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A aliança de Obama com a direita

Atualizado em 29 de novembro de 2009 às 23:31 | Publicado em 29 de novembro de 2009 às 23:17

November 26, 2009
O retorno da triangulação

Prepare-se para a aliança Obama/Republicanos

By JEFF COHEN, no
Counterpunch

Com Obama defendendo uma grande escalada militar no Afeganistão, a história pode muito bem se repetir com vingança. E não é apenas o caso de compará-la com LBJ [Lyndon Johnson], que destruiu a sua presidência nos campos de batalha do Vietnã e entregou o poder a Nixon e ao Partido Republicano.

Existe outro paralelo amedrontador: Obama parece seguir os passos de Bill Clinton, que obteve seu maior "triunfo" legislativo -- o NAFTA [acordo comercial com o Canadá e o México] -- graças a uma aliança com os republicanos que derrotou uma forte oposição de militantes e democratas.

Foi há 16 anos neste mês que Clinton formou sua coalizão com o Partido Republicano para atropelar o ceticismo público com o tratado comercial e derrotar o movimento contra o NAFTA liderado por sindicatos, ambientalistas e grupos de defesa dos consumidores. Como Clinton obteve sua maioria no Congresso? Com os votos de quase 80% dos senadores republicanos e com quase 70% dos deputados republicanos. Os democratas no Congresso votaram contra o NAFTA na proporção de 3 a 2, com a oposição incluindo os líderes democratas nas duas casas.

Para conseguir maioria hoje no Congresso sobre o Afeganistão, a Casa Branca de Obama aparentemente vai replicar a farsa trágica de Clinton: ignorar as dúvidas em seu próprio partido e fazer aliança com os extremistas republicanos que nunca aceitaram sua presidência em primeiro lugar.

As conspirações não são novidade para o Partido Republicano. Clinton causava um desprezo similar [ao causado por Obama] na direita, apesar de sua política centrista e amigável com as corporações. Quando líderes conservadores como Newt Gingrich e Dick Armey deram a Clinton (e à elite corporativa) a vitória no NAFTA, isso não evitou que operadores da extrema-direita continuassem a circular vídeos malucos acusando Clinton de promover o assassinato de repórteres e outros.

Para os que elegeram Obama, é importante relembrar a espiral que se acelerou depois que a aliança de Clinton com os republicanos passou o NAFTA. Deveria causar alarme entre nós agora o que acontece no Afeganistão.

O NAFTA foi seguido rapidamente pelo debacle de Clinton na reforma de saúde, uma "reforma" desenhada especialmente pelas grandes companhias seguradoras, seguida da chocante derrota dos democratas nas eleições legislativas de novembro de 1994, quando ativistas sindicais e progressistas estavam letárgicos e a direita acelerada colocou Gingrich na cadeira de líder do Congresso.

Um ano depois, assessorado por seu estrategista-chefe, Dick Morris (sim, o que agora detona Obama na Fox), Clinton declarou: "A era do grande governo acabou". Nos anos seguintes, Clinton provou que a era dos grandes negócios estava longe de acabar -- trabalhando com líderes republicanos ele deu bem-estar corporativo aos conglomerados da mídia (Ato de Telecomunicações de 1996) e aos bancos de investimento (abolição do Ato Glass-Steagall de 1999).

Hoje, é crucial perguntar para onde vai Obama. Do estímulo aos bancos à reforma de saúde, ele demonstrou a mesma tática de Clinton de atropelar os progressistas no Congresso em busca de corromper legislação e de fazer acordo com os democratas que representam corporações ou os republicanos "moderados". Enquanto isso, o incrível encolhimento da "opção pública" tornou-se uma piada doentia.

[Nota do Viomundo: A opção pública pretendia oferecer aos estadunidenses a oportunidade de, querendo, escolher um seguro de saúde administrado pelo governo federal. Com isso, acreditavam os progressistas, seria possível aumentar a competição e reduzir os preços. Mas, pelas versões do plano que estão no Congresso, o resultado final poderá obrigar todo estadunidense a ter seguro de saúde comprado de empresas privadas!].

