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A LICENÇA-MATERNIDADE E O CHORO DA MÍDIA

Atualizado e Publicado em 22 de agosto de 2008 às 12:02

por ALTAMIRO BORGES, em seu blog

Na semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que aumenta em dois meses a licença-maternidade e oferece incentivos fiscais às empresas que aderirem à proposta. O projeto segue agora para a sanção presidencial, mas deverá entrar em vigor apenas em 2010. No caso dos órgãos federais, a adesão será imediata após a sanção da lei; já os estados e municípios definirão suas regras próprias. No setor privado, a ampliação do benefício será opcional. A empresa ainda poderá abater do Imposto de Renda o valor bruto do salário da funcionária nos dois meses extras.

Para se beneficiar da ampliação de 120 dias para 180 dias de licença-maternidade, a mãe deverá trabalhar numa firma cadastrada no programa Empresa Cidadã e não poderá se dedicar a outra atividade remunerada ou colocar a criança na creche durante este período. Ela precisará solicitar a prorrogação do benefício no primeiro mês após o parto. Na prática, regulamentações estaduais e municipais já permitem que a mãe usufrua os seis meses de afastamento em 93 cidades e 11 estados da federação – sem maiores transtornos. Em síntese, o projeto de lei aprovado representa uma importante conquista dos trabalhadores, mas sem grandes traumas na economia.

Os benefícios do projeto

Apesar disto, a mídia hegemônica, refletindo os interesses mesquinhos da iniciativa privada, logo soltou seus cachorros contra o projeto. Ela deu espaço, quase que exclusivamente, às lamurias do capital. Não deu realce à opinião dos especialistas, como a da Sociedade Brasileira de Pediatria. Segundo Dioclécio Campos Junior, presidente da entidade, o aumento do tempo da licença gera vários benefícios. “O cérebro da criança tem maior velocidade de crescimento nos seis primeiros meses de vida, essenciais ao desenvolvimento da inteligência e da capacidade de aprendizado”.

Ele lembra ainda a importância vital do leite materno. “A mãe sabe que a criança deveria receber o aleitamento em caráter exclusivo por seis meses, só que a licença vigente garante apenas quatro meses. A mãe entra num grande dilema, que gera um estresse difícil de ser superado, o que pode levar ao desmame precoce e ao sentimento de culpa”. A ampliação é tão benéfica que em vários países, como na Austrália, Chile e Rússia, o tempo de afastamento é bem superior ao do Brasil.

A “dureza do coração” do capital

Estes e outros argumentos, não amplificados pela mídia, parecem não sensibilizar as empresas. A gritaria frente à aprovação do projeto é violenta. Dá até dó dos pobres patrões! A Confederação Nacional da Indústria (CNI) emitiu comunicado oficial afirmando que a ampliação “sacrificará” a competitividade das empresas. “Não é dureza do coração, mas quatro meses de licença estão de bom tamanho”, afirmou o representante da entidade patronal, Francisco Gadelha, que tem quatro filhas – provavelmente mais privilegiadas do que as trabalhadoras da sua própria empresa.

“Do ponto de vista humano, a proposta é interessante. Mas isso nos preocupa muito, pois estão sendo criados mais encargos para as empresas. Daqui a pouco, na hora de contratar, as empresas vão começar a evitar mulheres que possam ter filhos”, alertou, em tom de ameaça, o empresário, como se isto já não ocorresse no país. Outras entidades patronais, como a Federação Brasileira dos Bancos e a Federação do Comércio de São Paulo, também já esbravejaram contra a medida, acusando-a de “engessar o mercado de trabalho” e de reduzir a competitividade das empresas.

Temendo novos avanços na legislação trabalhista, o capital prefere esconder que o benefício, que é opcional, poderá ser deduzido do Imposto de Renda. A União é que arcará com esta conquista. Segundo estimativas, os dois meses extras desta licença custarão à Receita Federal uma isenção fiscal de R$ 800 milhões, caso todos os estabelecimentos optem pelo programa. Mesmo assim, o patronato choraminga. Para ele, modernizar e flexibilizar as relações de trabalho significa, única e exclusivamente, retirar direitos e não ampliá-los. Para o capital tudo, para o trabalho, nada.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
GRACE R,j (10/09/2008 - 14:21)
Eu achei maravilhosa essa lei pois estou gravida e sei da necessidade de passar mas tempo com seu filho.Mas estou preoucupada pois vai ter um alto indice de desemprego entre mulheres,ou seja o governo mordeu o problema e asoprou.Eu acho um absurdo só as funcionarias publicas usufluirem dessa lei em imediato,só elas precisam só elas engravidam?E as funcionarias de empresa privada só podem ter filhos em 2010?ficou estranho né!

