Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha

Palanque

Deixe aqui sugestões de pauta, de leitura e desabafos

Escreva!

   
 
Home Receba as últimas notícias via RSS
Você escreve Utilidades

A internação psiquiátrica necessária não é crime

Atualizado em 08 de junho de 2009 às 21:13 | Publicado em 08 de junho de 2009 às 21:12

A internação psiquiátrica que é necessária não é crime
NÃO É FÁCIL AMAR O DESVIANTE DO PADRÃO DE NORMALIDADE
 
Fátima Oliveira
- Médica
fatimaoliveira@ig.com.br


Ainda sobre sofredores mentais em "crise", quando a família não consegue mais lidar com o estágio de descontrole da doença e busca um "meio médico" de alívio para seu doente e uma trégua para si, saltam aos olhos as interpretações distorcidas dos artigos do poeta Ferreira Gullar: "Uma lei errada" (FSP, 12.4.2009); "A sociedade sem traumas" (FSP, 26.4.2009); e "Os inumeráveis estados do ser" (FSP, 17.5.2009).

Gullar conviveu por meio século com dois filhos esquizofrênicos e construiu na dor credenciais morais para emitir a sua percepção de como a Política Nacional de Saúde Mental se concretiza no cotidiano das famílias e dos doentes. Não precisamos concordar, apenas admitir que falou do alto da experiência de pai-cuidador e que seus artigos brotam dum contexto especialíssimo: conhece a fundo o assunto. Embora ame a poesia do meu conterrâneo, não morro de amores pelo Gullar analista político, mas como ousar desqualificar uma voz de experiência de décadas?

É imoral quem nunca ardeu, queimou e renasceu das cinzas, como Fênix, na lida com um familiar transtornado mentalmente tentar desacreditar quem, em nome da ética da responsabilidade, cuida do seu dizendo: "este poeta se manifesta frontalmente contra a Política Nacional de Saúde Mental brasileira e declara seu apoio decidido às práticas de internação (...) e que o que está certo é a lógica manicomial que o Brasil está deixando para trás" (Luciano Elia, psicanalista, diretor do Laço Analítico e consultor do Ministério da Saúde para a Saúde Mental de Crianças e Adolescentes).

Ignorante da frase "Seja qual for o caminho que eu escolher, um poeta já passou por ele antes de mim" (in "Freud e os poetas"), tripudiou: "Não está sozinho, Gullar, e talvez não tenha tomado esta iniciativa de moto próprio, de moto solo. Há profissionais, em sua maioria psiquiatras sequiosos por retomar o curso retrógrado da assistência psiquiátrica". Ora me compre um bode!

A lei nº 10.216 - que "Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental" - diz, sem rodeios, que é um direito da pessoa portadora de transtorno mental: "I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades" (art. 2°, parágrafo único); e não se omite e nem criminaliza a internação necessária, ao contrário, a prevê: "Art. 6°. A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos. Parágrafo único. Tipos de internação psiquiátrica: I. internação voluntária: com o consentimento do usuário; II. internação involuntária: sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro; e III. internação compulsória: determinada pela Justiça".

Não vamos dourar a pílula: não é fácil amar o desviante do padrão de normalidade, pois é extenuante amar a quem só dá trabalho. Atire a primeira pedra quem disser o contrário. É esperado que muitas famílias, no auge do desespero, acalentem o desejo de segregá-los ou de se "aliviar" por uns tempos "forçando a barra" para uma internação. Cotidianamente, vejo tais desejos de alívio no Pronto Socorro em relação a pessoas idosas, inválidas ou doentes terminais. É cruel, mas é real. Ferreira Gullar não declarou "apoio decidido às práticas de internação" e nem advogou pelo retorno das masmorras dos manicômios... O debate tem de elevar o nível para ser sério, pois "quando nem Freud explica, tente a poesia"!