Ele vai de recuos nas liberdades civis à reforma de saúde que contempla interesses corporativos, à sua promessa típica de Bush de "acabar o serviço" no Afeganistão. A busca de Obama por apoio republicano no Congresso para financiar a escalada de tropas [no Afeganistão] poderá ser o golpe final para desorientar e desmobilizar os ativistas progressistas que o elegeram no ano passado.

Através dos séculos, nenhum poder estrangeiro conseguiu "acabar o serviço" no Afeganistão, mas o presidente Obama pensa que ele é um comandante-em-chefe duro o suficiente para conseguir isso. Que pena que ele não demonstrou essa dureza para enfrentar os republicanos ou os lobistas corporativos [na reforma do sistema de saúde]. Com eles, ele é o "negociador-em-chefe".

Quando você começa no centro (vamos dizer, na reforma de saúde ou Afeganistão) e rapidamente dá vários passos à direita para aplacar os políticos direitistas, os lobistas ou os generais, por definição você está governando como um conservador.

Tem havido um queda gradual na esperança de mudança real que muitos americanos sentiram na noite de eleição, em novembro de 2008. Para alguns de nós que acompanhamos o governo Clinton no início dos anos 90, a esperança morreu dias depois da eleição de Obama quando ele escolheu como chefe da Casa Civil Rahm Emanuel, um estrategista de Clinton que arquitetou a aliança que aprovou o NAFTA no Congresso.

Se Obama não mudar na questão das tropas no Afeganistão (assim como Clinton lutou ferozmente pelo NAFTA), só uma mobilização sem precedentes de progressistas -- alguns dos quais trabalharam incessantemente para eleger Obama -- será capaz de enfrentá-lo. Acreditem em mim: os republicanos que gritam contra os déficits orçamentários de Obama quando obstruem a reforma do sistema de saúde vão se tornar amigos do déficit para gastar 1 milhão de dólares por ano por soldado (sem mencionar os contratos terceirizados) que segue para a Ásia.

A única notícia boa que posso ver: talvez uma aliança da Casa Branca com os republicanos para promover a escalada de tropas no Afeganistão fará acordar os grupos liberais (como o MoveOn) para que tenham uma visão mais crítica das políticas de Obama.

Jeff Cohen é professor de Jornalismo e foi do grupo Democratas Progressistas dos Estados Unidos.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Mário (02/12/2009 - 14:08)
Como justificar agora a entrega do Nobel da paz para quem invade nações livres, mata seus civis e agora fortalece ditaduras?

Mário (02/12/2009 - 14:06)
Que artifício retórico será agora utilizado pela nossa esquerda virtual de classe média pra esconder a verdadeira face do Impeador, que agora está à vista de todos os súditos depois da queda de sua máscara?

John Bastos (30/11/2009 - 22:46)
Obama está de parabéns por ter ouvido a voz do povo hondurenho que renegou o bolivarianismo tacanho de Zelaya.

Se não fossem os EUA ou se dependesse de nossos diplomatas, hoje Honduras estaria em uma guerra civil - aliás esse era o objetivo de nossa política externa: transformar Honduras em mais uma Cuba, mais uma triste Nicaragua.

Mas Amorim perdeu, mais uma vez a política externa perneta, vagabunda, pilantra, canalha do governo Lula foi derrotada, foi humilhada. O mundo inteiro hoje sabe que a política externa brasileira não tem forca nem para dobrar a vontade de Honduras, que Amorim é uma criatura ridícula, derrotada.

Amorim, pede para sair. Para de envergonhar o seu país, seu pequeno canalha.