Neiva (08/09/2008 - 15:39)
A licença maternidade de 6 meses é uma vitória importante para pais e crianças, é um grande avanço, agora a luta é para a conquista da licença paternidade de 6 meses para os pais, assim que as mães voltarem ao trabalho, para acompanhar o desenvilmento do bebê nos primeiros meses de vida e para exercer a Paternidade responsável com relações compartilhadas, quando alcançarmos isso estaremos transformando as relações entre homens e mulheres e criando cidadãos e cidadãs com uma nova mentalidade.

Reginaldo Cardoso TUBARAO SC (27/08/2008 - 18:40)
ISTO E UMA SAFADESA POR PARTE DE ALGUNS POLITICOS E,TBM DE NOSSO PRESIDENTE,QUE SE DIZ DOS POBRES. NAO INTERESSA QM VAI PAGAR,AS MAES E OS BEBES PRECISAM SIM DE MAIS TEMPO JUNTOS..SERA QUE PARA AUMENTAR SEUS PROPRIOS SALARIOS AVERIAM TANTOS POLITICOS CONTRA?????

Rodrigo (23/08/2008 - 13:58)
É isso mesmo, NENHUM jornal na TV quis comentar os benefícios de se estender a licença maternidade para 6 meses. Um absurdo isso, até porque a empresa NÂO esta obrigada a concedê-la. O empresário chora porque sabe que vai pegar mal pra caramba se a empresa dele não topar dar 6 meses para as funcionárias. Vê se empresas grandes lá de fora estão esperneando? Claro que não, porque elas já adotam esta política há muito tempo. São só os empresários mesquinhos, unhas de fome, que só querem maximizar os ganhos que estão chorando. Eu queria ver se fizesse uma lei para reduzir para 90 dias, se algum empresário ia reclamar. O escritor desta matéria tem TODA razão. Flexibilizar as leis trabalhistas é somente RETIRAR direitos, nunca adicioná-los. É por estas e outras que graças a Deus eu sou profissional liberal e não preciso beijar bunda de empresário mesquinho...

Marcio Gaspar (22/08/2008 - 22:01)
Foi assim na lei do Ventre Livre, na lei dos sexagenarios, na abolicao da escravatura....rsrs. Sempre vao chorar. Os dicursos sao brincadeira. Aquela conversa de que precisa-se ter salarios competitivos(susbtitua por baixos salarios), os impostos sao altos(os lucros tambem). Os sonho da FIESP eh o Brasil se tornar uma nova China da mao de obra barata(semi-escrava).

Horacio M. Pires (22/08/2008 - 21:27)
A direita branca, melhores que os mortais pobres sem berço, poderiam ter outra atitude? Claro que não. Sempre foi assim. Derrubar o Presidente Lula, como diz o idiota Noblat, só pode ser a prioridade. O Brasil de hoje, não é mais o Brasil de ontem. Os avanços, ainda que pequenos, estão ai. E, a cada avanço, o "presidente" das 'lojinhas 1,99' (PSDBESTA) vai ficando cada vez mais distante. Ainda bem!

Yuri (22/08/2008 - 19:55)
Para mim, a atuação da mídia está sendo semelhante ao esperneio sobre a "lei seca". Aliás, sou contra este nome, pois ninguém foi proibido de beber, seja lá qual for a quantidade de alcóol na bebida e no sangue.
Pouquíssimo tempo depois, estão aparecendo os resultados: Menos acidentes (muito menos), menos vítimas, maior segurança para todos (inclusive para a elite que também anda com seus carros por aí) e grande economia no sistema de saúde pública. Imaginem as estatísticas daqui a um ou dois anos!
No caso da licença-maternidade, veremos os resultados a longo prazo, por isso é importante a manifestação de especialistas e a repercussão através dos blogs, pois já está mais do que provado que o interesse comum nem sempre coincide com o interesse da mídia.

