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O REFÉM DE PABLO ESCOBAR

Atualizado em 25 de março de 2008 às 00:30 | Publicado em 25 de março de 2008 às 00:25

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A foto acima foi publicada pelo principal jornal da Colômbia, El Tiempo. O senhor de cabelos grisalhos, à esquerda, é o repórter cinematográfico Ronaldo Sousa. Apareço ao lado do vice-presidente da Colômbia, o jornalista Francisco Santos, reeleito em maio de 2006 para mais quatro anos de mandato na chapa de Álvaro Uribe.

Fiquei impressionado com o esquema de segurança que cercava o Pacho, como ele é conhecido na intimidade. Quando acabou a entrevista, que aconteceu numa emissora de rádio de Bogotá, pedimos a Francisco Santos que nos acompanhasse até a rua, para que Ronaldo tivesse a chance de fazer algumas imagens.

Quatro homens do tamanho de guarda-roupas nos cercaram, fazendo uma parede humana para proteger Pacho - apesar da rua vazia. Dá para entender a razão de tanta precaução. Francisco Santos foi seqüestrado a mando do narcotraficante Pablo Escobar nos anos 90. O bandido queria algumas fichas para usar contra o governo numa negociação de vida ou morte.

Escobar se entregou em troca da desistência das autoridades de extraditá-lo para os Estados Unidos. Usou vários reféns importantes como peças da negociação - entre eles o atual vice-presidente. Francisco Santos é filho de Hernando Santos, dono do El Tiempo.

No livro Notícias de um Seqüestro, Gabriel García Márquez descreveu com maestria esse período conturbado da história colombiana.

Sobre o seqüestro de Pacho Santos:

"O carro dele era um jipe vermelho com aparência banal, mas blindado de fábrica, e os quatro assaltantes que o rodearam traziam não apenas pistolas 9 milímetros e submetralhadoras Mini Uzis com sileciador, mas um deles tinha um martelo especial para quebrar os vidros. Nada disso foi necessário. Francisco Santos (...) é um discutidor incorrigível. Antecipou-se para abrir a porta e falar com os assaltantes".

E mais: "Um dos seqüestradores imobilizou-o com uma pistola na testa e obrigou-o a sair do carro com a cabeça abaixada. Outro abriu a porta dianteira e disparou três tiros: um se desviou contra o vidro blindado, e dois perfuraram o crânio do chofer, Oromansio Ibáñez, de trinta e oito anos. Pacho não percebeu. Dias depois, recapitulando o ataque, recordou ter escutado o zumbido das três balas amortecidas pelo silenciador".

Francisco Santos passou oito meses no cativeiro. Chegou a planejar a fuga, mas quando decidiu pôr o plano em prática recuou no último minuto. Pretendia escapar pela janela do banheiro. Desistiu quando um dos guardas do cativeiro abriu repentinamente a porta.

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Ângela Maria Turbay foi a nossa produtora durante a viagem à Colômbia. Além de trabalhar em uma empresa estatal, ela também é oficial do Exército. Marcou a entrevista com o vice-presidente e conseguiu dobrar a burocracia para que fôssemos autorizados a visitar uma penitenciária de segurança máxima da Colômbia.

Ângela não trabalhou fardada, como aparece na foto acima. Vestiu-se assim só no dia em que eu e Ronaldo Sousa fomos a Medellín. A família de Ângela também sofreu durante o reino de Pablo Escobar. Uma prima, Diana Turbay, foi morta com um tiro nas costas quando o exército fez uma ação de busca e achou o cativeiro onde Diana era mantida refém.

Difícil encontrar um colombiano que não tenha sido direta ou indiretamente tocado pelo combate dos narcotraficantes ao governo.

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A capa do livro Killing Pablo, de Mark Bowden, traz uma imagem bizarra. Parecem caçadores em torno do corpo de Pablo Escobar, abatido no telhado de uma casa de Medellín.

Francisco Santos deu a volta por cima. De vítima de Escobar, ascendeu à vice-presidência. Perguntei a ele se pensava em se candidatar a presidente da Colômbia, em 2010. Não disse que sim, nem que não. Nunca imaginei que um dia eu iria à Colômbia para conhecer soluções contra o crime organizado que podem ser aplicadas no Brasil do PCC e do Comando Vermelho.

O vice-presidente parecia satisfeito, prevendo que o Brasil vai perder investimentos por causa da insegurança:

"Imagine o que pensa um empresário de São Paulo, que tem dinheiro para investir. Pode concluir que é melhor negócio apostar num país mais seguro, como a Colômbia"
.

Publicado originalmente em 2006


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Tatiana (08/04/2008 - 03:40)
claro... posso ouvir os gemidos da Ingrid afirmando isso.

O Chris Almeida - BH (25/03/2008 - 13:49)
A Colômbia é um país seguro?

maria santos (25/03/2008 - 12:27)
HEHEHEHE....que história!



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