativas descobertas mais recentes) ou continuará como "observador privilegiado do desenvolviemrnto mundial"

Sther A. Kollet (07/09/2008 - 22:06)
Sou aluna da admirável Amyra. Antes mais nada, quero dizer que essa professora, mulher, autêntica e muito corajosa, engrandece a classe feminina diante da sua postura humana e desidida. Com base no seu comportamento, quero humildemente diante das belas palavras ditas neste entrevista que realmente precisamos colcoar nossos pés no chao e acordar para essa realidade. Assim, como Amyra coloca, ninguém vive sem água, ninguém morre por falta de alimento, mas água minha gente, água é fundamental. Vejo pessoas lavando asfalto, carros, esbanjando agua como se ela fosse infinita. Vejam bem colegas, nós seres humanos temos necessidades ilimitadas para serem supridas em um mundo de recursos limitados. Aqui, em nossa região, Oeste de Santa Catarina, vejo muitas pessoas que se iludem com o grandioso Aquifero guarani que passa por aqui. Vejo poços sendo perfurados, até mesmo perfuraçoes no aquifero. Pessoal!!! Vamos acordar, o aquifero nao sera nossa salvaçao. É um risco apostarmos no aquifero e continuarmos a esbajar. Vejam, se hoje milhares de pessoass morrem desnutridas, anemicas, famintas por nao terem o que comer justamente por nao terem DINHEIRO. E se tivermos que pagar pela água?? Quem serao os prejudicados, novamente? Os estrangeiros? Concordo plenamente com a Amyra, devemos sim sermos exportaores de solidariedade e paz, só assim consiguiremos a uniao das naçoes.
Abraços a todos.

Jose Pedro Naisser. (04/09/2008 - 14:36)
ENTREVISTA PROF.AMYRA. AGUA PARA A PAZ NO MUNDO.21.8.2008.

pARABENS PELA ENTREVISTA, A pROF. aMYRA FALOU TUDO, JA EXISTEM AS GUERRAS PELA AGUA, AO CAIR DA TARDE HOJE NO MUNDO 12.000 CRIANCAS MORREM POR DESNUTRICAO, SEDE E POR TEREM INGERIDO AGUAS POLUIDAS. ELA DEFENDE A VIDA INTEIRA AS COMMODITIES DO CAPITAL VIRTUOSO E QUE AJUDA NA CADEIA ALIMENTAR, QUE BENEFICIA MUITOS, DIFERENTE DOS QUE USAM O CAPITAL VICIOSO E UTILIZAM AS MONOCULTURAS DA SOJA PARA VIRAR RACAO PARA BOVINOS, SUINOS E FRANGOS NA CHINA E NA ASIA, PARABENS PELA MATERIA DA AGUA, PENA QUE HOJE NO MUNDO AS PESSOAS SE PREOCUPAM COM O PETROLEO COMO NOSSO PRESIDENTE QUE COM AS MAOS SUJAS PELO OURO NEGRO, NAO SABE A IMPORTANCIA DO DIAMANTE QUE SIMBOLIZA A AGUA PARA A VIDA. VALEU PROFESSORA AMIRA, VAMOS EM FRENTE.
JOSE PEDRO NAISSER.
ECOLOGISTA.CURITIBA.PR.