Publicado em: 09/06/2009

www.otempo.com.br/otempo/colunas/?IdColunaEdicao=8746


Indique esta Matéria
ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Madá (13/06/2009 - 07:23)
Citando Fátima Oliveira em sua obra "Bioética - uma face da cidadania" [Moderna]: "Alteridade (do latim, alter, "o outro") significa o respeito pela outra pessoa, colocar-se no lugar da outra pessoa.
Em bioética isso não significa abrir mão da moralidade pessoal. No fundamental trata-se de entender e respeitar a pluralidade, de aprender a conviver em harmonia com as diferenças e divergências, ou seja, de buscar o consenso em um mundo plural. Isso está relacionado com o respeito a um outro ponto de vista, à visão que a pessoa tem das coisas e da vida a partir de um determinado lugar no qual ela se encontra.
Francisco de Assis Correa, em sua obra ´A alteridade como critério fundamental e englobante da bioética´:
´Na História da Filosofia, o critério da alteridade não é novo. Desde Aristóteles já se tratou do outro em termos de relações humanas e de suas implicações.
No contexto de Terceiro Mundo, especificamente de América Latina, sem rejeitar estes critérios primeiro-mundistas, urge resgatar o critério de alteridade, ou seja, o outro (%u2026) como sujeito histórico, enquanto identidade, indivíduo, pessoa e outro, enquanto plural, isto é, maioria empobrecida e marginalizada das atenções de saúde, categoria esta não devidamente contemplada pela perspectiva da "trindade" da bioética. Esta abordagem pode ser chamada de práxis de alteridade".

Madá (13/06/2009 - 07:21)
Fátima Oliveira, autora deste artigo, em seu livro Bioética - uma face da cidadania [Moderna] diz que a alteridade é um critério que envolve a trindade da bioética [autonomia ou o respeito à pessoa, a beneficência ou não-maleficência e a justiça]. De maneira que um olhar ético exige a praxis da alteridade. Sendo assim não dá pra crucificar Ferreira Gullar que tem uma história de vida cuidando de doentes psiquiátricos. Os inimigos da Reforma Psiquiátrica plena minha gente são outros, mais proximamente os prefeitos e governadores que não investem devidamente na existência dos serviços e acham que podem fazer atenção à saúde mental só com psicólogos e CAPS, que são necessários, mas não bastam. Por que vocês não falam isto?

Jose Carlos Lima (13/06/2009 - 00:04)
Sim.
Mas alteridade a favor de quem?
A favor dos "Austregésilo Carrano" da vida?
Despertei para a importância da luta antimanicomial após assistir a uma palesttra de Austregésilo Carrano e assistir ao filme "Bicho de 7 Cabeças", do qual ele foi protagonista.

"(...) Em um período de três anos, Austregésilo foi transferido de um hospital a outro sem ao menos ter sido examinado, e submetido a torturas e eletrochoques (totalizando 21 sessões). Isso durou até que, desesperado, ateou fogo em sua própria cela, sendo retirado a tempo. O ato despertou seu pai, que o tirou do manicômio. Desajustado pelos eletrochoques, pela sedação pesada e pelas torturas variadas, ele acabou sofrendo também nas mãos da polícia, que lhe proporcionou doses extras de humilhação e espancamento. [1]

Foi o representante nacional dos usuários na Reforma psiquiátrica do Brasil. Homenageado em 28 de Maio de 2003 pelo Ministério da Saúde e pelo Presidente da República Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, por sua Luta e Empenho na Construção da Rede Nacional de Trabalhos Substitutivos aos Hospitais Psiquiátricos no Brasil.(...)"

http://pt.wikipedia.org/wiki/Austreg%C3%A9silo_Carrano_Bueno


Aninha (12/06/2009 - 23:25)
Madá, que falta de alteridade da sua parte.
Ao invés de afirmar eu apenas perguntei:

Discordar ou criticar é falta de ética ao não colocar-se no lugar do outro?

Minha resposta é não.

Discordar ou criticar Ferreira Gullar não é falta de ética nem falta de alteridade.



Bicho de Sete Cabeças - o Filme (12/06/2009 - 22:41)
O escritor José Saramago sobre a alteridade...
Para ele, temos que ir além do simplesmente tolerar.
Mais do que tolerar, precisamos contemplar o outro e estabelecer com ele uma rede de relações sociais.

"Tolerar a existência do outro e permitir que ele seja diferente ainda é muito pouco. Quando se tolera, apenas se concede, e essa não é uma relação de igualdade, mas de superioridade de um sobre o outro. Deveríamos criar uma relação entre as pessoas, da qual estivessem excluídas a tolerância e a intolerância."


Rogério Santiago (12/06/2009 - 22:25)
Madá,a Aninha está mais do que certa, você que meteu o pé na jaca.

Alteridade é sim o colocar-se no lugar do outro e assim comprendê-lo. Na revisa Adital tem um artigo sobre o assunto, de Frei Beto.

Wikipédia:

alteridade (ou outridade) é a concepção que parte do pressuposto básico de que todo o homem social interage e interdepende de outros indivíduos. Assim, como muitos antropólogos e cientistas sociais afirmam, a existência do "eu-individual" só é permitida mediante um contato com o outro (que em uma visão expandida se torna o Outro - a própria sociedade diferente do indivíduo).

