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A gripe dos porcos e a mentira dos homens

Atualizado e Publicado em 04 de maio de 2009 às 18:12

A gripe dos porcos e a mentira dos homens

Por Mauro Santayana

O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em LaGlória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. LaGlória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em LaGlória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.

Os moradores de LaGlória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de LaGlória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos.

A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, BerthaCrisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreiana comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país, nem às suas leis - somente às leis do país de origem.
 
O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.

Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a OrganicConsumersAssociation, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.

As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada "ação social". Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu– argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.

O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de LaGlória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.
 
Data: 01/05/09 06:10


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
John Bastos (09/05/2009 - 02:38)
"A criação em pequena escala - no nível da exploração familiar - tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco."

Eh assustador como esse tal de Mauro Santayana pode ser tao burro... A agricultura familiar eh aquela que eh praticada no Malawi, na Ruanda... Nao deve ter gripe suina naqueles paises, genio! A razao pela qual vivemos hoje 70 anos na media e fome eh um problema de poucos em nosso pais eh porque a agricultura familiar virou uma pequena nota de rodape especializada em pequenas culturas para o mercado local.

John Bastos (09/05/2009 - 02:31)
"o que levou o México ao atual estado de degradação (drogas, desemprego, destruição da indústria, etc)."

Destruicao da industria no Mexico?! Quanta ignorancia. No mundo real, o Mexico tem mais emprego (%) na industria que o Brasil. No mundo real, o setor industrial mexicano decolou depois do NAFTA... Eh impressionante como ler pasquins de esquerda emburrece os otarios. Deveriam ter rotulo do Ministerio da Saude: "Ler Carta Maior vai destruir seus neuronios." E o pior que os cabras nao tem vergonha na cara, tem a cara de pau de escrever que o NAFTA destruiu a industria mexicana (algo completamente falso, nao deve demorar mais do que 2 minutos para comprovar usando o google), e nao existe torta na cara ou ridiculo que desabuse os cabras. Sao burros orgulhosos.

Marina Maria (05/05/2009 - 02:44)
Assisti uma entrevista de um especialista pela Rede Vida onde ele tratava justamente dos efeitos causados nos seres humanos devido a alimentação do animais mais consumidos pela sociedade.
Um exemplo e alerta que ele citou foi o frango. Em 45 dias se chega a condição de abate, quando com os métodos antigos precisávamos de - 6 meses. As consequências se notam nos nossos adolescentes que hoje possuem corpos mais avantajados que os correspondentes as suas idades. É o excesso de hormônio.
Ele relatou ter atendido casos de meninos que atingiram a idade sexual adulta aos 11 anos, coisa que antes era - aos 15. Meninas menstruando pela primeira vez aos 9 anos, o que antes ara aos 11 ou 12 anos.
Concluiu dizendo o que está acontecendo é a menopausa e andropausa precosse. Jovens o procurando para pedir ajuda por falta de ereção... querendo o maldito viagra.
Para concluir disse: "Se os pais soubessem o que estão colocando na mesa para seus filhos, não comprariam frango".
Precisa dizer mais? Estamos mesmo perdidos e morrendo pela boca.

Galerius (04/05/2009 - 23:22)
E a vaca louca deu a loucura por causa da ração. Pois vejam, a vaca não é um animal carnívero mas a ração do gado é composta em parte de farinha feita com carne de gado assim transformando um animal vegetariano em canibal, e com grande doses de antibiótocos e de hormónios que passam aos humanos atravez do leite e da carne consumida. Uma vez lí um caso de uma criança alérgica ao antibiótoco que morreu ao consumir carne de frango que tinha traços de antibióticos, pois os frangos são tambem tratados da mesma maneira. No Brasil, o gado, pelo menos até agora em grande parte ainda come pasto. Não sou fanático em questão de dieta mas estou sempre conciente disso pois em grande parte esses tambem são tratados com hormónios e antibióticos.

Naofil (04/05/2009 - 23:20)
O Amarildo é geneticamente modificado.

Pedro Miranda,Economista,Brasilia,DF (04/05/2009 - 21:58)
Esse Amarildo é um abestalhado!

Giovani (04/05/2009 - 21:38)
Tem que dar nome aos bois, pode ser gripe carroll ou smithfields. Devemos iniciar um movimento de divulgacao das empresas e produtos que causam estes danos para boicotarmos o consumo dos mesmos.

