Madá (13/06/2009 - 07:23)
Citando Fátima Oliveira em sua obra "Bioética - uma face da cidadania" [Moderna]: "Alteridade (do latim, alter, "o outro") significa o respeito pela outra pessoa, colocar-se no lugar da outra pessoa.
Em bioética isso não significa abrir mão da moralidade pessoal. No fundamental trata-se de entender e respeitar a pluralidade, de aprender a conviver em harmonia com as diferenças e divergências, ou seja, de buscar o consenso em um mundo plural. Isso está relacionado com o respeito a um outro ponto de vista, à visão que a pessoa tem das coisas e da vida a partir de um determinado lugar no qual ela se encontra.
Francisco de Assis Correa, em sua obra ´A alteridade como critério fundamental e englobante da bioética´:
´Na História da Filosofia, o critério da alteridade não é novo. Desde Aristóteles já se tratou do outro em termos de relações humanas e de suas implicações.
No contexto de Terceiro Mundo, especificamente de América Latina, sem rejeitar estes critérios primeiro-mundistas, urge resgatar o critério de alteridade, ou seja, o outro (%u2026) como sujeito histórico, enquanto identidade, indivíduo, pessoa e outro, enquanto plural, isto é, maioria empobrecida e marginalizada das atenções de saúde, categoria esta não devidamente contemplada pela perspectiva da "trindade" da bioética. Esta abordagem pode ser chamada de práxis de alteridade".
Jose Carlos Lima (13/06/2009 - 00:04)
Sim.
Mas alteridade a favor de quem?
A favor dos "Austregésilo Carrano" da vida?
Despertei para a importância da luta antimanicomial após assistir a uma palesttra de Austregésilo Carrano e assistir ao filme "Bicho de 7 Cabeças", do qual ele foi protagonista.
"(...) Em um período de três anos, Austregésilo foi transferido de um hospital a outro sem ao menos ter sido examinado, e submetido a torturas e eletrochoques (totalizando 21 sessões). Isso durou até que, desesperado, ateou fogo em sua própria cela, sendo retirado a tempo. O ato despertou seu pai, que o tirou do manicômio. Desajustado pelos eletrochoques, pela sedação pesada e pelas torturas variadas, ele acabou sofrendo também nas mãos da polícia, que lhe proporcionou doses extras de humilhação e espancamento. [1]
Foi o representante nacional dos usuários na Reforma psiquiátrica do Brasil. Homenageado em 28 de Maio de 2003 pelo Ministério da Saúde e pelo Presidente da República Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, por sua Luta e Empenho na Construção da Rede Nacional de Trabalhos Substitutivos aos Hospitais Psiquiátricos no Brasil.(...)"
http://pt.wikipedia.org/wiki/Austreg%C3%A9silo_Carrano_Bueno
Bicho de Sete Cabeças - o Filme (12/06/2009 - 22:41)
O escritor José Saramago sobre a alteridade...
Para ele, temos que ir além do simplesmente tolerar.
Mais do que tolerar, precisamos contemplar o outro e estabelecer com ele uma rede de relações sociais.
"Tolerar a existência do outro e permitir que ele seja diferente ainda é muito pouco. Quando se tolera, apenas se concede, e essa não é uma relação de igualdade, mas de superioridade de um sobre o outro. Deveríamos criar uma relação entre as pessoas, da qual estivessem excluídas a tolerância e a intolerância."
Madá (12/06/2009 - 20:20)
Senhora Aninha, alteridade é um dos pilares do olhar ético. Se souber o que significa alteridade... Vai ver que você pisou o pé no jacá. Caso não saiba, terei prazer em dizer-lhe. Basta que sinalize.
Aninha (12/06/2009 - 15:11)
Jorge Guimarãe, agora eu vi...
Quer dizer então que discordar ou criticar é falta de ética ou não colocar-se do outro.
De onde você tirou isso?
Gullar pisa na bola ao detonar a luta antimanicomial.
Não se trata de ser injusto com Gullar ou não saber colocar-se no lugar dele.
O buraco é mais embaixo.
José Carlos Lima (12/06/2009 - 07:26)
Caro opa opa, verificando um email que eu havia abandonado descobri um texto de 2005. Resolvi publicar via email no meu blog, vide o endereço abaixo. Ao reler este texto do qual eu nem sabia da existência notei que antigamente eu escrevei muito, não media palavras, ao contrário de hoje quando escrevo pouquíssimo e mesmo assim de forma truncada, aos pedaços, o que provoca mal entendidos como este. Não sei o que ocorreu comigo, o que me levou a este estado de decadência.
www.josecarloslima.blogspot.com
José Carlos Lima (11/06/2009 - 08:31)
Opa opa, o que eu quis dizer é que Gullar apesar de ter rompido com o movimento concreto ainda vive sob os parâmetros do concretismo, não avançando, parando no tempo, embora tenha dado o ponta-pé inicial. Segue link de texto no meu blog, espero que fique claro o meu ponto de vista.
http://josecarloslima.blogspot.com/2009/06/neoconcretismo-x-ferreira-gullar.html
Laura Antunes (10/06/2009 - 08:57)
QUE É LOUCURA?