Dessa forma eu apenas existo a partir do outro, da visão do outro, o que me permite também compreender o mundo a partir de um olhar diferenciado, partindo tanto do diferente quanto de mim mesmo, sensibilizado que estou pela experiência do contato.

A "noção de outro ressalta que a diferença constitui a vida social, à medida que esta efetiva-se através das dinâmicas das relações sociais.

Madá (12/06/2009 - 20:20)
Senhora Aninha, alteridade é um dos pilares do olhar ético. Se souber o que significa alteridade... Vai ver que você pisou o pé no jacá. Caso não saiba, terei prazer em dizer-lhe. Basta que sinalize.

Aninha (12/06/2009 - 16:27)
Eu quis dizer discordar ou criticar é falta de ética ao não colocar-se no lugar do outro.

Aninha (12/06/2009 - 15:11)
Jorge Guimarãe, agora eu vi...
Quer dizer então que discordar ou criticar é falta de ética ou não colocar-se do outro.
De onde você tirou isso?
Gullar pisa na bola ao detonar a luta antimanicomial.
Não se trata de ser injusto com Gullar ou não saber colocar-se no lugar dele.
O buraco é mais embaixo.

Jorge Guimarães (12/06/2009 - 09:24)
José Carlos e demais que estão crucificando o poeta Ferreira Gullar: usem da alteridade. Só assim serão éticos.

José Carlos Lima (12/06/2009 - 07:26)
Caro opa opa, verificando um email que eu havia abandonado descobri um texto de 2005. Resolvi publicar via email no meu blog, vide o endereço abaixo. Ao reler este texto do qual eu nem sabia da existência notei que antigamente eu escrevei muito, não media palavras, ao contrário de hoje quando escrevo pouquíssimo e mesmo assim de forma truncada, aos pedaços, o que provoca mal entendidos como este. Não sei o que ocorreu comigo, o que me levou a este estado de decadência.

www.josecarloslima.blogspot.com

opa opa (12/06/2009 - 07:22)
ok, agora ficou claro

José Carlos Lima (11/06/2009 - 08:31)
Opa opa, o que eu quis dizer é que Gullar apesar de ter rompido com o movimento concreto ainda vive sob os parâmetros do concretismo, não avançando, parando no tempo, embora tenha dado o ponta-pé inicial. Segue link de texto no meu blog, espero que fique claro o meu ponto de vista.

http://josecarloslima.blogspot.com/2009/06/neoconcretismo-x-ferreira-gullar.html

Laura Antunes (10/06/2009 - 10:15)
SAIBA QUANDO VC COMEÇA A FICAR DOIDO...%u200F

1. Envia e-mail ou msn para conversar com a pessoa que trabalha na mesa ao lado da sua.
2. Usa o celular na garagem de casa para pedir a alguém que o ajude a desembarcar as compras.
3. Esquecendo seu celular em casa, (coisa que você não tinha há uns 10 anos), você fica apavorado e volta buscá-lo.
4. Levanta pela manhã e quase que liga o computador antes de tomar o café.
5. Conhece o significado de naum, tbm, qdo, xau, msm, dps, blz, aff, rs ...
6. Não sabe o preço de um envelope comum;
7. A maioria das piadas que vc conhece as recebeu por e-mail (e ainda por cima ri sozinho...);
8. Fala o nome da firma onde trabalha quando atende ao telefone em sua casa (ou até mesmo o celular !!);/ Digita o '0' para telefonar de sua casa;
10. Vai ao trabalho quando o dia ainda está clareando, volta para casa quando já escureceu de novo;
11. Quando seu computador pára de funcionar, parece que foi seu coração que parou,
11. Está lendo esta lista e está concordando com a cabeça e sorrindo.
12. Está concordando tanto com isso, e tão interessado nesta leitura que nem reparou que esta lista não tem o número 9.
13. Retornou a lista para verificar se é verdade que falta o número 9 e nem viu que tem dois números 11.
14. E AGORA VC ESTÁ RINDO CONSIGO MESMO...
15. Já está pensando para quem vai enviar esta mensagem...
16. Provavelmente agora vc vai clicar no botão 'Encaminhar'... E é a vida... fazer o quê? FELIZ MODERNIDADE!