EMAIL. JPNAISSER@HOTMAIL.COM

Ademir .silva (30/08/2008 - 21:16)
As coisas vão ficar complicadas para o Brasil,tem muita gente de fora metendo a mão no que é direito nosso;enquanto estrangeiros compram terras aqui o movimento sem terra crece dia a dia e não fazem nada para mudar esse quadro.
O Brasil não consegue resolver seus problemas internos,imagine defender o seu territóro de uma invasão;estão de olho no Brasil eles parecem cães famintos só esperando a hora de atacar;e o Brasil esta prostado frente ao mundo,sera que estão pensando que se o Brasil não se armar ele não sofrera ameaças?
Só estão esperando um motivo para invadirem o nosso país e tomarem tudo; por que nossos direitos ja foram roubados aqui mesmo por gente nossa politicos safados que fazem o que querem e depois dizem vcs votaram errado colocando uma propaganda onde um cara fica sapateando na tv,isso é chamar o povo de bobo,sera que sepre votei errado no passado meus pais votaram errado, meus avós votaram errado, sempre votaremos errado, em quem votar então?
Sempre que dizem que não sabemos votar estão chamando o povo de burro,é preciso darmos o troco contra eéssa raça que esta no poder,cobrando e espulsando do país esses safados com todos que estiverem envolvidos já que pena de morte aqui é impossivél o povo brasileiro é um povo de paz mas devemos tomar uma atitude,para o bem de todos,é preciso conquistarmos o respeito e devolver um futuro melhor a nossos filhos depende de mim e de você;você esta pronto para formarmos um exercíto contra a corrupção?

SADIR R. ALVES (30/08/2008 - 14:09)
Sou aluno da Brilhante Sra Almyra,se continuarmos a tercerizar as culpas pelas questões que envolvem nosso sistema, com toda certesa seremos uma especie em extinção num curto espaço de tempo. Todos nos devemos imediatamente com esse tema tão importante que é essencial para vivermos.

Maria Collares (29/08/2008 - 21:08)
Prezada Profª Amyra,
li seu artigo e também a entrevista à Gazeta do Povo, comentando o objetivo de utilizar a "Água para promover a Paz", idéia interessante e adequada.
Sabendo que está no Brasil cerca de 4% da água doce do mundo, o povo brasileiro deve se conscientizar dessa riqueza e preservá-la, inclusive para, no futuro, dividí-la solidariamente com outros povos que dela necessitarem.
Manter a cobertura vegetal -maior produtora de água- proteger as águas de superfície e preservar a água subterrânea é obrigação de todos e depende de cada um de nós. A idéia de comparar a água com o petróleo me é deveras desagradável, pois a água é vida. Nenhum ser vivo pode ficar sem água, como você disse, ao contrário do petróleo, que pode ser dispensável. Penso o Brasil para o futuro como um país exportador solidariedade e Paz, sem se preocupar em ser país economicamente o mais forte. E o seremos em razão do que faremos ao auxiliar o próximo. Precisamos qualificar e preparar adequadamente nossos jovens, que serão nossos administradores e dirigentes no futuro.
Um abraço de quem a admira. Prossiga na sua luta, tendo-me como aliada.

Augusto José Hoffmann (22/08/2008 - 07:40)
Parecemo-nos com a viúva rica... com tantos dotes não faltarão candidatos. A julgar como nossos últimos e sucessivos governos trataram o patrimônio público, chega dar medo. Sem dúvida temos um país abençoado e rico em várias reservas. Uma bela senhora viúva com uma polpuda conta bancária. Já sabemos quem são os sedutores e os "parentes" dela, ao invez de zelar, facilitam o que podem pelo 50/50...

Altino Correia - Presidente Prudente - SP (22/08/2008 - 02:03)
Meu caro amigo e companheiro Azenha: Não está longe de acontecer a denominada "Guerra da Água", a ante-visão de um conflito mundial brigando pela apropriação dos lençois aqüíferos, onde o Brasil não fica por fora. É que somos detentores do Aqüífero Guarani, a maior reserva mundial de água doce. Mas segundo denúncia pública do Deputado Federal Talmir Rodrigues, existem grupos estrangeiros comprando terras brasileiras sob pretexto de plantação de cana e implantação de Usinas para produção do bio-diesel. Mas no fundo a intenção mesmo é de se apropriar das águas profundas, que são a maior fonte de recursos hidro-minerais nos próximos duzentos anos. Será que é isso mesmo que os grupos estrangeiros cobiçam?



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