JB

http://infinitoaldoluiz.blogspot.com/ (30/11/2009 - 14:37)
Meu caro Azenha.
Acrditam os crédulos distraidos e os sonambúlicos de boa fé, que Obama, o LIER está sob ataque da direita. E há os que acreditam sejam atataques dos da esquerda... Mas ele foi contratado para o papel de "super star aspone gerente" da agora eufemística New World Order escravagista, sempre nos acomodando aos "novos tempos" com idéias "revolucionárias de yes we can aliança para o progresso", "new mundo novo" (na verdade o mundo velho, OLD NAZI-SIONISTA e reacionário sempre em nova embalagem, NO MOMENTO O MUNDO ESTÁ CONSUMINDO O SABOR OBAMA), neo isso e neo aquilo que eles mesmos nos impõem a troco de subserviência compulsória aos seus ditames de escassez controlada de tudo por interesses inconfessos de seus banqueiros no cume da pirâmide, sempre para seu próprio benefício (A ELITE GOVERNANTE) e nunca para o bem da humanidade. A humanidade está numa prisão midiática e para eles não passamos de força de trabalho escrava e sempre descartável.

Sinto muito, sou grato.

Fernando Frota (30/11/2009 - 14:29)
Para aqueles que só se guiam por categorias, gostaria de lembrar que a catalogação das ações humanas por meios transmissíveis e inteligíveis tem no mínimo quinze mil anos, com pouca diferença sobre os subterfúgios e as assertivas da construção e da manutenção do poder. Quando o imperador Obama subiu ao trono pela vontade dos mais humildes e pediu um voto de confiança , este voto foi uma confissão de que sua sincera vontade não poderia ser satisfeita sem uma equação de ações que envolve muito tempo e muita diplomacia nacionalista interna. No calor da eleição que é para o mundo grego a maior das festas, foi acertado com os eleitores que os perigos para tornar as promessas e os sonhos em realidade, dos perigosos caminhos e ínvios que obrigatoriamente viria a trilhar, serisam jamais condenados em meio de caminho. E a luta contra os demônios dos caminhos não é simplesmente bruta mas principalmente de inteligência e de muita esperteza. E não é coisa do dia para a noite.

Fernando Frota (30/11/2009 - 13:46)
Ele está enganado. Obama nã está fazendo alianças com a direita nem é uma versão leve de Bush. Os EUA estão repetindo na Broadway uma peça que já foi encenada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Os que ansiavam por transformações rápidas vão ter que esperar por no mínimo oito longos anos. Obama está tentando fazer alianças com políticos profissionais, para definir um centro. Um centro bipartidário que o apoie para que seu governo tenha viabilidade e mobilidade. A ida de Obama a Copenhague foi uma decisão fundamental. Ainda bem que ele teve a lucidez de resistir aos que queriam confiná-lo em Washington durante a conferência mundialsobre as mudanças de clima no planeta por conta dos exageros da ação do Homem. Senão a Alemanha assiumiria a liderança mundial sobre o assunto e ele pderia prestígio.

Urbano (30/11/2009 - 12:58)
MILA! Como sempre você é genial. Ratifico seus pensamentos sobre O Obama e o império decadente.

leonel (30/11/2009 - 12:39)
para resumir em uma palavra so obama e uma merd.... que bush defecou

Fernando Augusto, RJ (30/11/2009 - 12:23)

O imperativo dos empregos de Paul Krugman

Se você está procurando emprego agora, suas perspectivas são terríveis. Há seis vezes mais americanos buscando trabalho do que há vagas abertas, e a duração média do desemprego - o tempo médio que o candidato gasta à procura de trabalho - é mais do que seis meses, o nível mais alto desde 1930. Você poderia pensar, então, que fazer algo sobre a situação do emprego seria a grande prioridade política. Mas agora que o colapso financeiro total foi evitado, toda a urgência parece ter desaparecido do debate político, substituído por uma estranha passividade. Há uma sensação generalizada em Washington, que nada mais pode ou deve ser feito, que apenas devemos esperar que a recuperação econômica chegue aos trabalhadores. Isto está errado e inaceitável. Sim, a recessão provavelmente acabou no sentido técnico, mas isso não significa que o pleno emprego tenha virado a esquina. Historicamente, as crises financeiras têm sido normalmente seguidas não apenas por recessões severas, mas pela recuperação anêmica; são geralmente anos antes que a queda do desemprego (volte) para alguma coisa parecida com os níveis normais.