Laura Antunes (10/06/2009 - 08:57)
QUE É LOUCURA?
Isaac Efraim (psiquiatra)
A loucura ou psicose como é chamada tecnicamente é quando a se perde ou diminui de forma importante o contacto com a realidade, ou seja os conteúdos da mente prevalecem sobre a capacidade de incorporar a realidade.
As principais características de uma pessoa "louca" são as alterações de pensamento (delírios){ela cria novas realidades, como dizer que é Napoleão, ou mesmo Deus}, de percepção (alucinações auditivas e visuais ){ouve ou vê coisas que não existem}, afetivas (ansiedade exagerada, embotamento afetivo etc) e manias.
A loucura é sempre muito impressionante, pois normalmente não entendemos o que está acontecendo, o comportamento da pessoa não tem uma lógica, mas nem sempre isto é sinal de gravidade.
Quando se conhece bem a mente da pessoa todas as suas atitudes podem ser compreendidas, existe uma lógica intrínseca da loucura.
Evidentemente não existem apenas casos graves de loucura, todos nós carregamos um pouco de loucura, são as nossas cismas, as nossas manias, as nossas paranoias.
Se elas atrapalham a nossa vida de maneira importante, prejudicando o nosso rendimento profissional e a nossa capacidade de se relacionar, merecemos o rótulo de louco e devemos nos tratar.
Se elas não atrapalham nossa vida de forma efetiva, classificamo-nos como neuróticos ou apenas de esquisitos e tocamos a vida.
Se você ficou preocupado, descubra se a loucura tem tratamento.

www.ansiedade.com.br

Maria Rocha Ferreira (10/06/2009 - 07:54)
Considero este um dos melhores artigos de Fátima Oliveira. Ponderado ao máximo, justo e sereno

José Carlos Lima (10/06/2009 - 06:43)
Resposta ao Opa Opa:

Oi opa opa, Ferreira Gullar não só negou o neoconcretismo, como passou a confrontar o artistas que o citavam.
Sugiro que leias o livro Ferreira Gullar. Experiência neoconcreta: momento-limite da arte. São Paulo: Cosac Naif, 2007. 164p.
"(...) Em "O tempo e a obra", Gullar deparou-se com a idéia que o afastou do grupo carioca: a de que "a própria noção de arte deveria ser abolida, já que o não-objeto não pretende inserir-se na cultura nem quer permanecer, durar: o que dele restará será apenas a casca material já que, enquanto significação, será absorvido na elaboração e reelaboração incessante de nossas experiências sensíveis". O crítico deu-se conta de que destampava a caixa de Pandora: na poesia, sua perspectiva era de abandono da própria palavra. Tais idéias, pressentia, levariam à destruição da arte.
Assustado, Gullar abandonou os neoconcretos: primeiro timidamente, em 1961, quando dirigiu a Fundação Cultural, em Brasília, a convite do então presidente Jânio Quadros; depois assumidamente, em 1962, quando passou a presidir o Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes. Era a confirmação de uma nova fase de sua carreira, ligada à ação política (causa do exílio de 1971 até 1977).
Fonte: http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=859

Azenha, desculpe-me se este comentário foi enviado de forma repetida, não foi esta minha intenção, é que este pc está meio complicado.

Djalma Britto (09/06/2009 - 21:29)
Dra. Fátima... o assunto é velho conhecido nosso... Lembra da tia Lili que tinhamos de vigiar, controlar, tomar conta etc e tal? Com propriedade o texto.... Trabalhoso mesmo ter alguem na família nessas condições. Mas, não se pode e nem se deve abandonar ou desprezar....

Kathy Emory (09/06/2009 - 14:51)
Sr. Lucas Jerzy Portela, qual a sua experiência direta com portador de doença mental?
Se não a tem, não faça comentários vazios. Antes de julgar procure ler sobre o assunto, se esclarecer. Se o Sr. tem tempo livre, participe de grupos de apoio para conhecer o assunto.

Kathy Emory (09/06/2009 - 14:10)
A percepção do sofrimento do doente mental, (segundo a reforma, portador de transtorno mental) só será alcançada por poucos. Meu irmão, durante seus surtos houve vozes que mandam que ele mate uma determinada pessoa, ele quase que executou a ordem. A pessoa que ele agrediu não permitiu que ele fosse preso, pois sabia que ele estava doente. Foi entrevistado durante 90 minutos por uma especialista de um hosp. psiquiátrico público, ela lhe deu uns comprimidos e o mandou para casa. Ele fugiu por dois dias e quando retornou, ainda em crise, implorou para ser internado por medo do que seria capaz de fazer. Só conseguimos interná-lo por ordem judicial, graças a ajuda da senhora Lídia Nogueira Moreno, que se dedica a auxiliar os doentes e seus familiares. Com quinze dias de internação ele melhorou, ficou mais 15 em observação e semanalmente é acompanhado por psicólogo. Hoje mora sozinho, e toda noite ele é lembrado de tomar o remédio. Ele tem uma família que o ama e se preocupa com ele. Quantos possuem essa sorte? Procure saber como vivem os doentes mentais e seus familiares que moram na baixada fluminense. Sofrimento comparado a um campo de concentração.