Isaac Efraim (psiquiatra)
A loucura ou psicose como é chamada tecnicamente é quando a se perde ou diminui de forma importante o contacto com a realidade, ou seja os conteúdos da mente prevalecem sobre a capacidade de incorporar a realidade.
As principais características de uma pessoa "louca" são as alterações de pensamento (delírios){ela cria novas realidades, como dizer que é Napoleão, ou mesmo Deus}, de percepção (alucinações auditivas e visuais ){ouve ou vê coisas que não existem}, afetivas (ansiedade exagerada, embotamento afetivo etc) e manias.
A loucura é sempre muito impressionante, pois normalmente não entendemos o que está acontecendo, o comportamento da pessoa não tem uma lógica, mas nem sempre isto é sinal de gravidade.
Quando se conhece bem a mente da pessoa todas as suas atitudes podem ser compreendidas, existe uma lógica intrínseca da loucura.
Evidentemente não existem apenas casos graves de loucura, todos nós carregamos um pouco de loucura, são as nossas cismas, as nossas manias, as nossas paranoias.
Se elas atrapalham a nossa vida de maneira importante, prejudicando o nosso rendimento profissional e a nossa capacidade de se relacionar, merecemos o rótulo de louco e devemos nos tratar.
Se elas não atrapalham nossa vida de forma efetiva, classificamo-nos como neuróticos ou apenas de esquisitos e tocamos a vida.
Se você ficou preocupado, descubra se a loucura tem tratamento.
www.ansiedade.com.br
José Carlos Lima (10/06/2009 - 06:43)
Resposta ao Opa Opa:
Oi opa opa, Ferreira Gullar não só negou o neoconcretismo, como passou a confrontar o artistas que o citavam.
Sugiro que leias o livro Ferreira Gullar. Experiência neoconcreta: momento-limite da arte. São Paulo: Cosac Naif, 2007. 164p.
"(...) Em "O tempo e a obra", Gullar deparou-se com a idéia que o afastou do grupo carioca: a de que "a própria noção de arte deveria ser abolida, já que o não-objeto não pretende inserir-se na cultura nem quer permanecer, durar: o que dele restará será apenas a casca material já que, enquanto significação, será absorvido na elaboração e reelaboração incessante de nossas experiências sensíveis". O crítico deu-se conta de que destampava a caixa de Pandora: na poesia, sua perspectiva era de abandono da própria palavra. Tais idéias, pressentia, levariam à destruição da arte.
Assustado, Gullar abandonou os neoconcretos: primeiro timidamente, em 1961, quando dirigiu a Fundação Cultural, em Brasília, a convite do então presidente Jânio Quadros; depois assumidamente, em 1962, quando passou a presidir o Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes. Era a confirmação de uma nova fase de sua carreira, ligada à ação política (causa do exílio de 1971 até 1977).
Fonte: http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=859
Azenha, desculpe-me se este comentário foi enviado de forma repetida, não foi esta minha intenção, é que este pc está meio complicado.
Kathy Emory (09/06/2009 - 14:51)
Sr. Lucas Jerzy Portela, qual a sua experiência direta com portador de doença mental?
Se não a tem, não faça comentários vazios. Antes de julgar procure ler sobre o assunto, se esclarecer. Se o Sr. tem tempo livre, participe de grupos de apoio para conhecer o assunto.
http://infinitoaldoluiz.blogspot.com/ (09/06/2009 - 13:58)
"Insanity is a perfectly natural adjustment to a totally unnatural and negative environment." Michel Tsarion in 2012- The future of mankind
Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato! E como sinto!
Eu também aceitava este "programinha" de bipolar. Foi mais fácil aceitar um rótulo do que compreender que o que me fazia oscilar fora do "zero", nossa identidade própria, são programações repetindo memórias ancestrais... (Eu não conhecia o Ho'oponopono da Identidade Própria.) Antes, tinha o nome de PMD, psicose maníaca depressiva... Meu pai esgotou sua vida nessa barbaridade. MEDO!
Por favor leiam o restante de monha experiência em meu blog na postagem de 5 de março de 2009 com o título REALIDADE PESSOAL. Não cabe aqui pois excede o limite de caracteres. Espero estar contribuindo para uma visão mais humana da nossa absolutamente incompreendida humanidade.
Sinto muito, me perdoe, te a mo, sou grato!