Edson (22/08/2008 - 19:43)
Na Prefeitura de Manaus isso já é lei desde 2006!!!

Sergio (22/08/2008 - 19:03)
O próximo passo a ser dado é estabelecer a licença paternidade em igual período, para evitar a discriminação na contratação de mulheres por causa do risco de ter filhos. Para um empresariado desse quilate é o risco de ter que ficar 6 meses "sustentando uma vagabunda" pra amamentar seu filhinho.

Muito necessário num país com o esse empresariado.

beatriz (22/08/2008 - 18:18)
Tereza, ainda bem que lembraste. Um abraço.

Radical Livre (22/08/2008 - 17:39)
Aqui na empresa, em alguns setores, já fazíamos uma licença estendida não-oficial, dividindo o mês de férias (que seria o 5º mês em casa) em dois meses de meio-expediente.
Tem dado muito certo, as mães têm mais tempo para se acostumar com a separação de seus bebês e em geral trabalham felizes e satisfeitas.
Agora, quero ver qual será a posição oficial da empresa como um todo (há vários casos de mulheres demitidas após a volta da licença).

Tereza Ramos (22/08/2008 - 16:35)
Correção: há 32 anos não havia licança maternidade. falha nossa.

Mary (22/08/2008 - 16:20)
É incrível que quando se tenta avançar em relação aos direitos dos/as trabalhadores/ras no Brasil, o capital sempre é contra, numa atitude burra, pois um empresário inteligente sabe que se o cidadão trabalha satisfeito irá produzir mais. Estão na contramão do progresso e parece que não têm mães, filhas e netas: pensamento retrógrado, mesquinho e previsível da oligarquia brasileira.

Tereza Ramos (22/08/2008 - 15:57)
Beatriz, se você não conseguiu usufruir os 4 meses de licença que a lei já te garante, não vai ser a nova lei que garantirá. Para que seja cumprida por todos falta ainda muita luta e unidade.

Ramalho (22/08/2008 - 15:44)
O feminismo americano foi uma bênção para o Capital. Quebrou as resistências morais à exploração da mulher pelo capital, e, assim, dobrou a oferta de mão de obra, enquanto a demanda por mão de obra permanecia inalterada. Os capitalistas soltaram foguetes, claro, pois passaram a comprar trabalho por muito menos. Pena que as crianças que ficaram largadas por aí, vez por outra, assaltam capitalistas montados em opulência nababesca. Estas crianças abandonadas pelas mães em obediência à lógica capitalista-feminista deveriam morrer sem incomodar a sociedade, não é mesmo?

Gérson (22/08/2008 - 15:19)
Egoistas !! Se esquecem que em alguns países a licensa é extensiva ao pai também para ajudar a mãe nesse período.

Denise Niy (22/08/2008 - 14:50)
O Ministério da Saúde recomenda 6 meses de amamentação exclusiva, mas a lei só concede às mulheres 4 meses de licença. Com a ampliação da licença-maternidade, a lei passará a ser mais coerente com as orientações do próprio governo. Até a Soc. Bras. de Pediatria apóia a licença de 6 meses! E olha que a SBP recebe apoio da Nestlé, numa parceria hiper-promíscua, pra dizer o mínimo. Entendo o chororô das empresas: nos últimos anos, elas têm trocado os homens pelas mulheres, simplesmente porque estas fazem o mesmo que eles, mas por um salário bem menor. E no puro achômetro, eu acho q mesmo com a licença de 6 meses o trabalho feminino ainda custa menos. E as empresas ainda vão ter desconto no IR!

Paulo Vitor Carvalho (22/08/2008 - 14:16)
O capital já paga tão pouco às mulheres e, muitas vezes, não respeitam seus direitos, então porque estão se lamentando?
Não é de se espantar que a burguesia e seus aliados (como a religião, por ex.) não morram de amores pela emancipação feminina!

beatriz (22/08/2008 - 13:43)
Quando tive meu primeiro filho, há 32 anos, fiquei após o parto, 30 dias de licença, ou voltava ao trabalho ou seria demitida.Fico feliz pelas mães do século XXI e do governo social do nosso Presidente Luís Lula da Silva. Um abraço.



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