http://infinitoaldoluiz.blogspot.com/ (09/06/2009 - 13:58)
"Insanity is a perfectly natural adjustment to a totally unnatural and negative environment." Michel Tsarion in 2012- The future of mankind
Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato! E como sinto!
Eu também aceitava este "programinha" de bipolar. Foi mais fácil aceitar um rótulo do que compreender que o que me fazia oscilar fora do "zero", nossa identidade própria, são programações repetindo memórias ancestrais... (Eu não conhecia o Ho'oponopono da Identidade Própria.) Antes, tinha o nome de PMD, psicose maníaca depressiva... Meu pai esgotou sua vida nessa barbaridade. MEDO!
Por favor leiam o restante de monha experiência em meu blog na postagem de 5 de março de 2009 com o título REALIDADE PESSOAL. Não cabe aqui pois excede o limite de caracteres. Espero estar contribuindo para uma visão mais humana da nossa absolutamente incompreendida humanidade.
Sinto muito, me perdoe, te a mo, sou grato!

Ops! (09/06/2009 - 12:51)
Maravilha! Agora poderemos criar um abaixo assinado pedindo a internação dos doentes que roubam e traem os interesses públicos no congresso?!!! Ou doido ladrão não se enquadra? Dos castelinhos para o manicômio! Dos ternos para as camisas de força!

Maria (09/06/2009 - 12:29)
Uma coisa é o tratamento desumano, brutal até de doentes mentais internados em manicômios. Contra isso, todo combate é bem vindo. Outra coisa é a eliminação por completo de internações que são necessárias em surtos psicóticos, que não raramente ocorrem com explosões incontroláveis de agressividade. Lidar com isso é devastador para as famílias. E não se trata de famíliares insensíveis (que existem, claro), ansiosos por se livrar do seu doente. São parentes em desespero que não sabem e não podem lidar com a situação, sem risco de tb desmoronar. Somente quem vivencia o problema (e o Ferreira Gullar está nessa categoria) é capaz de avaliar quando não há alternativa à internação. A quase totalidade dos profissionais "idealistas" não têm esse nível de envolvimento, não precisam cuidar de pacientes nesse estado e ainda continuar tocando suas vidas. Limitam-se à consultas esporádicas, de pouco duração e à prescrição de medicamentos. Se tivessem que encarar, um único dia que fosse, não estariam por aí misturando "alhos" com "bugalhos".

laura (09/06/2009 - 12:24)
O problema é que esse debate virou fundamentalista.
Há casos em que se fazem necessários cuidado integral. Chame-se internação ou não. Sou filha de psiquiatras e já ví muito esquizofrenico abandonado por aí , nas ruas. É muito fácil dizer que as "famílias são retrógradas " e não aguentam comportamentos desviantes e outros quejandos.É mais complexo que isso e há casos, sim, que se faz necessário cuidado médico integral, em algum tipo de internação. Conheço alguns, não é fácil não. Cada caso é um caso e há que haver uma multiplicidade de alternativas.

antonio rodrigues (09/06/2009 - 11:57)
Sr.Lucas Jerzy Portela:

Também não me agradam as ideias politicas de Ferreira Gullar, mas o senhor foi longe demais no seu comentário o responsabilizando pela doença dos filhos.Em que terrível mundo estamos vivendo, as pessoas se sentem no direito de afirmar publicamente qualquer coisa. Estou perplexo. Que grosseria, que falta de sensibilidade.

Norma (09/06/2009 - 11:50)
Resenha
Quando nem Freud explica, tente a poesia!
Rosana de Almeida
Antologia organizada por Ulisses Tavares. Editora Francis, 2007.
"Seja qual for o caminho que eu escolher, um poeta já passou por ele antes de mim". Esta belíssima frase do "pai da psicanálise", Sigmund Freud, impressionou profundamente o poeta e organizador da antologia 'Quando nem Freud explica, tente a poesia!' Ulisses Tavares. Tanto impressionou que encontramo-na muitas vezes ao longo do livro. Eu consegui contar três. Tavares viu nessa frase genial um trampolim imperdível para lançar mais um livro para a sua coleção de 98 títulos.
Essa não é simplesmente uma frase de efeito, como foi usada. Freud sabia e dizia não só dos poetas, mas dos escritores criativos em geral, que eles tinham acesso a fontes que ele ainda desconhecia, que ainda não eram acessíveis à ciência e que estes sabiam, muito antes dele, todos os modos possíveis do funcionamento mental (...)
O organizador escolheu tópicos que achou importantes para mostrar ao leitor como os poetas falam "desses caminhos". Os tópicos são: O eu; O outro; O corpo; A alma; A vida; O sonho e A realidade. Para introduzir cada um deles o organizador usou uma frase de Freud e uma frase de um outro poeta. Achei a seleção destas frases muito engenhosa e me agradou mais que a seleção dos poemas (...)
www.gazetainsonia.com/visualizar.php?idt=884419