Fernando Augusto, RJ disse:
30/11/2009 às 12:12
As elites norte-americanas estão enxergando a crise como uma oportunidade de aumentar a concentração de renda, pois já salvaram a própria pele através do presidente farsante que elegeram para ludibriar a classe trabalhadora dos EUA.
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/

mila (30/11/2009 - 09:16)
Nada freia a DECADENCIA dos USA, nem OBAMA freia. É o destino de todo imperio. ROMA foi assim. BUSH foi o condutor do desastre e peça principal. Teve gente da esquerda que achou pessimo a reeleição de BUSH. Eu, não. BUSH COM SEUS GOVERNO DESASTRADO era necessário para que os USA entrassem em decadencia, para que o novo (BRASIL, CHINA, RUSSIA, INDIA) pudesse surgir. BUSH e USA tinham o destino irremediavelmente ligados. Como acredito que OBAMA, TAMBEM, faz parte do destino decadente dos USA. E tem seu papel nele. Nem ROOSEVELT salvaria o imperio decadente. É esperar sentado para ver o fim...

mila (30/11/2009 - 09:07)
Gente, OBAMA esta sob ataque da direita e tem que ceder em algumas coisas. Infelizmente, para o povo hondurenho, foi honduras, país, desculpem-me, insignificante no cenário mundial.O Brasil fez o que podia e e Lula está de consciência limpa. Por outro lado, a entrega de Honduras significará mais derrotas para OBAMA. Ninguem se agacha impunemente. A extrema direita americana agora se acostumou com OBAMA cedendo e vai exigir mais. Mas não esqueçam, os USA esta em plena DECADENCIA e pouco poderá ser feito para salvár o imperio decadente que desce ladeira abaixo. O povo dos USA mal acostumado vai chiar e cabeças vão rolar e se OBAMA não se cuidar a dele rola junto. É questão de pouco tempo...

Klaus (30/11/2009 - 08:46)
Só o Obama faz alianças espúrias? No Brasil, todos os presidentes não fizeram? FHC e Lula não fixeram? q

Klaus (30/11/2009 - 08:46)
Só o Obama faz alianças espúrias? No Brasil, todos os presidentes não fizeram? FHC e Lula não fixeram? q

Maria Dirce (30/11/2009 - 07:42)
Ou é assassinado ou faz alianças, ninguém governa impunemente nos Usa.O discurso i have a dream, uma falácia de campanha , quem realmente fez o discurso I have a dream,Martin Luther King foi assassinado!!!!!!!!!!

Filipe Rodrigues (30/11/2009 - 01:45)
Esse pessoal da terceira via, que são ex-partidos sociais-democratas que viraram de direita (Democratas (EUA), Trabalhistas (Inglaterra), SPD (Alemanha) e PSDB (Brasil))correm o risco de desaparecerem do mapa político. Nas próximas eleições legislativas nos EUA, podemos experimentar um expressivo crescimento de votos nos partidos independentes e uma queda republicana e democrata. Depois do fortalecimento da esquerda na América Latina, começa a ocorrer o mesmo na Europa, as recentes eleições (Portugal e Alemanha) mostraram um fortalecimento de partidos de esquerda de influência Chavista e Petista.

LIma (30/11/2009 - 00:29)
Como fica o premio nobel do obama? A academia vai tomar?

André (30/11/2009 - 00:17)
Trecho do filme :

"Neste filme provaremos que Obama diz uma coisa e faz outra e que trabalha para a mesma elite a que Bush servia. A mesma elite operando a quebra da economia e a formação de um Governo Mundial ditatorial. Este filme não se trata de Esquerda ou direita. É não-partidário.
Se a humanidade tem alguma esperança de causar alguma mudança, não virá dos escritores da falsa
realidade de Madison Avenue, que lançaram Barack Obama como o salvador do mundo."

André (30/11/2009 - 00:06)
http://www.youtube.com/watch?v=eAaQNACwaLw

Quando vi esse documentário confesso que não dei a devida atenção. Há muito nele que cada dia faz mais sentido.



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