Atualizado em 19 de fevereiro de 2008 às 19:23 | Publicado em 19 de fevereiro de 2008 às 18:48
WASHINGTON - Hoje eu estou me divertindo com a rede CNN. A emissora passou o dia esperando um levante em Havana. Monitorando emissoras de Cuba, do Chile, uma estatal venezuelana e a Globovisión, a jornalista americana estranhou que a programação seguia normalmente, sem interrupções. Acho que eles estavam à espera de um quebra-quebra. O repórter da emissora, falando ao vivo de Havana, não tinha o que mostrar.
Por outro lado, a emissora não deu o destaque devido à vitória dos partidos de oposição no Paquistão. O partido do general Pervez Musharraf foi esmagado. Os herdeiros de Benazir Bhuto conseguiram 87 cadeiras no parlamento, contra 66 do partido de Nawaz Sharif, que prega dialógo com os extremistas religiosos. O partido do governo conquistou 38 cadeiras no Parlamento. Sharif quer a renúncia imediata do presidente apoiado pelos Estados Unidos. Os resultados não são definitivos. Se a oposição conquistar dois terços do Parlamento pode pedir o impeachment de Musharraf.
Fiquem com fotos de Cuba que fiz em recente viagem à ilha:

Os velhos sobrados do centro de Havana estão dilapidados. A moradia continua sendo um dos problemas mais graves da ilha.

Carros antigos são recuperados para servir de lotação.

Jovem com camiseta e boina de Che Guevara caminha pelo Malecón, o calçadão de Havana.

Nas ruas, só propaganda política; essa, anunciando um filme fictício em que George W. Bush é "El Asesino".

A sensação no centro de Havana é de uma cidade do interior do Brasil. É, de longe, a cidade mais bonita do Caribe, apesar dos prédios dilapidados.

As praias de Varadero são lindas, mas os cubanos não podem frequentá-las. São exclusivas de turistas estrangeiros. Os cubanos que trabalham nos hotéis fazem um trocado "por fora" vendendo clandestinamente caixas de charuto e outros bens.

Numa estrada do interior, um lembrete do culto a Che Guevara.

Parece um caminhão mas é a carreta que puxa um ônibus articulado. O transporte público é sofrível.

Os arquitetos que visitam Havana ficam enlouquecidos só de pensar em dar uma reforma geral no casario da capital cubana.

Na praça da Revolução, o prédio com a imagem de Che Guevara foi usado como cenário diante do qual milhões já se reuniram para ouvir os discursos de Fidel Castro. Dizem os cubanos que os discursos duravam tanto tempo que continuam ecoando na praça até hoje.
Me pergunto se no Brasil ou nos EUA o povo tem o hábito de ler jornal com essa regularidade, e é antenado com o que se passa no país e se sente responsável por ele e pelo que se passa.