
Atualizado em 08 de janeiro de 2010 às 22:44 | Publicado em 08 de janeiro de 2010 às 22:24
por Luiz Carlos Azenha
A Folha de S. Paulo, que vazou o relatório assinado pela Eliane Cantanhêde (aquele, que colocou o caça sueco em primeiro, o americano em segundo e o francês em terceiro), baseou-se agora na entrevista de UM deputado para dizer que o jeito é adiar a decisão sobre a compra de caças para a FAB. A Folha ouviu dois deputados. Um falou em adiamento. Outro disse que ou Lula decide, ou adia.
Talvez a gente consiga descobrir avaliando a quem interessava o vazamento de um relatório, que nem tinha chegado ainda ao ministro da Defesa, colocando o caça sueco em primeiro, o caça americano em segundo e o caça francês em terceiro: com certeza interessava a suecos e americanos. Um relatório "técnico" -- que enquanto a gente não vê na íntegra deve ser atribuído à Cantanhêde -- tinha como principal argumento em favor dos suecos um dado financeiro: era o mais barato. Mas, de acordo com o Meirelles -- o do Globo, não o do Banco Central -- trata-se de um caça-fantasmas, de um avião (o sueco) que não voa e que ainda assim deixaria o Brasil dependente das ordens do Pentágono.
Melar o negócio agora, à espera de novas circunstâncias, de "facilidades", a quem interessa?
Deixa eu ver: a Washington, com absoluta certeza. Primeiro, porque o fabricante americano continua no páreo. Depois, porque bombardeia a tentativa do governo Lula de triangular com a França e a União Europeia como parceiros estratégicos no Hemisfério Sul. Washington nos vende aviões sobre os quais, indiretamente, terá controle. Aviões que o Brasil usará para se defender, por exemplo, de uma tentativa da Quarta Frota francesa de tomar conta do pré-sal. Como vocês sabem, desde os tempos de Napoleão a Quarta Frota francesa anda por aí, derrubando governos da América Latina, instalando bases na Colômbia, etc.
Por trás da "crise militar" há, obviamente, fortíssimos interesses. Comerciais e geopolíticos. E a Folha, assim como o Estadão -- em editorial -- agora prega o adiamento da decisão. O Estadão, aliás, disse que o jato da França não faz falta, com o seguinte argumento:
De todo modo, a ideia de que a aquisição do Rafale é indispensável à parceria estratégica entre o Brasil e a França não se sustenta.
Pode não ser indispensável aos franceses. Pode ser a melhor opção para o Brasil, se houver -- como prometem os franceses -- transferência completa de tecnologia.
Muito curiosa essa coincidência entre as ideias da Folha e do Estadão: os dois pregam agora o adiamento do negócio. Ou não seria mera coincidência?
Um dia será preciso investigar os investigadores: porque a Folha, o Estadão e a Globo se meteram até o pescoço na "crise militar"? A serviço de quem? Duvido que estejam a serviço do Brasil.
08/01/2010 - 19h19
Lula avalia possibilidade de adiar decisão sobre compra de caças, dizem deputados
MARCIO FALCÃO
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Parlamentares da base aliada do governo e da oposição afirmam nesta sexta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode deixar a decisão sobre a compra de 36 aviões-caça da FAB (Força Aérea Brasileira) para o seu sucessor.
Em meio ao impasse entre as áreas técnica e política do governo sobre a compra das aeronaves, deputados afirmam que o adiamento da decisão seria a solução para evitar desgastes ao presidente --tanto com o governo francês quanto com a área militar do governo.
"O atual encaminhamento do processo de escolha do processo de renovação dos aviões da FAB coloca em risco a tomada de uma decisão estratégica para a defesa do país. Nas conversas que nós temos, é claro o sentimento que algumas autoridades de que esse projeto corre o risco de ser adiado indefinidamente", disse o deputado Rocha Loures (PMDB-PR).
Segundo o deputado, que é relator na Câmara do projeto que discute mudanças no Código Brasileiro de Aeronáutica, interlocutores de Lula afirmam que o presidente ficou insatisfeito com o vazamento à Folha do relatório técnico da Aeronáutica sobre os caças. Por isso, de acordo com Loures, Lula estaria avaliando a possibilidade de adiar a decisão.
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, disse acreditar na possibilidade de Lula adiar a decisão sobre a compra das aeronaves. "O projeto FX-2 começou lá atrás, no governo Fernando Henrique Cardoso. O Lula ou faz acordo com a França, ou deixa isso para frente. Não vejo espaço para uma terceira opção", afirmou.
Jungman afirmou que o adiamento da decisão pode trazer problemas à campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência da República. "Pode se transformar em um peso político-eleitoral. Algo que se manteve no âmbito técnico-político, agora pode descambar no ano eleitoral", afirmou.
Relatório
Reportagem da Folha publicada hoje afirma que o ministro Nelson Jobim (Defesa) apresentará ao presidente Lula seu próprio relatório sobre a renovação da frota da FAB (Força Aérea Brasileira), podendo rever o critério de pontuação dos seis itens avaliados tecnicamente para cada avião e que, confrontados, deram o primeiro lugar ao sueco Gripen NG, fabricado pela empresa Saab.
A Aeronáutica manteve o ranking antecipado pela Folha na última terça-feira para a compra dos 36 caças por até R$ 10 bilhões: o Gripen NG em primeiro lugar, o F-18 da Boeing norte-americana, em segundo, e o Rafale, da Dassault francesa, em terceiro. O francês é o preferido de Jobim e de Lula, que defendem negócio com a França porque o país é seu 'parceiro estratégico', com o qual assinou grande acordo militar em 2009.
Lula chegou a anunciar ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, em setembro do ano passado, que o Brasil estava disposto a negociar com o país europeu a compra dos aviões. A FAB, por sua vez, elegeu o avião sueco como preferido da área militar.
Jobim, porém, irá analisar todas as informações e a confrontação de dados e poderá fazer a reavaliação do sistema de pesos e notas para cada critério antes de levar uma posição da Defesa a Lula, a quem cabe a decisão final da compra. Como hipótese: a Aeronáutica pontua mais a questão operacional (20%) e menos a contrapartida comercial (15%), e Jobim não descarta, em tese, inverter esse peso.
Arnaldo (09/01/2010 - 01:54)
Se não me engano o suicidio de Getulio Vargas,foi obra da Aeronáutica, Juscelino, teve que aturar duas revoltas também da Aeronáutica e agora estão aporrinhando o Lula, só que agora os tempos são outros, tá na hora da sociedade dar um basta nestas tentativas de fabricar crises politicas, para favorecimento de um determinado grupo.
ARNALDO,você está coberto de razão,o suicidio de Getulio foi obra da aeronautica.o grande sonho de getulio era ser piloto,fez todos os testes e foi aprovado,o unico problema é que ele não cabia na cabine do T6,ai deu no que deu...
Os tempos são outros,mas esse que está no lugar que foi do Getulio,não passaria nem nos exames para trocar pneu de avião.