Maria (09/06/2009 - 12:29)
Uma coisa é o tratamento desumano, brutal até de doentes mentais internados em manicômios. Contra isso, todo combate é bem vindo. Outra coisa é a eliminação por completo de internações que são necessárias em surtos psicóticos, que não raramente ocorrem com explosões incontroláveis de agressividade. Lidar com isso é devastador para as famílias. E não se trata de famíliares insensíveis (que existem, claro), ansiosos por se livrar do seu doente. São parentes em desespero que não sabem e não podem lidar com a situação, sem risco de tb desmoronar. Somente quem vivencia o problema (e o Ferreira Gullar está nessa categoria) é capaz de avaliar quando não há alternativa à internação. A quase totalidade dos profissionais "idealistas" não têm esse nível de envolvimento, não precisam cuidar de pacientes nesse estado e ainda continuar tocando suas vidas. Limitam-se à consultas esporádicas, de pouco duração e à prescrição de medicamentos. Se tivessem que encarar, um único dia que fosse, não estariam por aí misturando "alhos" com "bugalhos".
antonio rodrigues (09/06/2009 - 11:57)
Sr.Lucas Jerzy Portela:
Também não me agradam as ideias politicas de Ferreira Gullar, mas o senhor foi longe demais no seu comentário o responsabilizando pela doença dos filhos.Em que terrível mundo estamos vivendo, as pessoas se sentem no direito de afirmar publicamente qualquer coisa. Estou perplexo. Que grosseria, que falta de sensibilidade.
Suzete (09/06/2009 - 11:45)
A atenção 'a saúde mental em Belo Horizonte não é um mar de rosas. É boa, mas precisa melhorar. Ainda não é como precisa ser. E só ainda não foi pro brejo porque além dos caps, da prefeitura, há dois hospitais que dão o suporte para as internações na hora em que se precisa, o Raul Soares e o Galba Veloso, do Estado. Aécio Neves não enlouqueceu a ponto de fechar estes dois hospitais do estado, que os psicólogos dos caps odeiam. Mas de verdade são quem dão sustentação ao trabalho da prefeitura nos caps. Queremos os caps, mas o suporte hospitalar também. Acho que não é difícil de entender. Mas de qualquer modo talvez seja possível dizer que a experiência de Belo Horizonte seja um modelo mais no rumo, pois aqui não se acabaram com os hospitais psiquiátricos públicos e ainda há um que atende pelo SUS, do qual não recordo o nome. Acho que é Hospital André Luís. Digo que o modelo do trabalho da prefeitura juntamente com os hospitais funciona melhor do que onde não há hospitais psiquiátricos públicos.
Nelson Quintanilha (09/06/2009 - 11:40)
Graças a Deus não experimentei essa situação, não vesti esse sapato, mas acredito que ele é muito apertado.
Somente quem esta passando por essa situação sabe de fato como ela é, existe uma hora que a família tem o direito de se recompor, internando seus entes queridos, mas doente, em crises agudas.
As famílias precisam respirar, colocar a cabeça em ordem, somente dessa forma terão forças para acolhe-los e cuidar deles novamente.
Norma (09/06/2009 - 10:57)
ULLISSES TAVARES, autor da antologia Quando nem Freud explica, tente a poesia!
Nasceu em Sorocaba-SP em 1950. Fez sua estréia literária em 1959, com a publicação de poemas nos jornais Folha de Sorocaba e Diário de Sorocaba. Em 1963 realizou exposição de poemas em varais, em praças públicas de São Paulo SP. Publicou, em 1977, Pega Gente, livro de poesia independente. Em 1978 lançou o jornal/movimento Poesias Populares - O Jornal do Poeta, reunindo 350 poetas em todo país. Entre 1978 e 1990 foi editor do Núcleo Pindaíba Edições e Debates, com Aristides Klafke, Arnaldo Xavier e Roniwalter Jatobá, em São Paulo (...) A poeta Leila Míccolis escreveu, sobre a obra de Ulisses Tavares: numa linguagem urbana,direta, muitas vezes óbvia (Ulisses Tavares) questiona, provoca, agride, sem subterfúgios nem entrelinhas: quem gostar, bom proveito, quem não, se retire. Sendo seu trabalho de resistência, de denúncia, de crítica, se propõe a ser ativo - função de toda poesia necessária, para empregar uma expressão usual. Tavares é um dos poucos polígrafos da literatura brasileira. Escreve de romances a ensaios, de poesia a contos, de histórias em quadrinhos a ficção. Tem 74 livros publicados (...) Além da literatura, Ulisses atua como professor de criatividade aplicada à redação, propaganda, marketing, internet, relações interpessoais, web business, é também compositor, dramaturgo, roteirista de cinema e televisão, especialista em marketing político e jornalista digital.
