Atualizado e Publicado em 02 de fevereiro de 2008 às 20:16

Nos lugares mais remotos do mundo, repórteres viajam carregando grandes quantidades de dinheiro vivo. Não há um caixa automático em cada esquina de Nova Delhi, na Índia. A caminho do aeroporto da capital indiana, de onde embarcaríamos para Nova York, o motorista parou o carro no acostamento. Era hora de fazer o acerto de contas com o jornalista indiano que foi nosso guia, o Rajan.

A foto acima mostra o saco de rupias que carregamos por todo o país, para pagar as contas. É por isso que todo repórter, se procurar em casa, encontra recordações monetárias dos lugares em que esteve.

Este dinar com a foto de Saddam Hussein, agora extinto no Iraque, foi sobra de uma viagem ao país. Lá, entramos com duzentos dólares em uma casa de câmbio. Saímos com uma pilha de dinares tão grande que foi preciso colocá-la numa sacola. Na hora de pagar a conta de um restaurante, entregávamos o pacote de notas para o garçom e confiávamos na honestidade dele.
É importante ter dinheiro vivo em lugares remotos. Pode servir para salvar a equipe de reportagem da prisão ou para facilitar o acesso a algum lugar. Bandidos sabem que correspondentes costumam trabalhar com dinheiro vivo no bolso.
A ocupação do Iraque acabou com a idéia de que jornalistas devem ser respeitados como testemunhas neutras da História. Lá, eles têm sido seqüestrados como fonte de renda para os terroristas. Desde a execução de Daniel Pearl, do Wall Street Journal, no Paquistão, a cabeça de jornalistas ocidentais vale prêmio entre os fundamentalistas islâmicos.
Publicado originalmente em 2005