Suzete (09/06/2009 - 11:45)
A atenção 'a saúde mental em Belo Horizonte não é um mar de rosas. É boa, mas precisa melhorar. Ainda não é como precisa ser. E só ainda não foi pro brejo porque além dos caps, da prefeitura, há dois hospitais que dão o suporte para as internações na hora em que se precisa, o Raul Soares e o Galba Veloso, do Estado. Aécio Neves não enlouqueceu a ponto de fechar estes dois hospitais do estado, que os psicólogos dos caps odeiam. Mas de verdade são quem dão sustentação ao trabalho da prefeitura nos caps. Queremos os caps, mas o suporte hospitalar também. Acho que não é difícil de entender. Mas de qualquer modo talvez seja possível dizer que a experiência de Belo Horizonte seja um modelo mais no rumo, pois aqui não se acabaram com os hospitais psiquiátricos públicos e ainda há um que atende pelo SUS, do qual não recordo o nome. Acho que é Hospital André Luís. Digo que o modelo do trabalho da prefeitura juntamente com os hospitais funciona melhor do que onde não há hospitais psiquiátricos públicos.

chico melfi (09/06/2009 - 11:44)
Se o problema é a masmorra, que seja substituida por hospitais adequados, com acomodações condignas para um bom atendimento aos que efetitivamente necessitem de internação.

Nelson Quintanilha (09/06/2009 - 11:40)
Graças a Deus não experimentei essa situação, não vesti esse sapato, mas acredito que ele é muito apertado.
Somente quem esta passando por essa situação sabe de fato como ela é, existe uma hora que a família tem o direito de se recompor, internando seus entes queridos, mas doente, em crises agudas.
As famílias precisam respirar, colocar a cabeça em ordem, somente dessa forma terão forças para acolhe-los e cuidar deles novamente.

Santos (09/06/2009 - 11:20)
Quanto às pessoas que sofrem de transtornos de comportamento, tem um aspecto que é especialmente terrível. Elas não são loucas e (naturalmente) se protegem com discursos de vitimização para encobrir suas inações e dificuldades, juntando-se a falta de profissionais capacitados para tratar tais casos, os quais são muitas vezes tratados como meros problemas de adequação social, o resultado é uma relação doentia e perversa que adoece a todos, especialmente aos mais próximos, aos que verdadeiramente amam estas pessoas.

Norma (09/06/2009 - 10:57)
ULLISSES TAVARES, autor da antologia Quando nem Freud explica, tente a poesia!

Nasceu em Sorocaba-SP em 1950. Fez sua estréia literária em 1959, com a publicação de poemas nos jornais Folha de Sorocaba e Diário de Sorocaba. Em 1963 realizou exposição de poemas em varais, em praças públicas de São Paulo SP. Publicou, em 1977, Pega Gente, livro de poesia independente. Em 1978 lançou o jornal/movimento Poesias Populares - O Jornal do Poeta, reunindo 350 poetas em todo país. Entre 1978 e 1990 foi editor do Núcleo Pindaíba Edições e Debates, com Aristides Klafke, Arnaldo Xavier e Roniwalter Jatobá, em São Paulo (...) A poeta Leila Míccolis escreveu, sobre a obra de Ulisses Tavares: numa linguagem urbana,direta, muitas vezes óbvia (Ulisses Tavares) questiona, provoca, agride, sem subterfúgios nem entrelinhas: quem gostar, bom proveito, quem não, se retire. Sendo seu trabalho de resistência, de denúncia, de crítica, se propõe a ser ativo - função de toda poesia necessária, para empregar uma expressão usual. Tavares é um dos poucos polígrafos da literatura brasileira. Escreve de romances a ensaios, de poesia a contos, de histórias em quadrinhos a ficção. Tem 74 livros publicados (...) Além da literatura, Ulisses atua como professor de criatividade aplicada à redação, propaganda, marketing, internet, relações interpessoais, web business, é também compositor, dramaturgo, roteirista de cinema e televisão, especialista em marketing político e jornalista digital.