Ivaldo Souza (09/06/2009 - 10:11)
Outro adendo que julgo necessário: o meu posicionamente deve-se a relacionamento próximo, intimo mesmo, com pessoas que foram submetidas a torturas, digo, "tratamentos médicos" nesses presídios fora-da-lei da psiquiatria.
Ivaldo Souza (09/06/2009 - 10:04)
Um adendo ao meu comentário anterior, a título de conclusão: "tratamento médico" em masmorras medievais, efetivamente, não é crime, mas é desonesto e anti-ético, sem dúvida alguma.
Luciana Corrêa (09/06/2009 - 08:27)
Eu cuido de uma bipolar, no estágio mais severo da doença, há 21 anos. Tenho 47 anos e cuidar dessa irmã custou minha carreira profissional, minha saúde e minhas finanças. Nem todo mundo está disposto ou é obrigado a pagar o preço. Eu nunca optei por internação, mas não critico quem opta. É, realmente, dificilimo manter em casa um doente com transtornos mentais. Se por um lado existe o direito do doente à condições dignas de tratamento, por outro existe a familia, com direitos a acessos dignos de amparo pelo Estado, tanto psicológicos quanto financeiro. O Estado não pode isentar-se de suas responsabilidades no atendimento a esses doentes e seus familiares. Já precisei de ambulância para encaminhar meu doente para ser medicado (não internado) e não consegui, chegaram a me dizer que era caso de polícia.
A medicação é tão cara, algo em torno de R$ 1.400,00/mês e apenas há 6 anos eu consegui através de liminar que o Estado forneça tais medicamentos. Antes disso, me endividei para que pudesse oferecer um tratamento adequado. Pior, todos esses gastos não podem ser abatidos do IR se a pessoa não for seu dependente. Isso quer dizer que o Estado repassa a responsabilidade aos familiares e não dá contrapartida alguma, nem mesmo isenção de impostos. É lamentável que pessoas critiquem familiares nessa situação. Só quem vive o problema sabe o quanto é penoso e sem a assistência devida pelo Estado, muitos desses doentes são abandonados a própria sorte.
Maxwell Barbosa Medeiros (09/06/2009 - 07:18)
"Não vamos dourar a pílula: não é fácil amar o desviante do padrão de normalidade, pois é extenuante amar a quem só dá trabalho." Eu que o diga, meu irmão mais velho é Autista, terá a mente de uma criança por toda a vida.
Lucas Jerzy Portela (09/06/2009 - 07:05)
o que há é que a Política Nacional prevê perfeitamente internações em crise, mas em outros modelos como os CAPS III. E mesmo em hospitais psiquiátricos, desde que curtas e fora do modelo manicomial. Inclui ainda (parte com a qual não concordo, mas entendo o que lhe causa ideologicamente) leitos psiquiátricos em hospital geral.
Não tem jeito: a postura de Gullar (que outrora tanto elogiou uma das pioneiras da reforma psiquiátrica mundial, Nise da Silveira) é tão reacionária quanto apoiar Sarney - a quem ele apoia.
jose carlos lima (08/06/2009 - 23:27)
Gullar ainda vive sob os parâmetros do movimento concretista.
Este movimento defendia uma poesia racional, matemática.
O concretismo foi substituido pelo neoconcretismo.
O neoconcretismo trouxe loucos do quilate de Hélio Oiticica e Lygia Clarck.
A não ser que Gullar tenha reformulado suas idéias dias atrás, mas até recentemente ele atacava o neoconcretismo.
Assim como ataca também o avanço no campo da psiquiatria.
www.josecarloslima.blogspot.com
Marcia (08/06/2009 - 21:27)
Acho que quem criticou foi o pai, não o poeta.
O assunto é controverso.
Tenho duas tias que viveram dentro e fora de hospitais psiquiátricos, eram PMD , bi polar, em estado muito evoluuído da doença. Uma delas morava conosco e quando entrava em crise fazia horrores impublicáveis.
Não sou a favor de depósitos de doentes, mas há casos e CASOS.
Fátima Oliveira, autora deste artigo, em seu livro Bioética - uma face da cidadania [Moderna] diz que a alteridade é um critério que envolve a trindade da bioética [autonomia ou o respeito à pessoa, a beneficência ou não-maleficência e a justiça]. De maneira que um olhar ético exige a praxis da alteridade. Sendo assim não dá pra crucificar Ferreira Gullar que tem uma história de vida cuidando de doentes psiquiátricos. Os inimigos da Reforma Psiquiátrica plena minha gente são outros, mais proximamente os prefeitos e governadores que não investem devidamente na existência dos serviços e acham que podem fazer atenção à saúde mental só com psicólogos e CAPS, que são necessários, mas não bastam. Por que vocês não falam isto?