Adney Costa (04/05/2009 - 21:33)
Prezados,
a ALCA, que tanto encantava o adversário do Lula na última eleição, é a versão adaptada do NAFTA para a América do Sul. Procurem no Google artigos sobre "NAFTA", para perceberem o que levou o México ao atual estado de degradação (drogas, desemprego, destruição da indústria, etc).
Adney

PauloFRC (04/05/2009 - 21:19)
Po Amarildo.
Vc pisou na mixirica. Mixirica (ainda) nao é transgenica...

Gerson (04/05/2009 - 21:09)
Amarildo lhe ajudar:
Boa leitura e abraços fraternais.

Rotação de Culturas:
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/agricultura/agr_acoes_resultados/agr_solucoes_cases_rotacao/index.cfm

Por que Soja ??:
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/agricultura/agr_soja/

Contaminação da Água:

http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/agricultura/agr_soja/agr_soja_problemas/agr_soja_problemas_contamina/

Jaiminho (04/05/2009 - 20:16)
Amarildo, o Idiota, faz malabarismos verbais apenas pra ser do contra. Talvez ele gostasse de morar nesse lugar e chafurdar na lama com os "porquinhos" (acho que ele é fã do Serra).

Marco Antônio Leite - São Caetano do Sul-SP (04/05/2009 - 20:11)
Feijão contaminado, arroz carunchado, alface queimado, abobrinha só sai da boca dos políticos, nabo introduzido no glúteo do infeliz comensal. Laranja sem sumo, morango cheio de agrotóxico, segundo o patrão manga verde com leite faz mal. Abacaxi para o povo descascar, chá só de cânhamo, leite só de esperma, cana sem açúcar, ovos apenas embalados na bolsa escrotal, com direito a pinto. Carne somente de urubu, queijo vem diretamente do pé-de-moleque, carne de suíno esta proibida de comer para evitar a gripe do Palmeiras. O pobre com toda essa podridão que começa no feijão esta feliz porque não será obrigado a ver e lamber com a testa, ou seja, esta livre de passar mal e ter uma indigestão com toda essa poluição. A podridão não esta só na alimentação, esta também nos Palácios, Congresso e Câmara Federal, nem com um bom tempero dá para comer e nem engolir as barbaridades que ali acontecem.

Marko (04/05/2009 - 20:08)
No mundo "Ideal" do Amarildo, vulgo Poliana, Monsanto & Cia já eliminaram a fome no mundo.

No mundo d faz d conta dele não há pq se preocupar c/o fato das populações se concentrarem cada vez mais nas ou próximas às áreas urbanas, não mais produzindo ou tendo controle (nem ao menos parcialmente) d seu próprio alimento, dependendo no quesito alimentação totalmente da AgroIndústria, q por sua vez mais e mais monopoliza direitos sobre terras, produção, produtos e até seres vivos através da requisição d patentes.
No maravilhoso mundo véio-novo d Amarildo não conta o fato d, apesar do mundo produzir mais alimento do q pode dar conta a população mundial desde 1964, segundo a FAO, a fome aumentar cada vez mais.
Tb não conta o fato q a mesma fome antes da concentração da produção e distribuição alimentar, tivesse caráter "endemico", isto qdo ocorria, raramente degradando p/o "epidemico" e q hj, não só não é rara, como tem caráter "pandemico".
Amarildo, o fundamentalista-corporativo...

Gerson (04/05/2009 - 20:04)
Amarildo, exatamente isso que disseste.
E eu acrescento:
A agricultura familiar e pequenas propriedades é responsável pela maior parte da produção agrária de boa qualidade.

Algum dia você já comeu um ovo caipira ? Um tomate sem agrotóxico ?
Já ouvi falar em rotação de cultura ?
Combate biológico contra pragas ?
Cooperativismo ?




PauloFRC (04/05/2009 - 18:56)
chemtrais clonagem rações transgenicas super_hormonios = MERDA GLOBAL

Amarildo (04/05/2009 - 18:41)
Então seu Mauro Santayana,o ideal é criar os porquinhos chafurdando no lamaçal(uns oito meses até atingir o porte de abate),os franguinhos ciscando no terreiro(uns seis meses até o ponto de abate)enquanto isso a população mundial come um arrozinho orgãnico produzido nos assentamentos do mst(na raposa serra do sol)fechamos as sadias/perdigãos da vida que só servem para poluir,e nunca mais correremos o risco de epidemias do genero.PARABENS!!

Creuzo Oliveira (04/05/2009 - 18:39)
"Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país, nem às suas leis - somente às leis do país de origem." O tratado chama-se NAFTA.
Uauuuu, como uma Constituição permite isso?
Paredon para o NAFTA!



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