Norma (09/06/2009 - 10:25)
Indico o vídeo abaixo:
Quando nem Freud explica, tente a poesia!
3 min 18 seg - 15 jun. 2007 -
Organização de Ulisses Tavares. Editora Francis www.editorafrancis.com.br
.......
www.youtube.com/watch?v=wv3B5rCSNBk

Azenha, vale à pena colocar este vídeo hoje em seu site

Ivaldo Souza (09/06/2009 - 10:11)
Outro adendo que julgo necessário: o meu posicionamente deve-se a relacionamento próximo, intimo mesmo, com pessoas que foram submetidas a torturas, digo, "tratamentos médicos" nesses presídios fora-da-lei da psiquiatria.

Psthomaz@yahoo.com.br (09/06/2009 - 10:07)
Ô Jane Feitosa , aqui do meu cantinho , acho que pessoas que pensam como vc tbm mereceriam um tratamento diferenciado , algo parecido com o que propõe aos que te incomodam tanto .
Venha a Belo Horizonte conhecer na pratica o funcionamento da rede que assiste aos portadores , trabalho num sesses equipamentos , os Centros de Convivencia , onde os portadores são acolhidos p/ as oficinas de Artes , que lhes permite muita subjetividade e resultados humanizantes p/ o tratamento de seus sintomas , que vistos sob uma ótica fundamentada no conhecimento e avanços da psiquiatria , aliada aos conceitos progressistas da psicanalis e de profissionais competentes e comprometidos com a luta anti-manicomial , fazem uma grande diferença , inclusive no jeito de pensar a loucura sem condutas autoritárias como a maioria que aqui se apresentou . Pergunte primeiro ao portador de transtornos mentntais o que ele pensa sobre o assunto , ser doido não é ser burro .Abç
Paulo Sergio

Ivaldo Souza (09/06/2009 - 10:04)
Um adendo ao meu comentário anterior, a título de conclusão: "tratamento médico" em masmorras medievais, efetivamente, não é crime, mas é desonesto e anti-ético, sem dúvida alguma.

Ivaldo Souza (09/06/2009 - 09:57)
O aspecto positivo desse post é explicitar o que é óbvio para qualquer pessoa possuidora de mais de dois neurônios: a luta anti-manicomial existe em defesa dos direitos humanos dos doentes, que eram encarcerados em masmorras medievais sem terem cometido crime algum. Porém, contraria, frontalmente outros interesses, como o de familiares insensíveis que querem livrar-se do parente improdutivo. Sob esse ponto de vista, seria mais ético e honesto adotar a solução nazista para o problema, a saber, a sumária morte dos doentes. Ser executado por causar transtornos é mais ético do que dizer ao doente que será encarcerado em masmorras medievais, sem ter cometido crime algum, para ser submetido a "tratamento médico". Chega de cinismo e hipocrisia!

Luciana Corrêa (09/06/2009 - 08:27)
Eu cuido de uma bipolar, no estágio mais severo da doença, há 21 anos. Tenho 47 anos e cuidar dessa irmã custou minha carreira profissional, minha saúde e minhas finanças. Nem todo mundo está disposto ou é obrigado a pagar o preço. Eu nunca optei por internação, mas não critico quem opta. É, realmente, dificilimo manter em casa um doente com transtornos mentais. Se por um lado existe o direito do doente à condições dignas de tratamento, por outro existe a familia, com direitos a acessos dignos de amparo pelo Estado, tanto psicológicos quanto financeiro. O Estado não pode isentar-se de suas responsabilidades no atendimento a esses doentes e seus familiares. Já precisei de ambulância para encaminhar meu doente para ser medicado (não internado) e não consegui, chegaram a me dizer que era caso de polícia.
A medicação é tão cara, algo em torno de R$ 1.400,00/mês e apenas há 6 anos eu consegui através de liminar que o Estado forneça tais medicamentos. Antes disso, me endividei para que pudesse oferecer um tratamento adequado. Pior, todos esses gastos não podem ser abatidos do IR se a pessoa não for seu dependente. Isso quer dizer que o Estado repassa a responsabilidade aos familiares e não dá contrapartida alguma, nem mesmo isenção de impostos. É lamentável que pessoas critiquem familiares nessa situação. Só quem vive o problema sabe o quanto é penoso e sem a assistência devida pelo Estado, muitos desses doentes são abandonados a própria sorte.

Suzete (09/06/2009 - 08:27)
Não pode ser considerada uma reforma psiquiátrica adequada aquela que odeia psiquiatras, que tem como base a antipsiquiatria e que é comandada somente por psicólogos que se acham e só querem aparecer e que nela encontraram um celeiro de empregos sem fundo e condenam e até proibem a internação de pacientes que dela necessitam. Vamos dosar a dor minha gente. Há coisas muito boas e inovadoras no atendimento psiquiátrico atual no Brasil, mas é distorção ela ser comandada quase exclusivamente por psicólogos, uma profissão que nem área da saúde é, mas das humanas. Tem algo de podre neste reino. Há uma briga exposta entre psiquiatras e psicólogos. Uma queda de braço. Enquanto isto nossos doidos que vão-se pros quintos dos infernos.

Maxwell Barbosa Medeiros (09/06/2009 - 07:18)
"Não vamos dourar a pílula: não é fácil amar o desviante do padrão de normalidade, pois é extenuante amar a quem só dá trabalho." Eu que o diga, meu irmão mais velho é Autista, terá a mente de uma criança por toda a vida.

Lucas Jerzy Portela (09/06/2009 - 07:08)
e isso não entrei em considerações subjetivas pessoais dele. Por exemplo: não se tem dois filhos psicóticos por mero acaso genético (embora este seja fator importante). Não tem filho psicótico quem quer, ou quem tira na loteria - mas quem pode.

Me parece que ele nunca se dispôs a ver o que, na ordem de seu desejo, o impediu de instaurar o Nome do Pai em suas crianças...

é algo que eu, se tivesse filhos psicóticos, faria: deitar no divã pra vir a entender qual minha co-responsabilidade neste estado de coisas.

Lucas Jerzy Portela (09/06/2009 - 07:05)
o que há é que a Política Nacional prevê perfeitamente internações em crise, mas em outros modelos como os CAPS III. E mesmo em hospitais psiquiátricos, desde que curtas e fora do modelo manicomial. Inclui ainda (parte com a qual não concordo, mas entendo o que lhe causa ideologicamente) leitos psiquiátricos em hospital geral.

Não tem jeito: a postura de Gullar (que outrora tanto elogiou uma das pioneiras da reforma psiquiátrica mundial, Nise da Silveira) é tão reacionária quanto apoiar Sarney - a quem ele apoia.

opa opa (09/06/2009 - 00:47)
jose carlos, vc ta meio desinformado, pois gullar também lia merleau-ponty e ajudou a escrever o manifesto neoconcreto. não sabe? fica quieto! shhhhhhh....

jose carlos lima (08/06/2009 - 23:27)
Gullar ainda vive sob os parâmetros do movimento concretista.
Este movimento defendia uma poesia racional, matemática.
O concretismo foi substituido pelo neoconcretismo.
O neoconcretismo trouxe loucos do quilate de Hélio Oiticica e Lygia Clarck.
A não ser que Gullar tenha reformulado suas idéias dias atrás, mas até recentemente ele atacava o neoconcretismo.
Assim como ataca também o avanço no campo da psiquiatria.

www.josecarloslima.blogspot.com


Jane Feitosa (08/06/2009 - 21:55)
Sabe o que acho? Que há cruzes e cruzes. E pessoas e pessoas. E famílias e famílias. Não venham me dizer que não é uma cruz o cuidado com doentes mentais. Sempre é. Uns mais, outros menos. Agora ter de aguentar uns tais especialistazinhos dizerem que a família tem de aguentar tudo até morrer, ser assassinada, é demais. O governo tem de arcar com a sua responsabilidade também de apoiar o doente sempre que uma internação for indicada tbém. Não é o que está acontecendo. Há doentes mentais que dá pra conviver numa boa naquele sofrimento todo que só quem toma conta deles sabe. Mas há uns que não dá. Ou não dá em determinado tempo.

Marcia (08/06/2009 - 21:27)
Acho que quem criticou foi o pai, não o poeta.
O assunto é controverso.
Tenho duas tias que viveram dentro e fora de hospitais psiquiátricos, eram PMD , bi polar, em estado muito evoluuído da doença. Uma delas morava conosco e quando entrava em crise fazia horrores impublicáveis.
Não sou a favor de depósitos de doentes, mas há casos e CASOS.

Amyra El Khalili (08/06/2009 - 21:26)
Muito bem Fátima! Eu sei, na vida, o que é isso!



Comente este Texto
Email: viomundoteve@msn.com Receba o conteúdo do site via RSS developed by: webmasters online design by: kallore design